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Marca-passo cardíaco: o que devemos saber sobre ele?

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Como funciona o sistema de batimentos cardíacos?

Os estímulos elétricos que estimulam os músculos1 cardíacos a se contraírem partem do nodo sinoatrial2, localizado na parte superior do átrio direito3 e que tem a função de ser um marca-passo4 natural, determinando a frequência e o ritmo do coração5. Daí os estímulos elétricos são conduzidos pelas ramificações nervosas que têm a finalidade de conduzir o estímulo elétrico até o nodo atrioventricular6, localizado no assoalho do átrio direito3. Desses dois nodos partem as fibras nervosas que conduzem os impulsos para todo o coração5 e que é a razão dos batimentos contínuos desse órgão. No entanto, esse sistema de condução elétrica pode sofrer bloqueios e não permitir a progressão dos impulsos e, em consequência disso, fazer o coração5 bater mais lentamente. Dependendo do tipo de bloqueio, um marca-passo4 artificial pode ser utilizado para emitir os impulsos necessários ao coração5 e conduzi-los aos locais desejados, mantendo o ritmo cardíaco normal ou próximo ao normal.

O que é marca-passo4 cardíaco artificial?

Um marca-passo4 cardíaco artificial ou simplesmente marca-passo4, como costuma ser referido, é um dispositivo projetado para tratar alguns tipos de bradicardia7 (ritmo cardíaco lento). O marca-passo4 é um pequeno aparelho para estimulação elétrica do coração5, composto por um circuito eletrônico miniaturizado e uma bateria removível que na falta de pulsação natural libera um impulso elétrico que leva o músculo cardíaco8 a contrair-se. O marca-passo4 é composto por uma pequena caixa metálica que contém circuitos eletrônicos e uma bateria que envia impulsos para compassar o coração5 se seu ritmo próprio é interrompido, é irregular ou está muito lento. Um fio isolado transporta o impulso elétrico do marca-passo4 ao coração5. O programador que regula o marca-passo4 é mantido em um hospital ou clínica.

Basicamente, há dois tipos de marca-passo4, escolhidos conforme a patologia9 do paciente:

  1. Marca-passo4 de câmara única, em que um eletrodo é colocado no ventrículo direito.
  2. Marca-passo4 de câmara dupla, em que são colocados dois eletrodos no lado direito do coração5, um no átrio e outro no ventrículo.

Quem deve usar um marca-passo4 cardíaco?

As pessoas com certas doenças cardíacas ou simplesmente em processo de envelhecimento podem adquirir um ritmo cardíaco irregular e/ou lento, levando a vertigens10, sensação de fraqueza, cansaço e desmaios. Nesses casos, o marca-passo4 ajuda a aliviar ou abolir esses sintomas11.

Como o marca-passo4 cardíaco é implantado?

O marca-passo4 é implantado por meio de uma cirurgia. Existem dois tipos de cirurgia:

  1. Cirurgia endocárdica, que consiste na introdução dos eletrodos através de veias12 que chegam ao coração5.
  2. Cirurgia epicárdica, em que os eletrodos são implantados diretamente no músculo cardíaco8.

A cirurgia endocárdica é relativamente simples e segura. O preparo para ela também é simples. Seguindo as orientações do médico, certas medicações que o paciente esteja tomando devem ser interrompidas ou ajustadas. Deverá ser observado um jejum de pelo menos seis horas antes do procedimento. A cirurgia é realizada sob sedação13 e anestesia14 local. O procedimento dura em torno de duas a quatro horas. Normalmente o marca-passo4 é implantado em uma “bolsa” colocada abaixo de uma das clavículas. Com o auxílio do Raio-X os eletrodos são colocados através da veia cava dentro do coração5.

E após a implantação do marca-passo4 cardíaco?

Logo após a colocação dos eletrodos são realizados vários testes para ter-se a certeza de que o aparelho esteja funcionando bem. O paciente deve permanecer em observação no hospital por 12 a 24 horas e antes da alta deverá fazer um eletrocardiograma15 e uma radiografia de tórax16 para verificar se os eletrodos estão na posição correta e para checar seus pulmões17.

  • O paciente deve evitar molhar a ferida e o curativo por cinco dias após o implante18.
  • Em caso de dor, tomar analgésicos19, se necessário.
  • Evitar movimentos amplos com o braço do mesmo lado do marca-passo4, bem como carregar peso.
  • O paciente sempre deve levar consigo a carteira de portador de marca-passo4. Ela lhe será necessária em várias ocasiões como, por exemplo, se tiver de passar por detectores de metal ou fazer certos exames.
  • Avaliações periódicas devem ser feitas pelo resto da vida, pelo menos a cada seis meses, para proporcionar um melhor aproveitamento do marca-passo4, identificar eventuais problemas em seu funcionamento e checar o estado da bateria.
  • Estando tudo bem, não há limitações para as suas atividades rotineiras como nadar, correr, jogar, dirigir, trabalhar, viajar, ter atividade sexual, etc.

Quais são os cuidados que o paciente deve ter depois de implantar um marca-passo4 cardíaco?

O paciente deve tomar cuidado para não receber um traumatismo20 que danifique o marca-passo4. Ao usar o telefone celular, deve procurar sempre falar do lado oposto ao marca-passo4. Em locais com detectores de metais, cruze rapidamente o campo magnético, evitando ficar parado nele. O paciente deve procurar obter orientação médica se tiver que submeter-se a uma ressonância nuclear magnética, radioterapia21, litotripsia ou procedimentos cirúrgicos que envolvam o uso de bisturi elétrico. Não há problemas para viajar de avião. Os pacientes devem apenas evitar entrar nas cabines de comando das aeronaves.

ABCMED, 2014. Marca-passo cardíaco: o que devemos saber sobre ele?. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/exames-e-procedimentos/569132/marca-passo-cardiaco-o-que-devemos-saber-sobre-ele.htm>. Acesso em: 22 fev. 2020.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Músculos: Tecidos contráteis que produzem movimentos nos animais.
2 Nodo Sinoatrial: Pequena massa de fibras musculares cardíacas modificadas, localizada na junção da VEIA CAVA SUPERIOR com o átrio direito. Os impulsos da contração provavelmente começam neste nó, propagam-se pelo átrio (ÁTRIO CARDÍACO) sendo então transmitidos pelo feixe de His (FEIXE ATRIOVENTRICULAR) para o ventrículo (VENTRÍCULO CARDÍACO).
3 Átrio Direito: Câmaras do coração às quais o SANGUE circulante retorna.
4 Marca-passo: Dispositivo implantado no peito ou no abdômen com o por objetivo de regular os batimentos cardíacos.
5 Coração: Órgão muscular, oco, que mantém a circulação sangüínea.
6 Nodo Atrioventricular: Pequena massa nodular formada por fibras musculares especializadas que estão localizadas no septo interatrial próximo ao óstio do seio coronário. Dá origem ao feixe atriventricular do sistema de condução do coração.
7 Bradicardia: Diminuição da freqüência cardíaca a menos de 60 batimentos por minuto. Pode estar associada a distúrbios da condução cardíaca, ao efeito de alguns medicamentos ou a causas fisiológicas (bradicardia do desportista).
8 Músculo Cardíaco: Tecido muscular do CORAÇÃO. Composto de células musculares estriadas e involuntárias (MIÓCITOS CARDÍACOS) conectadas, que formam a bomba contrátil geradora do fluxo sangüíneo.
9 Patologia: 1. Especialidade médica que estuda as doenças e as alterações que estas provocam no organismo. 2. Qualquer desvio anatômico e/ou fisiológico, em relação à normalidade, que constitua uma doença ou caracterize determinada doença. 3. Por extensão de sentido, é o desvio em relação ao que é próprio ou adequado ou em relação ao que é considerado como o estado normal de uma coisa inanimada ou imaterial.
10 Vertigens: O termo vem do latim “vertere” e quer dizer rodar. A definição clássica de vertigem é alucinação do movimento. O indivíduo vê os objetos do ambiente rodarem ao seu redor ou seu corpo rodar em relação ao ambiente.
11 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
12 Veias: Vasos sangüíneos que levam o sangue ao coração.
13 Sedação: 1. Ato ou efeito de sedar. 2. Aplicação de sedativo visando aliviar sensação física, por exemplo, de dor. 3. Diminuição de irritabilidade, de nervosismo, como efeito de sedativo. 4. Moderação de hiperatividade orgânica.
14 Anestesia: Diminuição parcial ou total da sensibilidade dolorosa. Pode ser induzida por diferentes medicamentos ou ser parte de uma doença neurológica.
15 Eletrocardiograma: Registro da atividade elétrica produzida pelo coração através da captação e amplificação dos pequenos potenciais gerados por este durante o ciclo cardíaco.
16 Tórax: Parte superior do tronco entre o PESCOÇO e o ABDOME; contém os principais órgãos dos sistemas circulatório e respiratório. (Tradução livre do original Sinônimos: Peito; Caixa Torácica
17 Pulmões: Órgãos do sistema respiratório situados na cavidade torácica e responsáveis pelas trocas gasosas entre o ambiente e o sangue. São em número de dois, possuem forma piramidal, têm consistência esponjosa e medem cerca de 25 cm de comprimento. Os pulmões humanos são divididos em segmentos denominados lobos. O pulmão esquerdo possui dois lobos e o direito possui três. Os pulmões são compostos de brônquios que se dividem em bronquíolos e alvéolos pulmonares. Nos alvéolos se dão as trocas gasosas ou hematose pulmonar entre o meio ambiente e o corpo, com a entrada de oxigênio na hemoglobina do sangue (formando a oxiemoglobina) e saída do gás carbônico ou dióxido de carbono (que vem da célula como carboemoglobina) dos capilares para o alvéolo.
18 Implante: 1. Em cirurgia e odontologia é o material retirado do próprio indivíduo, de outrem ou artificialmente elaborado que é inserido ou enxertado em uma estrutura orgânica, de modo a fazer parte integrante dela. 2. Na medicina, é qualquer material natural ou artificial inserido ou enxertado no organismo. 3. Em patologia, é uma célula ou fragmento de tecido, especialmente de tumores, que migra para outro local do organismo, com subsequente crescimento.
19 Analgésicos: Grupo de medicamentos usados para aliviar a dor. As drogas analgésicas incluem os antiinflamatórios não-esteróides (AINE), tais como os salicilatos, drogas narcóticas como a morfina e drogas sintéticas com propriedades narcóticas, como o tramadol.
20 Traumatismo: Lesão produzida pela ação de um agente vulnerante físico, químico ou biológico e etc. sobre uma ou várias partes do organismo.
21 Radioterapia: Método que utiliza diversos tipos de radiação ionizante para tratamento de doenças oncológicas.
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