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Ultrassonografia abdominal

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História da ultrassonografia1

Para a ultrassonografia1 médica, os dados históricos de maior importância começam em 1826, quando o físico francês Jean-Daniel Colladon mediu a velocidade do som na água pela primeira vez. No final do século XIX, os cientistas Lord Rayleigh e Paul Langevin fizeram descobertas importantes relacionadas à propagação do som na água. Langevin, um físico francês, foi responsável por desenvolver um dispositivo chamado hidrofone, que utilizava a capacidade do som de se propagar na água para detectar objetos subaquáticos, como icebergs. Esses fatos alicerçam, por assim dizer, a pré-história da ultrassonografia1.

A história do ultrassom remonta a meados do século XIX, quando cientistas e pesquisadores começaram a explorar os efeitos do som em diferentes materiais. Foi somente na década de 1940 que a tecnologia do ultrassom começou a ser aplicada na área médica. O médico austríaco Karl Dussik e seu irmão Friedrich Dussik, um físico, foram pioneiros na utilização do ultrassom para fins diagnósticos. Em 1942, eles publicaram um estudo sobre a utilização do ultrassom para detectar tumores cerebrais, utilizando um transdutor de cristal de quartzo imerso em água.

Nos anos seguintes, vários avanços tecnológicos foram feitos no campo do ultrassom médico. Em 1950, o engenheiro americano George Ludwig desenvolveu um equipamento chamado "A-scan" (varredura em amplitude), que permitia a visualização de ecos ultrassônicos em um osciloscópio.

Na década de 1960, o médico inglês Ian Donald e o engenheiro escocês Tom Brown desenvolveram a técnica do ultrassom modo-B (bidimensional), que permitia a visualização de estruturas internas em tempo real. Essa técnica revolucionou a prática médica, tornando possível visualizar órgãos internos, como o fígado2, os rins3 e o coração4.

A partir daí, o uso do ultrassom se expandiu rapidamente para diversas áreas da medicina, como obstetrícia, ginecologia, cardiologia, radiologia e muitas outras. O desenvolvimento de transdutores de alta frequência e sistemas de processamento de imagem mais avançados contribuiu para a melhoria da qualidade das imagens ultrassonográficas.

Hoje em dia, o ultrassom é uma das modalidades de imagens médicas mais utilizadas em todo o mundo. Com a constante evolução da tecnologia, novas aplicações e técnicas estão sendo desenvolvidas, tornando o ultrassom cada vez mais preciso, versátil e acessível.

O que é ultrassonografia1 abdominal?

A ultrassonografia1 abdominal é um exame de imagem não invasivo, extremamente seguro, que utiliza ondas sonoras de alta frequência (ultrassom) para produzir imagens da anatomia e de alterações dos órgãos abdominais, incluindo, entre outros, vasos sanguíneos5, fígado2, vesícula biliar6, pâncreas7, rins3, baço8, órgãos do sistema gastrointestinal, próstata9 (em casos masculinos) e ovários10 (em casos femininos).

Em cada órgão são realizadas medidas das dimensões e é observado o aspecto físico, em busca de alterações difusas ou focais. Existem três tipos de ultrassom abdominal:

  1. Ultrassom total de abdômen
  2. Ultrassom de abdômen superior
  3. Ultrassom de abdômen inferior

Os tipos são escolhidos pelo médico conforme a situação clínica que o paciente apresente.

Saiba mais sobre outros exames: "Radiografia", "Tomografia computadorizada11" e "Ressonância magnética12".

Por que fazer o exame de ultrassonografia1 abdominal?

A ultrassonografia1 abdominal deve ser solicitada em casos em que haja dores ou desconfortos nessa região do corpo, de causa ainda não identificada. Ela permite identificar, entre outras muitas coisas que estejam afetando órgãos dessa região, um aneurisma13 na artéria14 da aorta15, uma pancreatite16, alterações no fígado2, pedras na vesícula biliar6 ou pedras nos rins3, danos no baço8, tumores, cistos e abscessos17, além de permitir avaliar o crescimento irregular de um órgão interno, bem como o estreitamento ou dilatação das artérias18 do abdome19.

Como muitas dessas condições se desenvolvem de forma silenciosa, é importante incluir uma ultrassonografia1 abdominal como um exame componente do check-up regular habitual.

Esse exame pode ser usado para diagnosticar uma variedade de condições, como cálculos biliares, tumores, inflamação20, obstrução ou alterações na estrutura dos órgãos. No entanto, a ultrassonografia1 abdominal pode não fornecer imagens claras em pacientes obesos, com excesso de gases intestinais ou que tenham estruturas anatômicas difíceis de visualizar. Nesses casos, outros exames de imagem, como a tomografia computadorizada11 ou a ressonância magnética12, podem ser necessários para obter informações mais precisas.

Como é realizado o exame de ultrassonografia1 abdominal?

Embora a ultrassonografia1 abdominal seja um exame simples, poderá pedir algum preparo de muito fácil realização, que deve ser orientado pelo médico ou pelo serviço que procederá ao exame.

Para realização de uma ultrassonografia1 de abdômen, o paciente deve:

  • No dia anterior ao exame
  • evitar bebidas alcoólicas e alimentos muito gordurosos;
  • evitar alimentos que aumentem a produção de gases (refrigerantes, leite e derivados, feijão, repolho e outros);
  • evitar fumar;
  • fazer um jantar leve, no máximo até as 21 horas.
  • No dia do ultrassom
  • o paciente deve estar em jejum absoluto de no mínimo seis horas;
  • deve reter a urina21 por, pelo menos, duas horas antes do exame, para melhor visualização da bexiga22 e da próstata9;
  • ingerir pelo menos 4 copos de água uma hora antes do procedimento.

Durante o exame, o paciente é posicionado deitado na mesa de exame e um gel condutor é aplicado na pele23 para melhorar o contato entre o transdutor e a pele23. As ondas sonoras são emitidas por um transdutor eletromagnético24 que é colocado sobre a pele23 do abdômen e capturado pelo mesmo transdutor após ser refletido pelos órgãos internos. O médico desliza o transdutor suavemente sobre a pele23, obtendo imagens em tempo real do abdômen.

O exame é indolor e não apresenta riscos significativos. Após a realização do exame, o radiologista analisa as imagens para fazer o diagnóstico25 e pode fornecer um relatório detalhado ao médico solicitante. Com base nas descobertas da ultrassonografia1 abdominal, o médico poderá determinar o curso adequado de tratamento ou solicitar exames adicionais, se necessário.

Quais são as complicações possíveis com a ultrassonografia1 abdominal?

Uma ultrassonografia1 abdominal não comporta riscos. Ela não usa radiação e por isso os médicos preferem usá-la para verificar o desenvolvimento de bebês26 em grávidas. Além disso, a ultrassonografia1 fetal fornece imagens em tempo real do feto27 que podem ser guardadas como lembranças.

Não há evidências de que a ultrassonografia1 e os monitores de batimentos cardíacos causem danos aos fetos, no entanto, os médicos ainda não podem ter certeza de que não há riscos de longo prazo.

O ultrassom pode aquecer ligeiramente os tecidos do abdômen e, em alguns casos, pode formar bolhas muito pequenas em alguns tecidos. Os efeitos disso a longo prazo ainda não são bem conhecidos.

Leia também sobre "Ultrassonografia1 transvaginal" e "Ultrassonografia1 na gravidez28".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente do site da Mayo Clinic.

ABCMED, 2023. Ultrassonografia abdominal. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/exames-e-procedimentos/1439155/ultrassonografia-abdominal.htm>. Acesso em: 3 dez. 2023.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Ultrassonografia: Ultrassonografia ou ecografia é um exame complementar que usa o eco produzido pelo som para observar em tempo real as reflexões produzidas pelas estruturas internas do organismo (órgãos internos). Os aparelhos de ultrassonografia utilizam uma frequência variada, indo de 2 até 14 MHz, emitindo através de uma fonte de cristal que fica em contato com a pele e recebendo os ecos gerados, os quais são interpretados através de computação gráfica.
2 Fígado: Órgão que transforma alimento em energia, remove álcool e toxinas do sangue e fabrica bile. A bile, produzida pelo fígado, é importante na digestão, especialmente das gorduras. Após secretada pelas células hepáticas ela é recolhida por canalículos progressivamente maiores que a levam para dois canais que se juntam na saída do fígado e a conduzem intermitentemente até o duodeno, que é a primeira porção do intestino delgado. Com esse canal biliar comum, chamado ducto hepático, comunica-se a vesícula biliar através de um canal sinuoso, chamado ducto cístico. Quando recebe esse canal de drenagem da vesícula biliar, o canal hepático comum muda de nome para colédoco. Este, ao entrar na parede do duodeno, tem um músculo circular, designado esfíncter de Oddi, que controla o seu esvaziamento para o intestino.
3 Rins: Órgãos em forma de feijão que filtram o sangue e formam a urina. Os rins são localizados na região posterior do abdômen, um de cada lado da coluna vertebral.
4 Coração: Órgão muscular, oco, que mantém a circulação sangüínea.
5 Vasos Sanguíneos: Qualquer vaso tubular que transporta o sangue (artérias, arteríolas, capilares, vênulas e veias).
6 Vesícula Biliar: Reservatório para armazenar secreção da BILE. Através do DUCTO CÍSTICO, a vesícula libera para o DUODENO ácidos biliares em alta concentração (e de maneira controlada), que degradam os lipídeos da dieta.
7 Pâncreas: Órgão nodular (no ABDOME) que abriga GLÂNDULAS ENDÓCRINAS e GLÂNDULAS EXÓCRINAS. A pequena porção endócrina é composta pelas ILHOTAS DE LANGERHANS, que secretam vários hormônios na corrente sangüínea. A grande porção exócrina (PÂNCREAS EXÓCRINO) é uma glândula acinar composta, que secreta várias enzimas digestivas no sistema de ductos pancreáticos (que desemboca no DUODENO).
8 Baço:
9 Próstata: Glândula que (nos machos) circunda o colo da BEXIGA e da URETRA. Secreta uma substância que liquefaz o sêmem coagulado. Está situada na cavidade pélvica (atrás da parte inferior da SÍNFISE PÚBICA, acima da camada profunda do ligamento triangular) e está assentada sobre o RETO.
10 Ovários: São órgãos pares com aproximadamente 3cm de comprimento, 2cm de largura e 1,5cm de espessura cada um. Eles estão presos ao útero e à cavidade pelvina por meio de ligamentos. Na puberdade, os ovários começam a secretar os hormônios sexuais, estrógeno e progesterona. As células dos folículos maduros secretam estrógeno, enquanto o corpo lúteo produz grandes quantidades de progesterona e pouco estrógeno.
11 Tomografia computadorizada: Exame capaz de obter imagens em tons de cinza de “fatias” de partes do corpo ou de órgãos selecionados, as quais são geradas pelo processamento por um computador de uma sucessão de imagens de raios X de alta resolução em diversos segmentos sucessivos de partes do corpo ou de órgãos.
12 Ressonância magnética: Exame que fornece imagens em alta definição dos órgãos internos do corpo através da utilização de um campo magnético.
13 Aneurisma: Alargamento anormal da luz de um vaso sangüíneo. Pode ser produzida por uma alteração congênita na parede do mesmo ou por efeito de diferentes doenças (hipertensão, aterosclerose, traumatismo arterial, doença de Marfán, etc.).
14 Artéria: Vaso sangüíneo de grande calibre que leva sangue oxigenado do coração a todas as partes do corpo.
15 Aorta: Principal artéria do organismo. Surge diretamente do ventrículo esquerdo e através de suas ramificações conduz o sangue a todos os órgãos do corpo.
16 Pancreatite: Inflamação do pâncreas. A pancreatite aguda pode ser produzida por cálculos biliares, alcoolismo, drogas, etc. Pode ser uma doença grave e fatal. Os primeiros sintomas consistem em dor abdominal, vômitos e distensão abdominal.
17 Abscessos: Acumulação de pus em uma cavidade formada acidentalmente nos tecidos orgânicos, ou mesmo em órgão cavitário, em consequência de inflamação seguida de infecção.
18 Artérias: Os vasos que transportam sangue para fora do coração.
19 Abdome: Região do corpo que se localiza entre o TÓRAX e a PELVE.
20 Inflamação: Conjunto de processos que se desenvolvem em um tecido em resposta a uma agressão externa. Incluem fenômenos vasculares como vasodilatação, edema, desencadeamento da resposta imunológica, ativação do sistema de coagulação, etc.Quando se produz em um tecido superficial (pele, tecido celular subcutâneo) pode apresentar tumefação, aumento da temperatura local, coloração avermelhada e dor (tétrade de Celso, o cientista que primeiro descreveu as características clínicas da inflamação).
21 Urina: Resíduo líquido produzido pela filtração renal no organismo, estocado na bexiga e expelido pelo ato de urinar.
22 Bexiga: Órgão cavitário, situado na cavidade pélvica, no qual é armazenada a urina, que é produzida pelos rins. É uma víscera oca caracterizada por sua distensibilidade. Tem a forma de pêra quando está vazia e a forma de bola quando está cheia.
23 Pele: Camada externa do corpo, que o protege do meio ambiente. Composta por DERME e EPIDERME.
24 Eletromagnético: Que tem relação com o eletromagnetismo, ou seja, com o conjunto de fenômenos que dizem respeito à interação entre campos elétricos e magnéticos e sua inter-relação.
25 Diagnóstico: Determinação de uma doença a partir dos seus sinais e sintomas.
26 Bebês: Lactentes. Inclui o período neonatal e se estende até 1 ano de idade (12 meses).
27 Feto: Filhote por nascer de um mamífero vivíparo no período pós-embrionário, depois que as principais estruturas foram delineadas. Em humanos, do filhote por nascer vai do final da oitava semana após a CONCEPÇÃO até o NASCIMENTO, diferente do EMBRIÃO DE MAMÍFERO prematuro.
28 Gravidez: Condição de ter um embrião ou feto em desenvolvimento no trato reprodutivo feminino após a união de ovo e espermatozóide.
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