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O que é um esfíncter?

Monday, January 20, 2020
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O que é um esfíncter?

O que é esfíncter?

Esfíncter é uma estrutura muscular contrátil, geralmente em forma de anel, formada por fibras lisas circulares concêntricas, de controle involuntário, responsável por regular o grau de extensão de certo orifício, que ele abre ou fecha conforme a necessidade. O esfíncter se localiza na saída e/ou entrada de um órgão oco e tem a função de reter ou liberar seu conteúdo e impedir o refluxo dele. Existem pelo menos 43 esfíncteres no corpo humano, alguns deles microscópicos.

Qual é a função do esfíncter?

A palavra esfíncter vem do grego sphingein, que significa “segurar firme”, “aquilo que aperta”. Esse significado descreve muito aproximadamente sua função de reter e liberar o conteúdo de um órgão, garantindo assim uma direção progressiva à circulação de seu conteúdo. Eles abrem ou fecham a passagem de uma cavidade do corpo para outra ou uma abertura ao exterior, conforme a necessidade fisiológica do momento.

Os esfíncteres estão localizados nas aberturas de cavidades como a boca, a bexiga, o ânus, a vagina, músculo da pupila, esfíncter palatofaríngeo, dentre outros. Quase todos funcionam involuntariamente, embora alguns possam, em certa medida, sofrer um certo controle da vontade.

Quais são os principais esfíncteres do corpo humano?

Esfíncter cárdico

Também chamado de esfíncter esofágico inferior, pertence ao sistema digestório e situa-se na transição entre o esôfago e o estômago. À região de transição entre o esôfago e o estômago dá-se o nome de Cárdia. O esfíncter cárdico se abre para deixar passar o alimento deglutido e se fecha para evitar que aconteça o refluxo de material gástrico no esôfago.

Quando esse esfíncter funciona mal e permite que o conteúdo fortemente ácido do estômago retorne ao esôfago, a mucosa da porção distal desse órgão sofre uma severa irritação e pode vir a apresentar reações patológicas como inflamação e erosão da mucosa (consequências do refluxo gastro-esofágico), acalasia, esôfago de Barret e câncer de esôfago. Através uma endoscopia digestiva alta, a transição entre as mucosas esofágica e gástrica pode ser vista como uma linha que as separa e estará alterada nos casos de anomalias esfincterianas.

Esfíncter pilórico

Esse esfíncter é um espessamento da camada média do músculo do estômago ao redor do piloro (transição do estômago com o duodeno), que retém os alimentos no estômago até que sejam semi-digeridos e completamente misturados com os sucos gástricos. Dependendo da abertura desse esfíncter, é feito o controle da velocidade do esvaziamento gástrico, que pode ser maior ou menor.

O estreitamento dessa passagem, chamada estenose pilórica, pode ocorrer por uma hipertrofia congênita da musculatura (por isso muito comum em bebês) ou por uma deformidade provocada por cicatriz de uma úlcera.

Esfíncter anal

O esfíncter anal é um músculo situado no final do aparelho digestivo que mantém fechada a abertura do intestino grosso para o exterior, contendo as fezes, e que se abre para possibilitar a expulsão delas. Quando há fezes na porção final do intestino grosso, que se chama ampola retal, a pessoa sente necessidade de defecar.

Nesse momento, o músculo esfincteriano fica relaxado e pode abrir com um pequeno esforço da vontade. O esforço da pessoa para aumentar a pressão intra-abdominal, associado a um movimento expulsivo do próprio intestino, ocasiona a defecação. Em seguida pode voltar e se fechar, contendo novamente as fezes. Se esse mecanismo funciona mal, a pessoa pode sofrer de incontinência fecal. Nesse esfíncter podem surgir ainda outros problemas como prolapso retal, hemorroidas, defecação involuntária, liberação de fezes enquanto o indivíduo dorme, etc.

Esfíncter uretral

O esfíncter uretral, também dito esfíncter urinário, que faz o controle voluntário mais importante da micção, é composto por uma musculatura situada na região abaixo do colo vesical, que envolve, naquela altura, a uretra. Quando fechado, tem como função fazer a retenção urinária, e quando aberto permite à pessoa liberar a urina. O controle do ato de urinar é feito pelo esfíncter externo composto de músculo estriado e pelo esfíncter interno composto por músculo liso, nessa sequência.

Quando há qualquer distúrbio nesse processo, ocorre a perda involuntária de urina (incontinência urinária). Atualmente existem alguns aparelhos que substituem a função desse músculo, como a prótese para incontinência. Esse problema ocorre com maior frequência nas hiperplasias benignas da próstata, câncer de próstata, cirurgias prostáticas ou urológicas, problemas neurológicos, etc.

Esfíncter de Oddi

O esfíncter de Oddi corresponde a uma estrutura esfincterial situada na papila duodenal maior (ampola de Vater) que regula a entrada da bile e do suco pancreático, impedindo-os de entrar no duodeno quando não são necessários, e relaxa e deixa as secreções passarem ao duodeno quando atuam na digestão. Esse esfíncter é controlado pela colecistocinina que, quando presente, relaxa-o e deixa as secreções entrarem no duodeno.

O esfíncter de Oddi pode sofrer disfunções por conta de uma estenose ou ser obstruído por inflamação, cálculo biliar ou tumor. Os fatores que mais propiciam essas condições são: um processo inflamatório prévio, como pancreatite aguda, por exemplo; passagem de cálculos biliares pela papila; reação pós-colangiopancreatografia endoscópica retrógrada (CPRE) e, mais raramente (menos de 1%), colecistectomia prévia.

Esfíncter do olho

Há também um esfíncter no olho, um anel de fibras na íris que contrai ou dilata de modo a regular o tamanho das pupilas e a entrada de luz nos olhos. Essa é uma reação fisiológica normal. No entanto, a passagem de um estado a outro demanda um certo tempo. Em condições normais cotidianas, esse tempo é desprezível, mas se uma pessoa permanecer num ambiente escuro por um tempo longo, não pode passar repentinamente à claridade sem proteção ocular.

Esse mecanismo de regulação pode apresentar problemas em determinadas condições neuro-oftálmicas. Por outro lado, a contração ou dilatação das pupilas além do usual pode se dever ao uso de drogas ou medicamentos, ou a certas condições patológicas. O tamanho desigual das pupilas de cada lado, associado a outros dados clínicos, também sugere certos diagnósticos que precisam ser vistos por um médico.

Leia mais sobre "Esôfago de Barrett", "Gastrite", "Refluxo esofagiano ou gástrico" e "Endoscopia digestiva alta".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas dos sites da Encyclopedia Britannica e do Urology Annals.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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