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Colecistectomia aberta e por videolaparoscopia: o que saber sobre elas?

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O que é colecistectomia?

A colecistectomia é a intervenção cirúrgica na qual se retira a vesícula biliar1 responsável pelo armazenamento da bile2, quando esta enfermar. A vesícula3 tanto pode ser removida por via laparoscópica como pela técnica aberta, que é a mais antiga forma de colecistectomia. Na maioria das vezes, a colecistectomia torna-se necessária pela formação de cálculos no interior da vesícula3. Esses cálculos podem obstruir os canais de drenagem4 da bile2 provocando crises dolorosas muito intensas.

Por que se submeter a uma colecistectomia?

A cirurgia de extirpação da vesícula biliar1 geralmente é indicada se o paciente tem cálculos biliares que ocasionem crises dolorosas ou se a vesícula biliar1 não está funcionando normalmente, o que pode gerar alguns ou todos os seguintes sintomas5: indigestão, infecções6 na vesícula3 (colecistites), náuseas7 e vômitos8, dor depois de comer, especialmente alimentos gordurosos. Hoje em dia, a forma mais comum de extrair a vesícula biliar1 é pelo método da laparoscopia9, mas nos casos em que esse método não se aplique, a juízo médico, terá de ser feita una extirpação da vesícula3 por cirurgia aberta.

Em que consiste a colecistectomia aberta?

Como preparo para a cirurgia, deverão ser feitos os exames pré-operatórios de rotina: exames de sangue10, radiografias de tórax11, eletrocardiograma12 e ecografia13 da vesícula biliar1, etc. O médico deve ser informado sobre quais remédios o paciente está tomando e decidir se é ou não necessário interrompê-los. Nos dias que antecedem a cirurgia, o paciente deve procurar manter os intestinos14 esvaziados, seja observando uma dieta mais leve, seja tomando pequenas doses de laxativos15. A paciente mulher deve informar se está ou tem a possibilidade de estar grávida. Deve ser observado um jejum absoluto de pelo menos oito horas.

A colecistectomia aberta se realiza enquanto o paciente está sob anestesia16 geral. Ela consiste em extirpar a vesícula biliar1 através de um corte cirúrgico feito no quadrante superior direito do abdômen do paciente, logo abaixo das costelas17. Depois de fazer uma incisão18 de cinco a sete polegadas o cirurgião cortará o ducto biliar e os vasos sanguíneos19 que levam irrigação à vesícula biliar1. Em seguida, mediante excisão, isola a vesícula biliar1 das estruturas circunvizinhas e então a remove. Durante a cirurgia, o médico pode tomar uma radiografia especial, chamada colangiografia20, injetando dentro do canal biliar uma substância contrastada colorida, que lhe ajuda a obter um mapa da área da vesícula3 e, eventualmente, a encontrar outros cálculos que estejam fora dela. Uma cirurgia desse tipo dura em torno de uma hora.

Como evoluem as colecistectomias abertas?

A maioria dos pacientes tem um prognóstico21 muito bom e se recuperam muito rapidamente.

Quais são os riscos da colecistectomia aberta?

Muitos estudos têm demonstrado que a taxa de complicações da cirurgia laparoscópica de vesícula3 é comparável à taxa de complicações da cirurgia tradicional, quando realizada por um cirurgião treinado.

Além dos riscos gerais envolvidos em qualquer cirurgia, que hoje em dia são poucos, os riscos específicos da colecistectomia aberta são pequenos e raros e se resumem a lesões22 do colédoco, lesões22 do intestino delgado23 ou intestino grosso24 e pancreatite25.

Em que consiste a colecistectomia por videolaparoscopia?

Hoje em dia a extração da vesícula biliar1 quase sempre é feita laparoscopicamente. Este procedimento tem sobre a colecistectomia aberta a vantagem de exigir menores incisões26 e cicatrizes27 mais discretas, menos dor no pós-operatório e uma recuperação mais rápida. O preparo para a colecistectomia laparoscópica não difere em muito daquele adotado para a colecistectomia aberta: deverão ser feitos os exames pré-operatórios de rotina, o médico deve ser informado sobre que remédios o paciente está tomando e decidir se é ou não necessário interrompê-los. Nos dias que antecedem a cirurgia, o paciente deve procurar manter os intestinos14 esvaziados. Um enema28 pode ser tomado no mesmo dia ou no dia anterior à cirurgia, se julgado necessário. A paciente mulher deve informar se está ou tem a possibilidade de estar grávida. Deve ser observado um jejum absoluto de pelo menos oito horas.

A colecistectomia laparoscópica deve ser realizada sob anestesia16 geral. O cirurgião então introduz, por uma das pequenas aberturas feitas na parede abdominal29, um tubo delgado, o laparoscópio30, conectado a uma câmara especial que lhe dá uma imagem aumentada dos órgãos internos do paciente, projetada numa tela de televisão. Outras cânulas contendo material cirúrgico são inseridas para permitir ao cirurgião separar delicadamente a vesícula3 das estruturas que a cercam e extraí-la através de uma das aberturas. Se o cirurgião encontra cálculos no colédoco, pode extraí-los usando um endoscópio especial, nessa ou numa futura cirurgia. Depois que o cirurgião extrai a vesícula3, as pequenas incisões26 são fechadas com um ponto ou dois ou com uma cinta cirúrgica.

Como evolui a colecistectomia por laparoscopia9?

Após a colecistectomia laparoscópica, a maioria dos pacientes pode regressar à sua casa no dia seguinte. Alguns pacientes inclusive podem retornar já no mesmo dia. No procedimento tradicional aberto, o paciente deve permanecer no hospital de três a cinco dias depois da cirurgia.

ABCMED, 2014. Colecistectomia aberta e por videolaparoscopia: o que saber sobre elas?. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/exames-e-procedimentos/581332/colecistectomia-aberta-e-por-videolaparoscopia-o-que-saber-sobre-elas.htm>. Acesso em: 13 jul. 2020.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Vesícula Biliar: Reservatório para armazenar secreção da BILE. Através do DUCTO CÍSTICO, a vesícula libera para o DUODENO ácidos biliares em alta concentração (e de maneira controlada), que degradam os lipídeos da dieta.
2 Bile: Agente emulsificador produzido no FÍGADO e secretado para dentro do DUODENO. Sua composição é formada por s ÁCIDOS E SAIS BILIARES, COLESTEROL e ELETRÓLITOS. A bile auxilia a DIGESTÃO das gorduras no duodeno.
3 Vesícula: Lesão papular preenchida com líquido claro.
4 Drenagem: Saída ou retirada de material líquido (sangue, pus, soro), de forma espontânea ou através de um tubo colocado no interior da cavidade afetada (dreno).
5 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
6 Infecções: Doença produzida pela invasão de um germe (bactéria, vírus, fungo, etc.) em um organismo superior. Como conseqüência da mesma podem ser produzidas alterações na estrutura ou funcionamento dos tecidos comprometidos, ocasionando febre, queda do estado geral, e inúmeros sintomas que dependem do tipo de germe e da reação imunológica perante o mesmo.
7 Náuseas: Vontade de vomitar. Forma parte do mecanismo complexo do vômito e pode ser acompanhada de sudorese, sialorréia (salivação excessiva), vertigem, etc .
8 Vômitos: São a expulsão ativa do conteúdo gástrico pela boca. Podem ser classificados em: alimentar, fecalóide, biliar, em jato, pós-prandial. Sinônimo de êmese. Os medicamentos que agem neste sintoma são chamados de antieméticos.
9 Laparoscopia: Procedimento cirúrgico mediante o qual se introduz através de uma pequena incisão na parede abdominal, torácica ou pélvica, um instrumento de fibra óptica que permite realizar procedimentos diagnósticos e terapêuticos.
10 Sangue: O sangue é uma substância líquida que circula pelas artérias e veias do organismo. Em um adulto sadio, cerca de 45% do volume de seu sangue é composto por células (a maioria glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas). O sangue é vermelho brilhante, quando oxigenado nos pulmões (nos alvéolos pulmonares). Ele adquire uma tonalidade mais azulada, quando perde seu oxigênio, através das veias e dos pequenos vasos denominados capilares.
11 Tórax: Parte superior do tronco entre o PESCOÇO e o ABDOME; contém os principais órgãos dos sistemas circulatório e respiratório. (Tradução livre do original Sinônimos: Peito; Caixa Torácica
12 Eletrocardiograma: Registro da atividade elétrica produzida pelo coração através da captação e amplificação dos pequenos potenciais gerados por este durante o ciclo cardíaco.
13 Ecografia: Ecografia ou ultrassonografia é um exame complementar que usa o eco produzido pelo som para observar em tempo real as reflexões produzidas pelas estruturas internas do organismo (órgãos internos). Os aparelhos de ultrassonografia utilizam uma frequência variada, indo de 2 até 14 MHz, emitindo através de uma fonte de cristal que fica em contato com a pele e recebendo os ecos gerados, os quais são interpretados através de computação gráfica.
14 Intestinos: Seção do canal alimentar que vai do ESTÔMAGO até o CANAL ANAL. Inclui o INTESTINO GROSSO e o INTESTINO DELGADO.
15 Laxativos: Mesmo que laxantes. Que laxa, afrouxa, dilata. Medicamentos que tratam da constipação intestinal; purgantes, purgativos, solutivos.
16 Anestesia: Diminuição parcial ou total da sensibilidade dolorosa. Pode ser induzida por diferentes medicamentos ou ser parte de uma doença neurológica.
17 Costelas:
18 Incisão: 1. Corte ou golpe com instrumento cortante; talho. 2. Em cirurgia, intervenção cirúrgica em um tecido efetuada com instrumento cortante (bisturi ou bisturi elétrico); incisura.
19 Vasos Sanguíneos: Qualquer vaso tubular que transporta o sangue (artérias, arteríolas, capilares, vênulas e veias).
20 Colangiografia: Estudo diagnóstico das vias biliares que utiliza uma substância de contraste para evidenciar a anatomia das mesmas e comprovar existência de cálculos, deformidades ou compressões externas.
21 Prognóstico: 1. Juízo médico, baseado no diagnóstico e nas possibilidades terapêuticas, em relação à duração, à evolução e ao termo de uma doença. Em medicina, predição do curso ou do resultado provável de uma doença; prognose. 2. Predição, presságio, profecia relativos a qualquer assunto. 3. Relativo a prognose. 4. Que traça o provável desenvolvimento futuro ou o resultado de um processo. 5. Que pode indicar acontecimentos futuros (diz-se de sinal, sintoma, indício, etc.). 6. No uso pejorativo, pernóstico, doutoral, professoral; prognóstico.
22 Lesões: 1. Ato ou efeito de lesar (-se). 2. Em medicina, ferimento ou traumatismo. 3. Em patologia, qualquer alteração patológica ou traumática de um tecido, especialmente quando acarreta perda de função de uma parte do corpo. Ou também, um dos pontos de manifestação de uma doença sistêmica. 4. Em termos jurídicos, prejuízo sofrido por uma das partes contratantes que dá mais do que recebe, em virtude de erros de apreciação ou devido a elementos circunstanciais. Ou também, em direito penal, ofensa, dano à integridade física de alguém.
23 Intestino delgado: O intestino delgado é constituído por três partes: duodeno, jejuno e íleo. A partir do intestino delgado, o bolo alimentar é transformado em um líquido pastoso chamado quimo. Com os movimentos desta porção do intestino e com a ação dos sucos pancreático e intestinal, o quimo é transformado em quilo, que é o produto final da digestão. Depois do alimento estar transformado em quilo, os produtos úteis para o nosso organismo são absorvidos pelas vilosidades intestinais, passando para os vasos sanguíneos.
24 Intestino grosso: O intestino grosso é dividido em 4 partes principais: ceco (cecum), cólon (ascendente, transverso, descendente e sigmoide), reto e ânus. Ele tem um papel importante na absorção da água (o que determina a consistência do bolo fecal), de alguns nutrientes e certas vitaminas. Mede cerca de 1,5 m de comprimento.
25 Pancreatite: Inflamação do pâncreas. A pancreatite aguda pode ser produzida por cálculos biliares, alcoolismo, drogas, etc. Pode ser uma doença grave e fatal. Os primeiros sintomas consistem em dor abdominal, vômitos e distensão abdominal.
26 Incisões: 1. Corte ou golpe com instrumento cortante; talho. 2. Em cirurgia, intervenção cirúrgica em um tecido efetuada com instrumento cortante (bisturi ou bisturi elétrico); incisura.
27 Cicatrizes: Formação de um novo tecido durante o processo de cicatrização de um ferimento.
28 Enema: Introdução de substâncias líquidas ou semilíquidas através do esfíncter anal, com o objetivo de induzir a defecação ou administrar medicamentos.
29 Parede Abdominal: Margem externa do ABDOME que se estende da cavidade torácica osteocartilaginosa até a PELVE. Embora sua maior parte seja muscular, a parede abdominal consiste em pelo menos sete camadas Músculos Abdominais;
30 Laparoscópio: É um instrumento endoscópico, munido de um sistema óptico, que é introduzido no abdome do paciente para fins diagnósticos ou cirúrgicos.
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