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Enjoo na gravidez - como entendê-lo e fazer algo para aliviá-lo?

Monday, October 11, 2021
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Enjoo na gravidez - como entendê-lo e fazer algo para aliviá-lo?

O enjoo na gravidez

O enjoo na gravidez, também chamado de enjoo matinal, é um evento fisiológico normal muito comum na fase inicial da gravidez. Embora ele não ocorra em todas as grávidas, pode acometer de 70% a 80% das gestantes durante o primeiro trimestre da gravidez.

Em algumas mulheres, ele é leve e rapidamente passageiro, e em outras ele é mais sério e persistente. Às vezes ele é tão grave a ponto de necessitar internação para repor os líquidos e eletrólitos perdidos pelos vômitos frequentes e abundantes. A esse quadro mais grave dá-se o nome de hiperêmese gravídica.

Muitas vezes, as náuseas e vômitos são a primeira advertência à mulher de que ela possa estar grávida.

O enjoo durante a gravidez pode ser um bom sinal: estudos demonstraram que mulheres com náuseas e vômitos durante o primeiro trimestre da gravidez têm menor risco de aborto espontâneo do que mulheres sem esses sintomas. Isso porque é possível que eles indiquem que a mulher esteja tendo um aumento nos hormônios necessários para uma gravidez saudável.

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Quais são as causas do enjoo na gravidez?

É muito comum a ideia errônea de que a principal causa de enjoo na gravidez se deva a questões emocionais. Embora não haja consenso entre os cientistas para explicar os enjoos no início da gravidez, pensa-se que a causa principal pode estar relacionada às alterações hormonais ocorridas após a fecundação do óvulo, principalmente, ao aumento nos índices do HCG e progesterona.

No entanto, fatores emocionais contribuem para que a condição seja mais ou menos intensificada. Talvez seja essa a razão por que os enjoos são mais comuns na primeira gestação, que é um evento envolto em maior ansiedade e maiores reações emocionais que as gestações posteriores.

Qual é o substrato fisiológico do enjoo na gravidez?

Estudos indicam que quanto mais alto o HCG, maior a possibilidade de náuseas e vômitos. Isso explicaria por que as grávidas de gêmeos costumam ter mais enjoos, pois apresentam índices maiores desse hormônio. A produção do HCG pelo organismo se dá gradativamente e o pico sanguíneo ocorre por volta da 7ª - 8ª semana de gestação. O HCG age sensibilizando o “centro do vômito”, no cérebro, e a progesterona, por sua vez, também desempenha um papel ao atuar na motilidade do trato gastrointestinal de modo a fazer o processo digestivo ficar mais lento, o que pode favorecer os enjoos.

Outra razão que talvez explique as náuseas é que durante a gravidez há uma intensificação dos aromas e sabores (perfumes, alimentos, etc.) que, de normais, passam a causar náuseas. 

Os enjoos e náuseas das gestantes tendem a cessar naturalmente ao final do primeiro trimestre da gravidez. Isso ocorre porque, após esse período, começa a formação da placenta, o que faz com que sejam outros os hormônios que assumem o controle da gravidez e, por conta disso, esses sintomas terminam.

Contudo, existem casos raros de grávidas que podem sentir esse desconforto até muito mais tarde (20ª semana) ou durante toda a gestação. 

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Quais são as características clínicas do enjoo na gravidez?

A questão do enjoo na gravidez varia muito de uma mulher para outra quanto ao início, intensidade e término. Em geral, os enjoos são mais intensos pela manhã, ao acordar, talvez porque o estômago esteja vazio. Esse mal-estar pode ser ocasionado também pela falta de vitamina B6.

Junto aos enjoos do começo da gravidez, é comum aparecer indisposição, sonolência, sensação de falta de energia e cansaço, perda de apetite, aversão por alguns alimentos, dor e sensibilidade nas mamas.

Algumas mulheres podem sentir também uma sensação de saciedade precoce ou “estômago cheio”, impedindo a ingestão de uma maior quantidade de alimentos.

Como “tratar” o enjoo na gravidez?

Ao acordar, a grávida deve se alimentar logo, dando preferência a alimentos mais “secos”, como maçãs ou torradas, por exemplo. Algumas gestantes costumam deixar bolachas salgadas na cabeceira da cama para comerem antes mesmo de se levantarem, relatando alívio dos sintomas da náusea com essa prática.

A grávida deve acentuar o consumo de alimentos que possam suprir uma possível deficiência da vitamina B6, como farelo e gérmen de trigo e carnes. Alimentos gelados, como picolés e sorvetes, também podem ajudar com esse mal-estar.

Para se manter hidratada, a mulher deve usar apenas água, água de coco e sucos naturais, sempre em pequenas tomadas.

Há alimentos que pioram os sintomas e devem ser evitados: frituras, doces e alimentos com temperos e odores muito fortes. O estresse, a ansiedade e a insegurança também contribuem para tornar os sintomas mais incômodos. Por isso, manter o equilíbrio emocional e controlar a alimentação são maneiras acessíveis de minimizar o problema. 

Deve-se procurar controlar os enjoos primeiramente com mudanças dos hábitos de vida, inclusive alimentação, conforme orientação médica. Medicamentos só devem ser usados em casos severos e mediante prescrição médica.

Como evolui o enjoo na gravidez?

O HCG, principal causa dos enjoos, geralmente inicia sua produção a partir de 5 ou 6 semanas de gravidez e apresenta um pico entre 8 e 10 semanas, reduzindo-se a partir daí. Na maior parte das vezes, o enjoo deve desaparecer completamente em cerca de 16 semanas, muito embora costume cessar antes deste período ou, em casos mais raros, persistir além disso.

Como prevenir o enjoo na gravidez?

Não há como prevenir o enjoo da gravidez, mas ele pode ser minimizado se a grávida evitar alguns hábitos corriqueiros, como andar de carro, ler livros ou ficar rolando a tela do celular. Deixar a visão descansar e permitir que o corpo repouse são essenciais para que a náusea melhore.

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Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente dos sites da Mayo Clinic, da American Academy of Family Physicians e da Cleveland Clinic.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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