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Transplante cardíaco

quinta-feira, 27 de abril de 2023
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Transplante cardíaco

O que é transplante cardíaco?

Transplante cardíaco é um ato cirúrgico em que um coração saudável é transplantado para substituir um coração doente ou danificado de um paciente. O procedimento mais comum consiste em retirar um coração sadio, com ou sem ambos os pulmões, de um doador falecido recentemente (morte cerebral) e implantá-lo no paciente.

O transplante de coração não é considerado uma cura para doenças cardíacas; em vez disso, é um tratamento que salva vidas, destinado a melhorar a qualidade e a duração da vida do receptor. O transplante cardíaco pode ser uma opção viável para pacientes com doença cardíaca avançada, mas é um procedimento complexo e requer uma equipe médica altamente especializada.

Por que realizar um transplante cardíaco?

O transplante cardíaco é indicado em casos graves em que o coração do paciente não pode mais funcionar adequadamente, mesmo com o tratamento médico correto. Em geral ele é um procedimento realizado em pacientes com uma doença grave do coração, em estágio avançado. O transplante cardíaco deve ser aconselhado àqueles pacientes com:

O transplante é indicado quando outros tratamentos médicos ou cirúrgicos não surtiram efeito ou quando houve falha de um transplante anterior. Normalmente, em crianças a justificativa maior para o transplante cardíaco são os defeitos congênitos do coração ou a cardiomiopatia congênita.

Infelizmente, o número de pacientes que necessitam de um transplante cardíaco é maior do que o de doadores disponíveis. Isso obriga os candidatos a transplante a entrarem numa lista de espera que dura meses ou, às vezes, anos, ao aguardo de um doador compatível. No entanto, tão logo apareça o doador adequado, o transplante deve ser realizado o mais rapidamente possível, em questão de horas.

Mesmo cumpridas todas as exigências e condições para um transplante cardíaco, ele pode ser contraindicado se há, no receptor:

Veja sobre "Transplante de órgãos", "Transplante de medula óssea", "Transplante de córnea" e "Transplante de fezes ou terapia bacteriana".

Como é realizado o transplante cardíaco?

Durante a cirurgia de transplante cardíaco, o coração do paciente é removido e trocado por um coração saudável de um doador compatível. O coração do próprio paciente é retirado e substituído pelo coração do doador (procedimento ortotópico) ou, muito menos comumente, o coração doente do receptor é deixado no local para apoiar o coração do doador (procedimento heterotópico).

De início, o paciente receberá um anestésico geral e será conectado a uma máquina de circulação extracorpórea, que manterá um funcionamento similar ao do coração e pulmão durante o procedimento. O cirurgião então fará um corte no osso esterno para chegar ao coração e trabalhará no transplante, em que o novo coração é conectado aos vasos sanguíneos e nervos do paciente receptor.

Terminada a cirurgia, o cirurgião fará o novo coração do paciente bater novamente e, quando ele começar a bombear sangue e a condição do paciente estiver estável, a máquina coração-pulmão será desligada. O cirurgião então fechará o esterno do paciente, suturando-o com arame, que ficará lá pelo resto de sua vida.

A duração da cirurgia depende de fatores específicos de cada caso, mas, em geral, é de 4 a 6 horas. Após a operação, o paciente deve ser transferido para a unidade de terapia intensiva onde será monitorado de perto por vários dias (em geral, de 7 a 14 dias, ou até mais).

O anestésico recebido é de eliminação lenta e a maioria das pessoas só acorda no dia seguinte ou um pouco depois. Nos dias imediatos, o paciente receberá uma máquina de ventilação que o ajudará a respirar até que ele possa fazê-lo sozinho. Geralmente o paciente deve permanecer no hospital por cerca de 2 ou 3 semanas após o transplante de coração, até que todas as funções cardíacas se normalizem.

A maioria das pessoas consegue começar a retornar a muitas de suas atividades normais dentro de alguns meses. A pessoa transplantada precisará fazer check-ups regulares com a equipe de transplante após o procedimento e precisará tomar medicamentos imunossupressores pelo resto da vida para evitar que o corpo rejeite o novo coração.

Como evolui o transplante cardíaco?

O sucesso do transplante depende de muitos fatores, incluindo a compatibilidade doador-receptor e a saúde geral do paciente antes e depois da cirurgia. A maioria das pessoas transplantadas pode desfrutar de uma boa qualidade de vida e, dependendo da condição geral delas, podem ser capazes de reassumir a maioria das suas atividades rotineiras, tais como trabalho, hobbies, esportes e exercícios. Algumas mulheres que desejam engravidar podem inclusive fazê-lo, embora devam fazer ajustes em suas medicações antes de engravidarem, seguindo a orientação médica.

A taxa mundial de sobrevivência de transplante cardíaco é de cerca de 85% após um ano e 60-75% após 5 anos, o que é excelente quando comparado ao curso natural da insuficiência cardíaca terminal. O primeiro ano após a cirurgia é o mais crítico para determinar a taxa de sobrevivência do transplante cardíaco. No entanto, há relatos de pacientes que tenham vivido mais de 30 anos após a cirurgia de transplante. A média parece ser de 15 anos.

Quais são os riscos e complicações possíveis com o transplante cardíaco?

Além dos riscos inerentes a uma grande cirurgia de cavidade aberta, que inclui hemorragias, infecções e coágulos sanguíneos, o transplante cardíaco comporta ainda os riscos de:

  • rejeição do coração doado;
  • uma falha primária do novo coração em assumir as funções dele esperadas;
  • problemas respiratórios;
  • problemas com as artérias do receptor, que podem enrijecer e se tornarem espessadas, dificultando a circulação;
  • falência renal;
  • efeitos secundários indesejáveis das medicações pós-transplante;
  • e aumento das chances de câncer, em virtude da queda do sistema imunológico.
Leia sobre "Doação de órgãos", "Falência múltipla de órgãos" e "É possível viver sem alguns órgãos?"

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente dos sites da Mayo Clinic, do NHS -National Health Service e da Johns Hopkins Medicine.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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