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Síndrome cervicobraquial

Monday, August 2, 2021
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Síndrome cervicobraquial

O que é a síndrome cervicobraquial?

A síndrome cervicobraquial, também conhecida como cervicobraquialgia, é uma condição clínica que acomete a parte cervical da coluna vertebral, entre as vértebras C1 e C7. Ela causa rigidez e dor no pescoço, irradiando também para os braços e cintura escapular – omoplata e clavícula –, com ou sem dor de cabeça associada.

Quais são as causas da síndrome cervicobraquial?

A síndrome cervicobraquial pode ser o resultado de uma radiculopatia cervical, ou seja, por lesões que afetam as raízes dos nervos que emergem dos forames entre as vértebras da coluna cervical. A síndrome cervicobraquial devido a alterações dos discos intervertebrais é produzida por lesões que afetam principalmente as articulações das vértebras C5/C6 e C6/C7 da coluna cervical.

A síndrome também pode ser decorrente de compressão neurogênica e/ou vascular no desfiladeiro torácico. Nesse caso, o plexo braquial, artéria subclávia ou veia subclávia também são comprimidos, devido ao estreitamento dos espaços nesta região.

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Qual é o substrato da síndrome cervicobraquial?

Muitos dos músculos da parte superior do tronco são supridos principalmente pelas raízes nervosas cervicais e são frequentemente afetados nas síndromes cervicais. Esses músculos incluem os romboides, os músculos supraespinhal e infraespinhal, deltoide, serrátil anterior e grande dorsal.

Quais são as características da síndrome cervicobraquial?

A síndrome cervicobraquial é caracterizada por dor, dormência, fraqueza e inchaço na região do pescoço e ombro. Também por dor e distúrbios sensoriais que se irradiam da coluna cervical para o membro superior, em um padrão radicular mais ou menos claro, isto é, no trajeto de distribuição do ramo nervoso em causa. A dor é principalmente aumentada pela atividade e aliviada pelo repouso, mas às vezes aumenta à noite, causando problemas para conciliar o sono.

Esses sintomas também podem ser acompanhados (ou não) por fortes dores de cabeça. Pode haver também uma sensação de inchaço e peso nas mãos. Frequentemente a cervicobraquialgia impede o paciente de realizar atividades cotidianas básicas e laborais como escovar os dentes, pentear os cabelos, trocar de roupas, amarrar sapatos, preparar alimentos, escrever e digitar.

Se não houver um pronto diagnóstico e tratamento adequados do quadro, as dores tornam-se progressivamente mais acentuadas e debilitantes.

Como o médico diagnostica a síndrome cervicobraquial?

O diagnóstico da síndrome cervicobraquial deve começar pela análise clínica do paciente, com história clínica e exame físico, embora não haja um critério clínico único para o diagnóstico de cervicobraquialgia e apenas sintomas mais frequentes, como dor e fadiga no braço, ombros e pescoço.

O diagnóstico pode ser complementado com uma radiografia do pescoço em várias posições, ressonância magnética ou tomografia computadorizada do pescoço, angiografia ou venografia para possíveis lesões vasculares e eletromiografia para avaliar danos nervosos.

Um diagnóstico diferencial deve ser estabelecido com outras razões que possam causar dores no pescoço e/ou no braço, como nervo preso, músculos torcidos do ombro, tendinite do supraespinhal, síndrome do túnel do carpo, epicondilite, etc.

Como o médico trata a síndrome cervicobraquial?

O tratamento deve ser, ao máximo, conservador e sintomático. O primeiro objetivo do tratamento é aliviar a dor; o segundo é melhorar a função e a amplitude de movimentos.

Os medicamentos utilizados incluem analgésicos, medicamentos anti-inflamatórios, relaxantes musculares e remédios para o sono, se necessário. Em caso de compressão vascular, o médico pode prescrever vasodilatadores ou bloqueadores dos canais de cálcio.

Uma injeção no espaço epidural cervical (espaço entre a dura-máter e as paredes do canal vertebral) é um meio eficaz para obter alívio imediato e duradouro da dor e melhora da cervicobraquialgia crônica. Uma injeção de esteroide nesse espaço é um tratamento conservador que tem o efeito de aliviar imediatamente após a injeção a dor nos músculos posteriores do pescoço por longo período.

Se ocorrer uma compressão muito significativa da raiz nervosa a ponto de resultar em fraqueza motora, pode ser necessária cirurgia para aliviar a pressão.

A fisioterapia manual deve fazer parte do tratamento conservador, certamente combinada com exercícios terapêuticos. O tratamento fisioterapêutico é construído a partir de diversos aspectos, como estimulação elétrica, crioterapia, tratamento térmico profundo, ultrassom, gerenciamento cognitivo-comportamental da dor e massagem de tecidos profundos. Além disso, o paciente deve ser insistentemente advertido sobre a necessidade de que mantenha uma postura correta, sobretudo no que diz respeito à região cervical.

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Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente dos sites do NIH – National Institutes of Health (USA) e da London Pain Clinic (UK).

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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