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Cáseos amigdalianos

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O que são cáseos amigdalianos?

As amígdalas1 ou tonsilas são um par de pequenas porções ovais de tecido2 linfático3, localizadas na parte de trás da garganta4. Esses tecidos fazem parte do sistema imunológico5 de defesa do organismo, filtrando as bactérias e vírus6 que entram no corpo pela boca7. Sua superfície não é lisa, contendo dobras, lacunas e fendas chamadas criptas tonsilares, nas quais podem alojar-se germes e detritos alimentares.

Os cáseos (do latim: caseus = queijo) amigdalianos são a concreção8 de material calcificado (pequenas bolinhas brancas) que se formam nas amígdalas1, na parte de trás da garganta4. Esses pedaços de material duro que se formam, são chamados de “pedras” ou cálculos nas amígdalas1. Eles correspondem, mais ou menos ao que são as placas9 bacterianas que costumam se formar nos dentes.

Esta condição afeta cerca de 10% da população, podendo durar alguns anos ou mesmo a vida inteira.

Quais são as causas dos cáseos amigdalianos?

A causa de formação dos cáseos amigdalianos é desconhecida, mas eles podem surgir devido ao acúmulo de restos de alimentos, saliva e bactérias orais presos nas criptas amigdalianas. Os fatores de maior risco são representados por pessoas que têm um maior número de criptas tonsilares e pessoas que tiveram muitas infecções10 de amígdalas1 em sua vida.

Alguns fatores que favorecem a ocorrência de cáseo são:

  • amígdalas1 cronicamente inflamadas;
  • amígdalas1 grandes, que permitem maiores acumulações dentro das suas bolsas;
  • problemas sinusais, que aumentam o muco e levam à sua acumulação;
  • uma higiene oral deficiente.
Leia também sobre "Higiene dental infantil", "Enxaguatórios bucais", "Língua11 saburrosa" e "Boca7 seca ou xerostomia12".

Qual é o substrato fisiopatológico dos cáseos amigdalianos?

Como foi dito, as amígdalas1 são compostas de fendas, túneis e depressões chamadas criptas. Diferentes tipos de detritos, como células13 mortas, muco, saliva e restos alimentares podem ficar presos nessas bolsas e se acumular. Bactérias e fungos se alimentam desse acúmulo e causam o odor característico do mau hálito.

Com o tempo, os detritos endurecem e formam cálculos (“pedras”) nas amígdalas1. Algumas pessoas podem ter apenas um cálculo14 na amígdala15, enquanto outras têm muitas formações menores. Essas formações são facilitadas por alterações na quantidade e qualidade da saliva; má higiene dental e da língua11; amígdalas1 grandes, com criptas muito profundas; sinusite16 e amigdalite crônicas.

Quando corpos estranhos ou germes se alojam nas amígdalas1, os glóbulos brancos do sangue17 se concentram sobre elas para atacá-los, visando a defesa do corpo. Quando os glóbulos brancos terminam seu trabalho, as partículas endurecidas permanecem nas amígdalas1. A maioria das pessoas simplesmente as engole e nunca ficam sabendo que estavam lá. Se as partículas estiverem alojadas nas criptas, porém, elas continuarão a crescer. Esses objetos em crescimento formam os cálculos das amígdalas1.

Quais são as características clínicas dos cáseos amigdalianos?

Os cáseos amigdalianos podem ser únicos ou múltiplos, não são dolorosos nem prejudiciais e muitas vezes não causam nenhum sintoma18. Uma pessoa pode ter cáseos amigdalianos e nem saber que tem. Em geral, eles desaparecem por si mesmos e muitas vezes só são percebidos durante um exame da garganta4 por outro motivo.

Quando existem, os sintomas19 ocasionados por eles podem incluir uma sensação de algo preso na garganta4, mau hálito, tosse, dor de garganta4 e/ou de ouvido, gosto ruim na boca7, cuspir pequenas pedras brancas, dificuldade em engolir alimentos e frequentes infecções10 na garganta4, difíceis de tratar com antibióticos.

Como o médico diagnostica os cáseos amigdalianos?

O diagnóstico20 de cáseos amigdalianos é feito por meio de um exame físico, pela observação direta dento da boca7 e da garganta4. Se eles não puderem ser vistos facilmente, o médico pode desalojá-los usando uma pinça dental. Às vezes eles podem ser percebidos durante um exame geral ou o dentista pode constatá-los no curso de um exame odontológico.

Como tratar os cáseos amigdalianos?

Não existe um método específico de tratamento de cáseos amigdalianos, mas muitos casos não precisam de tratamento ou a pessoa pode tratar as pedras da amígdala15 em casa, por si mesma, fazendo um gargarejo vigoroso com água salgada. Isso ajuda a garganta4 a se sentir melhor, além de poder desalojar as pedras da amígdala15, podendo até eliminar o mau cheiro. Os gargarejos devem ser feitos sempre depois que a pessoa comer para evitar que alimentos e detritos fiquem presos nas criptas das amígdalas1.

Alguns relatam que uma tosse forte pode soltar algumas pedras ou trazê-las mais à tona, e que também pode-se usar algum objeto como uma escova de dentes, um cotonete ou o próprio dedo para se livrar das pedras da amígdala15.

Quase sempre o médico não usa medicamentos, a não ser que a pessoa precise de antibióticos, nos casos de desenvolvimento de uma infecção21 bacteriana. O médico pode recomendar a remoção das amígdalas1 se as pedras forem muito grandes ou muito reincidentes, estiverem causando dor ou infecções10 recorrentes das amígdalas1 ou frequentes dores de garganta4.

Como prevenir os cáseos amigdalianos?

Para evitar a formação de cáseos amigdalianos, a pessoa deve praticar uma boa higiene bucal, incluindo a limpeza das bactérias da parte de trás da língua11 ao escovar os dentes; parar de fumar; gargarejar com água salgada de vez em quando e beber muita água para se manter hidratado.

Veja sobre "Ínguas ou linfadenopatias", "Tipos de sinusite16" e "Nasofibroscopia".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente dos sites da Cleveland Clinic e da Mayo Clinic.

ABCMED, 2022. Cáseos amigdalianos. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/sinais.-sintomas-e-doencas/1412535/caseos-amigdalianos.htm>. Acesso em: 27 fev. 2024.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Amígdalas: Designação comum a vários agregados de tecido linfoide, especialmente o que se situa à entrada da garganta; tonsila.
2 Tecido: Conjunto de células de características semelhantes, organizadas em estruturas complexas para cumprir uma determinada função. Exemplo de tecido: o tecido ósseo encontra-se formado por osteócitos dispostos em uma matriz mineral para cumprir funções de sustentação.
3 Linfático: 1. Na histologia, é relativo à linfa, que contém ou que conduz linfa. 2. No sentido figurado, por extensão de sentido, a que falta vida, vigor, energia (diz-se de indivíduo); apático. 3. Na história da medicina, na classificação hipocrática dos quatro temperamentos de acordo com o humor dominante, que ou aquele que, pela lividez das carnes, flacidez dos músculos, apatia e debilidade demonstradas no comportamento, atesta a predominância de linfa.
4 Garganta: Tubo fibromuscular em forma de funil, que leva os alimentos ao ESÔFAGO e o ar à LARINGE e PULMÕES. Situa-se posteriormente à CAVIDADE NASAL, à CAVIDADE ORAL e à LARINGE, extendendo-se da BASE DO CRÂNIO à borda inferior da CARTILAGEM CRICÓIDE (anteriormente) e à borda inferior da vértebra C6 (posteriormente). É dividida em NASOFARINGE, OROFARINGE e HIPOFARINGE (laringofaringe).
5 Sistema imunológico: Sistema de defesa do organismo contra infecções e outros ataques de micro-organismos que enfraquecem o nosso corpo.
6 Vírus: Pequeno microorganismo capaz de infectar uma célula de um organismo superior e replicar-se utilizando os elementos celulares do hospedeiro. São capazes de causar múltiplas doenças, desde um resfriado comum até a AIDS.
7 Boca: Cavidade oral ovalada (localizada no ápice do trato digestivo) composta de duas partes
8 Concreção: 1. Ato, processo ou efeito de (se) tornar concreto ou real; concretização, substancialização, materialização. 2. Estado do que é concreto ou está concretizado; solidez. 3. No sentido figurado, exemplo concreto de um conceito abstrato; concretização, materialização. 4. Massa compacta, corpo sólido formado por partículas solidificadas. 5. Em geologia, é uma massa de forma geralmente nodular ou acentuadamente arredondada, formada por uma precipitação sucessiva em torno de núcleos nos depósitos sedimentares. 6. Em patologia, é uma massa inorgânica compacta que se forma numa cavidade natural do corpo ou dos tecidos; é um cálculo ou também a união de partes adjacentes.
9 Placas: 1. Lesões achatadas, semelhantes à pápula, mas com diâmetro superior a um centímetro. 2. Folha de material resistente (metal, vidro, plástico etc.), mais ou menos espessa. 3. Objeto com formato de tabuleta, geralmente de bronze, mármore ou granito, com inscrição comemorativa ou indicativa. 4. Chapa que serve de suporte a um aparelho de iluminação que se fixa em uma superfície vertical ou sobre uma peça de mobiliário, etc. 5. Placa de metal que, colocada na dianteira e na traseira de um veículo automotor, registra o número de licenciamento do veículo. 6. Chapa que, emitida pela administração pública, representa sinal oficial de concessão de certas licenças e autorizações. 7. Lâmina metálica, polida, usualmente como forma em processos de gravura. 8. Área ou zona que difere do resto de uma superfície, ordinariamente pela cor. 9. Mancha mais ou menos espessa na pele, como resultado de doença, escoriação, etc. 10. Em anatomia geral, estrutura ou órgão chato e em forma de placa, como uma escama ou lamela. 11. Em informática, suporte plano, retangular, de fibra de vidro, em que se gravam chips e outros componentes eletrônicos do computador. 12. Em odontologia, camada aderente de bactérias que se forma nos dentes.
10 Infecções: Doença produzida pela invasão de um germe (bactéria, vírus, fungo, etc.) em um organismo superior. Como conseqüência da mesma podem ser produzidas alterações na estrutura ou funcionamento dos tecidos comprometidos, ocasionando febre, queda do estado geral, e inúmeros sintomas que dependem do tipo de germe e da reação imunológica perante o mesmo.
11 Língua:
12 Xerostomia: Ressecamento da boca provocado em geral pela secreção insuficiente de saliva pelas glândulas salivares. É ocasionado como efeito colateral de algumas drogas (anticolinérgicos) ou por diversos transtornos locais ou gerais.
13 Células: Unidades (ou subunidades) funcionais e estruturais fundamentais dos organismos vivos. São compostas de CITOPLASMA (com várias ORGANELAS) e limitadas por uma MEMBRANA CELULAR.
14 Cálculo: Formação sólida, produto da precipitação de diferentes substâncias dissolvidas nos líquidos corporais, podendo variar em sua composição segundo diferentes condições biológicas. Podem ser produzidos no sistema biliar (cálculos biliares) e nos rins (cálculos renais) e serem formados de colesterol, ácido úrico, oxalato de cálcio, pigmentos biliares, etc.
15 Amígdala: Designação comum a vários agregados de tecido linfoide, especialmente o que se situa à entrada da garganta; tonsila.
16 Sinusite: Infecção aguda ou crônica dos seios paranasais. Podem complicar o curso normal de um resfriado comum, acompanhando-se de febre e dor retro-ocular.
17 Sangue: O sangue é uma substância líquida que circula pelas artérias e veias do organismo. Em um adulto sadio, cerca de 45% do volume de seu sangue é composto por células (a maioria glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas). O sangue é vermelho brilhante, quando oxigenado nos pulmões (nos alvéolos pulmonares). Ele adquire uma tonalidade mais azulada, quando perde seu oxigênio, através das veias e dos pequenos vasos denominados capilares.
18 Sintoma: Qualquer alteração da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. O sintoma é a queixa relatada pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
19 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
20 Diagnóstico: Determinação de uma doença a partir dos seus sinais e sintomas.
21 Infecção: Doença produzida pela invasão de um germe (bactéria, vírus, fungo, etc.) em um organismo superior. Como conseqüência da mesma podem ser produzidas alterações na estrutura ou funcionamento dos tecidos comprometidos, ocasionando febre, queda do estado geral, e inúmeros sintomas que dependem do tipo de germe e da reação imunológica perante o mesmo.
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