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Síndrome da bexiga dolorosa

Thursday, November 25, 2021
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Síndrome da bexiga dolorosa

O que é a síndrome da bexiga dolorosa?

A síndrome da bexiga dolorosa, síndrome da dor na bexiga ou síndrome da dor pélvica crônica é um conjunto de doenças mal compreendidas que causam dor pélvica de longa duração e problemas para urinar.

Quais são as características clínicas da síndrome da bexiga dolorosa?

A síndrome da bexiga dolorosa tende a afetar pessoas na faixa dos 30 e 40 anos e é muito mais comum em mulheres do que em homens. A condição causa uma sensação desagradável (dor, pressão, desconforto) relacionada à bexiga, principalmente quando ela está cheia. Várias condições mórbidas diferentes podem causar a dor. As três mais comuns são:

  1. Cistite intersticial
  2. Infecção do trato urinário
  3. Câncer de bexiga

1. Cistite intersticial

A cistite intersticial é uma condição crônica em que a bexiga fica inflamada e irritada. A inflamação endurece a parede da bexiga e dificulta sua expansão total ao ser preenchida com urina. Pode ser causada por um defeito no revestimento da bexiga, trauma na bexiga, lesão na medula espinhal ou outro motivo, mas nem sempre se consegue definir a causa exata.

Um dos principais sintomas da cistite intersticial é a dor, que é mais forte quando a bexiga enche e diminui quando ela esvazia. A dor também pode ser sentida de forma mais geral na parte inferior das costas, abdômen ou virilha. Pessoas com essa condição também podem urinar com mais frequência ou sentir uma necessidade urgente de urinar, embora possam urinar apenas um pouco de cada vez.

Frequentemente, o diagnóstico de cistite intersticial é feito descartando outras condições que causam sintomas semelhantes, como, por exemplo, infecções do trato urinário, infecções vaginais, cálculos renais e câncer. Em geral, podem ser feitos os seguintes exames laboratoriais:

  • análise de amostras de urina;
  • cistoscopia, em que o médico inserirá um tubo longo e fino na uretra, equipado com uma câmera de televisão em sua extremidade para visualizar o interior da bexiga (cistoscópio);
  • um ultrassom e/ou uma tomografia computadorizada da pelve, para descartar outras condições mórbidas.

Vários tratamentos podem ajudar a aliviar os sintomas de dor na bexiga e urgência para urinar: alguns medicamentos orais, a instilação da bexiga com medicamentos, distensão da bexiga sob anestesia, estimulação nervosa, toxina botulínica e acupuntura. Se nenhum desses tratamentos funcionar e a dor na bexiga não passar, o médico pode recomendar a cirurgia como último recurso.

2. Infecção do trato urinário

Uma infecção do trato urinário que afeta a parte inferior do trato urinário denomina-se cistite ou infecção da bexiga. A condição é mais comum entre mulheres do que entre homens. A primeira descrição documentada que se conhece desse fato data de 1550 a.C.

Os sintomas mais comuns das infecções do trato urinário inferior são dor ao urinar, micção frequente e sentir vontade de urinar apesar de a bexiga estar vazia (tenesmo vesical). Em raros casos, pode verificar-se sangue na urina.

A causa mais comum de infecção são bactérias (principalmente a Escherichia coli), embora alguns casos raros possam ser causados por fungos. Os fatores de risco incluem sexo feminino, relações sexuaisdiabetesobesidade e antecedentes familiares da doença.

Em pessoas com sintomas vagos, o diagnóstico pode ser difícil, dado que pode haver presença de bactérias sem sinais de infecção. Em casos mais complicados ou quando o tratamento não está sendo eficaz, pode ser necessária uma cultura de urina.

Em geral, as infecções do trato urinário são tratadas com antibióticos de curta duração. Em casos mais complicados, podem ser necessários antibióticos de longa duração ou administrados por via intravenosa. Em pessoas com infecções frequentes, podem ser administrados antibióticos de curta duração assim que os sintomas se manifestam, ou administrados antibióticos de longa duração como medida de prevenção.

3. Câncer de bexiga

O câncer de bexiga é uma das neoplasias mais comuns do trato urinário e o nono tipo mais incidente, em nível mundial. Ainda não se conhece exatamente todas as alterações que levam ao desenvolvimento de câncer na bexiga, entretanto, já foi identificada uma série de substâncias que se associam a uma maior incidência deste tipo de tumor, especialmente as relacionadas aos cigarros e a algumas substâncias químicas, como os corantes para cabelos, por exemplo.

Ele atinge as células que revestem o órgão internamente e é classificado de acordo com a célula que sofreu alteração:

  • o carcinoma de células de transição representa a maioria dos casos e começa nas células do tecido mais interno da bexiga;
  • o carcinoma de células escamosas afeta as células delgadas e planas que podem surgir na bexiga depois de infecção ou irritação prolongada;
  • o adenocarcinoma se inicia nas células glandulares da bexiga e pode se formar na bexiga depois de um longo tempo de irritação ou inflamação.

Quando o câncer se limita ao tecido de revestimento da bexiga, é chamado de superficial. O que começa nas células de transição pode se disseminar através do revestimento da bexiga, invadir a parede muscular e disseminar-se até os órgãos próximos ou gânglios linfáticos, transformando-se num câncer invasivo.

Os sinais e sintomas de alerta podem ser: hematúria (presença de sangue na urina), dor durante o ato de urinar e necessidade de urinar mais frequentemente que o normal, algumas vezes sem conseguir fazê-lo. Na maioria dos casos, a hematúria é o primeiro sinal de alerta do câncer de bexiga. Às vezes, não existe uma quantidade de sangue suficiente para alterar a cor da urina e ela tem uma cor normal, mas também pode ter uma cor alaranjada ou menos frequentemente vermelha escura.

A suspeita diagnóstica é feita através da história clínica e do exame físico do médico. A presença de sangue na urina pode decorrer de outras causas. O médico poderá solicitar uma tomografia computadorizada, ultrassonografia, ressonância magnética ou urografia excretora para avaliar as estruturas da árvore urinária. Pode ser feita também uma análise das células do urotélio (epitélio do ureter), eventualmente presentes na urina, assim como de algumas substâncias nela dissolvidas e que possam estar relacionadas aos tumores. A cistoscopia (endoscopia da bexiga) permite ao médico visualizar o interior da bexiga e as alterações ali existentes.

O tratamento do câncer de bexiga implica na remoção endoscópica do tumor e administração endovesical de algum tipo de imuno ou quimioterápico e, em alguns casos, na remoção cirúrgica da bexiga como um todo.

Leia sobre "Doença inflamatória pélvica", "Síndrome da congestão pélvica", "Bexiga hiperativa" e "Bexiga neurogênica".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente dos sites do INCA – Instituto Nacional de Câncer, da U.S. National Library of Medicine e do CBU – Centro Brasileiro de Urologia.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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