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Atopia - como ela é?

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O que é atopia?

Atopia (grego: ἀτοπία = fora do lugar, absurdo) é a tendência pessoal ou familiar para a produção de anticorpos1 em resposta a doses baixas de alergenos2, normalmente proteínas3, que em consequência conduzem ao desenvolvimento de sintomas4 como a asma5, rinite6 e/ou eczema7 / dermatite8 alérgica.

Atopia é o termo que os médicos usam para referir-se à predisposição a reações de hipersensibilidade tipo 1, ou seja, respostas alérgicas. Assim, o termo deverá ser utilizado com cuidado, até que se possa documentar uma sensibilização pelo alergeno9. Assim, no geral, dizer atopia é o mesmo que dizer alergia10. A atopia foi descrita pela primeira vez por Coca e Cooke em 1923.

Saiba mais sobre "Asma5", "Dermatite8 atópica", "Alergias" e "Testes alérgicos".

Qual é a causa da atopia?

A atopia é causada por uma predisposição a reações exageradas dos mecanismos de defesa do organismo a estímulos comuns. É como se o organismo do atópico encarasse situações ou estímulos normais do cotidiano como ameaças importantes. A atopia funciona, dessa forma, como uma alergia10 pouco específica, em que não há um único agente capaz de funcionar como gatilho das reações alérgicas, mas vários e indeterminados.

A atopia afeta 7% da população geral, sendo mais comum em crianças, e possui um fator hereditário importante, embora o contato com o alergeno9 ou irritante deva ocorrer antes que a reação de hipersensibilidade possa se desenvolver. O trauma psicológico materno no útero11 também pode ser um forte indicador para o desenvolvimento da atopia.

Pensa-se ainda na 'hipótese da higiene12': o excesso de 'limpeza' no ambiente de um bebê ou criança pode levar a um declínio no número de estímulos infecciosos necessários para o desenvolvimento adequado do sistema imunológico13. A diminuição da exposição a estímulos infecciosos pode resultar em um desequilíbrio entre os elementos de resposta "protetora" e os elementos de resposta alérgica ("falso alarme") no sistema imunológico13.

Qual é o substrato fisiológico14 da atopia?

Em uma reação alérgica15, a exposição inicial a uma substância exógena inofensiva, conhecida como alergeno9, desencadeia a produção de anticorpos1 específicos. Esses anticorpos1 se ligam à superfície dos mastócitos16 por meio de receptores de alta afinidade, um passo que não está ainda associado a uma resposta clínica. No entanto, após a reexposição, o alérgeno9 se junta à proteína ligada à membrana, que ativa os mastócitos16, liberando uma variedade de mediadores. As respostas alérgicas são mediadas pelos eosinófilos17 (um tipo de glóbulo branco) que são liberados.

Essa reação de hipersensibilidade do tipo 1 é a base dos sintomas4 de reações alérgicas, que variam de espirros e rinorreia18 à anafilaxia19. Os alérgenos2 podem ser várias substâncias de diferentes naturezas, como pólen, pelos, ácaros, alimentos, entre outras.

Quais são as características clínicas da atopia?

As atopias muito frequentemente desenvolvem dermatites nas áreas de flexão dos membros, isto é, dobra do cotovelo, axilas e dobras atrás do joelho. Os sintomas4 variam muito de pessoa para pessoa, mas coceira, espirros e tosse são muito frequentes entre quase todos os pacientes durante os períodos de crise da doença.

São consideradas condições atópicas a dermatite8 atópica, a rinite6 alérgica e a asma5 alérgica. A probabilidade de ter asma5, rinite6 e dermatite8 atópica juntas é 10 vezes maior do que o esperado pelo acaso. A atopia é mais comum entre indivíduos com várias condições diferentes, como esofagite20 eosinofílica, sensibilidade não celíaca ao glúten21, etc.

Como dito, as reações alérgicas podem variar de espirros e rinorreia18 à anafilaxia19 e até a morte.

Como o médico trata a atopia?

Por se tratar de uma condição herdada geneticamente, a atopia ainda não tem cura, e o tratamento é apenas sintomático22. Contudo, com medicações modernas, é possível obter um bom controle dos quadros de atopia nos dias de hoje.

O tratamento de distúrbios atópicos depende do(s) órgão(s) envolvido(s). Pode variar de opções de tratamento local, geralmente com corticosteroides tópicos, a opções de tratamento sistêmico23 com corticosteroides orais, tratamentos biológicos ou imunoterapia com alérgenos2.

Uma reação anafilática24, por outro lado, é tratada com adrenalina25, administrada como uma injeção intramuscular26, e deve ser avaliada em ambiente hospitalar pelo risco que pode acarretar ao paciente.

Leia sobre "Anafilaxia19", "Esofagite20 eosinofílica", "Intolerância ao glúten21" e "Rinite6".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas dos sites da Science Direct e da Mayo Clinic.

ABCMED, 2020. Atopia - como ela é?. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/sinais.-sintomas-e-doencas/1366863/atopia+como+ela+e.htm>. Acesso em: 8 ago. 2020.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Anticorpos: Proteínas produzidas pelo organismo para se proteger de substâncias estranhas como bactérias ou vírus. As pessoas que têm diabetes tipo 1 produzem anticorpos que destroem as células beta produtoras de insulina do próprio organismo.
2 Alérgenos: Substância capaz de provocar reação alérgica em certos indivíduos.
3 Proteínas: Um dos três principais nutrientes dos alimentos. Alimentos que fornecem proteína incluem carne vermelha, frango, peixe, queijos, leite, derivados do leite, ovos.
4 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
5 Asma: Doença das vias aéreas inferiores (brônquios), caracterizada por uma diminuição aguda do calibre bronquial em resposta a um estímulo ambiental. Isto produz obstrução e dificuldade respiratória que pode ser revertida de forma espontânea ou com tratamento médico.
6 Rinite: Inflamação da mucosa nasal, produzida por uma infecção viral ou reação alérgica. Manifesta-se por secreção aquosa e obstrução das fossas nasais.
7 Eczema: Afecção alérgica da pele, ela pode ser aguda ou crônica, caracterizada por uma reação inflamatória com formação de vesículas, desenvolvimento de escamas e prurido.
8 Dermatite: Inflamação das camadas superficiais da pele, que pode apresentar-se de formas variadas (dermatite seborreica, dermatite de contato...) e é produzida pela agressão direta de microorganismos, substância tóxica ou por uma resposta imunológica inadequada (alergias, doenças auto-imunes).
9 Alérgeno: Substância capaz de provocar reação alérgica em certos indivíduos.
10 Alergia: Reação inflamatória anormal, perante substâncias (alérgenos) que habitualmente não deveriam produzi-la. Entre estas substâncias encontram-se poeiras ambientais, medicamentos, alimentos etc.
11 Útero: Orgão muscular oco (de paredes espessas), na pelve feminina. Constituído pelo fundo (corpo), local de IMPLANTAÇÃO DO EMBRIÃO e DESENVOLVIMENTO FETAL. Além do istmo (na extremidade perineal do fundo), encontra-se o COLO DO ÚTERO (pescoço), que se abre para a VAGINA. Além dos istmos (na extremidade abdominal superior do fundo), encontram-se as TUBAS UTERINAS.
12 Hipótese da Higiene: Teoria atualmente aceita que preconiza que a melhoria nas condições de higiene, o uso indiscriminado de antibióticos e a vacinação em massa estariam vinculados ao aumento dos casos de alergia. Os mecanismos imunológicos propostos para explicar este fenômeno baseiam-se no fato de que, na ausência de estímulos microbianos, ocorreria um desequilíbrio nas respostas do tipo T helper ou um desequilíbrio no desenvolvimento de mecanismos reguladores.
13 Sistema imunológico: Sistema de defesa do organismo contra infecções e outros ataques de micro-organismos que enfraquecem o nosso corpo.
14 Fisiológico: Relativo à fisiologia. A fisiologia é estudo das funções e do funcionamento normal dos seres vivos, especialmente dos processos físico-químicos que ocorrem nas células, tecidos, órgãos e sistemas dos seres vivos sadios.
15 Reação alérgica: Sensibilidade a uma substância específica, chamada de alérgeno, com a qual se entra em contato por meio da pele, pulmões, deglutição ou injeções.
16 Mastócitos: Células granulares que são encontradas em quase todos os tecidos, muito abundantes na pele e no trato gastrointestinal. Como os BASÓFILOS, os mastócitos contêm grandes quantidades de HISTAMINA e HEPARINA. Ao contrário dos basófilos, os mastócitos permanecem normalmente nos tecidos e não circulam no sangue. Os mastócitos, provenientes das células-tronco da medula óssea, são regulados pelo FATOR DE CÉLULA-TRONCO.
17 Eosinófilos: Eosinófilos ou granulócitos eosinófilos são células sanguíneas responsáveis pela defesa do organismo contra parasitas e agentes infecciosos. Também participam de processos inflamatórios em doenças alérgicas e asma.
18 Rinorreia: Escoamento abundante de fluido pelo nariz, com ausência de fenômeno inflamatório.
19 Anafilaxia: É um tipo de reação alérgica sistêmica aguda. Esta reação ocorre quando a pessoa foi sensibilizada (ou seja, quando o sistema imune foi condicionado a reconhecer uma substância como uma ameaça ao organismo). Na segunda exposição ou nas exposições subseqüentes, ocorre uma reação alérgica. Essa reação é repentina, grave e abrange o corpo todo. O sistema imune libera anticorpos. Os tecidos liberam histamina e outras substâncias. Esse mecanismo causa contrações musculares, constrição das vias respiratórias, dificuldade respiratória, dor abdominal, cãimbras, vômitos e diarréia. A histamina leva à dilatação dos vasos sangüíneos (que abaixa a pressão sangüínea) e o vazamento de líquidos da corrente sangüínea para os tecidos (que reduzem o volume de sangue) o que provoca o choque. Ocorrem com freqüência a urticária e o angioedema - este angioedema pode resultar na obstrução das vias respiratórias. Uma anafilaxia prolongada pode causar arritmia cardíaca.
20 Esofagite: Inflamação da mucosa esofágica. Pode ser produzida pelo refluxo do conteúdo ácido estomacal (esofagite de refluxo), por ingestão acidental ou intencional de uma substância tóxica (esofagite cáustica), etc.
21 Glúten: Substância viscosa, extraída de cereais, depois de eliminado o amido. É uma proteína composta pela mistura das proteínas gliadina e glutenina.
22 Sintomático: 1. Relativo a ou que constitui sintoma. 2. Que é efeito de alguma doença. 3. Por extensão de sentido, é o que indica um particular estado de coisas, de espírito; revelador, significativo.
23 Sistêmico: 1. Relativo a sistema ou a sistemática. 2. Relativo à visão conspectiva, estrutural de um sistema; que se refere ou segue um sistema em seu conjunto. 3. Disposto de modo ordenado, metódico, coerente. 4. Em medicina, é o que envolve o organismo como um todo ou em grande parte.
24 Reação anafilática: É um tipo de reação alérgica sistêmica aguda. Esta reação ocorre quando a pessoa foi sensibilizada (ou seja, quando o sistema imune foi condicionado a reconhecer uma substância como uma ameaça ao organismo). Na segunda exposição ou nas exposições subseqüentes, ocorre uma reação alérgica. Essa reação é repentina, grave e abrange o corpo todo. O sistema imune libera anticorpos. Os tecidos liberam histamina e outras substâncias. Esse mecanismo causa contrações musculares, constrição das vias respiratórias, dificuldade respiratória, dor abdominal, cãimbras, vômitos e diarréia. A histamina leva à dilatação dos vasos sangüíneos (que abaixa a pressão sangüínea) e o vazamento de líquidos da corrente sangüínea para os tecidos (que reduzem o volume de sangue) o que provoca o choque. Ocorrem com freqüência a urticária e o angioedema - este angioedema pode resultar na obstrução das vias respiratórias. Uma anafilaxia prolongada pode causar arritmia cardíaca.
25 Adrenalina: 1. Hormônio secretado pela medula das glândulas suprarrenais. Atua no mecanismo da elevação da pressão sanguínea, é importante na produção de respostas fisiológicas rápidas do organismo aos estímulos externos. Usualmente utilizado como estimulante cardíaco, como vasoconstritor nas hemorragias da pele, para prolongar os efeitos de anestésicos locais e como relaxante muscular na asma brônquica. 2. No sentido informal significa disposição física, emocional e mental na realização de tarefas, projetos, etc. Energia, força, vigor.
26 Injeção intramuscular: Injetar medicamento em forma líquida no músculo através do uso de uma agulha e seringa.
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