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Como evolui a visão do bebê?

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Como evolui a visão1 do bebê?

A criança enxerga desde que nasce, embora toscamente. Sua visão1 normalmente vai evoluindo e se aperfeiçoando com a idade. Já no nascimento, os bebês2 têm toda a estrutura biológica da visão1 formada, mas ainda precisarão de tempo para amadurecer e aprender a usar a função visual.

Ao contrário de outros sistemas sensoriais, o sistema visual humano se desenvolverá amplamente após o nascimento. Os aspectos da visão1 humana que se desenvolvem após o nascimento são tanto os componentes do olho3 como os circuitos neurais e incluem acuidade visual4, rastreamento, percepção de cores, percepção de profundidade e reconhecimento de objetos estáticos ou em movimento.

O aprendizado dessas capacidades, apesar de depender do amadurecimento de estruturas biológicas, pode também ser estimulado de fora, por exercícios educativos. Nos primeiros três meses de vida, o rosto da mãe é o que mais desperta o interesse do bebê. Por isso ela deve se expor e conversar bem de perto com o bebê, para que ele possa ver e observar seus traços. À medida que ele for crescendo, devem ser usados objetos e brinquedos de formatos e cores variados para fazer movimentos na horizontal e na vertical, isso estimula a visão1.

O teste do olhinho, conhecido também como teste do reflexo vermelho, é um exame feito no recém-nascido com o objetivo de verificar se ele parte de uma base oftálmica normal ou se há alguma eventual anormalidade ocular que, se possível, deve ser corrigida.

Leia sobre "Teste do pezinho", "Retinopaia do bebê prematuro" e "Daltonismo5".

Substrato fisiológico6 de desenvolvimento da visão1 em bebês2

Apesar de incipiente, a visão1 do recém-nascido já pode detectar mudanças no brilho, distinguir entre objetos estacionários e em movimento, bem como acompanhar objetos cinéticos (em movimento) em seus campos visuais. Entretanto, essas áreas são ainda muito pouco desenvolvidas. Com o amadurecimento físico, como distâncias aumentadas entre a córnea7 e a retina8, aumento das dimensões da pupila e cones e bastões reforçados, a capacidade visual de uma criança melhora rapidamente.

As alterações neurológicas e físicas subjacentes a essas melhorias na visão1 continuam sendo um forte foco na pesquisa, mas devido à incapacidade de uma criança expressar verbalmente seu campo visual9, a pesquisa nesse campo depende muito de dicas não-verbais, incluindo a capacidade da criança de detectar padrões e alterações visuais.

Etapas do desenvolvimento da visão1 em bebês2

  1. Os bebês2 nascem com pouca acuidade visual4 e só conseguem enxergar pessoas e objetos que estejam entre 20 e 30 centímetros de distância. As imagens visuais que inicialmente se formam no córtex visual dos bebês2 são em preto e branco e muito embaçadas. Eles não conseguem, inicialmente, manter o foco, já que eles ainda não controlam a movimentação conjugada dos olhos10.
  2. Nos primeiros três meses, o desenvolvimento da visão1 do bebê é muito rápido. Ao fim desse período, ele já consegue enxergar a uma distância de 50 centímetros. Até os dois meses, ele já aprendeu a focalizar os dois olhos10 ao mesmo tempo e assim já consegue acompanhar um objeto em movimento com o olhar. Ao fim desse tempo, ele já consegue enxergar e distinguir cores, mas têm dificuldades para diferenciar as que são mais próximas entre si. Por isso, prefere objetos de cores que apresentem um contraste mais forte. No terceiro mês, ele já é capaz de discriminá-las e demonstra sua preferência por objetos de cores primárias, como o vermelho e o verde.
  3. A partir dos quatro meses, o bebê começa a desenvolver a noção de profundidade visual, percebendo com mais facilidade o que está perto ou longe. É nessa etapa que ele aprende a pegar com mais precisão óculos, brincos, cabelos e qualquer objeto no rosto ou colo11 de quem o carrega, conseguindo entender que estão ao alcance da mão12.
  4. Por volta dos cinco meses, o bebê já é capaz de reconhecer um objeto vendo apenas uma parte dele, o que torna a brincadeira de esconder coisas muito divertida. Ele já aprendeu a distinguir cores básicas que são parecidas e começa a perceber a diferença entre os tons pastéis.
  5. Entre os seis e dez meses, começa o desenvolvimento da visão1 binocular, ou seja, com utilização dos dois olhos10 ao mesmo tempo.
  6. A partir dos oito meses, o bebê já enxerga quase tão bem quanto um adulto. A cor dos seus olhos10 já está praticamente definida, embora possa ter algumas mudanças até os três anos de idade. Apesar de sua visão1 de perto ainda ser melhor que a de longe, ele já pode distinguir e reconhecer, por exemplo, uma pessoa que esteja no lado oposto da sala.
  7. Aos doze meses de idade, a maioria dos bebês2 estará engatinhando e tentando andar, e assim desenvolvem uma melhor coordenação olho3-mão12. Os bebês2 agora podem julgar as distâncias razoavelmente bem e jogar as coisas com precisão.
  8. Aos dois anos de idade, a coordenação olho3-mão12 da criança e a percepção de profundidade já estão desenvolvidas quase na sua totalidade. As crianças desta idade estão muito interessadas em explorar seu ambiente e em olhar e ouvir. Elas reconhecem objetos e figuras familiares nos livros e podem rabiscar com giz de cera ou lápis.
Veja também sobre "Acromatopsia ou 'cegueira de cores'", "Perda súbita da visão1", "Astigmatismo13" e "Miopia14".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas dos sites da Stanford Children's Health e da Healthy Children Organization.

ABCMED, 2020. Como evolui a visão do bebê?. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/saude-da-crianca/1367743/como+evolui+a+visao+do+bebe.htm>. Acesso em: 24 out. 2020.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Visão: 1. Ato ou efeito de ver. 2. Percepção do mundo exterior pelos órgãos da vista; sentido da vista. 3. Algo visto, percebido. 4. Imagem ou representação que aparece aos olhos ou ao espírito, causada por delírio, ilusão, sonho; fantasma, visagem. 5. No sentido figurado, concepção ou representação, em espírito, de situações, questões etc.; interpretação, ponto de vista. 6. Percepção de fatos futuros ou distantes, como profecia ou advertência divina.
2 Bebês: Lactentes. Inclui o período neonatal e se estende até 1 ano de idade (12 meses).
3 Olho: s. m. (fr. oeil; ing. eye). Órgão da visão, constituído pelo globo ocular (V. este termo) e pelos diversos meios que este encerra. Está situado na órbita e ligado ao cérebro pelo nervo óptico. V. ocular, oftalm-. Sinônimos: Olhos
4 Acuidade visual: Grau de aptidão do olho para discriminar os detalhes espaciais, ou seja, a capacidade de perceber a forma e o contorno dos objetos.
5 Daltonismo: Alteração congênita da visão de certas cores, especialmente para distinguir o vermelho e o verde.
6 Fisiológico: Relativo à fisiologia. A fisiologia é estudo das funções e do funcionamento normal dos seres vivos, especialmente dos processos físico-químicos que ocorrem nas células, tecidos, órgãos e sistemas dos seres vivos sadios.
7 Córnea: Membrana fibrosa e transparente presa à esclera, constituindo a parte anterior do olho.
8 Retina: Parte do olho responsável pela formação de imagens. É como uma tela onde se projetam as imagens: retém as imagens e as traduz para o cérebro através de impulsos elétricos enviados pelo nervo óptico. Possui duas partes: a retina periférica e a mácula.
9 Campo visual: É toda a área que é visível com os olhos fixados em determinado ponto.
10 Olhos:
11 Colo: O segmento do INTESTINO GROSSO entre o CECO e o RETO. Inclui o COLO ASCENDENTE; o COLO TRANSVERSO; o COLO DESCENDENTE e o COLO SIGMÓIDE.
12 Mão: Articulação entre os ossos do metacarpo e as falanges.
13 Astigmatismo: Defeito de curvatura nas superfícies de refração do olho que produz transtornos de acuidade visual.
14 Miopia: Incapacidade para ver de forma clara objetos que se encontram distantes do olho.Origina-se de uma alteração dos meios de refração do olho, alteração esta que pode ser corrigida com o uso de lentes especiais, e mais recentemente com o uso de cirurgia a laser.
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