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Como evolui a linguagem da criança?

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O que é a linguagem humana?

A linguagem é o principal meio pelo qual o indivíduo se adequa à sociedade. Ela é um meio tradicional de comunicação e de transmissão de ideias. Nenhuma outra forma de comunicação no mundo natural transfere tanta informação em um período tão curto de tempo. É ela que confere a identidade psicológica do homem.

No entanto, o indivíduo que fica isolado da sociedade, e só aprende a linguagem tardiamente, tem uma percepção mais aguçada, porém menos socializada, da realidade, e suas "portas da percepção" estarão todas abertas, pois seu conhecimento de mundo está livre de "pré-conceitos", ou seja, de ideias perpetuadas pela sociedade, ditas como verdadeiras, mas que se analisadas sem "pré-ideias" são apenas práticas sociais condicionadas que não se utilizam de lógica e normas para a regulação da práxis.

Leia sobre "Orientação da Sociedade Brasileira de Pediatria sobre uso de telas", "Afasia1" e "Dislexia".

Como evolui a linguagem da criança?

A aquisição da linguagem é a maior façanha que uma pessoa pode realizar durante a vida. O cérebro2 da criança muda mais durante a aquisição da linguagem, nos primeiros seis anos de vida, do que em qualquer outra fase da vida. A aquisição de um idioma é um produto de aprendizado ativo, repetitivo e complexo. Os adultos ajudam as crianças a aprender a língua3, principalmente conversando com elas.

Ao nascer, o bebê ainda não é capaz de falar, mas já pode se comunicar por meio de olhares, posturas, expressões faciais e pelo choro, e usa tudo isso para expressar seus sentimentos e interagir com as pessoas. Nesta fase, ele é condicionado naturalmente a adquirir a linguagem humana e é capaz de aprender qualquer língua3 do mundo e a pronunciar qualquer um dos sons humanos. Não existe um código inato que leve a criança a ter mais facilidade de falar inglês, espanhol ou japonês: a linguagem é, em sua maior parte, aprendida.

Nascemos com a capacidade de produzir cerca de 40 sons e nossa genética permite que nosso cérebro2 faça associações entre sons e objetos, ações ou ideias. Aos poucos, a capacidade de aquisição da linguagem se tornará mais específica e se concentrará mais em aprender sua língua3 materna. Os adultos que cuidam do bebê é que darão sentido aos sons e balbucios que ele produz. Por isso, é muito importante que as pessoas conversem com o bebê o máximo possível desde o início.

Etapas da evolução da linguagem da criança

Os bebês4 aprendem a falar em idades diferentes. Alguns já estarão dizendo várias palavras após 12 meses, enquanto outros ainda balbuciam de forma incompreensível aos 2 anos de idade, mas o fato de que o bebê fale rapidamente ou demore mais para falar não significa necessariamente que a fala será pior ou melhor no futuro. Isso indica apenas que os mecanismos fisiológicos subjacentes à fala estão mais ou menos amadurecidos.

Nos casos em que houver um atraso muito significativo com relação à fala, um pediatra deve ser consultado.

  1. Durante o primeiro mês de vida, o principal modo de comunicação é o choro. O bebê chora quando está com fome, quando precisa trocar a fralda, quando está com dor, cansado, etc. Cabe aos adultos à sua volta decifrar suas mensagens.
  2. Aos 2 meses, o bebê balbucia bastante e começa a explorar as capacidades de sua laringe5: soluça, murmura, faz sons com a parte de trás da garganta6...
  3. Aos 4 meses, começa a vocalizar as vogais “a” e “e”.
  4. Aos 5 meses, o bebê já é capaz de pronunciar suas primeiras consoantes: é a idade do famoso “gu-gu” e “da-da”. Nessa fase, o bebê já adotou sua língua3 materna. O bebê inserido em linguagens diferentes terá balbucios diferentes: um bebê chinês ou egípcio tem balbucios diferentes de um bebê cuja língua3 materna seja, por exemplo, o português.
  5. Com 6 meses, o bebê repete as sílabas que terminam em “a”: “dadadada”, “papapapa”, “mamamama”, etc. Esses sons não têm um significado específico para ele: os adultos é quem darão significado a eles aos poucos, por meio das respostas que oferecem. Assim, ele descobre a dimensão simbólica da linguagem: um som corresponde a um objeto.
  6. Por volta dos 10 meses, o bebê começa a pronunciar sílabas sem repetição. Aos poucos ele irá compor sua fala, que muitas vezes é incompreensível como se estivesse falando uma língua3 estrangeira! Progressivamente, sua linguagem se tornará compreensível; as primeiras palavras compreensíveis costumam aparecer por volta de 1 ano de idade e se referem ao que ele quer e que não esteja ao alcance. Inicialmente as palavras têm um significado muito genérico que, aos poucos, vai se tornando mais específico. Dizendo “mamá”, o bebê pode estar dizendo que quer tanto a mamadeira quanto o peito7 ou estar com fome, sede ou frio... A compreensão do bebê progride mais rápido que sua capacidade de se expressar e com 1 ano ele já entende diversas frases simples, como “Venha”, “Dá pra mamãe”, “Você está com fome?”, “Pegue o brinquedo”, etc.
  7. Aos 18 meses, ele já domina entre 10 e 20 palavras, que ele começa a combinar umas às outras; por exemplo, “mais leite” ou “papai saiu”.
  8. Entre 1 ano e meio e 2 anos, o vocabulário do bebê progride rapidamente e aos 24 meses ele terá um vocabulário de até 300 palavras. O bebê gosta de conversar e às vezes é difícil fazê-lo parar! Agora já é capaz de usar os pronomes “mim”, “eu” e “você”.
  9. Aos 3 anos, os elementos essenciais da língua3 já foram adquiridos. A criança já pode criar frases complexas, conjugar verbos e usar corretamente os tempos presente, passado e futuro. Ele pode surpreender com expressões que parecem vindas de um adulto; ele repete exatamente como ouviu! Essa é também a idade dos “por quês?”.
  10. Novos progressos espetaculares normalmente ocorrerão com o “ir à escola”, graças à enorme quantidade de estímulos recebidos. Contudo, se a criança parece significativamente atrasada com relação à fala, um pediatra deve ser consultado.
Veja também sobre "Disartria8", "Hiperlexia", "Autismo - reconhecendo os sintomas9 precoces" e "Transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH)".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas dos sites da UFRJ – Universidade Federal do Rio de Janeiro e do About Kids Health.

ABCMED, 2020. Como evolui a linguagem da criança?. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/saude-da-crianca/1367608/como+evolui+a+linguagem+da+crianca.htm>. Acesso em: 3 ago. 2020.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Afasia: Sintoma neurológico caracterizado pela incapacidade de expressar-se ou interpretar a linguagem falada ou escrita. Pode ser produzida quando certas áreas do córtex cerebral sofrem uma lesão (tumores, hemorragias, infecções, etc.). Pode ser classificada em afasia de expressão ou afasia de compreensão.
2 Cérebro: Derivado do TELENCÉFALO, o cérebro é composto dos hemisférios direito e esquerdo. Cada hemisfério contém um córtex cerebral exterior e gânglios basais subcorticais. O cérebro inclui todas as partes dentro do crânio exceto MEDULA OBLONGA, PONTE e CEREBELO. As funções cerebrais incluem as atividades sensório-motora, emocional e intelectual.
3 Língua:
4 Bebês: Lactentes. Inclui o período neonatal e se estende até 1 ano de idade (12 meses).
5 Laringe: É um órgão fibromuscular, situado entre a traqueia e a base da língua que permite a passagem de ar para a traquéia. Consiste em uma série de cartilagens, como a tiroide, a cricóide e a epiglote e três pares de cartilagens: aritnoide, corniculada e cuneiforme, todas elas revestidas de membrana mucosa que são movidas pelos músculos da laringe. As dobras da membrana mucosa dão origem às pregas vocais.
6 Garganta: Tubo fibromuscular em forma de funil, que leva os alimentos ao ESÔFAGO e o ar à LARINGE e PULMÕES. Situa-se posteriormente à CAVIDADE NASAL, à CAVIDADE ORAL e à LARINGE, extendendo-se da BASE DO CRÂNIO à borda inferior da CARTILAGEM CRICÓIDE (anteriormente) e à borda inferior da vértebra C6 (posteriormente). É dividida em NASOFARINGE, OROFARINGE e HIPOFARINGE (laringofaringe).
7 Peito: Parte superior do tronco entre o PESCOÇO e o ABDOME; contém os principais órgãos dos sistemas circulatório e respiratório. (Tradução livre do original
8 Disartria: Distúrbio neurológico caracterizado pela incapacidade de articular as palavras de maneira correta (dificuldade na produção de fonemas). Entre as suas principais causas estão as lesões nos nervos centrais e as doenças neuromusculares.
9 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
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