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Egoísmo e diferenças entre egoísmo e egocentrismo

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O que é egoísmo?

Na compreensão popular, o egoísmo é um exclusivismo que leva uma pessoa a se colocar em primeiro lugar com referência a tudo e a todos. Nesse sentido, é tratado como orgulho ou presunção.

Num sentido técnico, egoísmo é um traço de caráter. É o hábito ou a atitude de uma pessoa que coloca seus interesses, opiniões, desejos e necessidades em primeiro lugar, geralmente (mas nem sempre) em detrimento das demais pessoas. Neste sentido, o egoísmo é o antônimo de altruísmo. O egoísta presta muita atenção a si próprio e muito pouca atenção aos outros.

O comportamento egoísta é frequentemente descrito como imoral, mas segundo os especialistas, o comportamento egoísta não é apenas imoral, é também negativo para o próprio bem-estar psicológico da pessoa egoísta.

Há controvérsia se o egoísmo é uma característica humana natural ou se é um vício moral adquirido. A psicologia do desenvolvimento observa que a infância se caracteriza pela passagem de uma atitude primitivamente egocêntrica, em que a criança tem a si mesma por referência exclusiva, suas necessidades e interesses, para uma atitude social e interativa. Deste modo, o egoísmo seria a recusa da pessoa em deixar essa fase infantil: uma luta por manter viva a fantasia do egocentrismo.

Alguns naturalistas postulam que há um gene egoísta, ou seja, mecanismos genéticos também agem com fins imediatos e egoístas. Segundo essas opiniões, o altruísmo puro seria uma legítima construção da cultura humana, atuando sobre essas bases naturais. Parece não haver dúvidas, contudo, de que fatores ambientais interagem com essas supostas bases naturais, acentuando-as ou abrandando-as.

Veja sobre "Impulsividade", "Ansiedade normal e patológica", "Depressão", "Ansiedade infantil".

Diferenças entre egoísmo e egocentrismo

O egoísta é aquele que se coloca no centro do seu universo. Na verdade, é uma pessoa que prioriza a si mesmo em relação aos outros, mas não necessariamente desprezando-os. Um sujeito egoísta é aquele que acredita que, na sua perspectiva de ser, é mais importante do que os demais seres.

O egocentrismo caracteriza-se pela simples aplicação prática do egoísmo. Priorizando o seu ego, o egocêntrico simplesmente prioriza a sua razão sobre a razão de terceiros, ignorando o ego dos outros. O egocêntrico se considera como o centro de todo o interesse. É voltado somente para si ou tudo que lhe diz respeito.

A sociedade acabou por definir o egoísmo e o egocentrismo como características negativas de uma personalidade, porém, Ayn Rand demonstra que o egoísta contribui positivamente para a sociedade e pode muitas vezes, desfrutando de seu ego e do prazer que sente em ajudar as pessoas, agir de maneira semelhante ao altruísta, porém por puro interesse próprio.

A personalidade dos egoístas

Os egoístas habitualmente são vaidosos e procuram não demonstrar vulnerabilidade ou fraqueza. Querem sempre estar em primeiro lugar e impedir que qualquer pessoa ameace sua supremacia. Ignoram a opinião dos outros e sobrevalorizam a própria. Têm dificuldades de compartilhar ou doar algo, na medida em que isso implique tomar os outros em consideração. Em geral, quando chegam a demonstrar algum ato gratuito de aparente bondade estão encobrindo uma grande necessidade de atenção e elogios. Toda ação de um egoísta tem um propósito autorreferencial.

Os egoístas sempre esperam que os outros façam as coisas para ele e realmente acreditam que merecem tudo. As críticas das demais pessoas, mesmo quando bem-intencionadas, são muito mal recebidas. Eles não percebem quando estão errados; não querem aprender com opiniões diferentes. Como fica impossível negar seu erro, o egoísta culpa alguém ou foge da situação. Humildade é um conceito desconhecido para eles. O egoísta nunca pede desculpa. Porém, é o primeiro a criticar quando o erro é de outra pessoa.

E o mais importante, os egoístas não sabem que são egoístas, por isso não sentem nenhuma necessidade de mudar.

As consequências pessoais do egoísmo

O egoísmo é bom ou ruim? Bom para quem? Quem se beneficia do egoísmo?

A resposta mais simples (e errada) a essa pergunta parece ser que o egoísmo é sempre bom para a pessoa egoísta, mas ruim para os outros. É verdade que existem muitos casos em que as pessoas egoístas se beneficiam às custas de outras, mas esses benefícios podem ter consequências desastrosas a longo prazo. Afinal, “cada um colhe o que semeia”.

Na verdade, há um "mau egoísmo" que, em última análise, é ruim tanto para a pessoa egoísta quanto para as pessoas vitimadas e exploradas, e um “egoísmo neutro", que inclui cuidar de seu próprio bem-estar de maneira que não envolva prejuízo para outras pessoas. Todo comportamento que uma pessoa tenha para seu próprio benefício tira um tempo do que ela poderia estar fazendo para beneficiar os outros e nesse sentido ampliado é também egoísta. Mas muitas vezes tem um sentido positivo, pois cuidar de si mesmo coloca o indivíduo em uma posição melhor para fazer coisas que beneficiem os outros.

Uma pessoa egoísta em geral desenvolve uma reputação de alguém que se deve evitar. Ter boa reputação não é coisa trivial, porque é muito improvável que a felicidade seja alcançada com isolamento da sociedade. Para ser feliz, a pessoa precisa de uma rede de pessoas em sua vida que a amem e a respeitem. Para construir essa rede, precisamos ser justos e ter a capacidade de nos colocarmos no lugar do outro. 

Leia também sobre "Psicoterapias", "Terapia cognitivo1 comportamental" e "Psiquiatra, psicólogo ou psicanalista".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas dos sites GoodTherapy, US Library of Medicine e Annual Review of Psychology.

ABCMED, 2020. Egoísmo e diferenças entre egoísmo e egocentrismo. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/psicologia-e-psiquiatria/1359333/egoismo-e-diferencas-entre-egoismo-e-egocentrismo.htm>. Acesso em: 15 jul. 2020.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Cognitivo: 1. Relativo ao conhecimento, à cognição. 2. Relativo ao processo mental de percepção, memória, juízo e/ou raciocínio. 3. Diz-se de estados e processos relativos à identificação de um saber dedutível e à resolução de tarefas e problemas determinados. 4. Diz-se dos princípios classificatórios derivados de constatações, percepções e/ou ações que norteiam a passagem das representações simbólicas à experiência, e também da organização hierárquica e da utilização no pensamento e linguagem daqueles mesmos princípios.
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