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Impulsividade

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O que é a impulsividade?

Em psicologia, a impulsividade é uma tendência para agir precipitadamente, exibindo um comportamento sem uma reflexão anterior, com pouca ou nenhuma previsão ou consideração das consequências. As ações impulsivas são tipicamente inadequadas e frequentemente resultam em consequências indesejáveis. No entanto, se essas ações acabam positivamente, elas passam a ser vistas como indicadoras de ousadia, rapidez, espontaneidade ou coragem.

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"A estrutura da personalidade segundo a Psicanálise"
"O desenvolvimento da personalidade segundo a Psicanálise"
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Quais são as causas da impulsividade?

A impulsividade pode ser classificada como um construto multifatorial. Uma variedade da impulsividade envolve ação sem muita previsão em situações apropriadas que resultam em consequências indesejáveis.

Há várias razões para um comportamento impulsivo: urgência1 positiva ou negativa de conseguir ou evitar alguma coisa, busca de sensações agradáveis e baixa conscientização das ações, representada por falta de planejamento ou perseverança.

Existem dificuldades quando se trata de tentar identificar componentes genéticos para características complexas como a impulsividade. Muitas das pesquisas sobre a genética de transtornos relacionados à impulsividade são baseadas em estudos de comportamentos familiares de difícil quantificação. Mesmo assim, existem vários genes de interesse que foram estudados na tentativa de encontrar os principais contribuintes genéticos para a impulsividade.

Psicodinâmica da impulsividade

Os processos mentais incluem duas classes de atividades: (1) automáticas e (2) controladas. Os processos automáticos ocorrem sem envolver níveis elevados de cognição2. Decisões controladas são processos amplamente conscientes e deliberados. Os processos automáticos possuem quatro características principais:

  • Ocorrem de forma não intencional ou sem uma decisão consciente.
  • O custo em recursos mentais da decisão é muito baixo.
  • Eles não podem ser facilmente interrompidos.
  • Ocorrem sem pensamento consciente por parte do indivíduo que os faz.

Os processos controlados também possuem quatro características vis-a-vis às primeiras:

  • Ocorrem intencionalmente.
  • Requerem o dispêndio de recursos cognitivos3.
  • O indivíduo pode interromper o processo voluntariamente.
  • O processo mental é consciente.

Atualmente, esses processos são vistos como operando ao longo de um continuum, já que a maioria das ações impulsivas terá, ao mesmo tempo, atributos controlados e automáticos.

O inverso da impulsividade é o autocontrole que, por sua vez, inclui as ações automáticas. O autocontrole refere-se à capacidade de alterar as respostas automáticas para alinhá-las com padrões ideais, valores morais e expectativas sociais, contentando-se com objetivos de mais longo prazo.

No entanto, o autocontrole é um "reservatório" limitado que, quando exaurido, resulta em redução da capacidade de autorregulação. O autocontrole exige força e energia para ser executado, as quais podem se esgotar ao longo de um período de tempo. O modelo de força de autocontrole afirma que esforços regulares de autocontrole podem melhorar a força de vontade. Esforços direcionados a controlar o comportamento em uma área levam a melhorias em outras áreas. Exercícios diários de autocontrole produzem gradualmente melhorias individuais.

Mas as pessoas podem exercer autocontrole apesar do esgotamento do ego. Se é oferecida a elas alguma gratificação para um bom desempenho, isso neutraliza em parte os efeitos do esgotamento.

Quais são as principais características da impulsividade?

A impulsividade é uma faceta da personalidade e um dos principais sintomas4 componentes de vários distúrbios, incluindo:

(1) transtorno do déficit de atenção;

(2) uso de substâncias ilegais;

(3) transtorno bipolar;

(4) transtorno de personalidade antissocial;

(5) transtorno de personalidade borderline e outros.

Padrões anormais de impulsividade também foram observados em casos de lesão5 cerebral adquirida e doenças neurodegenerativas. Achados neurobiológicos sugerem que existem regiões cerebrais específicas envolvidas no comportamento impulsivo, embora diferentes redes neuronais cerebrais possam contribuir para diferentes manifestações de impulsividade e a genética possa desempenhar um papel.

Como "tratar" a impulsividade?

São comuns tratamentos psicofarmacológicos, comportamentais ou psicossociais para a impulsividade. A intervenção psicofarmacológica em distúrbios da impulsividade mostrou evidências de efeitos positivos com antidepressivos inibidores seletivos da serotonina, estabilizadores de humor antipsicóticos e beta-bloqueadores.

As intervenções comportamentais também funcionam bem no controle dos impulsos. A Terapia Comportamental Cognitiva6 tem mostrado efeitos positivos. Além disso, terapia familiar e treinamento de habilidades sociais mostraram efeitos positivos em comportamentos agressivos explosivos.

Leia mais sobre "Psicoterapias", "Psiquiatra, psicólogo ou psicanalista" e "Estresse".

 

ABCMED, 2018. Impulsividade. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/psicologia-e-psiquiatria/1324953/impulsividade.htm>. Acesso em: 18 dez. 2018.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Urgência: 1. Necessidade que requer solução imediata; pressa. 2. Situação crítica ou muito grave que tem prioridade sobre outras; emergência.
2 Cognição: É o conjunto dos processos mentais usados no pensamento, percepção, classificação, reconhecimento e compreensão para o julgamento através do raciocínio para o aprendizado de determinados sistemas e soluções de problemas.
3 Cognitivos: 1. Relativo ao conhecimento, à cognição. 2. Relativo ao processo mental de percepção, memória, juízo e/ou raciocínio. 3. Diz-se de estados e processos relativos à identificação de um saber dedutível e à resolução de tarefas e problemas determinados. 4. Diz-se dos princípios classificatórios derivados de constatações, percepções e/ou ações que norteiam a passagem das representações simbólicas à experiência, e também da organização hierárquica e da utilização no pensamento e linguagem daqueles mesmos princípios.
4 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
5 Lesão: 1. Ato ou efeito de lesar (-se). 2. Em medicina, ferimento ou traumatismo. 3. Em patologia, qualquer alteração patológica ou traumática de um tecido, especialmente quando acarreta perda de função de uma parte do corpo. Ou também, um dos pontos de manifestação de uma doença sistêmica. 4. Em termos jurídicos, prejuízo sofrido por uma das partes contratantes que dá mais do que recebe, em virtude de erros de apreciação ou devido a elementos circunstanciais. Ou também, em direito penal, ofensa, dano à integridade física de alguém.
6 Cognitiva: 1. Relativa ao conhecimento, à cognição. 2. Relativa ao processo mental de percepção, memória, juízo e/ou raciocínio. 3. Diz-se de estados e processos relativos à identificação de um saber dedutível e à resolução de tarefas e problemas determinados. 4. Diz-se dos princípios classificatórios derivados de constatações, percepções e/ou ações que norteiam a passagem das representações simbólicas à experiência, e também da organização hierárquica e da utilização no pensamento e linguagem daqueles mesmos princípios.
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