As novas cepas (variantes) do coronavírus
Algumas considerações sobre o coronavírus
Toda afirmação que no momento é feita sobre o coronavírus tem um caráter de provisoriedade, uma vez que o vírus1 apareceu muito recentemente e todas as suas repercussões não puderam ainda ser submetidas a pesquisas rigorosas. É possível que algumas das noções que hoje se tem sobre o vírus1 e seus efeitos venham a ser modificadas no futuro, assim como muitas delas já o foram, desde o princípio da pandemia2 até agora.
Num clima de perplexidade e angústia, brotaram muitas ideias inverossímeis, errôneas e até esdrúxulas que nunca tiveram o apoio da comunidade científica. E isso para não falar das “fake news” mal intencionadas que visaram transmitir informações inverídicas.
No entanto, algumas observações consensuais de profissionais médicos ao redor do mundo têm de ser levadas em conta, porque ademais de serem sérias, são tudo o que se dispõe no momento.
Leia também: "Covid-19: quais novas variantes do coronavírus estão surgindo", "Tempo de permanência do coronavírus nas superfícies" e "Uso de máscaras durante a pandemia2 de COVID-19".
O que são as novas cepas3 (mutações ou variantes) do coronavírus?
Todos os vírus1 sofrem mutações naturais com o tempo, e o coronavírus não é exceção. Mutações são alterações naturais ou induzidas que ocorrem no genoma (material genético) do vírus1. Elas não mudam o comportamento do vírus1, mas de vez em quando um vírus1 sofre uma mutação4 que melhor o ajuda a sobreviver e reproduzir. Em consequência a essas mutações, o vírus1 então aumenta a frequência de sua incidência5 devido à seleção natural.
Estima-se que, desde que o vírus1 da Covid foi identificado pela primeira vez, já surgiram mais de 4.000 mutações, a maioria das quais de pouco impacto. Três variáveis mutantes significativas do coronavírus foram identificadas no Reino Unido, na África do Sul e no Brasil. As linhagens do vírus1 que surgiram daí, embora cada uma tenha suas especificidades, têm também elementos comuns entre elas.
Essas três variantes têm origens diferentes, mas compartilham uma mutação4 em um gene que codifica a proteína que o vírus1 usa para se agarrar e entrar nas células6 humanas. Essas mutações levantam algumas questões cruciais:
(1) As novas cepas3 de vírus1 das mutações são mais transmissíveis que as do vírus1 original?
(2) Elas ocasionam doença de maior gravidade que as do vírus1 original?
(3) O perfil das pessoas infectadas sofreu alguma modificação?
(4) Elas são capazes de reinfectar pessoas que já tiveram Covid?
(5) Elas são sensíveis às vacinas conhecidas até o momento?
- Não há uma demonstração cabal de que essas novas linhagens virais sejam mais agressivas ou mais transmissíveis. Embora essa nova onda de infeção pareça ser numericamente superior à primeira, o espraiamento do vírus1 depende de muitos outros fatores que não o seu potencial de transmissibilidade, como, por exemplo, o maior ou menor cuidado preventivo7 das pessoas. Por isso, é legítimo perguntar: o novo vírus1 é intrinsecamente mais transmissível ou está sendo apenas mais transmitido?
- Não há evidências até agora de que qualquer um dos vírus1 mutantes cause doenças mais graves que as causadas pelo vírus1 original, mas seu mais rápido espraiamento gera a preocupação de que os sistemas de saúde8 venham a ser sobrecarregados ou colapsados por um rápido aumento de casos.
- Tem-se observado nos serviços de saúde8 a presença de um maior número de pessoas mais jovens que no início da pandemia2. Não se tem certeza se isso é devido a características das mutações ou ao fato de que pessoas de idade menor têm participado de comportamentos que favorecem mais a contaminação, como transgredindo as regras de distanciamento social, participando de aglomerações, deixando de usar máscara, saindo mais de casa, etc. As pessoas idosas geralmente são mais reclusas e mais atentas à prevenção.
- Uma das questões levantadas pelas mutações do coronavírus é se elas podem driblar os anticorpos9 daqueles que já tiveram a doença uma primeira vez, provocando reinfecções. De um modo geral, a reinfecção pelo coronavírus original é um acontecimento raro. Dos 11.000 profissionais de saúde8 que apresentaram evidências de infecção10 durante a primeira onda da pandemia2 no Reino Unido, nenhum teve reinfecção sintomática11 na segunda onda. Como resultado, os pesquisadores sentiram-se otimistas de que a imunidade12 à reinfecção dura pelo menos seis meses, no caso do novo coronavírus. Essa mesma imunidade12 parece também atuar em relação às mutações. A probabilidade de ser infectado novamente com a nova variante é a mesma do que com o vírus1 original.
- A maioria dos especialistas acredita que as vacinas serão eficazes contra as mutações, pelo menos a curto prazo, já que as várias mutações não alteraram a forma da proteína que produz a doença, mas apenas a que facilita a ligação do vírus1 às células6 humanas. A Coronavac e a vacina13 da Pfizer já foram anunciadas por seus fabricantes como efetivas contra as mutações. Para o futuro, as vacinas podem ser modificadas para serem ainda mais adequadas e eficazes contra as variantes virais.
Veja sobre "Orientações para isolamento domiciliar de casos de COVID-19", "Vacinas contra o coronavírus" e "Vitamina14 D e Coronavírus".
Referências:
As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente da Mayo Clinic, do site Scientific American e da U.S. National Library of Medicine.
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.