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Vitamina D e Coronavírus

Monday, March 30, 2020
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Vitamina D e Coronavírus

Vitamina D e o Coronavírus: a questão

Nesses tempos de coronavírus, cientistas do mundo inteiro estão mobilizados na busca de soluções médicas para prevenir, minimizar ou tratar a infecção pelo vírus. Como as vacinas ainda estão situadas num horizonte distante, as atenções têm se concentrado em medicações. Mas, como o tempo ainda é pequeno e a urgência grande, ainda não foram possíveis estudos rigorosos de longo alcance quanto ao efeito de certas medicações contra, especificamente, o coronavírus.

Os achados atuais, portanto, tanto podem justificar expectativas promissoras como terem resultados decepcionantes.

Entre as novas cogitações, uma é levantada com relação à vitamina D. Os professores Giancarlo Isaia e Enzo Medico, da Universidade de Turim, na Itália, notaram uma deficiência de vitamina D entre os pacientes italianos com diagnóstico da infecção por coronavírus. A partir daí hipotetizaram que a vitamina D pode ser uma aliada na prevenção de casos da Covid-19. O estudo lembra que há diversas evidências científicas da ação da vitamina D na prevenção de quadros infecciosos e considera “provável” que ela possa prover uma maior resistência à Covid-19.

Os dados coletados num primeiro momento apenas indicam que grande parte dos pacientes hospitalizados com testes positivos para a Covid-19 têm altas taxas de hipovitaminose D. O estudo propõe a vitamina D não como uma cura para a doença, mas como uma providência a mais para reduzir os fatores de risco.

Além disso, já é sabido há algum tempo que a vitamina D encontra-se baixa em muitos idosos, principais integrantes do grupo de risco do novo coronavírus, e que ela pode ser um fator de proteção importante para reduzir a fragilidade dos idosos.

Leia sobre "Mapeando o coronavírus SARS-CoV-2", "Novo coronavírus e os cuidados de prevenção" e "Deficiência de vitamina D".

Como se pode obter a vitamina D?

A vitamina D pode ser sintetizada pelo organismo mediante exposição da pele à luz solar e pelo consumo de alimentos ricos nesse componente. Cerca de 80% a 90% do que uma pessoa recebe de vitamina D no organismo provém da síntese orgânica promovida pelos raios ultravioletas. Por isso, as pessoas de pele clara devem ficar ao sol durante pelo menos 15 minutos por dia, enquanto pessoas de pele negra precisam de cerca de 1 hora de exposição solar diária.

Os alimentos que mais abundantemente contêm vitamina D são leite, manteiga, fígado de galinha, óleo de fígado de bacalhau, sardinha, peixes gordos (salmão, atum, etc.), frutos do mar, mariscos e ovos cozidos.

Além das fontes naturais e alimentares, a vitamina D também pode ser encontrada na forma de suplementos em cápsulas ou em gotas, os quais, no entanto, só devem ser usados em casos constatados de deficiência dessa vitamina e mediante orientação médica.

Como a vitamina D pode ser útil na infecção por coronavírus?

A principal ação da vitamina D no organismo é na absorção do cálcio e na formação dos ossos, mas entre outras funções, ela é necessária para o bom funcionamento do sistema imunológico, que é a primeira linha de defesa do corpo contra infecções e outras doenças. Ela possui propriedades anti-inflamatórias e imunorreguladoras e é crucial para a ativação das defesas do sistema imunológico. A vitamina D melhora a função das células imunológicas que protegem o corpo contra agentes patógenos.

De fato, níveis baixos de vitamina D estão associados a um risco aumentado de doenças respiratórias gerais, incluindo tuberculose, asma e doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), além de infecções respiratórias virais (coronavírus?) e bacterianas. Além disso, a deficiência de vitamina D tem sido associada à diminuição da função pulmonar, o que pode afetar a capacidade do corpo de combater infecções respiratórias.

Estas são as razões teóricas, além das empíricas, pelas quais se imagina que a vitamina D possa ser uma das formas de aumentar a resistência orgânica contra a Covid-19.

Como atualmente não há prevenção ou tratamento medicamentoso para a doença, vale investigar o efeito de suplementos de vitamina D e da deficiência dela sobre o risco de contrair e tratar o novo coronavírus.

Uma taxa baixa de vitamina D pode prejudicar a função imunológica e aumentar o risco de desenvolver doenças respiratórias, alguns estudos indicaram que os suplementos de vitamina D podem melhorar a resposta imune e proteger contra infecções respiratórias em geral. Contudo, não há evidências comprovadas de que a ingestão suplementar de vitamina D possa proteger contra o Covid-19.

Veja também sobre "Ibuprofeno e Coronavírus", "Cloroquina e Coronavírus" e "A gravidez e o Coronavírus".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas dos sites da SBEM – Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, da WHO – World Health Organization e da U.S. National Library of Medicine.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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