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Distinção entre tumores benignos e malignos

Tuesday, October 8, 2019
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Distinção entre tumores benignos e malignos

O que são tumores?

A palavra tumor vem do latim (tumor = inchaço) e corresponde a todo aumento de volume observado em qualquer parte do corpo. Quando o tumor se dá por crescimento do número de células (nem sempre é assim), ele é chamado neoplasia, e pode ser benigno ou maligno.

Normalmente, as células nascem, exercem as funções a que se destinam e, quando ficam “envelhecidas”, morrem e são substituídas por outras, dando lugar a uma nova célula de idêntica linhagem. Ou seja, nenhum tecido é permanentemente, ressalvadas as células cerebrais.

Esse processo é rigorosamente controlado pelo organismo, mas, se houver qualquer distúrbio nele, as células não morrem e se acumulam, formando um tumor. Isso passa a existir quando alguma célula do corpo sofre uma mutação em seus genes, sob estímulo de condições internas como fatores genéticos ou hormonais, ou externas, como o tabaco ou álcool.

Muitas vezes, fatores internos e externos interagem para provocar esse efeito. No entanto, nem sempre esses fatores são identificáveis.

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Distinção entre tumores benignos e malignos

Os tumores benignos são massas locais bem delimitadas, cujas células não invadem estruturas vizinhas nem se espalham à distância pela corrente sanguínea e/ou linfática, de modo que não formam metástases.

Os tumores malignos podem afetar órgãos diferentes daqueles em que se originaram e constituírem metástases ou atingirem órgãos contíguos por invasão direta. As células cancerígenas carreadas pelo sangue ou pela linfa são depositadas à distância em tecidos saudáveis do corpo, diferentes daquele de origem, onde crescem e se multiplicam rapidamente, conservando as características histológicas das células iniciais. Muitas vezes afetam órgãos vitais, causando ameaças à vida.

Essas células costumam ser de linhagem mais jovem que a que constitui o órgão originário, de mais ativa reprodução que ela, e escapam frequentemente aos processos de apoptose (morte celular programada).

Os tumores benignos são formados por células maduras, de crescimento local lento ou que param de crescer. Como crescem apenas localmente, representam menores riscos que os tumores malignos. Os tumores benignos não ameaçam a vida, mas podem resultar em complicações se pressionarem órgãos vitais do corpo.

Se precisarem ser tratados, os tumores benignos muitas vezes não causam problemas, podendo ser mais facilmente removidos por cirurgia. Os tumores malignos, por sua vez, frequentemente exigem, além da cirurgia, serem gerenciados por quimioterapia, radioterapia, terapia direcionada e procedimentos endoscópicos.

A quimioterapia visa atingir e destruir células cancerígenas que possam já ter espalhado pelo corpo e a radioterapia tem como objetivo destruir células cancerígenas que possivelmente tenham permanecido nas proximidades (margens) do tumor.

Biópsia dos tumores

A biópsia é um procedimento cirúrgico no qual o médico colhe uma amostra de tecidos ou células para posterior estudo em laboratório. Embora possa ter outras finalidades, uma biópsia é frequentemente usada para diagnosticar se um tumor é benigno ou maligno. Mesmo com todos os dados clínicos mencionados acima, a distinção radical entre um tumor benigno e maligno só pode ser feita por uma biópsia. Por essa razão, toda massa tumoral retirada do corpo deve ser encaminhada a um laboratório de anatomia patológica para exame citológico, a despeito de qualquer impressão inicial do médico.

Além de distinguir entre benignidade e malignidade, a biópsia permite o estadiamento do tumor maligno. O estadiamento do câncer é uma descrição geralmente expressa em números de 0 a IV, e fala sobre o quanto o câncer se espalhou ou não pelo corpo. O estadiamento do câncer é muito importante porque ele determina o tratamento mais adequado e é um importante indicativo do prognóstico e de possíveis complicações. Tradicionalmente, os estágios (ou estádios) são numerados de 0 a IV, da seguinte maneira:

  • Estágio 0: carcinoma restrito à área inicial.
  • Estágio I: tumor restrito a uma parte do corpo, sem comprometimento linfático.
  • Estágio II: tumor localmente avançando com comprometimento do sistema linfático ou espalhado por mais de um tecido.
  • Estágio III: tumor localmente avançado, espalhado por mais de um tecido e causando comprometimento linfático.
  • Estágio IV: metástase a distância, ou seja, câncer espalhado para outros órgãos ou todo o corpo.

Quais são as principais características clínicas dos tumores benignos e malignos?

Os tumores benignos são de crescimento muito lento ou nenhum crescimento e muitas vezes não ocasionam sintomas, a não ser que interfiram nas funções do próprio órgão ou de órgãos vizinhos.

Os tumores malignos são de crescimento mais rápido, mas também podem não dar sintomas em seu início. Esse é um importante fator complicador, porque eles podem evoluir silenciosamente até estágios muito evoluídos, quando o tratamento é mais difícil e incerto.

Muitas vezes, as primeiras manifestações de um tumor maligno partem de suas metástases; até então esse tumor terá evoluído silenciosamente. Isso pode acontecer com quase todos os tipos de cânceres, mas o exemplo típico é o câncer da próstata.

Leia sobre "O que é o câncer" e "NIC no preventivo - o que é isso". 

Como diagnosticar um tumor?

Muitas vezes o tumor é externo, facilmente visível e independe de qualquer exame de imagens para ser localizado. No entanto, a maioria é interna e não pode ser vista a olho nu. Ademais, além de descobrir um tumor e sua localização, é necessário determinar a natureza benigna ou maligna, o que é feito por meio de uma biópsia.

Para determinar a localização exata do tumor e o quanto ele já se espalhou pode-se lançar mão de uma radiografia, uma tomografia computadorizada ou uma ressonância magnética. A tomografia por emissão de pósitrons (PET) tem sido utilizada para descobrir certos tipos de tumor. Ela consiste em injetar no corpo uma substância radioativa que se concentra maiormente nos tumores e depois captá-la por exames de imagens.

Outros exames, ainda, podem ser feitos, da dependência das suspeitas clínicas como, por exemplo, exames de sangue, testes de função hepática, etc.

Como o médico trata os tumores benignos e malignos?

Os tumores benignos muitas vezes não necessitam de tratamento e devem, apenas, serem monitorados pelo médico. O tratamento pode ser necessário se causarem problemas ou complicações. O mais comum para os tumores benignos é a erradicação cirúrgica, sem causar danos aos tecidos circundantes.

Já para os tumores malignos, existe a possibilidade de diferentes objetivos dos tratamentos, na dependência do tipo e estágio do câncer, do estado geral de saúde do paciente e de suas preferências. Além da cirurgia para erradicação do tumor, pode-se lançar mão da radioterapia, da quimioterapia e da terapia hormonal, que podem ser utilizados para aliviar os sinais e sintomas e tentar evitar a recidiva do câncer. 

Veja também: "Câncer - informações importantes".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas dos sites do INCA – Instituto Nacional do Câncer e do Hospital Albert Einstein.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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