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É possível acabar com o câncer?

Friday, July 22, 2016
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É possível acabar com o câncer?

A realidade do câncer

Não há duvidas de que os casos de câncer estão aumentando em todo o mundo. Nos Estados Unidos, segundo a American Cancer Society, o risco de desenvolver câncer em algum momento de nossas vidas já é de 42% em homens e 38% em mulheres; no Reino Unido a taxa já é de 54% dos homens e 48% das mulheres, segundo o Cancer Research UK. E os casos estão em ascensão, numa taxa de 3% a cada ano. No Brasil, não só o câncer está extremamente difundido, mas também cada vez mais comum. O Instituto Nacional do Câncer (INCA) estima que 600.000 novos casos serão diagnosticados em 2016, um número maior que nos anos anteriores.

Uma das razões desse aumento (mas não a única) é que os seres humanos, em média, vivem muito mais tempo atualmente do que antes. Quanto mais tempo o organismo vive, mais provável é que uma das suas células sucumba a uma mutação causadora de câncer. Se as pessoas querem viver mais de 70 anos, então temos que aceitar que, mais cedo ou mais tarde, terão uma quase certeza de terem algum tipo de câncer, porque suas células não são capazes de manter o seu DNA durante todo esse tempo.

Alguns pesquisadores informam que todas as pessoas com mais de 40 anos portam uma mutação que pode causar câncer em algum momento. Isso pode parecer alarmante, mas os mecanismos de defesas naturais geralmente destroem as células mutantes antes que elas possam se transformar em um tumor. O câncer é também abundante entre animais domésticos, selvagens ou marinhos e a taxa de mortalidade deles é semelhante à que ocorre nos seres humanos, descontando o fato de que os animais não se tratam.

Quanto maior o ser e quanto maior o seu número de células, maior a possibilidade de ter câncer. No entanto, há exceções. Alguns animais grandes parecem não ter câncer ou só tê-los muito raramente: apenas cerca de 5% de elefantes morrem de câncer e a doença é rara entre certas espécies de baleias e leões marinhos, apesar de serem animais com um número muito grande de células. Por que será que tantos humanos desenvolvem a doença em algum momento de suas vidas?

Por que o câncer?

Para entender por que o câncer existe, precisamos voltar a um processo fundamental que ocorre no nosso corpo: a divisão celular. Todo câncer é um problema da divisão e da multiplicação celular. Cada ser humano começa como uma única célula que, dentro de alguns dias já se transformou em uma bola contendo algumas centenas de células. Ao atingir a idade adulta, essa célula inicial se dividiu tantas vezes que os cientistas não conseguem concordar, mesmo com a aproximação de alguns trilhões, em quantas células o corpo humano contém.

A divisão celular normal é muito controlada, mas o câncer quebra todas as regras dessa divisão e as células se multiplicam descontroladamente. Normalmente, a maioria delas tem uma duração determinada, e as células velhas ou danificadas são destruídas, mas ocasionalmente uma delas se mantém reproduzindo, criando mais e mais novas células. O câncer ocorre quando uma célula aparentemente normal se divide fora de controle, resultando num tumor.

A ameaça inicialmente vem da pequena quantidade de células corrompidas, mas ao longo do tempo, uma destas células pode crescer e se dividir em dezenas de milhares de células cancerosas. As células cancerosas continuam produzindo mutações e a aumentando sua diversidade. Eventualmente, pode haver bilhões de células em um tumor, de incontáveis tipos diferentes.

As células cancerosas não são todas iguais: sempre que uma célula cancerosa se divide, ela sofre novas mutações. Em outras palavras, elas “evoluem”, a ponto que se pode dizer que não há, num tumor canceroso, duas células que sejam iguais. Normalmente elas crescem mais rapidamente que as demais. No entanto, o corpo humano tem como detectar essas mutações celulares anormais por meio de sistemas biológicos que intervêm para destruir as células mutantes, antes que elas possam causar danos. Mas o fato de que os tumores estão constantemente mudando sua composição genética é uma das razões pelas quais eles são tão difíceis de serem eliminados. Os seres humanos são vulneráveis ao câncer precisamente porque são grandes e complexos.

Como tratar o câncer?

É vital compreender as causas do câncer para encontrar novos tratamentos, no entando, por enquanto fundamental que nos concentremos na prevenção do câncer, afinal, já conhecemos certos fatores de risco, como fumar ou expor-se a queimaduras solares. Os Estados Unidos registraram um declínio de 25% na taxa de mortalidade nas últimas duas décadas, mais da metade impulsionado por atividades de prevenção e pelas modernas técnicas de diagnóstico precoce. Quase um terço das mortes por câncer nos Estados Unidos tem sido atribuído ao tabagismo e o tabaco é, entre todas, a causa mais evitável de câncer.

Em teoria, poderíamos criar drogas que imitem o que se passa com os elefantes (em que só 5% sofrem de câncer, contra 1 em cada 5 humanos, apesar de serem animais com grande quantidade de células). Tais medicamentos estão sendo testados no momento. Se os elefantes raramente têm câncer, apesar de serem muito grandes, baleias que podem viver por 200 anos parecem ter ainda menos. Isto é surpreendente porque, em teoria, esses animais deveriam ter um elevado risco de câncer – e isso pode ajudar nas pesquisas sobre novos tratamentos. Por outro lado, os ratos, que são criaturas pequenas, são extremamente propensos ao câncer, apesar de viverem vidas curtas e terem muito menos células do que os seres humanos.

Leia mais sobre os diferentes tipos de câncer: "Câncer de mama", "Câncer do colo do útero", "Câncer Colorretal", "Câncer de pulmão",  "Câncer de próstata", "Câncer de fígado" e "Câncer de pele".

 

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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