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Síndrome de Hoffa

Friday, March 17, 2023
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Síndrome de Hoffa

O que é a síndrome de Hoffa?

A síndrome de Hoffa, também conhecida como síndrome da almofada patelar, é a inflamação do coxim gorduroso existente na região infrapatelar, que pode levar a lesões artrofibróticas. Esse coxim fica no compartimento anterior do joelho como uma massa de tecido adiposo intracapsular, mas extra sinovial (extra articular). Existem também outras almofadas gordurosas na articulação do joelho, mas a síndrome de Hoffa se refere especificamente à almofada subpatelar.

A síndrome foi primeiramente descrita em 1904 pelo ortopedista alemão Albert Hoffa (1859-1907).

Quais são as causas da síndrome de Hoffa?

Há duas causas principais para a síndrome de Hoffa:

  1. ela pode se desenvolver agudamente devido a algum traumatismo aplicado sobre o joelho;
  2. ou pode se desenvolver gradualmente, ao longo de algum tempo, por uso excessivo do joelho, sobretudo se exigido para além de sua extensibilidade normal (hiperextensão).

Alguns fatores de risco que tornam a síndrome de Hoffa mais propensa a acontecer são: uma contratura do músculo quadríceps, história prévia de osteoartrite do joelho e lesão prévia da almofada de Hoffa.

Leia sobre “Água no joelho”, "Ruptura de menisco", "Luxação da patela" e "Cisto de Baker".

Qual é o substrato fisiopatológico da síndrome de Hoffa?

Existem várias almofadas gordurosas em torno do joelho, bem como em outras partes do corpo. Elas ajudam a proteger as estruturas subjacentes e facilitam a mobilidade dos órgãos.

A chamada almofada de Hoffa fica localizada na frente do joelho, na região sub patelar, entre a patela e a tuberosidade tibial. Ela exerce importantes funções na articulação do joelho: distribui a pressão pela articulação patelo-femoral, facilita a deformação flexível fisiológica na articulação do joelho conforme os seus movimentos e dá suporte à estabilidade patelar. Além disso, tem também um importante papel como proprioceptor devido à densidade relativamente alta de nervos dentro dela.

Atua como um coxim protetor que separa a patela da pele e dos ossos da coxa, mas se ela for pinçada, esmagada ou danificada de qualquer forma, a almofada de Hoffa incha, inflama e se torna dolorida.

Com a inchação, ela aumenta de tamanho e se torna mais possível de ser pinçada novamente, gerando, assim, um círculo vicioso que leva à dor no joelho, da qual é difícil de se livrar. A almofada é inervada principalmente pelo nervo tibial posterior, o que pode ser uma fonte de dor localizada no joelho, devido às muitas terminações nervosas aí existentes que podem ser ativadas por meio de deformação mecânica ou mediadores químicos.

Quais são as características clínicas da síndrome de Hoffa?

A síndrome de Hoffa é uma das causas mais comuns de dor patelo-femoral. Quando o joelho se move em flexão, o coxim adiposo fica relaxado, livremente expansivo e move-se posteriormente. Em extensão, ele situa-se entre a face lateral da patela e o tendão do quadríceps. Portanto, os sintomas mais comumente observados estão associados à extensão, embora também possam ser vistos em flexão, onde a dor é provocada por ficar preso entre o tendão da patela e o da face anterior do fêmur.

Os sintomas incluem dor na parte frontal e lateral do joelho, que se exacerbam ao subir escadas, agachar, chutar ou mesmo assentar-se com os joelhos dobrados. Em alguns casos, pode haver uma dor aguda súbita e momentânea sobre um fundo doloroso permanente. Geralmente há também inchação abaixo do joelho e em torno dele e aumento da dor ao estender o joelho ou em caminhadas prolongadas. Tipicamente, a dor também piora nos movimentos de subidas ou descidas de planos inclinados.

Como o médico diagnostica a síndrome de Hoffa?

O médico ou fisioterapeuta especializados reconhecerão os sintomas e poderão proceder à chamada manobra de Hoffa. Com o paciente deitado de costas, com o joelho dobrado, o profissional pressiona os dois polegares ao longo de cada lado do tendão patelar, logo abaixo da patela, e então o paciente deve estender a perna. O teste é positivo se ele sentir dor.

Infelizmente esse teste não é muito preciso ou específico e, por isso, a síndrome de Hoffa permanece subdiagnosticada, com apenas um diagnóstico genérico de “dor na parte frontal do joelho”. A confirmação do diagnóstico pode vir de exames de imagens que permitam ver as condições dos tecidos moles da articulação, como a ressonância magnética ou a ultrassonografia.

Como tratar a síndrome de Hoffa?

O tratamento da síndrome de Hoffa implica em, primeiramente, arrefecer a inflamação, o que pode ser conseguido com tratamentos como acupuntura, ultrassom, crioterapia, aplicação de gelo e repouso. O médico poderá aplicar uma injeção de anti-inflamatório para reduzir o volume da almofada de Hoffa.

Posteriormente, deve-se adotar medidas que evitem novos pinçamentos ou esmagamentos e proteger o joelho com exercícios de alongamento e reforço muscular, orientados por um fisioterapeuta.

De um modo geral, a cirurgia não é recomendável nos casos de síndrome de Hoffa, mas em casos específicos e raros, pode ser conveniente uma pequena cirurgia que vise diminuir a almofada inflamada.

Como prevenir a síndrome de Hoffa?

Para as pessoas que portam algum fator de risco, a forma mais adequada de prevenir a síndrome de Hoffa é fazer alongamentos e fortalecimento dos músculos ao redor da região do quadril, tornozelo e joelho sob orientação de um fisioterapeuta, que aconselhará os exercícios apropriados.

Além disso, as pessoas devem evitar andar de salto alto que, ao provocar hiperextensão dos joelhos, favorece as lesões na almofada de gordura.

Saiba mais sobre "Artroscopia do joelho", "Artroplastia do joelho", "Artrose do joelho" e "Dor nos joelhos".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente dos sites da U.S. National Library of Medicine e da Mayo Clinic.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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