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Cisto de Baker - sinais e sintomas, diagnóstico, tratamento e possíveis complicações

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O que é o cisto de Baker?

O cisto de Baker, ou cisto poplíteo, resulta do acúmulo de líquido sinovial1 (líquido contido no interior das articulações2), numa pequena bolsa atrás do joelho (fossa poplítea), formando um cisto. Ele comumente ocorre juntamente com alguma doença articular.

Quais são as causas do cisto de Baker?

O cisto de Baker é causado por uma inchação no joelho, decorrente do aumento na quantidade de líquido sinovial1. Quando esse líquido se acumula num local chamado bolsa poplítea, ele forma um cisto. Ocorre devido à inflamação3 da articulação do joelho4, artrite5, artrose6, lesões7 em meniscos8 ou desgastes na cartilagem9 do joelho. O cisto de Baker é mais comum em indivíduos mais velhos, principalmente após os 60 anos de idade.

Qual é o mecanismo fisiológico10 do cisto de Baker?

Em medicina chamamos de cisto toda coleção líquida que fica envolta por uma membrana, formando uma espécie de bolsa ou saco. Com o tempo, a articulação do joelho4 vai se desgastando, possibilitando a ocorrência de inflamações11 que levam à artrite5 e provocando aumento do líquido sinovial1 local (sinovite12). Quando a quantidade de líquido sinovial1 torna-se excessiva, o mesmo pode ser comprimido e empurrado para a região posterior da articulação13, formando uma herniação14, que constitui o cisto de Baker.

Cisto de Baker
Saiba mais sobre "Artrite5", "Artrose6" e "Sinovite12".

Quais são as principais características clínicas do cisto de Baker?

Em alguns casos, um cisto de Baker pode ser assintomático. No entanto, outros pacientes apresentam inchaço15 atrás do joelho, dor articular e rigidez muscular. A ocorrência de sintomas16 depende do tamanho do cisto ou da existência de complicações ou compressões de estruturas vizinhas. Esses sintomas16 podem piorar após a prática de exercícios físicos, depois de ter ficado muito tempo de pé, ter ficado muito tempo parado em uma mesma posição ou após subir escadas.

Como o médico diagnostica o cisto de Baker?

Ao exame físico, o cisto pode ser invisível, só sendo descoberto por acaso quando da realização de um exame de imagem do joelho por qualquer outro motivo. Quando sintomáticos, alguns sinais17 e sintomas16 são similares aos de doenças como trombose18, aneurisma19 ou tumor20, mas quase sempre ele pode ser diagnosticado por meio de um simples exame físico, sendo visível e palpável sob a pele21, podendo provocar dor no joelho e dificuldade de movimentação desta articulação13. O médico pode solicitar alguns exames de imagem não invasivos, incluindo ultrassonografias e exame de ressonância magnética22.

Leia os artigos sobre "Trombose18", "Ultrassonografia23" e "Ressonância magnética22".

Como o médico trata o cisto de Baker?

Muitas vezes, o cisto de Baker desaparece independentemente de qualquer tratamento. No entanto, se o cisto é muito grande e causa dor, o médico pode utilizar medicamentos, como uso de corticosteroide no joelho. Ele também pode drenar o líquido acumulado na articulação do joelho4, num método chamado de aspiração, muitas vezes realizado com uma agulha guiada pelo ultrassom.

A fisioterapia24 pode prescrever exercícios de fortalecimento dos músculos25 do joelho e de amplitude dos movimentos e, assim, ajudar a reduzir os sintomas16 e preservar a articulação13. Também é importante tratar a causa subjacente, já que muitas vezes o cisto de Baker está relacionado a outras doenças articulares. A artroscopia26 é uma importante ferramenta de diagnóstico27 e tratamento. Até mesmo uma cirurgia pode ser necessária, se um problema de cartilagem9 estiver causando o excesso de líquido sinovial1.

Veja também os artigos sobre "Dor nos joelhos", "Corticoides" e "Artroscopia26".

Se a causa subjacente ao cisto de Baker for a artrite5, o médico poderá recomendar a aplicação de gelo, descanso articular e elevação da perna, além de prescrever analgésicos28, em caso de dor e a prática de exercícios físicos condizentes com o estado de saúde29 do paciente.

Como evolui em geral o cisto de Baker?

O cisto de Baker não costuma trazer consequências de longo prazo, mas pode tornar-se irritante e doloroso. Os sintomas16 aparecem, reaparecem e desaparecem com o tempo. Raramente o cisto leva à invalidez.

Como prevenir o cisto de Baker?

Não há formas conhecidas de prevenção do cisto de Baker.

Quais são as complicações do cisto de Baker?

O cisto de Baker pode, embora raramente, se romper e levar ao vazamento de fluidos sinoviais na região da panturrilha30, causando dor, inchaço15 maior, vermelhidão e uma sensação de água escoando pela panturrilha30. Um cisto que cresce muito pode atrapalhar o escoamento de sangue31 dos membros inferiores e provocar dor e edema32 das pernas. Nestes casos, não espere para procurar ajuda médica!

 

ABCMED, 2016. Cisto de Baker - sinais e sintomas, diagnóstico, tratamento e possíveis complicações. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/ortopedia-e-saude/1275118/cisto-de-baker-sinais-e-sintomas-diagnostico-tratamento-e-possiveis-complicacoes.htm>. Acesso em: 12 dez. 2018.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Líquido sinovial: Gel viscoso e transparente que lubrifica as estruturas que banha, minorando o atrito entre elas. Ele é encontrado na cavidade da cápsula articular.
2 Articulações:
3 Inflamação: Conjunto de processos que se desenvolvem em um tecido em resposta a uma agressão externa. Incluem fenômenos vasculares como vasodilatação, edema, desencadeamento da resposta imunológica, ativação do sistema de coagulação, etc.Quando se produz em um tecido superficial (pele, tecido celular subcutâneo) pode apresentar tumefação, aumento da temperatura local, coloração avermelhada e dor (tétrade de Celso, o cientista que primeiro descreveu as características clínicas da inflamação).
4 Articulação do joelho:
5 Artrite: Inflamação de uma articulação, caracterizada por dor, aumento da temperatura, dificuldade de movimentação, inchaço e vermelhidão da área afetada.
6 Artrose: Também chamada de osteoartrose ou processo degenerativo articular, resulta de um processo anormal entre a destruição cartilaginosa e a reparação da mesma. Entende-se por cartilagem articular, um tipo especial de tecido que reveste a extremidade de dois ossos justapostos que possuem algum grau de movimentação entre eles, sua função básica é a de diminuir o atrito entre duas superfícies ósseas quando estas executam qualquer tipo de movimento, funcionando como mecanismo de absorção de choque. O estado de hidratação da cartilagem e a integridade da mesma, é fator preponderante para o não desenvolvimento da artrose.
7 Lesões: 1. Ato ou efeito de lesar (-se). 2. Em medicina, ferimento ou traumatismo. 3. Em patologia, qualquer alteração patológica ou traumática de um tecido, especialmente quando acarreta perda de função de uma parte do corpo. Ou também, um dos pontos de manifestação de uma doença sistêmica. 4. Em termos jurídicos, prejuízo sofrido por uma das partes contratantes que dá mais do que recebe, em virtude de erros de apreciação ou devido a elementos circunstanciais. Ou também, em direito penal, ofensa, dano à integridade física de alguém.
8 Meniscos: 1. Figura composta por uma parte côncava e outra convexa; objeto em forma de crescente, de meia-lua. 2. Na anatomia geral, é uma lâmina fibrocartilaginosa, em forma de crescente, interposta entre duas superfícies articulares (como o joelho) para facilitar seu deslizamento. 3. Na física dos fluidos, é a superfície de um líquido contido em um tubo capilar, côncava ou convexa segundo a tensão superficial. 4. Em óptica, é uma lente de forma convexo-côncava ou côncavo-convexa, cujas bordas têm espessura menor que a parte central.
9 Cartilagem: Tecido resistente e flexível, de cor branca ou cinzenta, formado de grandes células inclusas em substância que apresenta tendência à calcificação e à ossificação.
10 Fisiológico: Relativo à fisiologia. A fisiologia é estudo das funções e do funcionamento normal dos seres vivos, especialmente dos processos físico-químicos que ocorrem nas células, tecidos, órgãos e sistemas dos seres vivos sadios.
11 Inflamações: Conjunto de processos que se desenvolvem em um tecido em resposta a uma agressão externa. Incluem fenômenos vasculares como vasodilatação, edema, desencadeamento da resposta imunológica, ativação do sistema de coagulação, etc. Quando se produz em um tecido superficial (pele, tecido celular subcutâneo) pode apresentar tumefação, aumento da temperatura local, coloração avermelhada e dor (tétrade de Celso, o cientista que primeiro descreveu as características clínicas da inflamação).
12 Sinovite: Inflamação da membrana sinovial, uma fina camada de tecido conjuntivo que reveste estruturas como tendões musculares, cápsulas articulares e bolsas sinoviais.
13 Articulação: 1. Ponto de contato, de junção de duas partes do corpo ou de dois ou mais ossos. 2. Ponto de conexão entre dois órgãos ou segmentos de um mesmo órgão ou estrutura, que geralmente dá flexibilidade e facilita a separação das partes. 3. Ato ou efeito de articular-se. 4. Conjunto dos movimentos dos órgãos fonadores (articuladores) para a produção dos sons da linguagem.
14 Herniação: Formação de uma protrusão, de uma hérnia. Também conhecida como herniamento.
15 Inchaço: Inchação, edema.
16 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
17 Sinais: São alterações percebidas ou medidas por outra pessoa, geralmente um profissional de saúde, sem o relato ou comunicação do paciente. Por exemplo, uma ferida.
18 Trombose: Formação de trombos no interior de um vaso sanguíneo. Pode ser venosa ou arterial e produz diferentes sintomas segundo os territórios afetados. A trombose de uma artéria coronariana pode produzir um infarto do miocárdio.
19 Aneurisma: Alargamento anormal da luz de um vaso sangüíneo. Pode ser produzida por uma alteração congênita na parede do mesmo ou por efeito de diferentes doenças (hipertensão, aterosclerose, traumatismo arterial, doença de Marfán, etc.).
20 Tumor: Termo que literalmente significa massa ou formação de tecido. É utilizado em geral para referir-se a uma formação neoplásica.
21 Pele: Camada externa do corpo, que o protege do meio ambiente. Composta por DERME e EPIDERME.
22 Ressonância magnética: Exame que fornece imagens em alta definição dos órgãos internos do corpo através da utilização de um campo magnético.
23 Ultrassonografia: Ultrassonografia ou ecografia é um exame complementar que usa o eco produzido pelo som para observar em tempo real as reflexões produzidas pelas estruturas internas do organismo (órgãos internos). Os aparelhos de ultrassonografia utilizam uma frequência variada, indo de 2 até 14 MHz, emitindo através de uma fonte de cristal que fica em contato com a pele e recebendo os ecos gerados, os quais são interpretados através de computação gráfica.
24 Fisioterapia: Especialidade paramédica que emprega agentes físicos (água doce ou salgada, sol, calor, eletricidade, etc.), massagens e exercícios no tratamento de doenças.
25 Músculos: Tecidos contráteis que produzem movimentos nos animais.
26 Artroscopia: Procedimento invasivo que permite examinar o interior de uma articulação utilizando um dispositivo especialmente projetado para tal, que utiliza uma fonte de luz externa e fibra óptica para transmitir as imagens produzidas (artroscópio). Através deste podem também ser realizados diferentes tratamentos cirúrgicos.
27 Diagnóstico: Determinação de uma doença a partir dos seus sinais e sintomas.
28 Analgésicos: Grupo de medicamentos usados para aliviar a dor. As drogas analgésicas incluem os antiinflamatórios não-esteróides (AINE), tais como os salicilatos, drogas narcóticas como a morfina e drogas sintéticas com propriedades narcóticas, como o tramadol.
29 Saúde: 1. Estado de equilíbrio dinâmico entre o organismo e o seu ambiente, o qual mantém as características estruturais e funcionais do organismo dentro dos limites normais para sua forma de vida e para a sua fase do ciclo vital. 2. Estado de boa disposição física e psíquica; bem-estar. 3. Brinde, saudação que se faz bebendo à saúde de alguém. 4. Força física; robustez, vigor, energia.
30 Panturrilha: 1. Proeminência muscular, situada na face posterossuperior da perna, formada especialmente pelos músculos gastrocnêmio e sóleo; sura, barriga da perna. 2. Por extensão de sentido, enchimento usado por baixo das meias, para melhorar a aparência das pernas.
31 Sangue: O sangue é uma substância líquida que circula pelas artérias e veias do organismo. Em um adulto sadio, cerca de 45% do volume de seu sangue é composto por células (a maioria glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas). O sangue é vermelho brilhante, quando oxigenado nos pulmões (nos alvéolos pulmonares). Ele adquire uma tonalidade mais azulada, quando perde seu oxigênio, através das veias e dos pequenos vasos denominados capilares.
32 Edema: 1. Inchaço causado pelo excesso de fluidos no organismo. 2. Acúmulo anormal de líquido nos tecidos do organismo, especialmente no tecido conjuntivo.
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