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Discopatias - causas, sintomas, diagnóstico, tratamento e prevenção

Monday, December 5, 2022
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Discopatias - causas, sintomas, diagnóstico, tratamento e prevenção

O que são discopatias?

As discopatias, também chamadas degenerações dos discos intervertebrais, são alterações que afetam os discos intervertebrais, geralmente diminuindo o intervalo entre as vértebras e comprimindo as raízes nervosas emergentes entre elas. Apesar de serem mais comuns na região lombar, também podem afetar as outras partes da coluna.

O que são discos intervertebrais?

Há, ao todo, 23 discos entre as vértebras, cada um dos quais funciona como uma articulação entre os corpos das vértebras adjacentes, de modo a conferir sustentação e flexibilidade à coluna. Cada disco intervertebral é uma estrutura fibrocartilaginosa que possui a mesma forma das vértebras (anel).

É composto por um anel fibroso que contém em seu interior um núcleo pulposo flexível, formado por um gel semifluido, constituído por 80% de água. Ele funciona como um sistema hidráulico complexo capaz de absorver choques e permitir uma compressão transitória devido ao deslocamento do material semilíquido no interior de um continente elástico. Nesse sentido, ele pode ser comparado a um amortecedor mecânico de choques.

Saiba mais sobre "Desvios da coluna", "Espondilolistese" e "Dores nas costas".

Quais são as causas das discopatias?

A grande maioria das discopatias é de natureza degenerativa e ocorre principalmente devido a fatores de desgastes em decorrência do envelhecimento, como desidratação do disco e consequente diminuição da sua espessura.

Além do envelhecimento, outros fatores podem acelerar a degeneração dos discos intervertebrais, entre eles:

Em alguns casos, pode haver uma predisposição congênita para o comprometimento dos discos.

Os fatores de risco mais comuns para as discopatias são:

  1. estilo de vida que possa ter um impacto nos discos da coluna vertebral;
  2. história familiar de dor nas costas ou distúrbios musculoesqueléticos;
  3. tensão excessiva na região lombar causada por esportes, trabalho pesado frequente ou trabalhos intensivos;
  4. tensão nos discos da coluna lombar devido à má postura;
  5. músculos paravertebrais fracos;
  6. obesidade e fumo.

Qual é o substrato fisiopatológico das discopatias?

Com o envelhecimento, os discos intervertebrais perdem água e sofrem alterações em sua conformação. Durante a vida são eles que absorvem os impactos ao caminhar, movimentar, saltar ou rotacionar o tronco, garantindo que os atritos entre os ossos e outros componentes sejam minimizados.

A tensão, o peso do corpo e os movimentos realizados fazem com que, ao longo do tempo, os discos intervertebrais sofram um desgaste e fiquem desidratados e achatados. A perda de líquido e de volume dos discos reduz a capacidade de amortecimento deles, dificultando a movimentação, diminuindo o espaço entre as vértebras e comprimindo as raízes nervosas emergentes entre elas.

Quais são as características clínicas das discopatias?

A chamada cascata degenerativa é um processo lento, que leva de 10 a 30 anos, e geralmente consiste no seguinte ciclo:

  1. um estresse ou lesão inicial;
  2. rigidez e mobilidade limitada que podem ocorrer imediatamente após o estresse ou lesão inicial;
  3. o segmento espinhal afetado passa então por um longo período de relativa instabilidade;
  4. crises periódicas de dor lombar moderada ou intensa.

A discopatia degenerativa pode permanecer por muito tempo sem apresentar sintomas. Por isso, quando os pacientes procuram ajuda, o quadro já está relativamente agravado. Quando há sintomas, é comum que eles sejam dor na parte inferior das costas ou na parte superior do pescoço.

A quantidade de degeneração não se correlaciona exatamente com a quantidade de dor que os pacientes experimentam. Se um paciente sente dor ou não, depende em grande parte da localização do disco afetado e da quantidade de pressão que está sendo colocada na coluna vertebral e nas raízes nervosas circundantes. Muitas pessoas não sentem dor, enquanto outras têm dor crônica intensa, embora exibam a mesma quantidade de danos.

É comum que pessoas com mais de 40 anos apresentem sinais de desgaste nos discos intervertebrais. A forma de apresentação dos sintomas varia em cada indivíduo: eles podem persistir por semanas e até meses ou desaparecer em poucos dias e retornar esporadicamente. Essa condição é progressiva e afeta mais os discos intervertebrais localizados na região lombar, embora também possa afetar a parte cervical ou torácica da coluna.

Conforme o local que afete, além de dor na nuca ou na região lombar, pode causar formigamento, rigidez e perda da sensibilidade em braços ou pernas. A discopatia pode também causar rigidez e fraqueza na coluna, reduzindo a capacidade motora do paciente e prejudicando o desempenho no cotidiano.

Leia sobre "Dor na coluna", "Artrodese da coluna" e "Fisioterapia".

Como o médico diagnostica as discopatias?

Como a discopatia é uma condição progressiva, é importante identificar os sintomas o mais cedo possível para dar início ao tratamento com um especialista. De início, o médico tomará o histórico clínico do paciente visando detectar os sintomas e os fatores de risco. Além disso, imagens como as de uma radiografia, ressonância magnética ou tomografia computadorizada ajudam a esclarecer as especificidades do caso.

Como o médico trata as discopatias?

Não há como chegar há uma solução definitiva do problema. Os tratamentos usualmente empregados visam aliviar os sintomas e desacelerar a evolução do quadro. Eles implicam no uso de medicamentos e exercícios de fortalecimento muscular, com o objetivo de recuperar a funcionalidade motora dos locais afetados.

São usados analgésicos, anti-inflamatórios e medidas não medicamentosas, como sessões de alongamentofisioterapia.

Como prevenir as discopatias?

É possível prevenir a discopatia degenerativa ou as crises da doença ao adotar hábitos posturais mais saudáveis: manter a coluna sempre ereta, fazer alongamentos e praticar exercícios físicos orientados.

Veja também sobre "Estenose do canal vertebral" e "Instabilidade da coluna".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente do site do NIH - National Institutes of Health.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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