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Oftalmoplegia

Wednesday, August 25, 2021
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Oftalmoplegia

O que é oftalmoplegia?

O termo oftalmoplegia refere-se à paralisia de um ou mais músculos responsáveis pelos movimentos oculares. Descreve-se três tipos de oftalmoplegia:

  1. oftalmoplegia interna, em que há um envolvimento limitado ao esfíncter pupilar e ao músculo ciliar;
  2. oftalmoplegia externa, que se refere ao envolvimento apenas dos músculos extraoculares;
  3. oftalmoplegia completa, que implica no comprometimento de ambas as estruturas.

A oftalmoplegia pode ser uni ou bilateral, mas a forma bilateral é muito rara.

Quais são as causas da oftalmoplegia?

A oftalmoplegia é causada pela interrupção de estímulos enviados do cérebro para os músculos envolvidos na movimentação dos olhos. Pode ser congênita (presente no nascimento) ou desenvolver-se mais tarde na vida.

A oftalmoplegia é um achado físico em certas doenças neurológicas, endócrinas e oftalmológicas. As causas mais comuns incluem:

  • enxaquecas
  • doenças da tireoide
  • derrame cerebral
  • lesão cerebral
  • tumor cerebral
  • infecção

A oftalmoplegia é mais provável de ocorrer em pessoas que têm uma condição mórbida que afeta o controle muscular, como:

Qual é o substrato fisiológico da oftalmoplegia?

Existem sete músculos extraoculares de cada lado: quatro músculos retos, dois músculos oblíquos e um elevador da pálpebra superior. Eles são responsáveis por mover os globos oculares em direção ao objeto de atenção no campo visual e fazer a focalização das imagens percebidas por cada olho, que devem se fundir em uma única no córtex visual cerebral.

Os nervos oculomotores, pares de nervos cranianos III, IV e VI (respectivamente oculomotor, troclear e abducente) controlam, dirigem e coordenam os movimentos oculares. O déficit de atuação de qualquer um deles leva a transtornos desses movimentos.

Se esse déficit for total, fala-se, em paralisia; se for apenas parcial, denomina-se paresia. Ambas as situações resultam na diminuição da força do músculo afetado e produzem alterações no movimento dos olhos.

Leia sobre "Proptose ocular", "Ptose palpebral", "Blefaroplastia ou plástica nas pálpebras" e "Deficiência visual".

Quais são as características clínicas da oftalmoplegia?

Na paralisia oculomotora, os músculos que controlam o olho são afetados de tal forma que o olho se desloca para fora e ligeiramente para baixo. Além disso, a pálpebra superior do olho afetado geralmente cai, uma condição chamada ptose, e a pupila pode ficar dilatada.

A paralisia troclear, envolve o músculo oblíquo superior e causa um desvio vertical do olho afetado. A paralisia do nervo abducente afeta ainda outro músculo ocular, o reto lateral, de forma que o olho afetado se volta para dentro em direção ao nariz e não consegue se virar totalmente para fora. Em todos os casos, a visão dupla é o sintoma característico.

Existem vários outros sinais e sintomas comuns a todos os tipos de paralisia dos motores oculares. A oculoplegia gera desvio do olhar vertical, horizontal, torcional ou misto (estrabismo), dependendo do músculo ou músculos afetados pela falta de inervação.

Se o músculo elevador da pálpebra superior sofrer afetação completa, a pálpebra estará caída (ptose), o paciente terá uma pupila dilatada e não conseguirá focalizar. Se a afetação for incompleta, o resultado dependerá dos demais músculos afetados.

A visão dupla (diplopia) ocorre porque a imagem formada no olho afetado não cai no mesmo ponto da retina que a imagem do olho saudável e, dessa maneira, as duas não se fundem numa só. Um torcicolo pode surgir em virtude da posição anômala da cabeça adotada pelo paciente para compensar a visão dupla.

O terceiro nervo inerva também o músculo que eleva a pálpebra superior. Na infância, uma paralisia do terceiro nervo costuma ser acompanhada por outros achados neurológicos, o que ajuda no diagnóstico. Mas paralisias isoladas desse nervo costumam ocorrer e geralmente são congênitas, traumáticas, infecciosas ou secundárias a enxaquecas.

Uma paralisia do nervo oculomotor isolada também pode resultar de tumor, doença viral, meningite bacteriana ou mesmo imunização.

Como o médico diagnostica a oftalmoplegia?

As diferentes formas da oculoplegia são diagnosticadas pela incapacidade do olho de se mover como deveria. Testes especiais são realizados para ver como o olho se move em diferentes direções e para determinar, quando possível, qual o nervo envolvido.

As paralisias oculares podem se apresentar como eventos isolados ou estar associadas a outros problemas neurológicos, condição em que o paciente deve passar também por uma avaliação neurológica.

O sinal clínico usual de paralisia do terceiro nervo é a localização externa e inferior do olho envolvido. Isso pode ou não ser acompanhado pela queda da pálpebra. A pupila também pode ser maior quando comparada com a do outro lado.

A paralisia do quarto nervo, também conhecida como paralisia do oblíquo superior, geralmente é unilateral, e os pacientes apresentam assimetria facial e inclinação da cabeça para um lado, para evitar visão dupla.

A paralisia do sexto nervo geralmente é unilateral. O paciente com paralisia do sexto nervo frequentemente desenvolve um giro da cabeça para se livrar da visão dupla e manter a fusão binocular.

Como o médico trata a oftalmoplegia?

O tratamento da oftalmoplegia dependerá do tipo, dos sintomas e da causa subjacente. As crianças que nascem com essa condição aprendem a compensar e podem não estar cientes dos problemas de visão. Os adultos podem usar óculos especiais ou usar um tapa-olho para aliviar a visão dupla e ajudar a alcançar uma visão normal.

Veja também sobre "Distúrbios pupilares", "Anisocoria", "Neuropatia diabética" e "Escotoma".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente dos sites da Encyclopedia Britannica e da Science Direct.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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