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Cirurgia de catarata

Wednesday, September 20, 2023
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Cirurgia de catarata

O que é catarata?

A catarata é uma condição ocular comum que afeta a visão, caracterizada pela opacificação progressiva do cristalino, que é a lente natural do olho, localizada atrás da íris e da pupila. O cristalino é responsável por focalizar a luz que entra no olho sobre a retina e assim ajudar na formação de imagens claras e nítidas.

Com o progredir da idade, o cristalino se torna turvo e opaco, dificultando a passagem de luz. Isso resulta em uma visão embaçada, turva ou nebulosa. A catarata geralmente se desenvolve lentamente ao longo do tempo e pode afetar um ou ambos os olhos.

A catarata é mais comum em pessoas idosas devido ao envelhecimento natural do cristalino, mas pode ocorrer em pessoas jovens devido a fatores como traumas ou doenças oculares, uso prolongado de certos medicamentos, problemas metabólicos e exposição excessiva à radiação ultravioleta, entre outros.

O tratamento mais comum para a catarata é a cirurgia de remoção do cristalino opaco e sua substituição por uma lente sintética equivalente, chamada de lente intraocular.

Como é feita a cirurgia de catarata?

A cirurgia de catarata é um procedimento oftalmológico relativamente comum e destinado a remover o cristalino opacificado do olho e substituí-lo por uma lente intraocular artificial. A técnica da cirurgia evoluiu muito rapidamente nos últimos anos. Embora o procedimento seja bastante seguro, deve-se operar um olho de cada vez e o intervalo entre a cirurgia de cada olho, na maioria dos casos, é de no mínimo quinze dias, podendo ser muito maior, se assim o desejarem o paciente e o oftalmologista.

A cirurgia geralmente é realizada em um hospital ou clínica oftalmológica por um cirurgião oftalmologista especializado. Antes do procedimento, serão aplicadas gotas anestésicas nos olhos para garantir que o paciente não sinta dor durante a cirurgia. Em alguns casos, pode ser usada uma anestesia local mais forte, uma sedação ou até mesmo uma anestesia geral, dependendo da recomendação do médico.

Em seguida, o cirurgião fará uma microincisão (extensão de cerca de 1,75mm) na córnea, a parte transparente da frente do olho, usando as técnicas tradicionais com lâmina ou então com o laser. Como passo seguinte, o cirurgião usará uma técnica chamada facoemulsificação, na qual um instrumento ultrassônico emite ondas sonoras de alta frequência para fragmentar a lente opacificada (cristalino) em pequenos pedaços. Esses fragmentos são então aspirados através de uma sonda inserida no olho.

Após a remoção do cristalino opacificado, uma lente intraocular dobrável é inserida através da mesma incisão. A lente é colocada no lugar onde estava localizado o cristalino e expandida para ocupar seu espaço. Existem vários tipos de lentes intraoculares disponíveis, incluindo monofocais, multifocais e tóricas, que podem corrigir a visão para diferentes distâncias e tratar outros problemas oculares, como astigmatismo.

A incisão na córnea fecha naturalmente ou pode ser fechada com uma sutura muito pequena que não requer remoção posterior. Terminada a cirurgia, o paciente será monitorado por um curto período e, em seguida, poderá retornar para casa no mesmo dia, com o olho coberto para evitar qualquer trauma e a entrada de qualquer impureza.

É recomendado o uso de colírios para prevenir infecções e ajudar na cicatrização. A recuperação completa pode levar algumas semanas, durante as quais é importante seguir as instruções do médico, evitar esforço físico intenso e proteger os olhos de qualquer trauma.

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Quais são as complicações possíveis com a cirurgia de catarata?

As possíveis complicações são bastante raras, desde que a cirurgia seja realizada em uma clínica apropriada e por profissional habilitado. Entre todas as cirurgias oftalmológicas possíveis, esta é a que menos problemas ocasiona. Mais de 99% delas transcorrem sem complicações ou efeitos colaterais. Contudo, em casos muito raros pode-se registrar, após a cirurgia, infecção, perda vítrea ou, ainda, perda da visão, em casos raríssimos.

A técnica de facoemulsificação não é isenta de riscos, sendo suscetível a algumas complicações que podem comprometer a visão, a saber: queimadura da córnea, traumatismo da íris, infecção, ruptura da cápsula posterior, edema macular e astigmatismo induzido.

Uma outra complicação possível é a opacificação da cápsula posterior do cristalino. Normalmente, grande parte da membrana transparente fina que circunda o cristalino natural é deixada intacta durante a cirurgia de catarata e a visão do paciente, após a cirurgia, é muito clara. No entanto, em cerca de 20% dos pacientes, a parte posterior dessa cápsula torna-se turva, devido a que as células epiteliais remanescentes após a cirurgia experimentam um crescimento. Nesse caso, a visão pode ficar transitória ou permanentemente pior do que era antes. Contudo, essa opacificação pode ser tratada de maneira segura, eficaz e indolor, quase sempre recuperando-se a normalidade.

A nova lente intraocular colocada em substituição ao cristalino original pode se deslocar e a acuidade visual do paciente pode diminuir substancialmente. Isso pode acontecer porque o “saco capsular”, que é extremamente fino e dentro do qual a nova lente deve ficar, pode romper-se. Além disso, o próprio saco capsular pode se deslocar devido à fraqueza ou ruptura das fibras que o sustentam no lugar. Nesse caso, o cirurgião de catarata pode reposicioná-lo num segundo procedimento e as chances de êxito são muito boas, se o cirurgião agir prontamente.

O risco grave de perda definitiva de visão é muito raro e pode ocorrer como resultado de uma infecção ou hemorragia no interior do olho. Algumas complicações da cirurgia de catarata ocorrem algum tempo depois. Por exemplo, o descolamento da retina. Ainda outras complicações potenciais da cirurgia de catarata podem ser inchaço da córnea ou da retina, aumento da pressão intraocular e ptose palpebral (pálpebra caída).

Como se dá a recuperação da cirurgia de catarata?

A recuperação da cirurgia de catarata quase sempre é um processo rápido e indolor. Imediatamente após a cirurgia, o paciente será monitorado por um curto período. Depois da cirurgia é importante descansar os olhos por alguns dias. O médico pode recomendar que o paciente use um tamponamento protetor do olho operado durante os primeiros dias de recuperação. Além disso, o paciente poderá receber colírios ou pomadas para ajudar na cicatrização e prevenir infecções.

O paciente pode ter visão turva e sensibilidade à luz logo após a cirurgia, o que melhora com o passar dos dias ou semanas e a visão se recupera completamente, podendo ficar melhor do que era antes. Se o paciente tiver uma sensibilidade à luz aumentada nos primeiros dias, o uso de óculos de sol pode ajudar.

Durante esses primeiros dias após a cirurgia o paciente pode ser instruído a evitar atividades físicas extenuantes, como levantar objetos pesados ou praticar esportes que possam envolver contato físico. A maioria das pessoas pode retomar as atividades diárias normais em poucos dias após a cirurgia.

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Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente dos sites do Hospital de Olhos – São Paulo e do Instituto de Oftalmologia de Curitiba.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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