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Oligospermia: causas, diagnóstico e tratamento da baixa contagem de espermatozoides

Tuesday, October 28, 2025
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Oligospermia: causas, diagnóstico e tratamento da baixa contagem de espermatozoides

O que é oligospermia?

A oligospermia, também chamada de oligozoospermia e, popularmente, de oligoespermia, é uma condição caracterizada pela baixa concentração de espermatozoides no sêmen.

De acordo com os critérios da Organização Mundial da Saúde (OMS), a concentração normal de espermatozoides deve ser igual ou superior a 15 milhões por mililitro (mL) de sêmen. Assim, a oligospermia é diagnosticada quando essa contagem é inferior a 15 milhões/mL. O grau é considerado grave quando o número é inferior a 5 milhões/mL.

Quando não há espermatozoides no ejaculado, o quadro é denominado azoospermia.

Quais são as causas da oligospermia?

A quantidade de espermatozoides no sêmen depende da produção testicular e do transporte adequado dos gametas masculinos, processos que podem ser influenciados por fatores hormonais, genéticos, ambientais e comportamentais.

Entre as principais causas da baixa contagem de espermatozoides estão:

  • Alterações hormonais (como deficiência de FSH, LH ou testosterona)
  • Infecções testiculares (orquites virais ou bacterianas)
  • Varicocele (dilatação anormal das veias testiculares)
  • Exposição a toxinas, metais pesados, pesticidas ou calor excessivo
  • Uso de drogas ilícitas, álcool e tabaco
  • Estresse crônico e estilo de vida inadequado
  • Tratamentos oncológicos, como quimioterapia e radioterapia (podem danificar as células germinativas e comprometer a espermatogênese)

Qual é o substrato fisiopatológico da oligospermia?

A espermatogênese é regulada pelo eixo hipotálamo-hipófise-gonadal, responsável por controlar a produção hormonal e a função testicular. Qualquer disfunção nesse eixo pode resultar em oligospermia.

Do ponto de vista endócrino, alterações na secreção ou ação do LH e do FSH, ou deficiência de GnRH, reduzem o estímulo à produção espermática.

Do ponto de vista genético, a oligospermia pode ocorrer na síndrome de Klinefelter, em microdeleções do cromossomo Y e em outras anomalias cromossômicas ou mutações que afetam a diferenciação das células germinativas.

Entre os fatores testiculares, destacam-se traumas, torções, infecções e varicocele, que causam danos diretos às células produtoras de espermatozoides (células de Sertoli e germinativas).

Há também causas obstrutivas, como obstrução dos ductos deferentes ou epidídimos e ejaculação retrógrada, nas quais o número de espermatozoides no ejaculado é reduzido, embora a produção seja normal.

O calor excessivo e algumas ocupações profissionais (motoristas, padeiros, fundidores) podem igualmente prejudicar a espermatogênese, alterando o microambiente testicular.

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Quais são as características clínicas da oligospermia?

Ao contrário da mulher, que já nasce com seus óvulos, o homem produz espermatozoides continuamente ao longo da vida. Essa produção pode ser afetada por múltiplos fatores, resultando em oligospermia.

A condição é classificada conforme a concentração de espermatozoides por mililitro de sêmen:

  • Leve: 10-15 milhões/mL
  • Moderada: 5-10 milhões/mL
  • Grave: menos de 5 milhões/mL

A oligospermia geralmente não apresenta sintomas específicos. O sêmen pode se tornar mais fluido ou menos opaco, mas essa alteração não é suficiente para o diagnóstico. O principal indício é a infertilidade conjugal, definida como ausência de gravidez após 12 meses de relações sexuais regulares sem contracepção. Hoje se reconhece que fatores masculinos são responsáveis por cerca de 40% dos casos de infertilidade do casal, isoladamente ou em associação com causas femininas.

Como o médico diagnostica a oligospermia?

O diagnóstico envolve avaliação clínica, laboratorial e, quando necessário, genética. A investigação começa com uma história clínica detalhada, incluindo histórico de doenças, cirurgias urogenitais, uso de medicamentos, exposição a agentes tóxicos e hábitos de vida. O exame físico deve contemplar a avaliação testicular, epididimária e dos canais deferentes, além da pesquisa de varicocele ou alterações anatômicas.

O espermograma é o exame fundamental, permitindo a análise do volume seminal, contagem, motilidade e morfologia dos espermatozoides. Devem ser realizados pelo menos dois espermogramas, com intervalo de 2 a 3 semanas, respeitando abstinência sexual de 2 a 7 dias antes da coleta, para garantir resultados consistentes.

Exames hormonais (FSH, LH, testosterona total, prolactina e estradiol) auxiliam na avaliação do eixo endócrino. A ultrassonografia testicular pode identificar varicocele, lesões estruturais ou alterações do parênquima testicular.

Nos casos de suspeita de origem genética, devem ser solicitados cariótipo e pesquisa de microdeleções do cromossomo Y. Testes complementares, como biópsia testicular, podem ser indicados quando há dúvida entre oligospermia severa e azoospermia obstrutiva.

Como o médico trata a oligospermia?

O tratamento depende da causa subjacente e deve ser individualizado. Nos casos infecciosos, utilizam-se antibióticos específicos, conforme o agente identificado. Quando há varicocele, pode ser indicada a correção cirúrgica (varicocelectomia), que frequentemente melhora os parâmetros seminais. Nos casos de deficiência hormonal, pode-se empregar terapia de reposição ou estimulação gonadotrófica, conforme avaliação endocrinológica.

Mudanças no estilo de vida são fundamentais: cessar o tabagismo e o consumo de álcool, controlar o peso corporal, reduzir o estresse, praticar atividade física regularmente e adotar dieta rica em antioxidantes, vitaminas (C e E), ácido fólico, zinco e selênio. A suplementação antioxidante tem efeito modesto, mas pode contribuir para a melhora da qualidade seminal em casos leves a moderados.

Quando há obstruções anatômicas, podem ser realizadas cirurgias reconstrutivas dos ductos deferentes ou epididimários.

Nos casos em que o casal deseja engravidar e os tratamentos clínicos ou cirúrgicos não são eficazes, podem ser indicadas técnicas de reprodução assistida, como inseminação intrauterina, fertilização in vitro (FIV) ou injeção intracitoplasmática de espermatozoide (ICSI).

O acompanhamento deve ser multidisciplinar, envolvendo urologista/andrologista, endocrinologista e especialista em reprodução humana, de modo a garantir abordagem integral e otimização das chances de sucesso reprodutivo.

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Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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