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Conheça um pouco mais sobre a reprodução assistida

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O que é reprodução1 assistida?

Denomina-se reprodução1 assistida a um conjunto de técnicas, utilizadas por médicos especializados, que têm como principal objetivo tentar viabilizar a gestação em mulheres (ou casais) com dificuldades de engravidar. Essas técnicas são usadas principalmente para tratamentos de infertilidade2, mas podem também ser empregadas com casais férteis, nos quais se deseja fazer um diagnóstico3 genético pré-implantação do embrião e naqueles em que haja certas doenças sexualmente transmissíveis, como a AIDS, por exemplo, e que queiram, pois, prescindir do sexo natural. Foi na década de 1970 que médicos britânicos começaram a remover os ovos de mulheres que tinham problemas para engravidar e a fertilizá-los em laboratório. O primeiro bebê de proveta nasceu em 1978. Hoje em dia, a tecnologia de reprodução1 assistida refere-se a todos os tratamentos que envolvem a manipulação de ovos ou embriões dentro e fora do corpo. Estes procedimentos são geralmente associados com medicamentos que aumentam a fertilidade para maximizar as taxas de sucesso. Mesmo assim, o êxito dos procedimentos de reprodução1 assistida é de apenas cerca de 30%.

Quais são as técnicas mais usadas na reprodução1 assistida?

A reprodução1 assistida pode envolver procedimentos como medicação, inseminação artificial, fertilização4 in vitro, “barriga de aluguel”, injeção5 intracitoplasmática de espermatozoides6 e criopreservação (conservação congelada de embriões). A reprodução1 assistida pode se dar de dois modos radicalmente diferentes se ocorrer (1) dentro do corpo da mulher, como na inseminação artificial ou (2) fora do corpo dela, como na fertilização4 in vitro. Ainda se considera reprodução1 assistida técnicas como doação de óvulos, de sêmen7 ou de embriões, congelamento de material biológico reprodutivo e de embriões para uso posterior, dentre outras. Alguns procedimentos cirúrgicos como, por exemplo, o tratamento de obstrução da tuba uterina, na mulher, ou do ducto deferente8, no homem, ou a reversão de uma vasectomia também devem ser incluídos como reprodução1 assistida. A recuperação cirúrgica do esperma9 dos canais deferentes, do epidídimo10 ou diretamente do testículo11 também são procedimentos ambulatoriais simples de reprodução1 assistida.

Quais são os riscos da reprodução1 assistida?

Os procedimentos de reprodução1 assistida são invasivos, caros e podem ter efeitos secundários importantes. A chance de haver uma gravidez12 de dois ou mais fetos é aumentada, mas não se constata efeitos desfavoráveis à saúde13 no longo prazo das crianças nascidas a partir de procedimentos de reprodução1 assistida. A maioria das crianças que nasce de fertilização4 in vitro, por exemplo, não tem defeitos congênitos14, no entanto, alguns estudos têm sugerido que a tecnologia de reprodução1 assistida está associada a um aumento do risco de defeitos congênitos14 acima das taxas normais. Os riscos principais são doenças genéticas, o baixo peso ao nascer, parto prematuro, deficiências visuais e paralisia15 cerebral. Crianças nascidas de fertilização4 in vitro são aproximadamente duas vezes mais propensas à paralisia15 cerebral que as nascidas de fertilização4 normal.

A doação de esperma9 é uma exceção, porque a taxa de defeitos de nascimento é de apenas cerca de um quinto dos que ocorrem na população em geral, talvez porque os bancos de esperma9 só aceitam doação de pessoas com alta contagem de esperma9 e, portanto, inteiramente sadias quanto a esse aspecto. O uso de algumas técnicas de reprodução1 assistida tem sido associado a um aumento do risco geral de câncer16 infantil na prole, o que pode ser causado pela mesma doença ou condição que originou a infertilidade2 ou subfertilidade na mãe ou no pai.

Quais são as principais normas brasileiras par a reprodução1 assistida?

Uma resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM) regula certos aspectos da reprodução1 assistida no Brasil, como a fertilização4 in vitro e a inseminação artificial.

Idade máxima da mulher

A idade máxima para a mulher se submeter à inseminação artificial é de 50 anos.

Doação de óvulos

A doadora de óvulos não pode ter mais de 35 anos, para garantir que o óvulo17 seja inteiramente saudável.

Doação de espermatozoides6

Somente homens com menos de 50 anos poderão doar para bancos de esperma9.

Gays e solteiros

É permitido o uso da reprodução1 assistida por mulheres solteiras ou por casais homoafetivos.

“Barriga de aluguel”

Não é aceito o uso comercial da prática e só permite que ela seja feita quando a mulher que gera o filho tem algum parentesco até quarto grau (tias e primas) com a mulher de quem procede o ovo18.

Descarte de embriões

Quando é feita uma fertilização4 in vitro, os médicos normalmente geram um número de embriões superior ao que será inseminado na paciente. A clínica de inseminação deverá manter os embriões congelados por cinco anos, depois dos quais eles poderão ser descartados ou doados para a ciência, conforme a escolha da mãe.

Seleção genética

É permitida a seleção genética de embriões para que o bebê não tenha uma doença hereditária. Segue vetada a escolha do sexo do bebê em laboratório, exceto quando a seleção for feita com o intuito de evitar doenças ligadas a esse sexo.

ABCMED, 2015. Conheça um pouco mais sobre a reprodução assistida. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/gravidez/802274/conheca-um-pouco-mais-sobre-a-reproducao-assistida.htm>. Acesso em: 12 dez. 2018.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Reprodução: 1. Função pela qual se perpetua a espécie dos seres vivos. 2. Ato ou efeito de reproduzir (-se). 3. Imitação de quadro, fotografia, gravura, etc.
2 Infertilidade: Capacidade diminuída ou ausente de gerar uma prole. O termo não implica a completa inabilidade para ter filhos e não deve ser confundido com esterilidade. Os clínicos introduziram elementos físicos e temporais na definição. Infertilidade é, portanto, freqüentemente diagnosticada quando, após um ano de relações sexuais não protegidas, não ocorre a concepção.
3 Diagnóstico: Determinação de uma doença a partir dos seus sinais e sintomas.
4 Fertilização: Contato entre espermatozóide e ovo, determinando sua união.
5 Injeção: Infiltração de medicação ou nutrientes líquidos no corpo através de uma agulha e seringa.
6 Espermatozóides: Células reprodutivas masculinas.
7 Sêmen: Sêmen ou esperma. Líquido denso, gelatinoso, branco acinzentado e opaco, que contém espermatozoides e que serve para conduzi-los até o óvulo. O sêmen é o líquido da ejaculação. Ele é composto de plasma seminal e espermatozoides. Este plasma contém nutrientes que alimentam e protegem os espermatozoides.
8 Ducto deferente: Ducto deferente ou canal deferente é um canal muscular que conduz os espermatozóides a partir do epidídimo até a próstata.
9 Esperma: Esperma ou sêmen. Líquido denso, gelatinoso, branco acinzentado e opaco, que contém espermatozoides e que serve para conduzi-los até o óvulo. O esperma é o líquido da ejaculação. Ele é composto de plasma seminal e espermatozoides. Este plasma contém nutrientes que alimentam e protegem os espermatozoides.
10 Epidídimo: O epidídimo é um pequeno ducto, com cerca de seis centímetros de comprimento, enrolado sobre si mesmo, que coleta e armazena os espermatozóides produzidos pelo testículo. Localiza-se atrás do testículo, no saco escrotal, e desemboca na base do ducto deferente, o canal que conduz os espermatozóides até a próstata.
11 Testículo: A gônada masculina contendo duas partes funcionais Sinônimos: Testículos
12 Gravidez: Condição de ter um embrião ou feto em desenvolvimento no trato reprodutivo feminino após a união de ovo e espermatozóide.
13 Saúde: 1. Estado de equilíbrio dinâmico entre o organismo e o seu ambiente, o qual mantém as características estruturais e funcionais do organismo dentro dos limites normais para sua forma de vida e para a sua fase do ciclo vital. 2. Estado de boa disposição física e psíquica; bem-estar. 3. Brinde, saudação que se faz bebendo à saúde de alguém. 4. Força física; robustez, vigor, energia.
14 Defeitos congênitos: Problemas ou condições que estão presentes ao nascimento.
15 Paralisia: Perda total da força muscular que produz incapacidade para realizar movimentos nos setores afetados. Pode ser produzida por doença neurológica, muscular, tóxica, metabólica ou ser uma combinação das mesmas.
16 Câncer: Crescimento anormal de um tecido celular capaz de invadir outros órgãos localmente ou à distância (metástases).
17 Óvulo: Célula germinativa feminina (haplóide e madura) expelida pelo OVÁRIO durante a OVULAÇÃO.
18 Ovo: 1. Célula germinativa feminina (haploide e madura) expelida pelo OVÁRIO durante a OVULAÇÃO. 2. Em alguns animais, como aves, répteis e peixes, é a estrutura expelida do corpo da mãe, que consiste no óvulo fecundado, com as reservas alimentares e os envoltórios protetores.
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