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Cálculos renais em crianças: o que muda em relação aos adultos?

Monday, June 23, 2025
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Cálculos renais em crianças: o que muda em relação aos adultos?

O que são cálculos renais?

Cálculo renal, litíase urinária, litíase renal, nefrolitíase, urolitíase ou, popularmente, “pedras nos rins”, são concreções (formação de cristais) de sais minerais ou outras substâncias que se formam nos rins ou na bexiga e que podem migrar pelas vias urinárias, localizando-se nos ureteres, na bexiga ou na uretra, causando dor intensa e complicações graves.

Eles apresentam tamanhos variados, indo desde pequenos grãos até dimensões significativas, chegando, excepcionalmente, ao tamanho do próprio rim. Em geral, ocorrem devido a distúrbios metabólicos e têm alta taxa de recorrência.

Leia sobre "Índice de filtração glomerular", "Depuração da creatinina", "Rim policístico" e "Displasia renal".

Diferenças entre cálculo renal em adultos e em crianças

Aspectos Adultos Crianças
Causas e fatores de risco Dieta inadequada, obesidade, diabetes, hipertensão, histórico familiar, hiperuricemia, hiperparatireoidismo. Causas metabólicas congênitas (cistinúria, hiperoxalúria), anomalias anatômicas, desidratação, infecções urinárias.
Composição dos cálculos Oxalato de cálcio (70-80%), ácido úrico, estruvita. Oxalato de cálcio (comum), cálculos de cistina e metabólicos raros (genéticos).
Sintomas Dor lombar intensa, hematúria, náuseas, vômitos, sintomas urinários específicos. Sintomas vagos: dor abdominal difusa, irritabilidade, hematúria sem dor.
Diagnóstico Histórico clínico, tomografia computadorizada sem contraste, análises urinárias e sanguíneas. Ultrassonografia inicial (preferida), avaliação metabólica detalhada, tomografia em casos selecionados.
Tratamento Conservador para cálculos pequenos, procedimentos invasivos comuns para cálculos maiores. Ajustes dietéticos e medicamentos preventivos. Tratamento conservador semelhante; procedimentos invasivos usados com cautela devido ao risco anestésico e ao tamanho do trato urinário; foco na correção de anomalias urinárias e doenças metabólicas.
Prevenção e seguimento Mudanças no estilo de vida; monitoramento menos intensivo (exceto casos recorrentes). Manejo rigoroso das doenças metabólicas ou anomalias anatômicas; seguimento regular devido ao risco de recorrência e impacto no crescimento renal.

 

O principal substrato fisiopatológico do cálculo renal em crianças é a hipercalciúria, presente em cerca de 50-60% dos casos. Ela é caracterizada pelo aumento da excreção urinária de cálcio, favorecendo especialmente a formação de cálculos de oxalato de cálcio. Outros fatores como hiperoxalúria, hipocitratúria e infecções urinárias também contribuem, mas a hipercalciúria é a mais prevalente.

Características clínicas do cálculo renal em crianças

As manifestações clínicas em crianças variam conforme idade, tamanho, localização e composição do cálculo, além da presença de infecções ou obstruções associadas. Crianças maiores podem relatar dor tipo cólica renal, geralmente unilateral, localizada na região lombar ou abdominal, irradiando para a pelve. Crianças menores apresentam sintomas inespecíficos, como irritabilidade ou desconforto abdominal.

É frequente a presença de hematúria devido à irritação do trato urinário pelos cálculos. Outros sintomas incluem dificuldade ou dor ao urinar, urgência urinária ou aumento da frequência urinária. Eventualmente, pode ocorrer interrupção do fluxo urinário.

Cálculos urinários aumentam o risco de infecções, manifestadas por febre, calafrios e alterações na urina (turva ou odor forte). Náuseas e vômitos são comuns em casos de obstrução ou dor intensa. Em casos graves pode ocorrer hidronefrose, com distensão abdominal ou massa palpável.

Especialmente em bebês e crianças pequenas, os cálculos podem ser detectados incidentalmente em exames de imagem, sem sintomas evidentes. Sintomas inespecíficos como choro inconsolável, recusa alimentar ou letargia podem ocorrer em lactentes.

Veja também sobre "Sangue na urina", "Uremia" e "Cistos renais".

Diagnóstico do cálculo renal em crianças

O diagnóstico baseia-se na avaliação clínica, histórico familiar e exames complementares. A ultrassonografia renal é o método inicial preferido em crianças, identificando cálculos, seu tamanho e localização sem exposição à radiação. Radiografias abdominais são utilizadas para cálculos radiopacos, embora sejam menos sensíveis. A tomografia computadorizada oferece imagens detalhadas, mas devido à radiação é restrita a casos complexos.

Exames urinários detectam hematúria, cristais, infecções e alterações químicas indicativas de cálculos. Exames sanguíneos avaliam função renal, níveis de cálcio, ácido úrico, eletrólitos e desequilíbrios metabólicos.

Tratamento do cálculo renal em crianças

O tratamento depende do tamanho, localização, composição do cálculo e sintomas associados. Para cálculos <5 mm, recomenda-se hidratação abundante para facilitar a eliminação espontânea. Analgésicos são usados com cautela para alívio da dor e relaxamento ureteral.

A litotripsia extracorpórea por ondas de choque, utilizada para cálculos maiores, requer anestesia em crianças. A ureteroscopia com laser é indicada para cálculos ureterais ou resistentes à litotripsia. Nefrolitotomia, que acessa diretamente o rim por pequena incisão, é reservada para cálculos grandes ou complexos.

Infecções urinárias associadas requerem antibioticoterapia. Obstruções graves ou risco renal iminente podem necessitar do uso temporário de cateter ou stent.

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente dos sites da Sociedade Brasileira de Pediatria, da Associação Médica Brasileira e do Centro Brasileiro de Urologia.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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