Gostou do artigo? Compartilhe!

Acidose: o que é importante conhecer?

A+ A- Alterar tamanho da letra
Avalie este artigo

O que é a acidose1?

Acidose1 é a condição em que os fluidos corporais contêm muito ácido. A acidez do sangue2 é medida pela determinação do seu pH. O pH normal do sangue2 deve ficar em torno de 7,4. Um pH abaixo disso significa que o sangue2 é ácido, enquanto que um pH mais elevado significa que o sangue2 é básico. Há dois tipos de acidose1: metabólica e respiratória.

Quais são as causas da acidose1?

A acidose1 respiratória ocorre quando o gáscarbônico (CO2) acumula-se no corpo em virtude de alguma patologia3 pulmonar. Isso pode acontecer por causa de condições crônicas das vias aéreas, como a asma4, por exemplo, lesão5 no peito6, obesidade7, uso indevido de sedativos, uso excessivo de álcool, fraqueza muscular no tórax8, problemas com o sistema nervoso9 e estrutura deformada do tórax8.

Já a acidose metabólica10 começa nos rins11 em vez dos pulmões12. Ela ocorre quando eles não podem eliminar o ácido de maneira eficiente ou quando eles eliminam um excesso de base. Existem três principais formas de acidose metabólica10: (1) acidose1 diabética em pessoas com diabetes13 mal controlado; (2) acidose1 hiperclorêmica, devido a uma perda de bicarbonato de sódio; (3) acidose1 láctica14, devido a um excesso de ácido láctico no corpo.

Qual é a fisiopatologia15 da acidose1?

Os fatores que podem contribuir para o risco de acidose1 incluem uma dieta rica em gordura16 e pobre em carboidratos, insuficiência renal17, obesidade7, desidratação18, intoxicação com aspirina ou metanol e diabetes mellitus19. A acidose1 ocorre quando os rins11 e os pulmões12 não conseguem manter o pH do corpo em equilíbrio.

Quais são as principais características clínicas da acidose1?

Tanto as acidoses respiratórias quanto as metabólicas compartilham entre si muitos sintomas20. No entanto, os sintomas20 dos dois tipos de acidose1 podem variar de acordo com as suas causas. Alguns dos sintomas20 comuns de acidose1 respiratória incluem fadiga21, sonolência, cansaço fácil, confusão mental, falta de ar e dor de cabeça22. Os sintomas20 comuns da acidose metabólica10 incluem respiração rápida e superficial, confusão mental, fadiga21, dor de cabeça22, sonolência, falta de apetite, icterícia23, aumento da frequência cardíaca e respiração que cheira a frutado.

Como o médico diagnostica a acidose1?

A acidose1 pode ser diagnosticada por meio de testes sanguíneos. A gasometria arterial mede os níveis de oxigênio e dióxido de carbono no sangue2 e revela o pH sanguíneo. Outros exames verificam o funcionamento dos rins11 e o papel deles no equilíbrio do pH. Eles também podem medir os níveis sanguíneos de cálcio, proteínas24, açúcar25 e eletrólitos26. Tomados em conjunto, eles podem diferenciar os diversos tipos de acidose1.

Se a acidose1 é respiratória, as condições pulmonares devem ser verificadas, o que exigirá outros exames, como exames de imagem e teste de função pulmonar. Se a acidose1 for metabólica, deve ser feito também um exame de urina27. Avaliações adicionais podem ser necessárias para determinar a causa da acidose1.

Como o médico trata a acidose1?

Para determinar como tratar a acidose1 é preciso saber o que a está causando. No entanto, alguns tratamentos podem ser usados para qualquer tipo de acidose1. Por exemplo, o bicarbonato de sódio pode se administrado por via oral ou por via intravenosa, por gotejamento, para elevar o pH do sangue2.

O tratamento de tipos específicos de acidose1 envolve o tratamento da sua causa específica. O tratamento para acidose1 respiratória geralmente é projetado para ajudar os pulmões12, como medicamentos para dilatar as vias respiratórias, por exemplo, ou um dispositivo para ajudar o paciente a respirar.

Os tipos específicos de acidose metabólica10 têm cada um seus próprios tratamentos. Para acidose1 hiperclorêmica pode ser dado o bicarbonato de sódio, por via oral. A acidose1 da insuficiência renal17 pode ser tratada com citrato de sódio. Os diabéticos com cetoacidose podem receber fluidos intravenosos e insulina28 para equilibrar o pH do sangue2. O tratamento de acidose1 láctica14 pode incluir suplementos de bicarbonato, fluidos intravenosos, oxigênio ou antibióticos, dependendo da causa.

Como evolui a acidose1?

O quanto o paciente pode se recuperar da acidose1 depende de sua causa. Algumas pessoas se recuperam totalmente, outras têm insuficiência respiratória29 ou renal30. A acidose1 grave pode causar choque31 ou até mesmo a morte. O tratamento rápido e adequado também influencia fortemente na recuperação do paciente.

Como prevenir a acidose1?

Não é possível prevenir completamente a acidose1. No entanto, existem algumas alternativas para reduzir seu risco. Entre outras providências, o paciente deve tomar sedativos como prescrito e nunca misturá-los com álcool, parar de fumar e manter um peso saudável. Para reduzir o risco de acidose metabólica10, o paciente deve beber muita água e outros líquidos, manter sob controle a glicemia32 se houver diabetes13 e parar de beber álcool.

Quais são as complicações possíveis da acidose1?

A acidose1 pode levar a inúmeros problemas de saúde33 e pode mesmo ser fatal. Sem tratamento rápido, a acidose1 pode levar o paciente a ter pedras nos rins11 e problemas renais crônicos, inclusive insuficiência renal17, doença óssea e atraso no crescimento.

 

ABCMED, 2016. Acidose: o que é importante conhecer?. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/sinais.-sintomas-e-doencas/820804/acidose-o-que-e-importante-conhecer.htm>. Acesso em: 22 out. 2018.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Acidose: Desequilíbrio do meio interno caracterizado por uma maior concentração de íons hidrogênio no organismo. Pode ser produzida pelo ganho de substâncias ácidas ou perda de substâncias alcalinas (básicas).
2 Sangue: O sangue é uma substância líquida que circula pelas artérias e veias do organismo. Em um adulto sadio, cerca de 45% do volume de seu sangue é composto por células (a maioria glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas). O sangue é vermelho brilhante, quando oxigenado nos pulmões (nos alvéolos pulmonares). Ele adquire uma tonalidade mais azulada, quando perde seu oxigênio, através das veias e dos pequenos vasos denominados capilares.
3 Patologia: 1. Especialidade médica que estuda as doenças e as alterações que estas provocam no organismo. 2. Qualquer desvio anatômico e/ou fisiológico, em relação à normalidade, que constitua uma doença ou caracterize determinada doença. 3. Por extensão de sentido, é o desvio em relação ao que é próprio ou adequado ou em relação ao que é considerado como o estado normal de uma coisa inanimada ou imaterial.
4 Asma: Doença das vias aéreas inferiores (brônquios), caracterizada por uma diminuição aguda do calibre bronquial em resposta a um estímulo ambiental. Isto produz obstrução e dificuldade respiratória que pode ser revertida de forma espontânea ou com tratamento médico.
5 Lesão: 1. Ato ou efeito de lesar (-se). 2. Em medicina, ferimento ou traumatismo. 3. Em patologia, qualquer alteração patológica ou traumática de um tecido, especialmente quando acarreta perda de função de uma parte do corpo. Ou também, um dos pontos de manifestação de uma doença sistêmica. 4. Em termos jurídicos, prejuízo sofrido por uma das partes contratantes que dá mais do que recebe, em virtude de erros de apreciação ou devido a elementos circunstanciais. Ou também, em direito penal, ofensa, dano à integridade física de alguém.
6 Peito: Parte superior do tronco entre o PESCOÇO e o ABDOME; contém os principais órgãos dos sistemas circulatório e respiratório. (Tradução livre do original
7 Obesidade: Condição em que há acúmulo de gorduras no organismo além do normal, mais severo que o sobrepeso. O índice de massa corporal é igual ou maior que 30.
8 Tórax: Parte superior do tronco entre o PESCOÇO e o ABDOME; contém os principais órgãos dos sistemas circulatório e respiratório. (Tradução livre do original Sinônimos: Peito; Caixa Torácica
9 Sistema nervoso: O sistema nervoso é dividido em sistema nervoso central (SNC) e o sistema nervoso periférico (SNP). O SNC é formado pelo encéfalo e pela medula espinhal e a porção periférica está constituída pelos nervos cranianos e espinhais, pelos gânglios e pelas terminações nervosas.
10 Acidose metabólica: A acidose metabólica é uma acidez excessiva do sangue caracterizada por uma concentração anormalmente baixa de bicarbonato no sangue. Quando um aumento do ácido ultrapassa o sistema tampão de amortecimento do pH do organismo, o sangue pode acidificar-se. Quando o pH do sangue diminui, a respiração torna-se mais profunda e mais rápida, porque o corpo tenta liberar o excesso de ácido diminuindo o volume do anidrido carbônico. Os rins também tentam compensá-lo por meio da excreção de uma maior quantidade de ácido na urina. Contudo, ambos os mecanismos podem ser ultrapassados se o corpo continuar a produzir excesso de ácido, o que conduz a uma acidose grave e ao coma. A gasometria arterial é essencial para o seu diagnóstico. O pH está baixo (menor que 7,35) e os níveis de bicarbonato estão diminuídos (<24 mmol/l). Devido à compensação respiratória (hiperventilação), o dióxido de carbono está diminuído e o oxigênio está aumentado.
11 Rins: Órgãos em forma de feijão que filtram o sangue e formam a urina. Os rins são localizados na região posterior do abdômen, um de cada lado da coluna vertebral.
12 Pulmões: Órgãos do sistema respiratório situados na cavidade torácica e responsáveis pelas trocas gasosas entre o ambiente e o sangue. São em número de dois, possuem forma piramidal, têm consistência esponjosa e medem cerca de 25 cm de comprimento. Os pulmões humanos são divididos em segmentos denominados lobos. O pulmão esquerdo possui dois lobos e o direito possui três. Os pulmões são compostos de brônquios que se dividem em bronquíolos e alvéolos pulmonares. Nos alvéolos se dão as trocas gasosas ou hematose pulmonar entre o meio ambiente e o corpo, com a entrada de oxigênio na hemoglobina do sangue (formando a oxiemoglobina) e saída do gás carbônico ou dióxido de carbono (que vem da célula como carboemoglobina) dos capilares para o alvéolo.
13 Diabetes: Nome que designa um grupo de doenças caracterizadas por diurese excessiva. A mais frequente é o Diabetes mellitus, ainda que existam outras variantes (Diabetes insipidus) de doença nas quais o transtorno primário é a incapacidade dos rins de concentrar a urina.
14 Láctica: Diz-se de ou ácido usado como acidulante e intermediário químico; lática.
15 Fisiopatologia: Estudo do conjunto de alterações fisiológicas que acontecem no organismo e estão associadas a uma doença.
16 Gordura: Um dos três principais nutrientes dos alimentos. Os alimentos que fornecem gordura são: manteiga, margarina, óleos, nozes, carnes vermelhas, peixes, frango e alguns derivados do leite. O excesso de calorias é estocado no organismo na forma de gordura, fornecendo uma reserva de energia ao organismo.
17 Insuficiência renal: Condição crônica na qual o corpo retém líquido e excretas pois os rins não são mais capazes de trabalhar apropriadamente. Uma pessoa com insuficiência renal necessita de diálise ou transplante renal.
18 Desidratação: Perda de líquidos do organismo pelo aumento importante da freqüência urinária, sudorese excessiva, diarréia ou vômito.
19 Diabetes mellitus: Distúrbio metabólico originado da incapacidade das células de incorporar glicose. De forma secundária, podem estar afetados o metabolismo de gorduras e proteínas.Este distúrbio é produzido por um déficit absoluto ou relativo de insulina. Suas principais características são aumento da glicose sangüínea (glicemia), poliúria, polidipsia (aumento da ingestão de líquidos) e polifagia (aumento da fome).
20 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
21 Fadiga: 1. Sensação de enfraquecimento resultante de esforço físico. 2. Trabalho cansativo. 3. Redução gradual da resistência de um material ou da sensibilidade de um equipamento devido ao uso continuado.
22 Cabeça:
23 Icterícia: Coloração amarelada da pele e mucosas devido a uma acumulação de bilirrubina no organismo. Existem dois tipos de icterícia que têm etiologias e sintomas distintos: icterícia por acumulação de bilirrubina conjugada ou direta e icterícia por acumulação de bilirrubina não conjugada ou indireta.
24 Proteínas: Um dos três principais nutrientes dos alimentos. Alimentos que fornecem proteína incluem carne vermelha, frango, peixe, queijos, leite, derivados do leite, ovos.
25 Açúcar: 1. Classe de carboidratos com sabor adocicado, incluindo glicose, frutose e sacarose. 2. Termo usado para se referir à glicemia sangüínea.
26 Eletrólitos: Em eletricidade, é um condutor elétrico de natureza líquida ou sólida, no qual cargas são transportadas por meio de íons. Em química, é uma substância que dissolvida em água se torna condutora de corrente elétrica.
27 Exame de urina: Também chamado de urinálise, o teste de urina é feito através de uma amostra de urina e pode diagnosticar doenças do sistema urinário e outros sistemas do organismo. Alguns testes são feitos em uma amostra simples e outros pela coleta da urina durante 24 horas. Pode ser feita uma cultura da urina para verificar o crescimento de bactérias na urina.
28 Insulina: Hormônio que ajuda o organismo a usar glicose como energia. As células-beta do pâncreas produzem insulina. Quando o organismo não pode produzir insulna em quantidade suficiente, ela é usada por injeções ou bomba de insulina.
29 Insuficiência respiratória: Condição clínica na qual o sistema respiratório não consegue manter os valores da pressão arterial de oxigênio (PaO2) e/ou da pressão arterial de gás carbônico (PaCO2) dentro dos limites da normalidade, para determinada demanda metabólica. Como a definição está relacionada à incapacidade do sistema respiratório em manter níveis adequados de oxigenação e gás carbônico, foram estabelecidos, para sua caracterização, pontos de corte na gasometria arterial: PaO2 50 mmHg.
30 Renal: Relacionado aos rins. Uma doença renal é uma doença dos rins. Insuficiência renal significa que os rins pararam de funcionar.
31 Choque: 1. Estado de insuficiência circulatória a nível celular, produzido por hemorragias graves, sepse, reações alérgicas graves, etc. Pode ocasionar lesão celular irreversível se a hipóxia persistir por tempo suficiente. 2. Encontro violento, com impacto ou abalo brusco, entre dois corpos. Colisão ou concussão. 3. Perturbação brusca no equilíbrio mental ou emocional. Abalo psíquico devido a uma causa externa.
32 Glicemia: Valor de concentração da glicose do sangue. Seus valores normais oscilam entre 70 e 110 miligramas por decilitro de sangue (mg/dl).
33 Saúde: 1. Estado de equilíbrio dinâmico entre o organismo e o seu ambiente, o qual mantém as características estruturais e funcionais do organismo dentro dos limites normais para sua forma de vida e para a sua fase do ciclo vital. 2. Estado de boa disposição física e psíquica; bem-estar. 3. Brinde, saudação que se faz bebendo à saúde de alguém. 4. Força física; robustez, vigor, energia.
Gostou do artigo? Compartilhe!

Tem alguma dúvida sobre Clínica Médica?

Pergunte diretamente a um especialista

Sua pergunta será enviada aos especialistas do CatalogoMed, veja as dúvidas já respondidas.