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Cardiomiopatia hipertrófica: entenda esta condição

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O que é cardiomiopatia hipertrófica?

Chama-se cardiomiopatia hipertrófica a uma condição em que as células musculares1 do coração2 se hipertrofiam (crescem) e tornam mais espessas as paredes ventriculares. O ventrículo esquerdo é a parte do coração2 onde essa alteração mais se evidencia. Ela também é conhecida por vários outros nomes: hipertrofia3 septal assimétrica, cardiomiopatia familiar hipertrófica, cardiomiopatia hipertrófica obstrutiva, cardiomiopatia hipertrófica não-obstrutiva e estenose4 subaórtica hipertrófica idiopática5.

Quais são as causas da cardiomiopatia hipertrófica?

Na maior parte das vezes, a cardiomiopatia hipertrófica é uma condição devida a uma herança autossômica6 dominante, por uma mutação7 em alguns dos genes das proteínas8 das fibras dos músculos9 cardíacos. Também pode desenvolver-se com o tempo nas pessoas com pressão arterial10 alta. Doenças da tireoide11 ou diabetes12 mellitus podem causar cardiomiopatia hipertrófica. Em algumas ocasiões, a causa permanece desconhecida.

Qual é a fisiopatologia13 da cardiomiopatia hipertrófica?

A espessura da parede do ventrículo geralmente é assimétrica e a cardiomiopatia pode dar-se por inteiro ou acontecer na parte mais baixa (“ponta”) do coração2. Também o ventrículo direito pode ser afetado. Apesar do espessamento de suas paredes, os ventrículos permanecem de tamanho normal, mas o fluxo sanguíneo a partir do ventrículo esquerdo pode ser parcialmente bloqueado, constituindo a chamada cardiomiopatia hipertrófica obstrutiva. Nem sempre isso acontece, podendo então haver uma cardiomiopatia hipertrófica não-obstrutiva.

Em ambos os tipos, o espessamento das paredes torna o interior do ventrículo esquerdo menor, contendo menos sangue14. Ao mesmo tempo, as paredes do ventrículo podem tornar-se enrijecidas e serem menos capazes de relaxar para receber o volume adequado de sangue14. Pode acontecer também uma projeção do septo (parede que divide os lados direito e esquerdo do coração2) para dentro do ventrículo esquerdo contribuindo para bloquear o fluxo sanguíneo.

A cardiomiopatia hipertrófica pode afetar a válvula mitral que separa o átrio e o ventrículo esquerdos, fazendo com que parte do sangue14 propulsado pelo ventrículo esquerdo possa refluir para o átrio. Essas mudanças aumentam a pressão sanguínea no interior dos ventrículos e dos vasos sanguíneos15 pulmonares. As alterações das células16 dos músculos9 cardíacos podem, ainda, desarranjar a condução dos sinais17 elétricos cardíacos, levando a arritmias18.

Quais são os principais sinais17 e sintomas19 da cardiomiopatia hipertrófica?

A cardiomiopatia hipertrófica afeta igualmente pessoas de qualquer idade, homens ou mulheres. É uma causa comum de morte súbita em pessoas jovens, notadamente em atletas. Algumas pessoas com cardiomiopatia hipertrófica podem não ter sintomas19 e a doença não as proíbe de ter uma vida normal, mas outras têm sintomas19 e complicações severas. Os mais comuns são dispneia20, síncope21, angina22, arritmias18, palpitações23, insuficiência cardíaca congestiva24, tonteiras, incapacidade de fazer exercícios físicos e parada cardíaca, com morte súbita. Isso é o que geralmente acontece a desportistas que morrem subitamente durante uma competição.

Como o médico diagnostica a cardiomiopatia hipertrófica?

O diagnóstico25 da cardiomiopatia hipertrófica demanda uma minuciosa história clínica do paciente que leve em conta, de maneira especial, o histórico familiar e um detalhado exame físico, que mostrará ao cardiologista26 experiente, entre outras coisas, sons típicos na ausculta27 cardíaca. O exame auxiliar essencial para diagnosticar a cardiomiopatia hipertrófica é a ecocardiografia bidimensional, mas também devem ser feitos eletrocardiograma28, estudos eletrofisiológicos, radiografia de tórax29 e ressonância magnética30 cardíaca. Um estudo mais aprofundado, quando necessário, pode exigir cateterismo31 cardíaco para determinar o grau de obstrução do fluxo sanguíneo, a hemodinâmica32 cardíaca, especialmente do ventrículo esquerdo e a anatomia das artérias33 coronarianas.

Como o médico trata a cardiomiopatia hipertrófica?

Os tratamentos da cardiomiopatia hipertrófica podem ser clínicos ou cirúrgicos e são empregados para reduzir a força da contratilidade ventricular, aumentar o volume do ventrículo e aumentar a eficiência ventricular. Quando há sintomas19, o tratamento geralmente inclui betabloqueadores, bloqueadores do canal de cálcio e antitussígenos para prevenir a tosse. As terapêuticas cirúrgicas e as baseadas em cateterismo31, usadas em casos graves, incluem miomectomia ventricular esquerda, substituição da válvula mitral, implantação de marcapasso34 e ablação35 septal.

Como prevenir a cardiomiopatia hipertrófica?

Em muitos casos, não há como prevenir a cardiomiopatia hipertrófica, mas sim os seus sintomas19. Os pacientes devem abster-se de atividades estenuantes ou de carregar objetos muito pesados, devido ao alto risco de arritmias18 e morte súbita. O paciente deve evitar drogas inotrópicas, digitálicos, nitratos e aminas simpaticomiméticas e se tiver que usar diuréticos36, fazê-lo com cuidado.

Como evolui a cardiomiopatia hipertrófica?

A mortalidade37 em pacientes com cardiomiopatia hipertrófica varia entre 1 e 6% por ano. Pacientes jovens, especialmente crianças, podem ter um grau mais alto de mortalidade37. Por outro lado, as crianças têm hipertrofia3 ventricular em maior grau e ela se torna sintomática38 mais cedo no curso da doença.

Quais são as complicações possíveis da cardiomiopatia hipertrófica?

As complicações mais comuns da cardiomiopatia hipertrófica são a insuficiência cardíaca congestiva24, arritmias18, endocardite39, fibrilação, formação de trombos40 e morte súbita.

ABCMED, 2015. Cardiomiopatia hipertrófica: entenda esta condição. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/sinais.-sintomas-e-doencas/754282/cardiomiopatia-hipertrofica-entenda-esta-condicao.htm>. Acesso em: 13 nov. 2019.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Células Musculares: Células contráteis maduras, geralmente conhecidas como miócitos, que formam um dos três tipos de músculo. Os três tipos de músculo são esquelético (FIBRAS MUSCULARES), cardíaco (MIÓCITOS CARDÍACOS) e liso (MIÓCITOS DE MÚSCULO LISO). Provêm de células musculares embrionárias (precursoras) denominadas MIOBLASTOS.
2 Coração: Órgão muscular, oco, que mantém a circulação sangüínea.
3 Hipertrofia: 1. Desenvolvimento ou crescimento excessivo de um órgão ou de parte dele devido a um aumento do tamanho de suas células constituintes. 2. Desenvolvimento ou crescimento excessivo, em tamanho ou em complexidade (de alguma coisa). 3. Em medicina, é aumento do tamanho (mas não da quantidade) de células que compõem um tecido. Pode ser acompanhada pelo aumento do tamanho do órgão do qual faz parte.
4 Estenose: Estreitamento patológico de um conduto, canal ou orifício.
5 Idiopática: 1. Relativo a idiopatia; que se forma ou se manifesta espontaneamente ou a partir de causas obscuras ou desconhecidas; não associado a outra doença. 2. Peculiar a um indivíduo.
6 Autossômica: 1. Referente a autossomo, ou seja, ao cromossomo que não participa da determinação do sexo; eucromossomo. 2. Cujo gene está localizado em um dos autossomos (diz-se da herança de características). As doenças gênicas podem ser classificadas segundo o seu padrão de herança genética em: autossômica dominante (só basta um alelo afetado para que se manifeste a afecção), autossômica recessiva (são necessários dois alelos com mutação para que se manifeste a afecção), ligada ao cromossomo sexual X e as de herança mitocondrial (necessariamente herdadas da mãe).
7 Mutação: 1. Ato ou efeito de mudar ou mudar-se. Alteração, modificação, inconstância. Tendência, facilidade para mudar de ideia, atitude etc. 2. Em genética, é uma alteração súbita no genótipo de um indivíduo, sem relação com os ascendentes, mas passível de ser herdada pelos descendentes.
8 Proteínas: Um dos três principais nutrientes dos alimentos. Alimentos que fornecem proteína incluem carne vermelha, frango, peixe, queijos, leite, derivados do leite, ovos.
9 Músculos: Tecidos contráteis que produzem movimentos nos animais.
10 Pressão arterial: A relação que define a pressão arterial é o produto do fluxo sanguíneo pela resistência. Considerando-se a circulação como um todo, o fluxo total é denominado débito cardíaco, enquanto a resistência é denominada de resistência vascular periférica total.
11 Tireoide: Glândula endócrina altamente vascularizada, constituída por dois lobos (um em cada lado da TRAQUÉIA) unidos por um feixe de tecido delgado. Secreta os HORMÔNIOS TIREOIDIANOS (produzidos pelas células foliculares) e CALCITONINA (produzida pelas células para-foliculares), que regulam o metabolismo e o nível de CÁLCIO no sangue, respectivamente.
12 Diabetes: Nome que designa um grupo de doenças caracterizadas por diurese excessiva. A mais frequente é o Diabetes mellitus, ainda que existam outras variantes (Diabetes insipidus) de doença nas quais o transtorno primário é a incapacidade dos rins de concentrar a urina.
13 Fisiopatologia: Estudo do conjunto de alterações fisiológicas que acontecem no organismo e estão associadas a uma doença.
14 Sangue: O sangue é uma substância líquida que circula pelas artérias e veias do organismo. Em um adulto sadio, cerca de 45% do volume de seu sangue é composto por células (a maioria glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas). O sangue é vermelho brilhante, quando oxigenado nos pulmões (nos alvéolos pulmonares). Ele adquire uma tonalidade mais azulada, quando perde seu oxigênio, através das veias e dos pequenos vasos denominados capilares.
15 Vasos Sanguíneos: Qualquer vaso tubular que transporta o sangue (artérias, arteríolas, capilares, vênulas e veias).
16 Células: Unidades (ou subunidades) funcionais e estruturais fundamentais dos organismos vivos. São compostas de CITOPLASMA (com várias ORGANELAS) e limitadas por uma MEMBRANA CELULAR.
17 Sinais: São alterações percebidas ou medidas por outra pessoa, geralmente um profissional de saúde, sem o relato ou comunicação do paciente. Por exemplo, uma ferida.
18 Arritmias: Arritmia cardíaca é o nome dado a diversas perturbações que alteram a frequência ou o ritmo dos batimentos cardíacos.
19 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
20 Dispnéia: Falta de ar ou dificuldade para respirar caracterizada por respiração rápida e curta, geralmente está associada a alguma doença cardíaca ou pulmonar.
21 Síncope: Perda breve e repentina da consciência, geralmente com rápida recuperação. Comum em pessoas idosas. Suas causas são múltiplas: doença cerebrovascular, convulsões, arritmias, doença cardíaca, embolia pulmonar, hipertensão pulmonar, hipoglicemia, intoxicações, hipotensão postural, síncope situacional ou vasopressora, infecções, causas psicogênicas e desconhecidas.
22 Angina: Inflamação dos elementos linfáticos da garganta (amígdalas, úvula). Também é um termo utilizado para se referir à sensação opressiva que decorre da isquemia (falta de oxigênio) do músculo cardíaco (angina do peito).
23 Palpitações: Designa a sensação de consciência do batimento do coração, que habitualmente não se sente. As palpitações são detectadas usualmente após um exercício violento, em situações de tensão ou depois de um grande susto, quando o coração bate com mais força e/ou mais rapidez que o normal.
24 Insuficiência Cardíaca Congestiva: É uma incapacidade do coração para efetuar as suas funções de forma adequada como conseqüência de enfermidades do próprio coração ou de outros órgãos. O músculo cardíaco vai diminuindo sua força para bombear o sangue para todo o organismo.
25 Diagnóstico: Determinação de uma doença a partir dos seus sinais e sintomas.
26 Cardiologista: Médico especializado em tratar pessoas com problemas cardíacos.
27 Ausculta: Ato de escutar os ruídos internos do organismo, para controlar o funcionamento de um órgão ou perceber uma anomalia; auscultação.
28 Eletrocardiograma: Registro da atividade elétrica produzida pelo coração através da captação e amplificação dos pequenos potenciais gerados por este durante o ciclo cardíaco.
29 Tórax: Parte superior do tronco entre o PESCOÇO e o ABDOME; contém os principais órgãos dos sistemas circulatório e respiratório. (Tradução livre do original Sinônimos: Peito; Caixa Torácica
30 Ressonância magnética: Exame que fornece imagens em alta definição dos órgãos internos do corpo através da utilização de um campo magnético.
31 Cateterismo: Exame invasivo de artérias ou estruturas tubulares (uretra, ureteres, etc.), utilizando um dispositivo interno, capaz de injetar substâncias de contraste ou realizar procedimentos corretivos.
32 Hemodinâmica: Ramo da fisiologia que estuda as leis reguladoras da circulação do sangue nos vasos sanguíneos tais como velocidade, pressão etc.
33 Artérias: Os vasos que transportam sangue para fora do coração.
34 Marcapasso: Dispositivo eletrônico utilizado para proporcionar um estímulo elétrico periódico para excitar o músculo cardíaco em algumas arritmias do coração. Em geral são implantados sob a pele do tórax.
35 Ablação: Extirpação de qualquer órgão do corpo.
36 Diuréticos: Grupo de fármacos que atuam no rim, aumentando o volume e o grau de diluição da urina. Eles depletam os níveis de água e cloreto de sódio sangüíneos. São usados no tratamento da hipertensão arterial, insuficiência renal, insuficiência cardiaca ou cirrose do fígado. Há dois tipos de diuréticos, os que atuam diretamente nos túbulos renais, modificando a sua atividade secretora e absorvente; e aqueles que modificam o conteúdo do filtrado glomerular, dificultando indiretamente a reabsorção da água e sal.
37 Mortalidade: A taxa de mortalidade ou coeficiente de mortalidade é um dado demográfico do número de óbitos, geralmente para cada mil habitantes em uma dada região, em um determinado período de tempo.
38 Sintomática: 1. Relativo a ou que constitui sintoma. 2. Que é efeito de alguma doença. 3. Por extensão de sentido, é o que indica um particular estado de coisas, de espírito; revelador, significativo.
39 Endocardite: Inflamação aguda ou crônica do endocárdio. Ela pode estar preferencialmente localizada nas válvulas cardíacas (endocardite valvular) ou nas paredes cardíacas (endocardite parietal). Pode ter causa infecciosa ou não infecciosa.
40 Trombos: Coágulo aderido à parede interna de uma veia ou artéria. Pode ocasionar a diminuição parcial ou total da luz do mesmo com sintomas de isquemia.
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