Síndrome de Nelson - um possível efeito colateral do tratamento da doença de Cushing

O que é síndrome de Nelson?
A síndrome de Nelson, também chamada de Adenoma hipofisário secretor de ACTH ou Tumor hipofisário após adrenalectomia, é um distúrbio raro, caracterizado por secreção hormonal anormal, aumento da glândula pituitária (hipófise) e desenvolvimento de grandes e invasivos adenomas suprarrenais. A hipófise fica anormalmente grande na síndrome de Nelson, causando dores de cabeça e sintomas viscerais.
O primeiro caso de síndrome de Nelson foi relatado em 1958 pelo endocrinologista Don Nelson.
Quais são as causas da síndrome de Nelson?
A síndrome de Nelson ocorre em cerca de 15 a 25% das pessoas que se submetem à remoção cirúrgica das glândulas suprarrenais bilateralmente. A remoção das glândulas suprarrenais é um tratamento para a doença de Cushing, nome que se dá à síndrome de Cushing quando devida à presença de tumores benignos na glândula pituitária. Após a remoção dessas glândulas adrenais, algumas pessoas desenvolverão a síndrome de Nelson.
O crescimento de um tumor pré-existente ou oculto da glândula pituitária também pode causar esse distúrbio. A maioria dos casos de doença de Cushing não é hereditária, mas raramente esses tumores podem fazer parte de uma condição genética, como a neoplasia endócrina múltipla (NEM).
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Qual é o substrato fisiológico da síndrome de Nelson?
Os efeitos nocivos da doença de Cushing são devido à quantidade excessiva do hormônio cortisol produzido pelas glândulas suprarrenais. O procedimento cirúrgico interrompe a produção de cortisol e proporciona alívio dos sintomas.
Depois que uma adrenalectomia bilateral é realizada, os níveis de cortisol não mais serão normais. Isso aumenta a produção do hormônio liberador da corticotrofina (CRH, do inglês corticotropin-releasing homone) porque ele não é mais suprimido dentro do hipotálamo. Os níveis aumentados de CRH promovem o crescimento do tumor. Mutações com genes e com o receptor de glicocorticoide também podem afetar o tumor.
Além disso, foram estudadas as diferenças entre a síndrome de Nelson e a doença de Cushing. Particularmente, a síndrome de Nelson difere da doença de Cushing devido ao seguinte: secreções dos tumores, reposição de glicocorticoides e lesão do hipotálamo devido à radioterapia utilizada no paciente.
A fisiopatologia da síndrome de Nelson não é muito bem compreendida. Os corticotrofinomas são gerados a partir de células corticotróficas.
No geral, nem todos os pacientes que passaram por adrenalectomia total bilateral desenvolvem síndrome de Nelson, o que torna o mecanismo ainda mais difícil de ser entendido para uma doença tão rara. Não está claro também se a adrenalectomia ou a redução da secreção de cortisol causa crescimento agressivo do tumor.
Quais são as características clínicas da síndrome de Nelson?
Os sintomas associados à síndrome de Nelson incluem, entre outros, hiperpigmentação da pele, dores de cabeça, deficiência visual e interrupção dos períodos menstruais nas mulheres. A pigmentação escura da pele é uma característica fundamental, resultante das células do pigmento da pele que respondem à liberação de hormônio adrenocorticotrófico (ACTH). A gravidade da doença depende do efeito da liberação de ACTH na pele, da perda de hormônio hipofisário e do efeito que o tumor tem nas estruturas circundantes dentro do corpo.
Como o médico diagnostica a síndrome de Nelson?
Na síndrome de Nelson os níveis sanguíneos dos hormônios hipofisários, hormônio adrenocorticotrófico e hormônio estimulador de beta-melanócitos estão anormalmente elevados. Estudos de imagem, como tomografia computadorizada ou ressonância magnética, também podem ser usados para o diagnóstico da síndrome de Nelson, detectando a presença de um adenoma hipofisário.
Como o médico trata a síndrome de Nelson?
As opções de tratamento incluem cirurgia e radioterapia. A remoção cirúrgica do adenoma hipofisário é o tratamento ideal; no entanto, nem sempre é possível. Se for necessário e possível, o melhor procedimento é uma cirurgia endoscópica por meio de uma abordagem nasal (transesfenoidal). Os tumores muito grandes podem necessitar de uma craniotomia (abertura do crânio).
A terapia de radiação pode ser eficaz no controle do crescimento do tumor. Esta abordagem fornece uma dose de radiação altamente focada sobre o tumor, deixando as estruturas cerebrais circundantes ilesas. Uma consequência do tratamento com radiação é que pode causar insuficiência hipofisária retardada, o que pode demandar o acompanhamento contínuo de longo prazo com um endocrinologista.
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Referências:
As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente dos sites da NORD – National Organization for Rare Disorders e da Pituitary Foundation.
