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Corpo estranho no ouvido

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O que são corpos estranhos no ouvido?

Corpos estranhos são quaisquer objetos, substâncias ou insetos que tenham sido introduzidos ou se introduzam no canal auditivo externo, intencionalmente ou acidentalmente, e que podem causar lesões1 no ouvido. Alguns corpos estranhos comuns de serem encontrados nos ouvidos são grãos de pipoca, feijões, pedras, partes de brinquedos, papel, algodão e miçangas. Enfim, qualquer tipo de objeto de dimensões suficientemente pequenas pode introduzir-se no canal auditivo externo acidentalmente ou de forma intencional, como acontece no caso das crianças durante as suas brincadeiras.

Também insetos podem se introduzir no ouvido, causando grandes incômodos. Há ainda casos inusitados, impossíveis de catalogar. Por exemplo: uma idosa que usava aparelho auditivo sofreu um acidente em que seu aparelho se partiu e parte dele ficou retida dentro do canal auditivo.

Leia sobre "Zumbido", "Perfuração do tímpano2" e "Hiperacusia".

Quais são as repercussões clínicas de um corpo estranho introduzido no ouvido?

Como se viu, os objetos introduzidos no ouvido são de natureza muito variada e dela dependem as possíveis consequências do evento. Por exemplo: caso se trate de um elemento duro que contenha cantos ou arestas, como uma pedra ou uma peça de plástico, a sua introdução pode causar ferimentos no canal auditivo externo. Se for comprido e for introduzido com alguma profundidade, pode também provocar a ruptura do tímpano2. Pelo contrário, quando se tratar de um objeto mais mole e arredondado raramente produzirá lesões1 deste tipo.

Outras complicações podem surgir: um vegetal, como uma semente, um bocado de algodão ou um objeto de borracha, podem absorver água dentro do canal auditivo externo, podendo inchar e tapá-lo, prejudicando a audição, além de facilitar o desenvolvimento de infecções3. Como as possibilidades são diversas, os sinais4 e sintomas5 indicadores do problema também o são: dor, zumbido, surdez ou sinais4 de infecção6.

Um caso especial de objeto estranho no ouvido é a penetração acidental de um inseto, que costuma provocar grande inquietação: umas vezes, provoca fortes dores; outras, causa ruídos ou zumbidos particularmente intensos, gerando súbitos incômodos, acompanhados de uma grande angústia e, sobretudo nas crianças, podem provocar mesmo uma sensação de pânico.

As pessoas com corpos estranhos no ouvido podem ter algum dos seguintes sintomas5: sensação de ouvido entupido, dor de ouvido, perda auditiva, inflamação7 e irritação. Em crianças que não têm idade suficiente para falar sobre sua dor, os pais podem identificar este problema através de sinais4 como vermelhidão, inchaço8 ou secreção do ouvido (sangue9, líquido inflamatório ou pus10).

Como “tratar” o corpo estranho introduzido no ouvido?

A primeira providência a ser tomada é esperar que o objeto saia espontaneamente. Quando se verificar que isso não acontecerá, não devem ser feitas quaisquer tentativas para retirá-lo. Essas tentativas podem provocar graves lesões1, causar maiores dificuldades ou introduzir ainda mais profundamente o corpo estranho. Se não for possível remover o corpo estranho facilmente, ou se ele não sair espontaneamente, será necessário encaminhar a pessoa para um otorrinolaringologista. O especialista não terá dificuldades em proceder à extração. Geralmente, ele poderá retirar os objetos introduzidos de maneira simples, com uma lavagem com água esterilizada ou solução salina, por sucção, fórceps ou outros instrumentos adequados para este tipo de situações.

No caso de insetos, a primeira coisa a fazer é acalmar a vítima e tentar tranquilizá-la, de forma a poder verificar o que aconteceu. Por vezes, se a vítima se mantiver quieta (o que não costuma acontecer com as crianças), o inseto poderá simplesmente sair por si próprio. Os médicos podem remover insetos matando-os previamente com álcool, um anestésico ou óleo mineral, o que faz cessar a dor e torna a remoção mais fácil. Em crianças mais novas e assustadas pode ser necessária uma sedação11 para que esse procedimento seja realizado. O que, ainda com maior ênfase, não se deve fazer, é tentar retirá-lo recorrendo a um palito ou a uma pinça, pois qualquer instrumento pontiagudo pode provocar sérias lesões1 se, no decorrer da operação, a vítima mexer a cabeça12 bruscamente. Essas tentativas podem provocar graves lesões1 ou introduzir ainda mais profundamente o corpo estranho, podendo mesmo perfurar o tímpano2.

Quais são as complicações possíveis dos corpos estranhos no ouvido?

O canal auditivo é revestido por uma camada de pele13 muito fina e sensível. Por este motivo, a tentativa de remoção pode ser extremamente dolorosa, quando não realizada adequadamente. Uma eventual manipulação excessiva pode gerar edema14 (inchaço8), hematoma15 ou deslocar o objeto ainda mais profundamente, em direção à membrana timpânica16. Além disso, quando há falha na primeira tentativa de remoção, torna-se mais difícil realizar uma remoção segura nas próximas tentativas, devido a sangramentos que podem ocorrer e atrapalhar a visualização do corpo estranho. Em casos de infecção6 por demora na remoção ou trauma no canal auditivo, pode ser necessário o uso de antibióticos.

Veja também sobre "Novas perspectivas no tratamento da surdez neurossensorial", "Otites17" e "Audiometria18".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas dos sites do Núcleo Otorrino SP, da American Academy of Family Physicians e da Stanford Children’s Health.

ABCMED, 2020. Corpo estranho no ouvido. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/sinais.-sintomas-e-doencas/1373948/corpo+estranho+no+ouvido.htm>. Acesso em: 10 ago. 2020.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Lesões: 1. Ato ou efeito de lesar (-se). 2. Em medicina, ferimento ou traumatismo. 3. Em patologia, qualquer alteração patológica ou traumática de um tecido, especialmente quando acarreta perda de função de uma parte do corpo. Ou também, um dos pontos de manifestação de uma doença sistêmica. 4. Em termos jurídicos, prejuízo sofrido por uma das partes contratantes que dá mais do que recebe, em virtude de erros de apreciação ou devido a elementos circunstanciais. Ou também, em direito penal, ofensa, dano à integridade física de alguém.
2 Tímpano: Espaço e estruturas internas à MEMBRANA TIMPÂNICA e externas à orelha interna (LABIRINTO). Entre os componentes principais estão os OSSÍCULOS DA AUDIÇÃO e a TUBA AUDITIVA, que conecta a cavidade da orelha média (cavidade timpânica) à parte superior da garganta.
3 Infecções: Doença produzida pela invasão de um germe (bactéria, vírus, fungo, etc.) em um organismo superior. Como conseqüência da mesma podem ser produzidas alterações na estrutura ou funcionamento dos tecidos comprometidos, ocasionando febre, queda do estado geral, e inúmeros sintomas que dependem do tipo de germe e da reação imunológica perante o mesmo.
4 Sinais: São alterações percebidas ou medidas por outra pessoa, geralmente um profissional de saúde, sem o relato ou comunicação do paciente. Por exemplo, uma ferida.
5 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
6 Infecção: Doença produzida pela invasão de um germe (bactéria, vírus, fungo, etc.) em um organismo superior. Como conseqüência da mesma podem ser produzidas alterações na estrutura ou funcionamento dos tecidos comprometidos, ocasionando febre, queda do estado geral, e inúmeros sintomas que dependem do tipo de germe e da reação imunológica perante o mesmo.
7 Inflamação: Conjunto de processos que se desenvolvem em um tecido em resposta a uma agressão externa. Incluem fenômenos vasculares como vasodilatação, edema, desencadeamento da resposta imunológica, ativação do sistema de coagulação, etc.Quando se produz em um tecido superficial (pele, tecido celular subcutâneo) pode apresentar tumefação, aumento da temperatura local, coloração avermelhada e dor (tétrade de Celso, o cientista que primeiro descreveu as características clínicas da inflamação).
8 Inchaço: Inchação, edema.
9 Sangue: O sangue é uma substância líquida que circula pelas artérias e veias do organismo. Em um adulto sadio, cerca de 45% do volume de seu sangue é composto por células (a maioria glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas). O sangue é vermelho brilhante, quando oxigenado nos pulmões (nos alvéolos pulmonares). Ele adquire uma tonalidade mais azulada, quando perde seu oxigênio, através das veias e dos pequenos vasos denominados capilares.
10 Pus: Secreção amarelada, freqüentemente mal cheirosa, produzida como conseqüência de uma infecção bacteriana e formada por leucócitos em processo de degeneração, plasma, bactérias, proteínas, etc.
11 Sedação: 1. Ato ou efeito de sedar. 2. Aplicação de sedativo visando aliviar sensação física, por exemplo, de dor. 3. Diminuição de irritabilidade, de nervosismo, como efeito de sedativo. 4. Moderação de hiperatividade orgânica.
12 Cabeça:
13 Pele: Camada externa do corpo, que o protege do meio ambiente. Composta por DERME e EPIDERME.
14 Edema: 1. Inchaço causado pelo excesso de fluidos no organismo. 2. Acúmulo anormal de líquido nos tecidos do organismo, especialmente no tecido conjuntivo.
15 Hematoma: Acúmulo de sangue em um órgão ou tecido após uma hemorragia.
16 Membrana Timpânica: Membrana semi-transparente (oval), que separa da cavidade timpânica (ORELHA MÉDIA) o Meato Acústico Externo. Contém três camadas
17 Otites: Toda infecção do ouvido é chamada de otite.
18 Audiometria: Método utilizado para estudar a capacidade e acuidade auditivas perante diferentes freqüências sonoras.
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