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Ibuprofeno e Coronavírus

Monday, March 23, 2020
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Ibuprofeno e Coronavírus

O que é o Ibuprofeno?

O ibuprofeno é um fármaco do grupo dos anti-inflamatórios não esteroides, bastante utilizado para o tratamento da dor, febre, inflamações e cólicas menstruais. Normalmente, o ibuprofeno é usado também em diversos casos de artrites, inclusive artrite reativa e artrite reumatoide, espondilose e espondilite anquilosante.

No entanto, pessoas que tenham pressão arterial alta, colesterol elevado, excesso de peso e diabetes devem ter cuidados especiais ao tomar ibuprofeno. O medicamento é contraindicado para pessoas com antecedentes de problemas cardíacos e/ou gástricos, pacientes idosos e gestantes. Muitas mulheres têm dúvidas se o ibuprofeno prejudica ou inibe a ação dos métodos contraceptivos.

Apesar do uso muito difundido, algumas dúvidas são recorrentes, relacionadas às formas de uso, apresentações e interações medicamentosas, entre outras. Agora, surge a dúvida ainda não totalmente esclarecida sobre qual é o verdadeiro papel desempenhado pelo medicamento nas pessoas infectadas pela COVID-19, havendo sido levantada a suspeita de que ele possa agravar essa doença.

Como se vê, o ibuprofeno é uma medicação que tem algumas complicações. Quando o médico indica o medicamento, avalia os benefícios e os malefícios que poderá trazer ao paciente.

Seu nome deriva das iniciais do ácido isobutilpropanoicofenólico, sua substância básica.

Leia sobre "COVID-19 no Brasil", "Espondilose lombar", "Espondilose cervical" e "Espondiloartrites".

Quais são as relações entre o Ibuprofeno e o coronavírus?

Muitas dúvidas e questionamentos têm surgido quanto ao uso do ibuprofeno no combate aos sintomas do novo coronavírus. Como a questão ainda não está definitivamente decidida, a OMS, numa primeira consideração do assunto, disse que a entidade não recomenda o remédio para quem decidir se automedicar, mas alertou que os cientistas ainda estão investigando a questão e que isso não quer dizer que haja uma contraindicação formal para o uso de ibuprofeno no momento. Diante de cada caso específico, o médico deve ser consultado.

O Ministério da Saúde brasileiro alegou não ter motivos para fazer uma contraindicação do ibuprofeno, mas disse que diante das incertezas e da falta de evidências comprovadas sobre o tema, recomenda que, por enquanto, não se use ibuprofeno e outros anti-inflamatórios não-esteroides. E acrescenta que "a relação causal entre o uso de ibuprofeno e outros anti-inflamatórios não-esteroidais e o agravamento de infecção por COVID-19 ainda não está bem estabelecida".

Investigações em andamento procuram saber como os anti-inflamatórios (como o ibuprofeno) agem na infecção em uma pessoa contaminada por coronavírus. Como ainda não há uma conclusão científica, a opinião majoritária sobre o assunto é que é melhor, por precaução, dar preferência para o paracetamol ou a dipirona em caso de febre e suspeita de coronavírus.

No momento, aliviar os sintomas e tratar possíveis complicações geradas pela COVID-19 são as únicas formas de tratamento para o indivíduo doente. Em teoria, os anti-inflamatórios, ao lado dos analgésicos e antitérmicos, poderiam ser usados para combater os sintomas do coronavírus. Contudo, um artigo da prestigiosa revista científica The Lancet citou a possibilidade de anti-inflamatórios, incluindo o ibuprofeno, agravarem a infecção pelo coronavírus. Segundo a revista, os coronavírus parecem usar uma enzima específica (enzima conversora da angiotensina-2) que há no organismo humano como forma de entrar nas células, e que os anti-inflamatórios, incluindo o ibuprofeno, poderiam aumentar a produção dessa enzima. Assim, o coronavírus teria mais facilidade de se alastrar no organismo de uma pessoa que tenha contato com ele, tornando mais difícil a recuperação da pessoa. No entanto, por enquanto, isso é só uma suspeita. Por via das dúvidas, é melhor evitar os anti-inflamatórios.

No dia 19 último (março 2020), a OMS voltou atrás de sua posição anterior e declarou não ter por que recomendar que não se use o ibuprofeno, uma vez que não existe nenhuma evidência de que ele seja prejudicial nos casos de infecção pelo coronavírus.

Ninguém deve interromper por conta própria o remédio que já venha tomando. Os anti-inflamatórios são medicações essenciais no combate a algumas doenças como asma e artrite reumatoide, por exemplo, e quem usa o medicamento, prescrito contra essas doenças, não deve deixar de tomá-lo sem ouvir o médico. Pode ser mesmo que os benefícios do ibuprofeno sejam maiores que possíveis riscos. Isso deve ser avaliado caso a caso pelo médico.

Veja também sobre "Cuidados necessários ao tomar anti-inflamatórios não esteroides (AINES)" e "Mapeando o coronavírus SARS-CoV-2".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas dos sites da BBC News – UK, do COFEN – Conselho Federal de Enfermagem e da Global News – Canadá.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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