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Sangue nas fezes: o que será?

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O que é sangue1 nas fezes?

As fezes exoneradas pela pessoa podem conter sangue1 misturado a elas, detectado de três formas diferentes: (1) sangue1 “vivo”, vermelho rútilo, geralmente circundando o bolo fecal, (2) sangue1 digerido e misturado às fezes, o que altera a cor delas (“borra de café”) e (3) sangue1 inaparente, só detectável em laboratório.

Em geral, a presença de sangue1 nas fezes é assustadora para a maioria das pessoas, mas ele tanto pode sinalizar um problema sério, como ser uma ocorrência simples, de solução espontânea ou de fácil solução.

Quais são as causas do sangue1 nas fezes?

A presença de sangue1 nas fezes sempre é indicação de hemorragia2 em algum lugar do aparelho digestivo3. Quando a quantidade de sangue1 é muito pequena e não chega a alterar a aparência das fezes, ele só pode ser detectado por um teste laboratorial chamado “sangue oculto nas fezes”.

Em outras ocasiões, ele pode ser visível depois de uma evacuação, como sangue1 vermelho e brilhante. Se o sangramento ocorrer na parte alta do aparelho digestivo3 (esôfago4, estômago5, partes proximais6 do intestino, etc.), o sangue1 sofrerá digestão7 no seu percurso e as fezes aparecem mal cheirosas e escurecidas, em preto e alcatrão, ditas “em borra de café”. A isso se chama, medicamente, melena8 e ela se deve tanto à digestão7 do sangue1 como à atuação das bactérias intestinais agindo sobre o sangue1.

As causas mais comuns de sangramentos digestivos são doença diverticular, fissura9 anal, hemorroidas10, colite11, angiodisplasia, úlceras12 pépticas, pólipos13 ou câncer14. Varizes15 do esôfago4 podem levar a perdas graves de sangue1.

Saiba mais sobre "Diverticulite16", "Fissuras17 anais", "Hemorroida", "Câncer14 Colorretal" e "Pólipos13 intestinais".

Qual é o mecanismo fisiológico18 do sangue1 nas fezes?

O sangue1 “vivo” aparece quase sempre externamente ao bolo fecal em sangramentos baixos (retais ou anais), porque não teve tempo de ser modificado pelo trato digestivo.

Na melena8, consequente a um sangramento significativo em algum ponto do trato digestivo alto, o sangue1 digerido aparece mesclado às fezes e modificam a sua cor para uma coloração escura que diz respeito às modificações bioquímicas pelas quais o sangue1 passou na luz do intestino.

Quando o sangramento é pequeno, o sangue1 misturado às fezes não é aparente e só pode ser detectado em laboratório.

Quais são as principais características clínicas do sangue1 nas fezes?

As hemorragias19 que ocorrem no trato digestivo são um sintoma20 de um problema a ser esclarecido, em vez de uma doença em si. Na maior parte das vezes, acontece devido a condições que podem ser curadas ou controladas, embora possa também ser sinal21 de um problema grave.

É importante encontrar a origem e a causa deste sintoma20, que pode estar em qualquer parte do trato gastrointestinal: esôfago4, estômago5, intestino delgado22, cólon23, reto24 ou ânus25.

A hemorragia2 pode provir de uma pequena área, tal como uma úlcera26 na mucosa27 do estômago5 ou de uma área maior, como uma inflamação28 do cólon23, por exemplo. A melena8 indica um sangramento na parte alta do trato digestivo, já a presença de sangue1 vermelho vivo nas fezes indica na maioria dos casos uma hemorragia2 digestiva baixa, que pode ocorrer nos intestinos29, reto24 ou ânus25. Quanto mais perto do ânus25 a ferida estiver, mais vermelho vivo será o sangue1. Em resumo, temos:

  1. Sangue1 vivo nas fezes: embora possa ser sinal21 de problemas graves, geralmente é apenas sinal21 de problemas mais simples e fáceis de tratar. Na maioria das vezes, ele é devido à dilatação das veias30 provocadas pela força necessária para defecar em pessoas com prisão de ventre ou causado por hemorroidas10, fissura9 anal ou como decorrência de colonoscopia31. As causas mais graves podem envolver diverticulite16, doença de Crohn32, câncer14 do intestino, etc.
  2. Sangue1 oculto nas fezes: pode aparecer em casos de pólipos13 benignos no intestino, hemorroidas10, úlceras12 no estômago5 ou duodeno33, colite11 ulcerativa, doença de Crohn32, doença diverticular e mesmo câncer14 colorretal.
  3. Melena8: é caracterizada por uma hemorragia digestiva alta34 ou, mais raramente, por sangue1 oriundo de fonte inferior que ocorre devagar o suficiente para que ocorra a sua oxidação. As causas mais comuns são úlceras12 pépticas, gástricas ou duodenais, varizes15 de esôfago4, obstrução da veia porta35 e gastrite36 erosiva.
Leia sobre "Úlcera péptica37", "Melena8 e Hematêmese38", "Colite11 ulcerativa", "Hemorragia digestiva alta34" e "Varizes15 esofágicas".

Como o médico diagnostica o sangue1 nas fezes?

A presença de sangue1 nas fezes pode ser constatada visualmente ou por meio de um exame de sangue1 oculto feito em laboratório. O passo seguinte consiste em determinar a localização e a causa do sangramento, o que exigirá exames de sangue1 e de fezes, além de exames de imagens, como radiografias, tomografia computadorizada39, ressonância magnética40, endoscopia41 digestiva alta e colonoscopia31, decididos conforme a suspeita diagnóstica.

Veja sobre os exames: "Exame de sangue1 oculto nas fezes", "Exame parasitológico de fezes", "Endoscopia41 sigestiva alta" e "Colonoscopia31".

Como o médico trata o sangue1 nas fezes?

O tratamento de sangue1 nas fezes depende de suas causas e pode variar desde simples monitoramento até procedimentos muito complexos como cirurgias ou quimioterapias. Em alguns casos, o tratamento demandará medicações e dietas especiais.

Como evolui o sangue1 nas fezes?

A evolução do aparecimento de sangue1 nas fezes depende de suas causas. Em alguns casos, ele é apenas transitório e desaparece por si; em outros, ele persiste por longo tempo ou mesmo definitivamente.

Leia também sobre "Doença de Crohn32".

 

ABCMED, 2016. Sangue nas fezes: o que será?. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/sinais.-sintomas-e-doencas/1277608/sangue-nas-fezes-o-que-sera.htm>. Acesso em: 26 mai. 2019.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Sangue: O sangue é uma substância líquida que circula pelas artérias e veias do organismo. Em um adulto sadio, cerca de 45% do volume de seu sangue é composto por células (a maioria glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas). O sangue é vermelho brilhante, quando oxigenado nos pulmões (nos alvéolos pulmonares). Ele adquire uma tonalidade mais azulada, quando perde seu oxigênio, através das veias e dos pequenos vasos denominados capilares.
2 Hemorragia: Saída de sangue dos vasos sanguíneos ou do coração para o exterior, para o interstício ou para cavidades pré-formadas do organismo.
3 Aparelho digestivo: O aparelho digestivo ou digestório realiza a digestão, processo que transforma os alimentos em substâncias passíveis de serem absorvidas pelo organismo. Os materiais não absorvidos são eliminados por este sistema. Ele é composto pelo tubo digestivo e por glândulas anexas.
4 Esôfago: Segmento muscular membranoso (entre a FARINGE e o ESTÔMAGO), no TRATO GASTRINTESTINAL SUPERIOR.
5 Estômago: Órgão da digestão, localizado no quadrante superior esquerdo do abdome, entre o final do ESÔFAGO e o início do DUODENO.
6 Proximais: 1. Que se localiza próximo do centro, do ponto de origem ou do ponto de união. 2. Em anatomia geral, significa o mais próximo do tronco (no caso dos membros) ou do ponto de origem (no caso de vasos e nervos). Ou também o que fica voltado para a cabeça (diz-se de qualquer formação). 3. Em botânica, o que fica próximo ao ponto de origem ou à base. 4. Em odontologia, é o mais próximo do ponto médio do arco dental.
7 Digestão: Dá-se este nome a todo o conjunto de processos enzimáticos, motores e de transporte através dos quais os alimentos são degradados a compostos mais simples para permitir sua melhor absorção.
8 Melena: Eliminação de fezes de coloração negra, alcatroada. Relaciona-se com a presença de sangue proveniente da porção superior do tubo digestivo (esôfago, estômago e duodeno). Necessita de uma avaliação urgente, pois representa um quadro grave.
9 Fissura: 1. Pequena abertura longitudinal em; fenda, rachadura, sulco. 2. Em geologia, é qualquer fratura ou fenda pouco alargada em terreno, rocha ou mesmo mineral. 3. Na medicina, é qualquer ulceração alongada e superficial. Também pode significar uma fenda profunda, sulco ou abertura nos ossos; cesura, cissura. 4. Rachadura na pele calosa das mãos ou dos pés, geralmente de pessoas que executam trabalhos rudes. 5. Na odontologia, é uma falha no esmalte de um dente. 6. No uso informal, significa apego extremo; forte inclinação; loucura, paixão, fissuração.
10 Hemorróidas: Dilatações anormais das veias superficiais que se encontram na última porção do intestino grosso, reto e região perianal. Pode produzir sangramento junto com a defecação e dor.
11 Colite: Inflamação da porção terminal do cólon (intestino grosso). Pode ser devido a infecções intestinais (a causa mais freqüente), ou a processos inflamatórios diversos (colite ulcerativa, colite isquêmica, colite por radiação, etc.).
12 Úlceras: Feridas superficiais em tecido cutâneo ou mucoso que podem ocorrer em diversas partes do organismo. Uma afta é, por exemplo, uma úlcera na boca. A úlcera péptica ocorre no estômago ou no duodeno (mais freqüente). Pessoas que sofrem de estresse são mais susceptíveis a úlcera.
13 Pólipos: 1. Em patologia, é o crescimento de tecido pediculado que se desenvolve em uma membrana mucosa (por exemplo, no nariz, bexiga, reto, etc.) em resultado da hipertrofia desta membrana ou como um tumor verdadeiro. 2. Em celenterologia, forma individual, séssil, típica dos cnidários, que se caracteriza pelo corpo formado por um tubo ou cilindro, cuja extremidade oral, dotada de boca e tentáculos, é dirigida para cima, e a extremidade oposta, ou aboral, é fixa.
14 Câncer: Crescimento anormal de um tecido celular capaz de invadir outros órgãos localmente ou à distância (metástases).
15 Varizes: Dilatação anormal de uma veia. Podem ser dolorosas ou causar problemas estéticos quando são superficiais como nas pernas. Podem também ser sede de trombose, devido à estase sangüínea.
16 Diverticulite: Inflamação aguda da parede de um divertículo colônico. Produz dor no quadrante afetado (em geral o inferior esquerdo), febre, etc.Necessita de tratamento com antibióticos por via endovenosa e raramente o tratamento é cirúrgico.
17 Fissuras: 1. Pequena abertura longitudinal em; fenda, rachadura, sulco. 2. Em geologia, é qualquer fratura ou fenda pouco alargada em terreno, rocha ou mesmo mineral. 3. Na medicina, é qualquer ulceração alongada e superficial. Também pode significar uma fenda profunda, sulco ou abertura nos ossos; cesura, cissura. 4. Rachadura na pele calosa das mãos ou dos pés, geralmente de pessoas que executam trabalhos rudes. 5. Na odontologia, é uma falha no esmalte de um dente. 6. No uso informal, significa apego extremo; forte inclinação; loucura, paixão, fissuração.
18 Fisiológico: Relativo à fisiologia. A fisiologia é estudo das funções e do funcionamento normal dos seres vivos, especialmente dos processos físico-químicos que ocorrem nas células, tecidos, órgãos e sistemas dos seres vivos sadios.
19 Hemorragias: Saída de sangue dos vasos sanguíneos ou do coração para o exterior, para o interstício ou para cavidades pré-formadas do organismo.
20 Sintoma: Qualquer alteração da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. O sintoma é a queixa relatada pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
21 Sinal: 1. É uma alteração percebida ou medida por outra pessoa, geralmente um profissional de saúde, sem o relato ou comunicação do paciente. Por exemplo, uma ferida. 2. Som ou gesto que indica algo, indício. 3. Dinheiro que se dá para garantir um contrato.
22 Intestino delgado: O intestino delgado é constituído por três partes: duodeno, jejuno e íleo. A partir do intestino delgado, o bolo alimentar é transformado em um líquido pastoso chamado quimo. Com os movimentos desta porção do intestino e com a ação dos sucos pancreático e intestinal, o quimo é transformado em quilo, que é o produto final da digestão. Depois do alimento estar transformado em quilo, os produtos úteis para o nosso organismo são absorvidos pelas vilosidades intestinais, passando para os vasos sanguíneos.
23 Cólon:
24 Reto: Segmento distal do INTESTINO GROSSO, entre o COLO SIGMÓIDE e o CANAL ANAL.
25 Ânus: Segmento terminal do INTESTINO GROSSO, começando na ampola do RETO e terminando no ânus.
26 Úlcera: Ferida superficial em tecido cutâneo ou mucoso que pode ocorrer em diversas partes do organismo. Uma afta é, por exemplo, uma úlcera na boca. A úlcera péptica ocorre no estômago ou no duodeno (mais freqüente). Pessoas que sofrem de estresse são mais susceptíveis a úlcera.
27 Mucosa: Tipo de membrana, umidificada por secreções glandulares, que recobre cavidades orgânicas em contato direto ou indireto com o meio exterior.
28 Inflamação: Conjunto de processos que se desenvolvem em um tecido em resposta a uma agressão externa. Incluem fenômenos vasculares como vasodilatação, edema, desencadeamento da resposta imunológica, ativação do sistema de coagulação, etc.Quando se produz em um tecido superficial (pele, tecido celular subcutâneo) pode apresentar tumefação, aumento da temperatura local, coloração avermelhada e dor (tétrade de Celso, o cientista que primeiro descreveu as características clínicas da inflamação).
29 Intestinos: Seção do canal alimentar que vai do ESTÔMAGO até o CANAL ANAL. Inclui o INTESTINO GROSSO e o INTESTINO DELGADO.
30 Veias: Vasos sangüíneos que levam o sangue ao coração.
31 Colonoscopia: Estudo endoscópico do intestino grosso, no qual o colonoscópio é introduzido pelo ânus. A colonoscopia permite o estudo de todo o intestino grosso e porção distal do intestino delgado. É um exame realizado na investigação de sangramentos retais, pesquisa de diarreias, alterações do hábito intestinal, dores abdominais e na detecção e remoção de neoplasias.
32 Doença de Crohn: Doença inflamatória crônica do intestino que acomete geralmente o íleo e o cólon, embora possa afetar qualquer outra parte do intestino. A doença cursa com períodos de remissão sintomática e outros de agravamento. Na maioria dos casos, a doença de Crohn é de intensidade moderada e se torna bem controlada pela medicação, tornando possível uma vida razoavelmente normal para seu portador. A causa da doença de Crohn ainda não é totalmente conhecida. Os sintomas mais comuns são: dor abdominal, diarreia, perda de peso, febre moderada, sensação de distensão abdominal, perda de apetite e de peso.
33 Duodeno: Parte inicial do intestino delgado que se estende do piloro até o jejuno.
34 Hemorragia digestiva alta: É um termo que se refere a qualquer sangramento proveniente do gastrointestinal superior. O limite anatômico para o sangramento gastrointestinal superior é o ligamento de Treitz, que liga a quarta porção do duodeno ao diafragma, perto da flexura esplênica do cólon.
35 Veia porta: Veia curta e calibrosa formada pela união das veias mesentérica superior e esplênica.
36 Gastrite: Inflamação aguda ou crônica da mucosa do estômago. Manifesta-se por dor na região superior do abdome, acidez, ardor, náuseas, vômitos, etc. Pode ser produzida por infecções, consumo de medicamentos (aspirina), estresse, etc.
37 Úlcera péptica: Lesão na mucosa do esôfago, estômago ou duodeno. Também chamada de úlcera gástrica ou duodenal. Pode ser provocada por excesso de ácido clorídrico produzido pelo próprio estômago ou por medicamentos como antiinflamatórios ou aspirina. É uma doença infecciosa, causada pela bactéria Helicobacter pylori em quase 100% dos casos. Os principais sintomas são: dor, má digestão, enjôo, queimação (azia), sensação de estômago vazio.
38 Hematêmese: Eliminação de sangue proveniente do tubo digestivo, através de vômito.
39 Tomografia computadorizada: Exame capaz de obter imagens em tons de cinza de “fatias” de partes do corpo ou de órgãos selecionados, as quais são geradas pelo processamento por um computador de uma sucessão de imagens de raios X de alta resolução em diversos segmentos sucessivos de partes do corpo ou de órgãos.
40 Ressonância magnética: Exame que fornece imagens em alta definição dos órgãos internos do corpo através da utilização de um campo magnético.
41 Endoscopia: Método no qual se visualiza o interior de órgãos e cavidades corporais por meio de um instrumento óptico iluminado.
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