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Timidez - como saber se sou ou não tímido? Como superar a timidez?

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O que é a timidez?

A timidez, também chamada acanhamento, é o sentimento de apreensão, falta de conforto ou constrangimento, especialmente quando uma pessoa está perto de outras pessoas e deve interagir com elas. Isso ocorre principalmente em novas situações ou com pessoas desconhecidas. A principal característica definidora da timidez é um medo do que as outras pessoas irão pensar do comportamento próprio, resultando em medo de fazer ou dizer o que quer que seja por temor de ser ridicularizada, humilhada, criticada ou rejeitada.

A timidez, por si mesma, não é considerada um transtorno mental, mas em sua forma extrema e patológica pode ser considerada ansiedade social, pode comprometer de forma significativa a realização pessoal e constitui-se em fator de empobrecimento da qualidade de vida de uma pessoa.

Como saber se sou tímido ou não?

O periódico de saúde1 The New England Journal of Medicine tem um pequeno teste útil para saber se uma pessoa é tímida ou não — e uma longa explicação sobre a doença. O teste dá uma boa ideia de como é o comportamento dessa pessoa. Não fique ansioso e faça o teste. Segue abaixo uma ideia de como o teste funciona. Ele pode ser visto por completo em: “Social Anxiety Disorder”. 

Considere estas três declarações:

  1. O medo de sentir vergonha me leva a evitar fazer coisas ou falar com as pessoas.
  2. Evito atividades nas quais sou o centro das atenções.
  3. Ser envergonhado ou parecer estúpido está entre os meus piores medos.

Agora, dê a si mesmo uma nota para cada afirmação de 0 a 4, onde 0 é não se identificar com a afirmação, 1 é se identificar um pouco, 2 é se identificar um pouco mais, 3 é se identificar muito e 4 é se identificar extremamente.

Uma pontuação total de 6 ou mais significa que você pode ter um problema e pode se beneficiar conversando sobre isso com um profissional de saúde1, afirmam os autores.

Veja sobre "Transtorno ansioso social", "Neurose2 de angústia" e "Transtorno de esquiva".

Quais são as causas da timidez?

Embora a timidez esteja relacionada à neurobiologia do sistema nervoso3, também é fortemente influenciada pelas práticas dos pais e pelas experiências de vida. Cerca de 15% das crianças nascem com uma tendência à timidez, mas uma propensão à timidez também é influenciada por experiências sociais. Os hábitos e valores culturais que as crianças absorvem dos pais e da sociedade em geral influenciam suas tendências sociais.

Há quem acredite que a maioria das crianças tímidas desenvolva timidez por causa das interações com os pais. Assim, por exemplo, pais autoritários ou superprotetores podem fazer com que seus filhos sejam tímidos, e se as crianças não têm permissão para experimentar coisas novas podem ter problemas para desenvolver habilidades sociais. Crianças que têm pais tímidos podem imitar esse comportamento e também se tornarem tímidas. Por outro lado, uma abordagem calorosa e atenciosa para criar os filhos geralmente resulta em mais conforto da criança com os outros.

Do ponto de vista fisiológico4, estudos recentes têm esclarecido mais as causas da timidez. As crianças tímidas apresentam mais atividade no lado direito do cérebro5, enquanto crianças não-tímidas tem o lado esquerdo mais ativo. Espera-se que a abordagem biológica atual da timidez possibilitará que no futuro os seus sintomas6 físicos sejam tratados com remédios.

Quais são as características psicológicas das pessoas tímidas?

A maioria das pessoas se sente tímida pelo menos ocasionalmente, mas a timidez de algumas pessoas é tão intensa e permanente que pode impedi-las de interagir com outras pessoas, mesmo quando querem ou precisam.

As características das pessoas tímidas variam muito nas diferentes populações ao redor do globo, mas parece serem gerais as características de baixa autoestima, medo de rejeição ou autocrítica aguda. Um dos primeiros sinais7 de timidez de uma criança é o fato de ela nunca querer sair do lado dos pais, atitude frequentemente induzida pelos próprios pais, principalmente pela mãe.

Ao contrário dos introvertidos, que só se sentem motivados a interagir com os outros após algum tempo de aproximação, as pessoas tímidas desejam desde o princípio se conectar com os outros, mas não sabem como ou não podem tolerar a ansiedade que surge dessa interação. Isso pode impedi-las de desenvolver novos relacionamentos se elas se voltam para dentro de si mesmas, para escrutinar seu próprio comportamento e supostas deficiências. Assim, a pessoa tímida pode simplesmente optar por evitar situações sociais.

A timidez se manifesta, mas não exclusivamente, em relações com autoridades, “pessoas importantes” ou estranhos e ao falar em público, diante de outras pessoas e até mesmo em ambiente familiar.

Um aspecto importante da timidez é o não desenvolvimento de habilidades sociais. Essa característica, no entanto, pode passar desapercebida porque algumas crianças tímidas podem supercompensar suas dificuldades sociais com uma grande dedicação solitária aos estudos, tornando-se alunos destacados. Daí, as escolas e pais podem acreditar que a criança é plenamente capaz de interação social eficaz e o treinamento de habilidades sociais pode não assumir prioridade, de modo que como resultado a criança não tem a oportunidade de desenvolver sua capacidade de interagir com os colegas.

Pessoas severamente tímidas podem apresentar sintomas6 físicos como rubor, sudorese8, aceleração do coração9 ou dor de estômago10, além de sentimentos negativos sobre si mesmas.

Como superar a timidez?

Os estudiosos do assunto pensam que a melhor maneira de tentar superar a timidez é reconhecê-la e tentar se libertar do seu excessivo sentimento de autocrítica. As pessoas tímidas devem lidar com desafios sociais sem alterar seu senso de identidade e sem tentar ser alguém que não são.

Várias estratégias concretas podem ajudar a superar a timidez. Em vez de evitar eventos sociais, as pessoas tímidas podem programá-los com antecedência e pode ser útil planejar antes alguns temas de conversa. Outra estratégia consiste em reformular sua mentalidade, de modo a esperar uma resposta positiva, e não assumir a ideia de que uma reação negativa é inevitável.

Outra habilidade ainda é reconhecer a possibilidade de uma interação ser ruim, mas reconhecer também que os motivos podem estar fora de controle. Um parceiro de conversa pode estar de mau humor, o tópico11 pode ser privado ou as duas pessoas podem ser simplesmente incompatíveis.

Uma psicoterapia pode ajudar as crianças a lidar com a timidez. Elas podem aprender habilidades sociais, como estar cientes de sua timidez e maneiras de entender quando sua timidez é o resultado de um pensamento irracional. A terapia de grupo pode ser útil para crianças e adultos que sofrem de timidez.

Leia também sobre "Transtorno de ansiedade generalizada", "Fobias12", "Isolamento social" e "Psicoterapia".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas em parte dos sites da American Psychological Association, do Social Anxiety Institute e do Psychology Today.

ABCMED, 2019. Timidez - como saber se sou ou não tímido? Como superar a timidez?. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/psicologia-e-psiquiatria/1346673/timidez-como-saber-se-sou-ou-nao-timido-como-superar-a-timidez.htm>. Acesso em: 19 fev. 2020.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Saúde: 1. Estado de equilíbrio dinâmico entre o organismo e o seu ambiente, o qual mantém as características estruturais e funcionais do organismo dentro dos limites normais para sua forma de vida e para a sua fase do ciclo vital. 2. Estado de boa disposição física e psíquica; bem-estar. 3. Brinde, saudação que se faz bebendo à saúde de alguém. 4. Força física; robustez, vigor, energia.
2 Neurose: Doença psiquiátrica na qual existe consciência da doença. Caracteriza-se por ansiedade, angústia e transtornos na relação interpessoal. Apresenta diversas variantes segundo o tipo de neurose. Os tipos mais freqüentes são a neurose obsessiva, depressiva, maníaca, etc., podendo apresentar-se em combinação.
3 Sistema nervoso: O sistema nervoso é dividido em sistema nervoso central (SNC) e o sistema nervoso periférico (SNP). O SNC é formado pelo encéfalo e pela medula espinhal e a porção periférica está constituída pelos nervos cranianos e espinhais, pelos gânglios e pelas terminações nervosas.
4 Fisiológico: Relativo à fisiologia. A fisiologia é estudo das funções e do funcionamento normal dos seres vivos, especialmente dos processos físico-químicos que ocorrem nas células, tecidos, órgãos e sistemas dos seres vivos sadios.
5 Cérebro: Derivado do TELENCÉFALO, o cérebro é composto dos hemisférios direito e esquerdo. Cada hemisfério contém um córtex cerebral exterior e gânglios basais subcorticais. O cérebro inclui todas as partes dentro do crânio exceto MEDULA OBLONGA, PONTE e CEREBELO. As funções cerebrais incluem as atividades sensório-motora, emocional e intelectual.
6 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
7 Sinais: São alterações percebidas ou medidas por outra pessoa, geralmente um profissional de saúde, sem o relato ou comunicação do paciente. Por exemplo, uma ferida.
8 Sudorese: Suor excessivo
9 Coração: Órgão muscular, oco, que mantém a circulação sangüínea.
10 Estômago: Órgão da digestão, localizado no quadrante superior esquerdo do abdome, entre o final do ESÔFAGO e o início do DUODENO.
11 Tópico: Referente a uma área delimitada. De ação limitada à mesma. Diz-se dos medicamentos de uso local, como pomadas, loções, pós, soluções, etc.
12 Fobias: Medo exagerado, falta de tolerância, aversão.
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