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Dependência emocional

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O que é dependência emocional?

A dependência emocional acontece quando uma pessoa depende de outra para sentir-se bem, sentir-se amada, ser feliz e tomar suas próprias decisões. Pode ser um sofrimento leve e quase imperceptível ou um transtorno mais grave, que exija tratamento. A dependência emocional é uma relutância ou recusa em aceitar emocionalmente o papel de adulto independente e atribuir essa qualidade a outras pessoas, de quem o dependente passa a depender. Esse padrão de interação leva a uma grande complicação na tentativa de formar relacionamentos amorosos ou cooperativos com adultos.

O contrário da dependência emocional é a capacidade de assumir responsabilidade por suas próprias necessidades e ações e saber arcar com as consequências delas, sem precisar da assistência de outras pessoas.

Quais são as causas da dependência emocional?

A dependência emocional começa quando uma criança não é amada apropriadamente por pais, irmãos ou outras pessoas próximas. Essa falta de amor gera uma baixa autoestima que tende a crescer na adolescência. Depois de adulto, a pessoa dependente recria situações em que desempenha um papel submisso, sempre tentando agradar os outros, procurando evitar a perspectiva de rejeição.

A falta de uma boa autoestima desde a infância é a principal causa de dependência emocional. A autoestima da criança e sua capacidade de estar sozinha é construída através da confiança que seus pais depositam nela. A má autoestima é o resultado de uma chantagem emocional que ensina a criança que ela será amada apenas depois de atender às expectativas de seus pais ou de outras pessoas significativas e que qualquer esforço para se afirmar ou mostrar sua individualidade será reprovado ou punido.

Saiba mais sobre "Ansiedade normal e patológica", "A ansiosas hoje em dia","Fobias1" e "Maneiras de lidar com o estresse".

Quais são as principais características da dependência emocional?

Alguns comportamentos pessoais são indicativos da dependência emocional. Entre eles, a necessidade de estar perto de outras pessoas; a busca por confirmação e apoio às suas ações e de reasseguramento delas; sentimento de culpa; medo obsessivo de perder o amor das pessoas; evitação de tomar decisões importantes; lamentação por problemas insolúveis; incapacidade de tomar decisões por si próprio; insegurança sobre o futuro; constante procrastinação de ações; baixa autoestima; simulação de grandiosidade infantil; rebelião, agressão e incapacidade de cooperar; incapacidade de comprometer-se com algo ou recusá-lo peremptoriamente; buscar frequentemente por conselhos, não os seguindo ou encontrando defeitos neles e um sentimento constante e dominante de ansiedade.

As pessoas emocionalmente dependentes muitas vezes dão a impressão contrária porque adquirem uma grande quantidade de conhecimento ou habilidades, embora tenham dificuldades em implementá-las. Frequentemente, cursos de estudo ou de especialização são iniciados com muito entusiasmo, mas abandonados antes da conclusão. Em suma, muitas vezes, essas pessoas podem ter aspirações elevadas que, no entanto, nunca são perseguidas de forma realista. É possível que pareçam brilhantes, inovadoras e talentosas, porque os objetivos podem ser perseguidos mental e verbalmente sem, no entanto, executar etapas práticas.

Todas as escolhas sempre têm algum lado negativo. A pessoa dependente estará muito relutante em aceitá-lo, assim como qualquer desvantagem. A maioria das pessoas dependentes fica feliz em ajudar alguém, mas fica frustrada quando não consegue terminar essa interação. As pessoas emocionalmente dependentes tendem a se sentir atraídas por pessoas que parecem ser muito seguras em si mesmas e que têm uma personalidade dominante, sentindo-se protegida ou amada. No entanto, é um grande erro confundir amor com dependência. Isso pode acontecer, particularmente, quando a autoestima de uma pessoa é baixa e ela está procurando por aceitação e amor dos outros.

Infelizmente, os emocionalmente dependentes não conhecem o amor genuíno entre duas pessoas que se respeitam e trocam afeição; têm dificuldade em tomar as rédeas de suas próprias vidas e esperam ser “achados” algum dia por aquela pessoa especial que os farão felizes e acabarão com sua solidão e angústia existencial.

Como “tratar” a dependência emocional?

O segredo está em construir relacionamentos que desenvolvam a melhor parte de cada pessoa, escolhendo pessoas que sejam compatíveis, e que também procurem tirar o melhor de si em respeito, estima sincera, atenção, compreensão, aceitação e verdadeiro afeto. O ambiente certo é aquele que favorece o amor pela entrega, a abertura e o respeito pela outra pessoa. Saber amar e estimar a si mesmo é a base saudável para poder amar e estimar o outro e começar a busca de um parceiro saudável e amoroso.

Alguns passos no sentido da diminuição do problema são:

  • Ser honesto consigo mesmo e tentar procurar as raízes do seu problema. Talvez você tenha medo de ficar sozinho porque nunca precisou estar, talvez sua autoestima dependa do elogio de seu parceiro.
  • Esteja ciente de seus pensamentos negativos, especialmente ciúme, medo, etc. e tente ser mais forte do que eles. Quando você percebe que está caindo em uma espiral de pensamentos negativos, procure esvanecê-la, distraindo-se com alguma coisa.
  • Converse com seu parceiro. A comunicação é um pilar fundamental em um relacionamento. Compartilhe sua experiência com ele, para que ele saiba o que você está passando e as mudanças que você espera alcançar.
  • Se achar difícil sair dessa sozinho, considere a opção de procurar ajuda profissional, com um psicólogo/psicoterapeuta.
Leia também sobre "O desenvolvimento da personalidade", "A estrutura da personalidade" e "Big Five da Psicologia".

 

ABCMED, 2019. Dependência emocional. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/psicologia-e-psiquiatria/1339903/dependencia+emocional.htm>. Acesso em: 27 jan. 2020.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Fobias: Medo exagerado, falta de tolerância, aversão.
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