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Síndrome de Fregoli

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O que é síndrome1 de Fregoli?

A síndrome1 de Fregoli, também chamada de ilusão de Fregoli, delírio2 de Fregoli ou ilusão de duplas, é um distúrbio raro em que o paciente tem uma crença delirante de que um perseguidor está disfarçado de várias outras pessoas, geralmente familiares ou pessoas próximas.

A síndrome1 foi primeiro reconhecida em 1927, por Courbon e Fail que descreveram um caso de ilusão, no qual uma jovem parisiense acreditava que duas atrizes parisienses da época a perseguiam de perto. As duas atrizes eram irreconhecíveis para as pessoas porque estavam disfarçadas e “assumiam a forma de pessoas que apenas ela conhecia”.

A síndrome1 recebeu este nome por causa da extraordinária capacidade do ator italiano da época, Leopoldo Fregoli, de imitar pessoas no palco.

Quais são as causas da síndrome1 de Fregoli?

Durante as últimas duas décadas, estudos neurofisiológicos e de neuroimagem apontaram para a presença de lesões3 cerebrais identificáveis, especialmente nas regiões parietais e adjacentes frontais direitas, em uma proporção considerável de pacientes com síndrome1 de Fregoli e outras síndromes delirantes de identificação errônea.

Alguns estudos levantaram a hipótese de que os delírios relacionados aos medicamentos antiparkinsonianos, sobretudo à L-dopa, seriam uma das principais causas da síndrome1 de Fregoli. Antes do advento de estudos sobre possíveis causas físicas, esses fenômenos eram explicados predominantemente do ponto de vista psicodinâmico. A síndrome1 pode também estar relacionada à esquizofrenia4. Infelizmente, no entanto, a síndrome1 de Fregoli tem sido pouco estudada e suas causas ainda não são inteiramente conhecidas.

Saiba mais sobre "Esquizofrenia4", "Alucinações5" e "Convulsões".

Quais são as características da síndrome1 de Fregoli?

Essa categoria de síndromes delirantes é caracterizada por atitudes paranoicas (persecutórias) e hostilidade relacionada a pessoas mal identificadas, com comportamentos que variam de ameaças verbais a lesões3 físicas graves. É comum que os pacientes com a síndrome1 de Fregoli frequentemente identifiquem erroneamente os membros da equipe de tratamento (por exemplo, enfermeiros, médicos, estagiários, etc.), resultando, por vezes, em comportamento agressivo em relação à equipe.

O principal sintoma6 da síndrome1 consiste no fato do paciente acreditar delirantemente na mudança de aparência dos indivíduos à sua volta. Assim, uma irmã, por exemplo, não é reconhecida como irmã, mas como uma perseguidora disfarçada na sua figura.

Outros sintomas7 podem ocorrer, além de alucinações5 e delírios: diminuição da memória visual, incapacidade para controlar o comportamento, epilepsia8 ou episódios de convulsões. Nos delírios, o paciente crê na existência de um perseguidor que assume diferentes aparências disfarçadas em pessoas conhecidas. Ou, dizendo de outra maneira, acreditam que as pessoas conhecidas na verdade estão servindo de disfarce aos perseguidores.

Como o médico diagnostica a síndrome1 de Fregoli?

O diagnóstico9 da Síndrome1 de Fregoli é eminentemente10 clínico e normalmente feito a partir do comportamento do paciente e dos relatos de familiares e amigos. Um diferencial deve ser feito com a síndrome1 de Capgras, um transtorno também raro no qual uma pessoa sofre de uma crença ilusória de que um conhecido, normalmente um cônjuge ou outro membro familiar próximo, foi substituído por um impostor idêntico.

Como o médico trata a síndrome1 de Fregoli?

O tratamento pode ser feito com uma combinação de antipsicóticos orais e antidepressivos. Além disso, nos casos de pacientes com crises convulsivas, o psiquiatra pode receitar antiepilépticos.

Veja também sobre "Antipsicóticos" e "Antidepressivos".

 

ABCMED, 2019. Síndrome de Fregoli. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/psicologia-e-psiquiatria/1341108/sindrome+de+fregoli.htm>. Acesso em: 16 set. 2019.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Síndrome: Conjunto de sinais e sintomas que se encontram associados a uma entidade conhecida ou não.
2 Delírio: Delirio é uma crença sem evidência, acompanhada de uma excepcional convicção irrefutável pelo argumento lógico. Ele se dá com plena lucidez de consciência e não há fatores orgânicos.
3 Lesões: 1. Ato ou efeito de lesar (-se). 2. Em medicina, ferimento ou traumatismo. 3. Em patologia, qualquer alteração patológica ou traumática de um tecido, especialmente quando acarreta perda de função de uma parte do corpo. Ou também, um dos pontos de manifestação de uma doença sistêmica. 4. Em termos jurídicos, prejuízo sofrido por uma das partes contratantes que dá mais do que recebe, em virtude de erros de apreciação ou devido a elementos circunstanciais. Ou também, em direito penal, ofensa, dano à integridade física de alguém.
4 Esquizofrenia: Doença mental do grupo das Psicoses, caracterizada por alterações emocionais, de conduta e intelectuais, caracterizadas por uma relação pobre com o meio social, desorganização do pensamento, alucinações auditivas, etc.
5 Alucinações: Perturbações mentais que se caracterizam pelo aparecimento de sensações (visuais, auditivas, etc.) atribuídas a causas objetivas que, na realidade, inexistem; sensações sem objeto. Impressões ou noções falsas, sem fundamento na realidade; devaneios, delírios, enganos, ilusões.
6 Sintoma: Qualquer alteração da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. O sintoma é a queixa relatada pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
7 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
8 Epilepsia: Alteração temporária e reversível do funcionamento cerebral, que não tenha sido causada por febre, drogas ou distúrbios metabólicos. Durante alguns segundos ou minutos, uma parte do cérebro emite sinais incorretos, que podem ficar restritos a esse local ou espalhar-se. Quando restritos, a crise será chamada crise epiléptica parcial; quando envolverem os dois hemisférios cerebrais, será uma crise epiléptica generalizada. O paciente pode ter distorções de percepção, movimentos descontrolados de uma parte do corpo, medo repentino, desconforto no estômago, ver ou ouvir de maneira diferente e até perder a consciência - neste caso é chamada de crise complexa. Depois do episódio, enquanto se recupera, a pessoa pode sentir-se confusa e ter déficits de memória. Existem outros tipos de crises epilépticas.
9 Diagnóstico: Determinação de uma doença a partir dos seus sinais e sintomas.
10 Eminentemente: De modo eminente; em alto grau; acima de tudo.
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