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Periostite - conceito, sintomas, diagnóstico, tratamento, evolução

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O que é periostite?

A periostite, também chamada de periostalgia, é a inflamação1 aguda ou crônica, infecciosa ou asséptica, do periósteo2, que é a membrana que envolve os ossos e é a única estrutura óssea susceptível à dor.

Quais são as causas da periostite?

A periostite pode ser consequente a infecções3 locais ou sistêmicas, como a sífilis4, a artrite5 ou osteoartrite6 e a osteomielite7, entre outras; traumas, frequentemente acometendo áreas ósseas que ficam mais expostas; esforço excessivo; movimentos repetitivos e má postura. No caso de periostites infecciosas, os agentes patológicos são estreptococos ou estafilococos.

Saiba mais sobre "Sífilis4", "Artrite5", "Osteoartrite6" e "Osteomielite7".

Quais são as principais características clínicas da periostite?

A periostite pode afetar qualquer osso, mas é mais frequente na tíbia8. Ela apresenta como sintomas9 principais a dor e inchaço10 regional e, às vezes, aumento da temperatura local. A dor causada por uma periostite surge tipicamente no início da atividade e diminui posteriormente à medida que essa atividade continua sendo realizada, podendo desaparecer com o repouso.

Se a periostite é infecciosa, pode afetar também os ossos, gerando uma osteoperiostite, sobretudo se chega a formar um abscesso11. Nas periostites não infecciosas geralmente há uma acumulação de fuido sero-mucoso no espaço subperiósteo, às vezes, em grande quantidade (até dois litros).

Os atletas têm maiores chances de desenvolverem periostite, especialmente quando praticam atividades de alto impacto e/ou de contato físico.

Como o médico diagnostica a periostite?

O diagnóstico12 de periostite é feito com base nas manifestações clínicas. O fato do periósteo2 ser a única estrutura óssea suscetível à dor ajuda na suspeita diagnóstica da doença, porque causa dor à palpação13 da superfície óssea. Uma radiografia normalmente só mostrará alterações sugestivas depois de pelo menos duas semanas. Mais prontamente, podem ser tomadas ultrassonografias ou exames de tomografia computadorizada14 ou ressonância magnética15, embora esses exames nem sempre sejam conclusivos. Esses exames ajudam a estudar também a arquitetura dos ossos subjacentes.

Como o médico trata a periostite?

O tratamento da periostite deve ser feito com a aplicação de compressas de gelo, enfaixamento de compressão, repouso, uso de anti-inflamatórios e analgésicos16 por via oral e fisioterapia17. Além do tratamento da periostite, deve ser tratada também a enfermidade subjacente, se for o caso. A periostite infecciosa exige tratamento imediato para evitar complicações.

Como evolui a periostite?

Quase sempre, o processo inflamatório, adequadamente tratado, dura 5 ou 6 dias. Menos frequentemente a periostite pode tornar-se crônica e permanente.

Quais são as complicações possíveis da periostite?

A periostite infecciosa que produz abscesso11 pode levar à septicemia18. Se não tratada, a periostite pode levar à rigidez ou a uma grande limitação dos movimentos.

Leia sobre "Fisioterapia17", "Abscesso11", "Septicemia18", "Dor no joelho", "Dor nas pernas" e "Dor nos pés".

 

ABCMED, 2018. Periostite - conceito, sintomas, diagnóstico, tratamento, evolução. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/ortopedia-e-saude/1320943/periostite-conceito-sintomas-diagnostico-tratamento-evolucao.htm>. Acesso em: 18 set. 2020.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Inflamação: Conjunto de processos que se desenvolvem em um tecido em resposta a uma agressão externa. Incluem fenômenos vasculares como vasodilatação, edema, desencadeamento da resposta imunológica, ativação do sistema de coagulação, etc.Quando se produz em um tecido superficial (pele, tecido celular subcutâneo) pode apresentar tumefação, aumento da temperatura local, coloração avermelhada e dor (tétrade de Celso, o cientista que primeiro descreveu as características clínicas da inflamação).
2 Periósteo: Membrana de tecido conectivo que reveste exteriormente os ossos e da qual podem formar-se elementos ósseos.
3 Infecções: Doença produzida pela invasão de um germe (bactéria, vírus, fungo, etc.) em um organismo superior. Como conseqüência da mesma podem ser produzidas alterações na estrutura ou funcionamento dos tecidos comprometidos, ocasionando febre, queda do estado geral, e inúmeros sintomas que dependem do tipo de germe e da reação imunológica perante o mesmo.
4 Sífilis: Doença transmitida pelo contato sexual, causada por uma bactéria de forma espiralada chamada Treponema pallidum. Produz diferentes sintomas de acordo com a etapa da doença. Primeiro surge uma úlcera na zona de contato com inflamação dos gânglios linfáticos regionais. Após um período a lesão inicial cura-se espontaneamente e aparecem lesões secundárias (rash cutâneo, goma sifilítica, etc.). Em suas fases tardias pode causar transtorno neurológico sério e irreversível, que felizmente após o advento do tratamento com antibióticos tem se tornado de ocorrência rara. Pode ser causa de infertilidade e abortos espontâneos repetidos.
5 Artrite: Inflamação de uma articulação, caracterizada por dor, aumento da temperatura, dificuldade de movimentação, inchaço e vermelhidão da área afetada.
6 Osteoartrite: Termo geral que se emprega para referir-se ao processo degenerativo da cartilagem articular, manifestado por dor ao movimento, derrame articular, etc. Também denominado artrose.
7 Osteomielite: Infecção crônica do osso. Pode afetar qualquer osso da anatomia e produzir-se por uma porta de entrada local (fratura exposta, infecção de partes moles) ou por bactérias que circulam através do sangue (brucelose, tuberculose, etc.).
8 Tíbia: Osso localizado no lado ântero-medial da perna. Ela apresenta duas epífises e uma diáfise e articula-se proximalmente com o fêmur e a fíbula e distalmente com o tálus e a fíbula.
9 Sintomas: Alterações da percepção normal que uma pessoa tem de seu próprio corpo, do seu metabolismo, de suas sensações, podendo ou não ser um indício de doença. Os sintomas são as queixas relatadas pelo paciente mas que só ele consegue perceber. Sintomas são subjetivos, sujeitos à interpretação pessoal. A variabilidade descritiva dos sintomas varia em função da cultura do indivíduo, assim como da valorização que cada pessoa dá às suas próprias percepções.
10 Inchaço: Inchação, edema.
11 Abscesso: Acumulação de pus em uma cavidade formada acidentalmente nos tecidos orgânicos, ou mesmo em órgão cavitário, em consequência de inflamação seguida de infecção.
12 Diagnóstico: Determinação de uma doença a partir dos seus sinais e sintomas.
13 Palpação: Ato ou efeito de palpar. Toque, sensação ou percepção pelo tato. Em medicina, é o exame feito com os dedos ou com a mão inteira para explorar clinicamente os órgãos e determinar certas características, como temperatura, resistência, tamanho etc.
14 Tomografia computadorizada: Exame capaz de obter imagens em tons de cinza de “fatias” de partes do corpo ou de órgãos selecionados, as quais são geradas pelo processamento por um computador de uma sucessão de imagens de raios X de alta resolução em diversos segmentos sucessivos de partes do corpo ou de órgãos.
15 Ressonância magnética: Exame que fornece imagens em alta definição dos órgãos internos do corpo através da utilização de um campo magnético.
16 Analgésicos: Grupo de medicamentos usados para aliviar a dor. As drogas analgésicas incluem os antiinflamatórios não-esteróides (AINE), tais como os salicilatos, drogas narcóticas como a morfina e drogas sintéticas com propriedades narcóticas, como o tramadol.
17 Fisioterapia: Especialidade paramédica que emprega agentes físicos (água doce ou salgada, sol, calor, eletricidade, etc.), massagens e exercícios no tratamento de doenças.
18 Septicemia: Septicemia ou sepse é uma infecção generalizada grave que ocorre devido à presença de micro-organismos patogênicos e suas toxinas na corrente sanguínea. Geralmente ela ocorre a partir de outra infecção já existente.
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