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Relação da síndrome inflamatória multissistêmica em crianças com a Covid-19

quinta-feira, 17 de setembro de 2020
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Relação da síndrome inflamatória multissistêmica em crianças com a Covid-19

O que é a síndrome inflamatória multissistêmica?

A síndrome inflamatória multissistêmica (MIS, do inglês Multisystem Inflammatory Syndrome) ou simplesmente síndrome multissistêmica é uma doença que afeta preferentemente crianças, com inflamações agudas em diferentes partes do corpo (vasculite inflamatória primária), incluindo coração, pulmões, rins, cérebro, pele, olhos ou órgãos gastrointestinais. Ela é chamada doença de Kawasaki porque foi descrita pela primeira vez pelo pediatra japonês Tomisaku Kawasaki, em 1961.

Quais são as causas da síndrome inflamatória multissistêmica?

Ainda não se sabe o que causa a MIS, no entanto, sabe-se que algumas crianças (4 a 17 anos) com coronavírus (COVID-19) ou que conviveram com alguém que portava o vírus apresentaram a síndrome inflamatória multissistêmica pediátrica (MIS-C, do inglês Multisystem Inflammatory Syndrome in Children) com frequência muito maior que normalmente.

Leia sobre "SARS-CoV-2 pediátrico", "Doença de Kawasaki" e "Tempo de permanência do SARS-CoV-2 nas superfícies".

Quais são as características clínicas da síndrome inflamatória multissistêmica em crianças com Covid-19?

As crianças com essa doenca podem apresentar alguns ou todos os seguintes sintomas: febre elevada e persistente (38 - 40ºC), exantemas, conjuntivite, dor abdominal, vômito, diarreia, dor no pescoço, erupção cutânea, olhos vermelhos, sensação de cansaço e disfunção de múltiplos órgãos.

Se houver sintomas como problemas respiratórios, dor ou pressão persistentes no peito, confusão mental, incapacidade de acordar ou permanecer acordado, lábios azulados (cianose) e dor abdominal forte, isso indica emergência clínica e o médico deve ser procurado imediatamente.

Algumas crianças apresentaram comprometimento inflamatório sistêmico de serosas e como consequência tiveram ascite e derrame pleural ou pericárdico. Os pacientes evoluíram para choque, com hipotensão arterial e taquicardia.

Como o médico diagnostica a síndrome inflamatória multissistêmica em crianças com Covid-19?

O diagnóstico da MIS-C e COVID-19 exige a presença de infecção atual ou recente pelo coronavírus, com exclusão de qualquer outra causa infecciosa. O médico poderá solicitar certos exames para detectar a inflamação ou outros sinais de doença, entre os quais, exames de sangue para verificar atividades inflamatórias e outras, radiografias do tórax, ultrassonografia do coração e ultrassonografia abdominal. A MIS-C na COVID-19 deve ser diferenciada da doença de Kawasaki, Kawasaki incompleta e/ou síndrome do choque tóxico.

Como o médico trata a síndrome inflamatória multissistêmica em crianças com Covid-19?

Os pacientes devem receber cuidados de suporte para os sintomas, como medicamentos e/ou fluidos para fazê-los se sentirem melhor, e usarem vários medicamentos para tratar a inflamação, prescritos pelo médico. A maioria das crianças que adoecem com MIS-C e COVID-19 precisará ser tratada no hospital e algumas precisarão ser tratadas em unidade de terapia intensiva pediátrica (UTI).

Veja mais sobre "Como é o coronavírus" e "SARS-CoV-2 em crianças e adolescentes".

Como evolui a síndrome inflamatória multissistêmica em crianças com Covid-19?

A MIS-C pode ser uma doença grave e até mortal, mas embora a síndrome traga preocupação em relação à sua evolução em crianças e adolescentes, essas ocorrências foram raras até o momento ante o grande número de casos com boa evolução, pouca gravidade e desfechos clínicos excelentes da doença.

Como prevenir a síndrome inflamatória multissistêmica em crianças com Covid-19?

Com base no que se sabe até agora, a melhor maneira de proteger a criança da MIS-C e COVID-19 é tomar medidas para evitar que a criança contraia o vírus que causa a COVID-19. Usar máscara facial, lavar as mãos com frequência, usar álcool-gel e manter distanciamento social são algumas recomendações importantes até o momento.

Advertência

Todos os assuntos e descobertas sobre a COVID-19 são muito recentes e não passaram ainda por estudos e pesquisas aprofundados, nem sofreram ainda a prova do tempo. As ideias veiculadas sobre eles devem ser tidas como provisórias e sujeitas a verificações posteriores.

As crianças são pouco afetadas pela Covid-19 (menos de 2% dos casos, em diversos países do mundo) e/ou são assintomáticas ou pouco sintomáticas. Contudo, recentemente, o Ministério da Saúde, a Sociedade Brasileira de Pediatria e a Organização Pan Americana de Saúde liberaram publicações em que reconhecem a necessidade do diagnóstico e tratamento precoces de uma Síndrome Inflamatória Multissistêmica em Crianças e Adolescentes associada à COVID-19, a partir de informes vindos de alguns países europeus (Reino Unido, Espanha e Holanda, entre outros) e dos Estados Unidos.

Leia também sobre "Deficiência de vitamina D e risco aumentado de COVID-19" e "Fechamento de escolas relacionado à COVID-19 e risco de ganho de peso entre crianças".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente dos sites da Sociedade Brasileira de Pediatria, da Sociedade de Pediatria de São Paulo e da World Health Organization.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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