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Hipocalemia e Hipercalemia – como elas são? Há perigos para a saúde?

terça-feira, 30 de junho de 2020
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Hipocalemia e Hipercalemia – como elas são? Há perigos para a saúde?

O que são hipo/hipercalemia?

A hipocalemia (do grego: hipo = abaixo + kalium = potássio) é um baixo nível de potássio (K+) no soro sanguíneo. A hipocalemia é um dos desequilíbrios eletrolíticos mais comuns. Afeta cerca de 20% das pessoas internadas no hospital. Os níveis normais de potássio estão entre 3,5 e 5,0 mEq/l, com níveis abaixo de 3,5 mEq/l sendo definidos como hipocalemia, a qual é classificada como grave quando os níveis são inferiores a 2,5 mEq/l. Além da medida em laboratório, níveis baixos de potássio também podem ser suspeitos com base em certas características de um eletrocardiograma.

A hipercalemia (do grego: hiper = alto + kalium = potássio) é um alta concentração de potássio no soro sanguíneo, com níveis acima de 5,5 mEq/l. Pode haver uma pseudo-hipercalemia devido à destruição das células durante ou após a coleta da amostra de sangue, que deve ser descartada.

Quais são as causas da hipo/hipercalemia?

Existem várias razões pelas quais uma pessoa pode ter baixos níveis de potássio, em geral porque muito potássio está sendo eliminado pelo trato digestivo. As causas da hipocalemia incluem vômitos, diarreia, uso de certos medicamentos, diálise, diabetes insipidus, hiperaldosteronismo, hipomagnesemia e ingestão insuficiente de potássio na dieta. A hipocalemia pode ser sintoma de algum outro problema médico. Outras causas podem ser: beber muito álcool, suar muito, deficiência de ácido fólico, tomar certos antibióticos, cetoacidose diabética, laxantes tomados por um longo período, certos tipos de tabaco, alguns medicamentos para asma e baixo nível de magnésio.

As causas comuns de hipercalemia incluem insuficiência renal, hipoaldosteronismo e rabdomiólise (lesão muscular com liberação de conteúdos intracelulares). Vários medicamentos também podem causar aumento do potássio no sangue, incluindo espironolactona, anti-inflamatórios não esteroides e inibidores da enzima de conversão da angiotensina.

As causas mais comuns de hipercalemia incluem doença renal. Nos estágios iniciais da doença renal, os rins podem compensar o alto teor de potássio, mas à medida que a função renal piora, eles podem não ser capazes de remover potássio suficiente do seu corpo. Comer muita comida com alto teor de potássio (melão, suco de laranja e banana, por exemplo) também pode causar hipercalemia, especialmente em pessoas com doença renal avançada. Alguns medicamentos podem impedir que os rins removam potássio suficiente e causar hipercalemia. Outras causas menos comuns incluem: tomar potássio extra, como substitutos ou suplementos de sal, doença de Addison, queimaduras ou outros ferimentos graves e diabetes mal controlado.

Saiba mais sobre "Hiperaldosteronismo primário e secundário", "Insuficiência renal crônica", "Hemodiálise" e "Doença de Addison".

Qual é o substrato fisiológico da hipo/hipercalemia?

O potássio é um mineral que o corpo precisa para funcionar normalmente. O potássio é o íon intracelular mais abundante, apenas 2% do potássio corporal total é extracelular e circulante. Como a maior parte do potássio intracelular está contida em células musculares, o potássio corporal total é aproximadamente proporcional à massa corporal magra. Um adulto com peso médio de 70 kg tem cerca de 3.500 mEq (miliequivalentes) de potássio.

O potássio é o principal determinante da osmolalidade intracelular e influencia importantes processos celulares, como a condução de impulsos nervosos e a contração de células musculares, incluindo as do miocárdio. Assim, alterações relativamente pequenas nas concentrações plasmáticas de potássio podem apresentar manifestações clínicas significativas.

Quais são as características clínicas da hipo/hipercalemia?

Um nível moderadamente baixo de potássio no sangue não costuma causar sintomas. No entanto, um baixo nível de potássio aumenta o risco de um ritmo cardíaco anormal, que geralmente é muito lento e pode causar parada cardíaca. Quando há sintomas, eles podem incluir sensação de cansaço, câimbras nas pernas, fraqueza e constipação.

Normalmente, a hipercalemia baixa ou moderada também não causa sintomas. Ocasionalmente, quando muito elevado, o potássio pode causar palpitações, dor muscular, fraqueza muscular ou dormência. A hipercalemia também pode causar um ritmo cardíaco anormal que pode resultar em parada cardíaca e morte. A hipercalemia é rara entre aquelas pessoas que são saudáveis. Entre pessoas hospitalizadas, as taxas estão geralmente entre 1% e 2,5%. Está associada a um aumento da mortalidade, seja devido à própria hipercalemia ou como marcador de doença grave.

Como o médico diagnostica a hipo/hipercalemia?

Para reunir informações suficientes para o diagnóstico da hipo ou hipercalemia, a medição do potássio deve ser repetida, pois a elevação pode ser causada por hemólise na primeira amostra. São realizados também exames de sangue para a função renal (creatinina, nitrogênio da ureia no sangue), glicose e ocasionalmente creatina quinase e cortisol. O cálculo do gradiente transtubular de potássio às vezes pode ajudar a distinguir a causa da hipercalemia.

Além disso, a eletrocardiografia pode ser realizada para determinar se existe um risco significativo de ritmos cardíacos anormais. Os médicos que têm o histórico médico do paciente podem se concentrar na doença renal e no uso de medicamentos poupadores de potássio, os quais são causas conhecidas de hipercalemia.

Como o médico trata a hipo/hipercalemia?

Na hipocalemia a velocidade na qual o potássio deve ser substituído depende da existência ou não de sintomas ou anormalidades no eletrocardiograma. Os níveis de potássio que estão apenas ligeiramente abaixo da faixa normal podem ser gerenciados com alterações na dieta. Níveis mais baixos exigem a substituição por suplementos orais ou intravenosos.

Na hipercalemia o tratamento inicial naqueles com alterações no ECG são sais, como o gluconato de cálcio ou o cloreto de cálcio. Outros medicamentos usados para reduzir rapidamente os níveis de potássio no sangue incluem insulina com dextrose, salbutamol e bicarbonato de sódio. Os medicamentos que podem piorar a condição devem ser interrompidos e uma dieta baixa em potássio deve ser iniciada. As medidas para remover o potássio do corpo incluem diuréticos, ligantes de potássio e hemodiálise. A hemodiálise é o método mais eficaz.

Leia também sobre "Arritmia cardíaca", "Eletrocardiograma" e "Gasometria".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas dos sites da Mayo Clinic e da U.S. National Library of Medicine.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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