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Jovens, magros e diabéticos: o novo tipo de diabetes reconhecido em 2025

Monday, June 9, 2025
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Jovens, magros e diabéticos: o novo tipo de diabetes reconhecido em 2025

O que é diabetes tipo 5?

Muito recentemente (8 de abril de 2025, durante o Congresso Mundial de Diabetes em Bangkok, na Tailândia), a Federação Internacional de Diabetes (IDF) reconheceu uma nova modalidade de diabetes, chamada diabetes tipo 5. O histórico dessa forma de diabetes, também conhecida como “diabetes relacionado à desnutrição”, remonta a quase 70 anos, quando foi descrita pela primeira vez em 1955.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) chegou a reconhecê-la como uma categoria distinta de diabetes em 1985, mas essa designação foi retirada em 1999, devido à falta de evidências científicas robustas que a sustentassem. Recentemente, a condição tem sido melhor caracterizada, com aumento das publicações científicas e estudos clínicos, o que culminou no reconhecimento oficial como diabetes tipo 5 em 2025.

Essa forma de diabetes é fundamentalmente diferente dos tipos 1 e 2. O termo “diabetes tipo 3” refere-se a uma condição ainda hipotética, que associa a doença de Alzheimer à resistência à insulina e disfunção do fator de crescimento semelhante à insulina (IGF). Já o conceito de “diabetes tipo 4” também não é formalmente reconhecido, sendo ocasionalmente usado de forma informal para se referir ao diabetes em indivíduos de peso normal, sem os fatores clássicos de risco para diabetes tipo 2.

Existem, ainda, outras formas de diabetes bem estabelecidas, como o diabetes gestacional, o diabetes neonatal, o LADA (Latent Autoimmune Diabetes in Adults) e o MODY (Maturity-Onset Diabetes of the Young), além do diabetes induzido por medicamentos.

Na prática, o diabetes tipo 5 é uma reclassificação do antigo “diabetes relacionado à desnutrição”, também conhecido como “diabetes tropical” ou “diabetes tipo J” (em referência ao primeiro caso descrito na Jamaica, em 1955). Trata-se de uma condição historicamente negligenciada, mal compreendida e frequentemente confundida com outras formas de diabetes.

Estima-se que essa forma de diabetes afete cerca de 25 milhões de pessoas em todo o mundo, sobretudo em regiões tropicais e países em desenvolvimento. A IDF anunciou a criação de um grupo de trabalho internacional para desenvolver critérios diagnósticos e diretrizes terapêuticas formais nos próximos dois anos.

Qual é a causa do diabetes tipo 5?

No diabetes tipo 1, há destruição autoimune das células beta pancreáticas, levando à ausência de produção de insulina. No tipo 2, há resistência periférica à insulina com secreção variável do hormônio.

Já no diabetes tipo 5, o fator causal primário é a desnutrição proteico-calórica grave e precoce, que danifica as células beta pancreáticas, prejudicando sua formação, diferenciação ou funcionalidade. Esses insultos podem ocorrer ainda na vida intrauterina ou nos primeiros anos de vida.

Relatórios indicam que a principal causa é a produção reduzida de insulina induzida pela desnutrição severa. Acomete sobretudo adolescentes e jovens adultos magros, desnutridos, em situação de pobreza, sendo mais comum em países como Índia, Tailândia, Uganda, Etiópia e Nigéria.

Leia sobre "Diabetes mellitus", "Hipoglicemia", "Comportamento da glicose" e "Prevenção do Diabetes".

Qual é o substrato fisiopatológico do diabetes tipo 5?

O substrato fisiopatológico central é a diminuição funcional e quantitativa das células beta pancreáticas, secundária à desnutrição precoce. A capacidade secretora de insulina é reduzida, embora não totalmente ausente, o que evita a cetoacidose (ao contrário do DM1), mas não é suficiente para manter a normoglicemia.

Ocorre, portanto, uma produção insuficiente de insulina em um organismo geralmente sem resistência insulínica significativa.

Quais são as características clínicas do diabetes tipo 5?

Clinicamente, manifesta-se em jovens adultos ou adolescentes desnutridos, com IMC geralmente abaixo de 18,5, predominantemente em países de baixa renda. Os sintomas clássicos de hiperglicemia – poliúria, polidipsia e polifagia – estão presentes.

Não há cetose significativa, pois a produção residual de insulina é preservada. Isso diferencia o tipo 5 do tipo 1. Em relação ao tipo 2, a principal diferença é o perfil clínico e epidemiológico, já que o DM2 está associado à obesidade e ao início mais tardio (após os 35-40 anos).

Essa forma de diabetes foi historicamente subdiagnosticada ou mal classificada, o que reforça a importância de seu reconhecimento formal pela IDF como novo subtipo.

Como o médico diagnostica o diabetes tipo 5?

O diagnóstico é fundamentalmente clínico e epidemiológico, baseado na presença de hiperglicemia persistente em indivíduos magros, jovens e desnutridos, sem cetoacidose e com baixa resposta à insulinoterapia convencional.

Os exames laboratoriais básicos para diagnóstico de diabetes (glicemia de jejum, HbA1c, TOTG) permanecem válidos, mas a ausência de autoanticorpos pancreáticos e o perfil clínico específico orientam o diagnóstico diferencial.

Ainda não há critérios formais validados, mas a IDF anunciou que estes estão em desenvolvimento.

Como o médico trata o diabetes tipo 5?

O tratamento requer abordagem multiprofissional, com foco em:

  • Reabilitação nutricional agressiva, com reposição de proteínas, carboidratos, micronutrientes e eletrólitos.
  • Terapia hipoglicemiante individualizada – a insulina pode ser usada com cautela, considerando a maior sensibilidade desses pacientes e o risco de hipoglicemias graves.
  • Acompanhamento contínuo, com educação em saúde e apoio social.

Como a resistência insulínica não está presente, antidiabéticos orais não são, em geral, eficazes.

Como evolui o diabetes tipo 5?

Historicamente, a mortalidade tem sido elevada, com relatos de sobrevida inferior a um ano após o diagnóstico, especialmente na ausência de suporte nutricional adequado.

Com abordagem precoce e individualizada, há potencial para reversão parcial da disfunção pancreática e melhora clínica significativa, especialmente nos casos diagnosticados antes de complicações crônicas.

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Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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