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Doença de Osgood-Schlatter

Monday, March 6, 2023
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Doença de Osgood-Schlatter

O que é a doença de Osgood-Schlatter?

A doença de Osgood-Schlatter é uma inflamação dolorosa do osso, músculos, tendões e cartilagem na parte superior da tíbia, próximo ao joelho (uma osteocondrose do tubérculo da tíbia). É mais comum em crianças e adolescentes que estão passando por um período de crescimento rápido ou que praticam esportes.

A condição leva o nome de Robert Bayley Osgood (1873-1956), um cirurgião ortopédico americano, e Carl B. Schlatter (1864-1934), um cirurgião  suíço, que descreveram a condição de forma independente em 1903.

Quais são as causas da doença de Osgood-Schlatter?

A doença de Osgood-Schlatter é causada pelo uso excessivo da perna, em virtude de uma inflamação do ponto de crescimento ósseo, localizado logo abaixo da rótula, na parte superior da tíbia. A tensão repetitiva dos músculos da coxa, que se ligam ao osso através dos tendões, pode levar a uma inflamação e dor na área afetada.

Os principais fatores de risco são:

  • adolescentes do sexo masculino;
  • participação em atividades atléticas;
  • história de doença de Osgood-Schlatter no joelho contralateral;
  • e posição elevada da patela (patela alta).

Qual é o substrato fisiopatológico da doença de Osgood-Schlatter?

Na doença de Osgood-Schlatter, o tendão patelar exerce muita pressão sobre sua inserção tibial epifisária, causando microfraturas. Após o surto de crescimento na adolescência, o estresse repetido da contração do quadríceps é transmitido através do tendão patelar para a tuberosidade ainda imatura da tíbia. Isso pode causar múltiplas fraturas, avulsão subaguda (arrancamento ósseo) e inflamação do tendão, levando ao excesso de crescimento ósseo na tuberosidade e produzindo um nódulo visível que pode ser muito doloroso, especialmente quando atingido.

Em alguns casos, os sintomas não desaparecem até que o paciente esteja crescido, e em uns poucos eles continuam inalterados até a idade adulta, apesar de todas as medidas conservadoras.

As repetidas contrações extensoras do joelho levam à tração na porção anterior do centro de ossificação em desenvolvimento da tíbia. Como a região proximal da inserção do tendão patelar se separa, resulta na elevação do tubérculo tibial. Durante a reparação desta fratura de estresse, o novo osso é formado no espaço da avulsão, o que pode resultar em um tubérculo tibial desviado e proeminente.

Com a persistência das práticas esportivas, o processo de microavulsão e reparação do tubérculo tibial ferido continua e pode resultar em uma proeminência marcadamente pronunciada do tubérculo tibial, com implicações estéticas e funcionais a longo prazo. Um fragmento separado pode se desenvolver na inserção do tendão da patela e pode levar à dor crônica, decorrente da não ossificação. 

Leia sobre "Fratura espontânea", "Fratura exposta", "Fratura do colo do fêmur", "Luxação do quadril" e "Fisioterapia".

Quais são as características clínicas da doença de Osgood-Schlatter?

A doença de Osgood-Schlatter ocorre geralmente dos 10 aos 15 anos e quase sempre é unilateral. Até 10% das crianças envolvidas com esportes apresentarão a doença. Embora ela seja mais comum entre os meninos, essa situação está mudando, em vista de que, a cada dia, as meninas se tornam mais ativas na prática de esportes.

Os sintomas habituais incluem dor, inchaço e sensibilidade na parte superior da tíbia, logo abaixo da rótula. A dor pode piorar durante a atividade física e melhorar com o repouso. À medida que o corpo da criança ou adolescente amadurece e o crescimento reduz a sua velocidade, a dor diminui, desaparecendo completamente na idade adulta.

Como o médico diagnostica a doença de Osgood-Schlatter?

O diagnóstico da doença de Osgood-Schlatter é eminentemente clínico e toma por base o resultado do exame físico. Para o estabelecimento do diagnóstico devem ser levados em conta, além dos sintomas, a presença dos fatores de risco e a análise das atividades cotidianas da criança.

A queixa mais comum é dor no joelho ou logo abaixo do mesmo, exacerbada com exercício e aliviada com o repouso. O exame físico é muito específico. Nele, pode ser encontrado aumento da sensibilidade, eritema e edema, ou massa proeminente no tubérculo tibial (local onde o tendão patelar se insere na tíbia).

Às vezes, podem ser solicitados exames de imagens, mas, em geral, eles são dispensáveis. Radiografias laterais do joelho podem mostrar fragmentação do tubérculo tibial, mas nem sempre isso acontece. Em síntese, as radiografias só são necessárias se houver a suspeita de outros distúrbios que elas possam diagnosticar.

Como o médico trata a doença de Osgood-Schlatter?

A doença de Osgood-Schlatter tem uma resolução espontânea em semanas ou meses e apenas envolve aplicação de gelo, analgésicos, alongamento, fortalecimento dos músculos da coxa e evitar exercícios em excesso. Em casos mais graves, pode ser necessário o uso de uma tala ou órtese para ajudar a imobilizar o joelho e reduzir a pressão sobre a área afetada.

Raramente, a imobilização com gesso, injeção intralesional ou cirurgia podem ser necessárias, e só se justificam em casos de persistência da dor após o período de crescimento ou deformidade óssea significativa.

Como prevenir a doença de Osgood-Schlatter?

Uma das principais formas de prevenir a doença de Osgood-Schlatter é verificar a flexibilidade dos músculos quadríceps e isquiotibiais. A falta de flexibilidade nesses músculos pode ser um indicador de risco direto para a doença. Os músculos podem encurtar, o que pode causar dor. Alongamentos para esses músculos podem ajudar a reduzir o encurtamento.

Quais são as complicações possíveis com a doença de Osgood-Schlatter?

As complicações da doença de Osgood-Schlatter são bastante incomuns. Se ocorrerem, podem incluir dor crônica ou inchaço localizado. Deformidade óssea residual ou ossículos doloridos também podem resultar da doença. Em casos raros, a placa de crescimento pode ser puxada para longe da tíbia.

Saiba mais sobre "Fratura óssea", "Osteopenia", "Osteoporose" e "Corticoides".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente dos sites do Hospital Infantil Sabará e do MSD Manuals.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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