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Micetoma - conceito, causas, sintomas, diagnóstico e tratamento

sexta-feira, 2 de outubro de 2020
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Micetoma - conceito, causas, sintomas, diagnóstico e tratamento

O que é micetoma?

O micetoma é uma infecção granulomatosa progressiva crônica da pele e do tecido subcutâneo, lentamente destrutiva, ocorrendo quase sempre nas extremidades inferiores, em geral envolvendo unilateralmente um dos pés.

Quais são as causas do micetoma?

O micetoma é causado por certos tipos de bactérias, denominadas de actinomicetomas, e de fungos, denominados eumicetomas ou micetoma eumicótico, encontrados no solo e na água. Essas bactérias e fungos podem penetrar no corpo por meio de alguma solução de continuidade na pele, geralmente no pé descalço de uma pessoa.

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Qual é o substrato fisiológico do micetoma?

A patogênese da doença ainda não é completamente compreendida. Não se sabe bem a razão por que, de todas as pessoas expostas aos agentes causais do micetoma, apenas umas poucas desenvolvem a doença. A infecção se inicia com a inoculação dos microrganismos através de perfurações de pele. As células do sistema imune tentam fagocitar e inativar esses organismos, mas por algum motivo essa resposta não é bem sucedida. Pode ser que uma condição genética seja uma explicação para a predisposição à doença.

A doença não parece ser mais comum em hospedeiros imunocomprometidos que em outros imunocompetentes. Estudos iniciais de função imune em pessoas com micetoma não conseguiram documentar claramente uma alteração orgânica comum a todas elas. Tratamentos com antifúngicos das alterações encontradas em pacientes com micetoma demonstraram que a imunossupressão não afeta o prognóstico nesses casos.

Quais são as características clínicas do micetoma?

A doença ocorre sobretudo em países muito pobres, nas regiões equatoriais da África, América do Sul e Ásia, e se deve principalmente ao fato de andar descalço. Em 80% dos casos, os pacientes apresentam-se com lesões envolvendo as extremidades inferiores do corpo. Outras áreas do corpo podem ser atingidas, com menor frequência, como a parte superior das costas, do pescoço, e do topo da cabeça. As lesões costumam se localizar em um único sítio anatômico e lesões em múltiplos sítios são extremamente raras. A doença ocorre mais comumente em homens (3-5/1), em comparação às mulheres, e principalmente em trabalhadores rurais na faixa etária entre 20 a 40 anos.

Na maioria dos casos, a doença começa como um nódulo subcutâneo único, pequeno e indolor, de cor escura. O nódulo aumenta lentamente de tamanho, se dissemina para os tecidos subjacentes e acaba por desenvolver pertuitos fistulosos ("caminhos") subcutâneos abaixo da lesão, com o aparecimento de novos nódulos subcutâneos de crescimento lento.

Os pacientes apresentam edema não doloroso do membro afetado. O músculo, os tendões e os nervos geralmente são poupados de infecção direta, mas um dano local extenso pode levar à perda muscular, destruição óssea e deformidades dos membros. Essas lesões se infectam e se exteriorizam para a superfície, drenando material purulento com grânulos.

Além da pele e tecido subcutâneo, a doença pode afetar também estruturas ósseas contíguas e subjacentes.

Como o médico diagnostica o micetoma?

O diagnóstico de micetoma pode ser feito pela tríade clássica de sinais: (1) nodulação tumoral, (2) drenagem de secreção e (3) trajetos fistulosos para pele e extrusão dos grânulos. No entanto, o médico pode diagnosticar o micetoma com mais certeza ao colher uma pequena amostra da área infectada (biópsia) e enviá-la ao laboratório para exame. Contudo, esse teste nem sempre é capaz de determinar se a infecção é causada por bactérias ou fungos, nem de determinar o tipo específico do agente patógeno. Por essa razão, uma cultura em laboratório é necessária para determinar que bactéria ou fungo que está causando a infecção.

O médico também pode solicitar exames de imagens, como radiografia e ultrassonografia, para conhecer os danos eventualmente causados aos músculos e ossos. Esses estudos radiológicos são de pouca utilidade diagnóstica quanto ao micetoma, mas podem ajudar a determinar a extensão da doença e auxiliar na diferenciação dele com outras doenças. O uso de sorologia tem sido proposto por alguns autores, mas ainda não é uma prática consagrada.

Como o médico trata o micetoma?

O tratamento é complexo e deve ser conduzido por um médico experiente no assunto. Ele inclui antibióticos ou antifúngicos por tempo prolongado, dependendo se a doença é causada por bactérias ou fungos, com eventual debridamento das feridas. A cirurgia às vezes é necessária para remover o tecido infectado.

Como evolui o micetoma?

Quando não tratada, a doença continua a progredir e a superinfecção bacteriana pode levar a uma maior morbidade da formação local de abscessos, celulite, osteomielite bacteriana e, em casos raros, a óbito por sepse.

Há casos em que a amputação do membro se torna necessária.

Veja também sobre "Micose de unha", "Pitiríase versicolor", "Frieira" e "Como evitar as micoses".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente dos sites do CDC – Centers for Disease Control and Prevention e da WHO – World Health Organization.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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