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Leucodistrofia - uma desordem da substância branca do cérebro

quinta-feira, 24 de janeiro de 2019
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Leucodistrofia - uma desordem da substância branca do cérebro

O que é leucodistrofia?

A leucodistrofia (do grego: leuko = branca + dis = transtorno, anormal + troph = crescimento) não é uma doença, mas um grupo de desordens caracterizadas pela degeneração da substância branca do cérebro. Até o momento, foram descritas 107 diferentes formas de leucodistrofias motivadas por diferentes alterações gênicas e diferentes distúrbios bioquímicos incidentes na bainha de mielina.

Assim, as leucodistrofias têm como resultado final o desenvolvimento imperfeito ou a destruição da bainha de mielina, a capa gordurosa isolante ao redor das fibras nervosas.

Quais são as causas da leucodistrofia?

A maioria dos tipos de leucodistrofia envolve a herança de uma característica dominante ou recessiva ligada ao cromossomo X, enquanto outros, embora envolvendo um gene defeituoso, são o resultado de mutação espontânea e não de herança genética. Mais frequentemente, a leucodistrofia é resultado de um padrão de herança autossômica recessiva, embora os padrões de herança dominante não sejam desconhecidos.

Mesmo as causas subjacentes mais específicas da leucodistrofia sendo dependentes do tipo, existem padrões fisiopatológicos comuns que podem ser observados entre todos os tipos. Em primeiro lugar, a leucodistrofia é uma doença degenerativa que é sempre o resultado tanto do comprometimento quanto da manutenção das bainhas de mielina ao redor dos axônios neuronais no sistema nervoso central, como resultado de uma mutação genética.

A mielina é uma substância branca e gordurosa que atua como isolante elétrico e reveste os axônios para acelerar os impulsos que viajam por eles. Assim, o resultado natural de uma perda dessa substância é a diminuição da eficiência na propagação do impulso. Como a mielina é produzida por oligodendrócitos (um tipo de célula glial) no sistema nervoso central, um local fácil para procurar a causa da leucodistrofia é uma mutação ou mau funcionamento dessas células e de outras células da glia.

Quais são as principais características clínicas da leucodistrofia?

Quando ocorrem danos à substância branca, as respostas imunes podem levar à inflamação no sistema nervoso central, juntamente com a perda de mielina. A leucodistrofia é caracterizada por sintomas específicos, que variam de um tipo para outro da doença, embora a grande maioria dos sintomas seja compartilhada por mais de um tipo.

Os sintomas da leucodistrofia dependem da idade de início, predominante na infância, embora passa se dar a qualquer momento, e incluem diminuição da função motora, rigidez muscular e eventual degeneração da visão e da audição. Embora a doença seja fatal, a idade de início é um fator-chave, pois os bebês em geral têm uma vida útil de 2 a 8 anos (às vezes mais), enquanto os adultos vivem mais de uma década após o início.

Em crianças, a atividade espástica precede a ataxia progressiva e a rápida deterioração cognitiva, que tem sido descrita como retardo mental. A epilepsia é comum em pacientes de todas as idades e aqueles com casos mais evoluídos apresentam fraqueza na deglutição, levando a crises de tosse espástica devido à saliva inalada.

Saiba mais sobre "Ataxia", "Retardo mental" e "Esclerose lateral amiotrófica".

Como o médico diagnostica a leucodistrofia?

A degeneração da substância branca, que mostra a degeneração da mielina, pode ser vista em uma ressonância magnética, usada para diagnosticar a leucodistrofia. Testes eletrofisiológicos e outros tipos de testes laboratoriais também podem ser realizados. Em particular, a velocidade de condução nervosa é analisada para distinguir entre leucodistrofia e outras doenças desmielinizantes, bem como para distinguir entre leucodistrofias individuais.

Como o médico trata a leucodistrofia?

Embora existam tratamentos, a maioria está em fase experimental e só pode prometer uma parada na progressão dos sintomas. As opções de tratamento são limitadas, embora os transplantes de células-tronco hematopoiéticas usando medula óssea ou sangue do cordão umbilical pareçam ajudar em certos tipos, enquanto mais pesquisas estão sendo feitas. A terapia com Botox é frequentemente usada para tratar pacientes com espasticidade.

Como evolui a leucodistrofia?

O curso da leucodistrofia depende da idade de início da enfermidade. Bebês têm uma expectativa de vida de 2 a 8 anos, pessoas jovens, de 2 a 10 anos e adultos, mais de 10 anos. Adultos tipicamente têm um período mais prolongado de estabilidade seguido por um declínio para um estado vegetativo e morte.

Enquanto as crianças experimentam degeneração óptica e auditiva, o curso da doença é muito rápido, causando a morte de forma relativamente rápida, já os adultos podem viver com essas condições por muitos anos.

Leia também sobre "Toxina botulínica" e "Ressonância magnética".

 

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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