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Perda gestacional recorrente? Quando a cerclagem precisa ser feita para evitá-la?

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O que é cerclagem?

A cerclagem cervical refere-se a uma variedade de procedimentos, em geral uma sutura1, para reforçar o colo do útero2 durante a gravidez3 em mulheres com histórico de insuficiência4 do colo do útero2, condição que pode causar aborto tardio ou parto prematuro.

Trata-se de uma sutura1 cirúrgica em bolsa realizada no colo do útero2, sob anestesia5 regional ou geral, indicada logo após o terceiro mês de gestação com o objetivo de manter o colo uterino6 fechado até o final da gravidez3.

A palavra "cerclage" significa "aro", em francês, como no aro de metal que circunda um barril, e foi utilizada porque a cirurgia consiste em “circundar” o colo uterino6, colocando nele um “aro” cirúrgico.

Saiba mais sobre "Aborto", "Parto prematuro" e "Curetagem7 uterina".

Para quem a cerclagem cervical deve ser indicada?

A cerclagem cervical deve ser indicada se o colo do útero2 estiver em risco de se abrir antes de o bebê estar pronto para nascer ou, em alguns casos, se o colo do útero2 começar a se abrir muito cedo. No entanto, a cerclagem cervical não é apropriada para todas as grávidas com insuficiência4 do colo do útero2. Ela pode até causar efeitos colaterais8 graves e nem sempre funciona bem: algumas mulheres, apesar da cerclagem, podem ter um parto prematuro.

O médico não deve recomendar cerclagem cervical se a mulher tiver sangramento vaginal ativo, trabalho de parto prematuro ativo, infecção9 intrauterina, ruptura prematura de membrana (saco amniótico), gravidez3 de gêmeos, anomalia fetal incompatível com a vida ou condição na qual o saco amniótico se projeta através da abertura do colo do útero2.

Antes de uma gravidez3, o colo do útero2 é fechado, longo e firme. Durante a gravidez3, ele se suaviza gradualmente, diminui de comprimento (apaga) e abre (dilata), em preparação para o nascimento. Se a mulher tem um colo do útero2 incompetente ou curto, ele pode começar a abrir muito cedo, antes da hora desejável. Como resultado, ela pode experimentar perda da gravidez3 ou dar à luz prematuramente.

O médico pode recomendar cerclagem cervical durante a gravidez3 para evitar partos prematuros se a mulher tiver história anterior de perda de gravidez3 no segundo trimestre da gestação, relacionada à dilatação cervical na ausência de trabalho de parto ou descolamento de placenta, cerclagem prévia devido à dilatação cervical indolor no segundo trimestre da gestação e comprimento cervical curto (menos de 25 milímetros) antes de 24 semanas de gravidez3.

Como se realiza a cerclagem cervical?

Depois de verificar os sinais vitais10 do bebê, descartar os principais defeitos congênitos11 e certificar-se de que o bebê está bem, o médico pode colher as secreções cervicais da mulher e/ou fazer uma amniocentese12 para verificar se há ou não infecção9. Estando tudo bem, a cerclagem cervical deve ser realizada idealmente entre as 12ª e 14ª semanas de gestação. No entanto, ela pode ser realizada sem problemas até a 23ª semana da gravidez3. Normalmente, ela é evitada após a 24ª semana de gestação, devido ao risco de desencadeamento do parto prematuro.

A cerclagem é realizada como procedimento ambulatorial em um hospital ou centro cirúrgico, sob anestesia5 regional ou geral, e pode ser realizada através da vagina13 (cerclagem cervical transvaginal) ou, menos comumente, através do abdômen (cerclagem cervical transabdominal).

Para realizar a cerclagem vaginal, o médico inserirá um espéculo14 na vagina13 da paciente e apanhará o colo do útero2 com uma pinça em anel para fazer a sutura1 e/ou colocar uma fita adesiva. Durante a cerclagem transabdominal, o médico fará uma incisão15 abdominal para ter acesso ao colo do útero2. Depois da cirurgia, ele colocará o colo do útero2 de volta no lugar e fechará a incisão15. O procedimento também pode ser feito por laparoscopia16.

A cerclagem é normalmente removida por volta da 37ª semana da gravidez3 ou no início do trabalho de parto prematuro. Esse trabalho pode ser feito em consultório, sem anestesia5, ou necessitar internação e centro cirúrgico, dependendo da técnica anteriormente utilizada. Se a cerclagem cervical foi transabdominal, a paciente precisará fazer outra incisão15 abdominal para removê-la. Como resultado, uma operação cesariana é normalmente recomendada para o parto. Durante a cesariana, a pessoa pode optar por remover a cerclagem ou deixá-la no lugar para futuras gestações.

A eficácia da cerclagem cervical é um tópico17 ainda em debate. As pesquisas sugerem que a cerclagem cervical reduz o risco de parto prematuro em mulheres com insuficiência4 cervical comprovada. No entanto, o momento da cerclagem cervical pode afetar o resultado.

A cerclagem cervical de emergência18 realizada na presença de alterações cervicais avançadas e prolapso19 de membranas tem um resultado pior.

Quais são as complicações possíveis da cerclagem?

Os riscos e complicações associados à cerclagem cervical incluem inflamação20 das membranas fetais21 devido a uma infecção9 bacteriana, sangramento vaginal, ferimento no colo do útero2 (laceração cervical), ruptura prematura das membranas (saco amniótico) e deslocamento da sutura1.

Leia sobre "Amniocentese12", "Dieta saudável na gravidez3", "Sinais22 precoces de gravidez3", "Menstruação23 durante a gravidez3" e "A gravidez3 e o Coronavírus".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas dos sites da Mayo Clinic, da FEBRASGO e da U. S. National Library of Medicine.

ABCMED, 2020. Perda gestacional recorrente? Quando a cerclagem precisa ser feita para evitá-la?. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/saude-da-mulher/1364633/perda-gestacional-recorrente-quando-a-cerclagem-precisa-ser-feita-para-evita-la.htm>. Acesso em: 29 nov. 2020.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Sutura: 1. Ato ou efeito de suturar. 2. Costura que une ou junta partes de um objeto. 3. Na anatomia geral, é um tipo de articulação fibrosa, em que os ossos são mantidos juntos por várias camadas de tecido conjuntivo denso; comissura (ocorre apenas entre os ossos do crânio). 4. Na anatomia botânica, é uma linha de espessura variável que se forma na região de fusão dos bordos de um carpelo (ou de dois ou mais carpelos concrescentes). 5. Em cirurgia, ato ou efeito de unir os bordos de um corte, uma ferida, uma incisão, com agulha e linha especial, para promover a cicatrização. 6. Na morfologia zoológica, nos insetos, qualquer sulco externo semelhante a uma linha.
2 Colo do útero: Porção compreendendo o pescoço do ÚTERO (entre o ístmo inferior e a VAGINA), que forma o canal cervical.
3 Gravidez: Condição de ter um embrião ou feto em desenvolvimento no trato reprodutivo feminino após a união de ovo e espermatozóide.
4 Insuficiência: Incapacidade de um órgão ou sistema para realizar adequadamente suas funções.Manifesta-se de diferentes formas segundo o órgão comprometido. Exemplos: insuficiência renal, hepática, cardíaca, respiratória.
5 Anestesia: Diminuição parcial ou total da sensibilidade dolorosa. Pode ser induzida por diferentes medicamentos ou ser parte de uma doença neurológica.
6 Colo Uterino: Porção compreendendo o pescoço do ÚTERO (entre o ístmo inferior e a VAGINA), que forma o canal cervical.
7 Curetagem: Operação ou cirurgia que consiste em esvaziar o interior de uma cavidade natural ou patológica com o auxílio de uma cureta; raspagem.
8 Efeitos colaterais: 1. Ação não esperada de um medicamento. Ou seja, significa a ação sobre alguma parte do organismo diferente daquela que precisa ser tratada pelo medicamento. 2. Possível reação que pode ocorrer durante o uso do medicamento, podendo ser benéfica ou maléfica.
9 Infecção: Doença produzida pela invasão de um germe (bactéria, vírus, fungo, etc.) em um organismo superior. Como conseqüência da mesma podem ser produzidas alterações na estrutura ou funcionamento dos tecidos comprometidos, ocasionando febre, queda do estado geral, e inúmeros sintomas que dependem do tipo de germe e da reação imunológica perante o mesmo.
10 Sinais vitais: Conjunto de variáveis fisiológicas que são pressão arterial, freqüência cardíaca, freqüência respiratória e temperatura corporal.
11 Defeitos congênitos: Problemas ou condições que estão presentes ao nascimento.
12 Amniocentese: Consiste na obtenção do líquido amniótico que banha o feto através da punção da cavidade amniótica. Realizada entre 15 a 18 semanas de gravidez, para avaliar problemas genéticos do bebê.
13 Vagina: Canal genital, na mulher, que se estende do ÚTERO à VULVA. (Tradução livre do original
14 Espéculo: Instrumento destinado a dilatar a entrada de certas cavidades do corpo, para facilitar a visualização e exame de seu interior. Mais usado para exames ginecológicos, para visualizar-se a vagina e o colo do útero.
15 Incisão: 1. Corte ou golpe com instrumento cortante; talho. 2. Em cirurgia, intervenção cirúrgica em um tecido efetuada com instrumento cortante (bisturi ou bisturi elétrico); incisura.
16 Laparoscopia: Procedimento cirúrgico mediante o qual se introduz através de uma pequena incisão na parede abdominal, torácica ou pélvica, um instrumento de fibra óptica que permite realizar procedimentos diagnósticos e terapêuticos.
17 Tópico: Referente a uma área delimitada. De ação limitada à mesma. Diz-se dos medicamentos de uso local, como pomadas, loções, pós, soluções, etc.
18 Emergência: 1. Ato ou efeito de emergir. 2. Situação grave, perigosa, momento crítico ou fortuito. 3. Setor de uma instituição hospitalar onde são atendidos pacientes que requerem tratamento imediato; pronto-socorro. 4. Eclosão. 5. Qualquer excrescência especializada ou parcial em um ramo ou outro órgão, formada por tecido epidérmico (ou da camada cortical) e um ou mais estratos de tecido subepidérmico, e que pode originar nectários, acúleos, etc. ou não se desenvolver em um órgão definido.
19 Prolapso: Deslocamento de um órgão ou parte dele de sua localização ou aspecto normal. P.ex. prolapso da válvula mitral, prolapso uterino, etc.
20 Inflamação: Conjunto de processos que se desenvolvem em um tecido em resposta a uma agressão externa. Incluem fenômenos vasculares como vasodilatação, edema, desencadeamento da resposta imunológica, ativação do sistema de coagulação, etc.Quando se produz em um tecido superficial (pele, tecido celular subcutâneo) pode apresentar tumefação, aumento da temperatura local, coloração avermelhada e dor (tétrade de Celso, o cientista que primeiro descreveu as características clínicas da inflamação).
21 Membranas Fetais: Camadas finas de tecido que envolvem o embrião em desenvolvimento. Há quatro membranas extra-embrionárias, geralmente encontradas em VERTEBRADOS, como RÉPTEIS, AVES e MAMÍFEROS. São
22 Sinais: São alterações percebidas ou medidas por outra pessoa, geralmente um profissional de saúde, sem o relato ou comunicação do paciente. Por exemplo, uma ferida.
23 Menstruação: Sangramento cíclico através da vagina, que é produzido após um ciclo ovulatório normal e que corresponde à perda da camada mais superficial do endométrio uterino.
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