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O sono do bebê: quais as diferenças em relação ao sono de um adulto? Quais os cuidados a tomar? Podem existir complicações durante o sono de um bebê?

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As funções do sono

Ninguém sabe exatamente porque é necessário dormir, mas todos estão de acordo que o sono cumpre uma função reguladora e reparadora no organismo. Ele é essencial para o controle da energia e da temperatura corporal e reabastece e restaura os processos corporais que sofrem desgaste durante o dia.

Graças a estudos recentes sabemos que nos animais superiores e no homem, o sono não é um processo contínuo que começa no adormecer e termina no despertar, mas dá-se por ciclos. Tais ciclos vão desde uma fase policíclica no bebê, passando por outra bicíclica, na criança, até converter-se em monocíclica, no adulto.

Em 1957 Aserinsky e Kleitman acentuaram o papel de uma fase do sono a que chamaram sono R.E.M., também conhecida como sono rápido, sono ativado, sono dessincronizado1 ou sono paradoxal2, a qual interrompe o quarto estágio do sono, cerca de noventa minutos após o adormecer.

Eles verificaram que o sono R.E.M. é uma fase de intensa atividade fisiológica3, que inclui: traçado eletroencefalográfico parecido com o da vigília; sono profundo, do ponto de vista clínico, mas eletroencefalograficamente superficial; tendência a manter constante o seu percentual; ocorrências fisiológicas4 marcantes, como aceleração da respiração, elevação da tensão arterial e da temperatura, secreção de hormônios e ereção5 do pênis6; surtos de movimentos rápidos, horizontais, conjugados e sincrônicos, de ambos os olhos7; grande incidência8 de sonhos vívidos, mantidos na lembrança.

Assim, a partir das décadas de 50 e 60 passou-se a entender que o dormir é um processo ativo, tanto determinado endogenamente9 como por influências do ambiente. No entanto, os padrões fisiológicos de sono são muito diferentes nos recém-nascidos.

Em que o sono do bebê difere do sono do adulto?

O padrão fisiológico10 de sono do bebê é bem mais simples que o do adulto. Para o bebê existem apenas dois estados de sono: sono ativo (R.E.M.) e sono tranquilo, de ondas lentas. O ritmo sono/vigília do bebê é completamente diferente do adulto. Isso se deve ao fato de que eles ainda não desenvolveram completamente o seu ritmo circadiano11 dia/noite. Pode levar alguns meses até que eles estejam totalmente adaptados a esse ritmo.

Um bebê recém-nascido dorme 16 a 18 horas por dia, mas já tem um modo próprio de dormir e de despertar e muitas vezes “troca o dia pela noite”. Ainda que não seja exatamente assim, a mãe tem de acordar várias vezes por noite, para amamentar e trocar o bebê e, muitas vezes, para “brincar” com ele. Aos pais cabe apenas criar um ambiente confortável para que isso aconteça.

Os bebês12 normalmente dormem quando se sentem cansados e só choram se sentirem algum mal, desconforto ou dificuldades para dormir. Toda atividade que se adote para ajudar o bebê a dormir (canção de ninar, um colinho cheio de afeto ou uma chupeta, por exemplo), pode transformar-se rapidamente num hábito que ele passará a requerer.

Nas primeiras semanas de vida, o bebê só consegue ficar acordado cerca de duas horas por vez. A partir daí ele estará cansado demais e, paradoxalmente, não consegue adormecer facilmente. O bebê sempre deve ser colocado para dormir de barriga para cima, com a cabecinha de lado, para que ele não corra o risco de engasgar, se regurgitar. Além de essa posição permitir uma respiração mais desimpedida, há indícios científicos de que ela está relacionada a um menor número de infecções13 no ouvido e nariz14 entupido.

Em torno dos seis meses, muitos bebês12 começam a se virar para dormir de bruços no meio do sono. A mãe não precisa se apavorar com isso, mas deve virá-lo sempre que surpreendê-lo dormindo de bruços. Até os três meses de vida é inevitável que o bebê acorde à noite e, mesmo aos 5 ou 6 meses, é provável que ele ainda acorde para mamar. Os recém-nascidos geralmente acordam no meio da noite ou porque estão com fome ou porque estão sentindo algum incômodo, com dores ou uma fralda molhada, por exemplo.

Como criar bons hábitos de sono no bebê?

Preste atenção nos possíveis sinais15 de cansaço do bebê: esfregar os olhos7, mexer na orelha16, estar com olheiras. Diante dessas indicações, ponha o bebê no berço, para que ele já vá aprendendo a dormir sem ser no colo17. Alguns bebês12 são mais notívagos que outros, mas por volta de duas semanas de vida eles já podem começar a distinguir entre o dia e a noite. Para ajudá-lo, mantenha a casa bem iluminada durante o dia, não tenha preocupações em evitar os barulhos da rotina doméstica, se ele costuma dormir durante todas mamadas, acorde-o gentilmente e brinque com ele o máximo que puder. À noite, tente não excitá-lo, faça pouco barulho e só acenda o mínimo de luzes que for possível.

Deixe o bebê adormecer sozinho, colocando-o no berço quando ele ainda estiver acordado. Coloque-o no berço mais ou menos no mesmo horário todos os dias, até isso virar uma rotina. Assim ele vai aprender um ritual na hora do sono e é isso que ele sempre vai esperar para dormir. No entanto, para estabelecer esse padrão de adormecer é importante seguir a mesma rotina todos os dias. Tente dissociar o choro da retirada do berço. Procure fazê-lo parar de chorar antes de pegá-lo no colo17, para que ele não ache que chorar é a senha para sair do berço.

Podem existir complicações durante o sono do bebê?

A complicação mais temida e mais dramática do sono do bebê é a síndrome18 da morte súbita. Para preveni-la, a Academia Americana de Pediatria recomenda:

  • Colocar o bebê para dormir de barriga para cima, com a cabeça19 de lado.
  • Não usar cobertores, travesseiros e mantas no berço ou, se necessário, colocá-las abaixo das axilas do bebê.
  • Retirar bichos de pelúcia ou brinquedos do berço.
  • Não fumar durante a gravidez20 e não permitir que ninguém fume perto do bebê.
  • Certificar-se de que os protetores de berço estejam bem presos.
  • Pedir às pessoas para que lavem bem as mãos21 antes de segurar o bebê.
  • Recusar visitas se elas estiverem doentes.
ABCMED, 2015. O sono do bebê: quais as diferenças em relação ao sono de um adulto? Quais os cuidados a tomar? Podem existir complicações durante o sono de um bebê?. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/saude-da-crianca/809044/o-sono-do-bebe-quais-as-diferencas-em-relacao-ao-sono-de-um-adulto-quais-os-cuidados-a-tomar-podem-existir-complicacoes-durante-o-sono-de-um-bebe.htm>. Acesso em: 19 nov. 2019.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Dessincronizado: Que perdeu a sincronização, a identidade de movimentos, ação, etc.
2 Paradoxal: Que contém ou se baseia em paradoxo(s), que aprecia paradoxo(s). Paradoxo é o pensamento, proposição ou argumento que contraria os princípios básicos e gerais que costumam orientar o pensamento humano, ou desafia a opinião consabida, a crença ordinária e compartilhada pela maioria. É a aparente falta de nexo ou de lógica; contradição.
3 Fisiológica: Relativo à fisiologia. A fisiologia é estudo das funções e do funcionamento normal dos seres vivos, especialmente dos processos físico-químicos que ocorrem nas células, tecidos, órgãos e sistemas dos seres vivos sadios.
4 Fisiológicas: Relativo à fisiologia. A fisiologia é estudo das funções e do funcionamento normal dos seres vivos, especialmente dos processos físico-químicos que ocorrem nas células, tecidos, órgãos e sistemas dos seres vivos sadios.
5 Ereção: 1. Ato ou efeito de erigir ou erguer. 2. Inauguração, criação. 3. Levantamento ou endurecimento do pênis.
6 Pênis: Órgão reprodutor externo masculino. É composto por uma massa de tecido erétil encerrada em três compartimentos cilíndricos fibrosos. Dois destes compartimentos, os corpos cavernosos, ficam lado a lado ao longo da parte superior do órgão. O terceiro compartimento (na parte inferior), o corpo esponjoso, abriga a uretra.
7 Olhos:
8 Incidência: Medida da freqüência em que uma doença ocorre. Número de casos novos de uma doença em um certo grupo de pessoas por um certo período de tempo.
9 Endogenamente: De crescimento endógeno, algo que cresceu internamente.
10 Fisiológico: Relativo à fisiologia. A fisiologia é estudo das funções e do funcionamento normal dos seres vivos, especialmente dos processos físico-químicos que ocorrem nas células, tecidos, órgãos e sistemas dos seres vivos sadios.
11 Ritmo circadiano: Também conhecido como ciclo circadiano, o ritmo circadiano representa o período de um dia (24 horas) no qual se completam as atividades do ciclo biológico dos seres vivos. Uma das funções deste sistema é o ajuste do relógio biológico, controlando o sono e o apetite. Através de um marca-passo interno que se encontra no cérebro, o ritmo circadiano regula tanto os ritmos materiais quanto os psicológicos, o que pode influenciar em atividade como: digestão em vigília, renovação de células e controle de temperatura corporal.
12 Bebês: Lactentes. Inclui o período neonatal e se estende até 1 ano de idade (12 meses).
13 Infecções: Doença produzida pela invasão de um germe (bactéria, vírus, fungo, etc.) em um organismo superior. Como conseqüência da mesma podem ser produzidas alterações na estrutura ou funcionamento dos tecidos comprometidos, ocasionando febre, queda do estado geral, e inúmeros sintomas que dependem do tipo de germe e da reação imunológica perante o mesmo.
14 Nariz: Estrutura especializada que funciona como um órgão do sentido do olfato e que também pertence ao sistema respiratório; o termo inclui tanto o nariz externo como a cavidade nasal.
15 Sinais: São alterações percebidas ou medidas por outra pessoa, geralmente um profissional de saúde, sem o relato ou comunicação do paciente. Por exemplo, uma ferida.
16 Orelha: Sistema auditivo e de equilíbrio do corpo. Consiste em três partes
17 Colo: O segmento do INTESTINO GROSSO entre o CECO e o RETO. Inclui o COLO ASCENDENTE; o COLO TRANSVERSO; o COLO DESCENDENTE e o COLO SIGMÓIDE.
18 Síndrome: Conjunto de sinais e sintomas que se encontram associados a uma entidade conhecida ou não.
19 Cabeça:
20 Gravidez: Condição de ter um embrião ou feto em desenvolvimento no trato reprodutivo feminino após a união de ovo e espermatozóide.
21 Mãos: Articulação entre os ossos do metacarpo e as falanges.
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