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Como evolui a linguagem da criança?

Wednesday, May 20, 2020
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Como evolui a linguagem da criança?

O que é a linguagem humana?

A linguagem é o principal meio pelo qual o indivíduo se adequa à sociedade. Ela é um meio tradicional de comunicação e de transmissão de ideias. Nenhuma outra forma de comunicação no mundo natural transfere tanta informação em um período tão curto de tempo. É ela que confere a identidade psicológica do homem.

No entanto, o indivíduo que fica isolado da sociedade, e só aprende a linguagem tardiamente, tem uma percepção mais aguçada, porém menos socializada, da realidade, e suas "portas da percepção" estarão todas abertas, pois seu conhecimento de mundo está livre de "pré-conceitos", ou seja, de ideias perpetuadas pela sociedade, ditas como verdadeiras, mas que se analisadas sem "pré-ideias" são apenas práticas sociais condicionadas que não se utilizam de lógica e normas para a regulação da práxis.

Leia sobre "Orientação da Sociedade Brasileira de Pediatria sobre uso de telas", "Afasia" e "Dislexia".

Como evolui a linguagem da criança?

A aquisição da linguagem é a maior façanha que uma pessoa pode realizar durante a vida. O cérebro da criança muda mais durante a aquisição da linguagem, nos primeiros seis anos de vida, do que em qualquer outra fase da vida. A aquisição de um idioma é um produto de aprendizado ativo, repetitivo e complexo. Os adultos ajudam as crianças a aprender a língua, principalmente conversando com elas.

Ao nascer, o bebê ainda não é capaz de falar, mas já pode se comunicar por meio de olhares, posturas, expressões faciais e pelo choro, e usa tudo isso para expressar seus sentimentos e interagir com as pessoas. Nesta fase, ele é condicionado naturalmente a adquirir a linguagem humana e é capaz de aprender qualquer língua do mundo e a pronunciar qualquer um dos sons humanos. Não existe um código inato que leve a criança a ter mais facilidade de falar inglês, espanhol ou japonês: a linguagem é, em sua maior parte, aprendida.

Nascemos com a capacidade de produzir cerca de 40 sons e nossa genética permite que nosso cérebro faça associações entre sons e objetos, ações ou ideias. Aos poucos, a capacidade de aquisição da linguagem se tornará mais específica e se concentrará mais em aprender sua língua materna. Os adultos que cuidam do bebê é que darão sentido aos sons e balbucios que ele produz. Por isso, é muito importante que as pessoas conversem com o bebê o máximo possível desde o início.

Etapas da evolução da linguagem da criança

Os bebês aprendem a falar em idades diferentes. Alguns já estarão dizendo várias palavras após 12 meses, enquanto outros ainda balbuciam de forma incompreensível aos 2 anos de idade, mas o fato de que o bebê fale rapidamente ou demore mais para falar não significa necessariamente que a fala será pior ou melhor no futuro. Isso indica apenas que os mecanismos fisiológicos subjacentes à fala estão mais ou menos amadurecidos.

Nos casos em que houver um atraso muito significativo com relação à fala, um pediatra deve ser consultado.

  1. Durante o primeiro mês de vida, o principal modo de comunicação é o choro. O bebê chora quando está com fome, quando precisa trocar a fralda, quando está com dor, cansado, etc. Cabe aos adultos à sua volta decifrar suas mensagens.
  2. Aos 2 meses, o bebê balbucia bastante e começa a explorar as capacidades de sua laringe: soluça, murmura, faz sons com a parte de trás da garganta...
  3. Aos 4 meses, começa a vocalizar as vogais “a” e “e”.
  4. Aos 5 meses, o bebê já é capaz de pronunciar suas primeiras consoantes: é a idade do famoso “gu-gu” e “da-da”. Nessa fase, o bebê já adotou sua língua materna. O bebê inserido em linguagens diferentes terá balbucios diferentes: um bebê chinês ou egípcio tem balbucios diferentes de um bebê cuja língua materna seja, por exemplo, o português.
  5. Com 6 meses, o bebê repete as sílabas que terminam em “a”: “dadadada”, “papapapa”, “mamamama”, etc. Esses sons não têm um significado específico para ele: os adultos é quem darão significado a eles aos poucos, por meio das respostas que oferecem. Assim, ele descobre a dimensão simbólica da linguagem: um som corresponde a um objeto.
  6. Por volta dos 10 meses, o bebê começa a pronunciar sílabas sem repetição. Aos poucos ele irá compor sua fala, que muitas vezes é incompreensível como se estivesse falando uma língua estrangeira! Progressivamente, sua linguagem se tornará compreensível; as primeiras palavras compreensíveis costumam aparecer por volta de 1 ano de idade e se referem ao que ele quer e que não esteja ao alcance. Inicialmente as palavras têm um significado muito genérico que, aos poucos, vai se tornando mais específico. Dizendo “mamá”, o bebê pode estar dizendo que quer tanto a mamadeira quanto o peito ou estar com fome, sede ou frio... A compreensão do bebê progride mais rápido que sua capacidade de se expressar e com 1 ano ele já entende diversas frases simples, como “Venha”, “Dá pra mamãe”, “Você está com fome?”, “Pegue o brinquedo”, etc.
  7. Aos 18 meses, ele já domina entre 10 e 20 palavras, que ele começa a combinar umas às outras; por exemplo, “mais leite” ou “papai saiu”.
  8. Entre 1 ano e meio e 2 anos, o vocabulário do bebê progride rapidamente e aos 24 meses ele terá um vocabulário de até 300 palavras. O bebê gosta de conversar e às vezes é difícil fazê-lo parar! Agora já é capaz de usar os pronomes “mim”, “eu” e “você”.
  9. Aos 3 anos, os elementos essenciais da língua já foram adquiridos. A criança já pode criar frases complexas, conjugar verbos e usar corretamente os tempos presente, passado e futuro. Ele pode surpreender com expressões que parecem vindas de um adulto; ele repete exatamente como ouviu! Essa é também a idade dos “por quês?”.
  10. Novos progressos espetaculares normalmente ocorrerão com o “ir à escola”, graças à enorme quantidade de estímulos recebidos. Contudo, se a criança parece significativamente atrasada com relação à fala, um pediatra deve ser consultado.
Veja também sobre "Disartria", "Hiperlexia", "Autismo - reconhecendo os sintomas precoces" e "Transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH)".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas dos sites da UFRJ – Universidade Federal do Rio de Janeiro e do About Kids Health.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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