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Depilação a laser: quem pode fazer? Como é feita? Quais são os resultados? E as complicações possíveis?

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O que é depilação a laser?

A depilação a laser é uma técnica de remoção de pelos através da energia luminosa dos raios laser. Os primeiros aparelhos adaptados a essa função surgiram na década de 1970, mas foi só em 1983 que Anderson e Parrish introduziram o conceito de fototermólise seletiva, atualmente utilizado na depilação a laser, levando a uma maior eficácia do processo. Hoje em dia existem diferentes tipos de laser capazes de promover a depilação.

O que é fototermólise?

A fototermólise consiste em dirigir um feixe de luz com comprimentos de onda bem absorvidos por alvos escolhidos na pele1, por um tempo determinado, causando a destruição deles. Nessa forma seletiva, para produzir a depilação, eles são dirigidos aos folículos pilosos. O aparelho que aplica a fototermólise usa simultaneamente o calor, além da luz, para produzir essa destruição. (A palavra fototermólise é composta de foto=luz, termo=temperatura e lise2=destruição). A duração de 35 milisegundos de cada pulso de luz é suficiente para destruir os folículos pilosos, sem causar danos às estruturas dérmicas vizinhas. A fototermólise baseia-se na absorção dos fótons pelos cromóforos (átomos de uma molécula responsável por sua cor) da pele1, que gera intensa transferência de elétrons e emite energia sob a forma de calor. Este aquecimento causa a coagulação3 e necrose4 dos cromóforos e leva a um processo inflamatório subclínico. O principal cromóforo dos pelos é a melanina5 e é ela que conduzirá a energia através da haste do pelo até o folículo6, destruindo-o.

Quem pode fazer depilação a laser?

A depilação a laser pode ser feita por qualquer pessoa que deseje se livrar de seus pelos, mas há também indicações especiais para casos de pelos encravados que devem ser avaliadas pelo dermatologista. De uma forma geral, as pessoas de pele1 clara com pelos grossos e escuros respondem melhor à depilação a laser, mas isso não quer dizer que outras pessoas não possam fazer depilações e obter bons resultados. A exceção é para pessoas de pelos claros, em que a quantidade de melanina5 é pequena e para pessoas que já tenham pelos brancos, nas quais os resultados ainda são pobres. A depilação a laser deve ser feita a partir da adolescência, mas em casos selecionados de crianças que sofram de hipertricose7 congênita8 (pelos abundantes por razões genéticas) ela pode ser realizada.

Como é feita a depilação a laser?

O ideal é que antes do tratamento a pessoa faça uma visita ao dermatologista, que avaliará as condições de saúde9 da pele1 e a razão do crescimento dos pelos, se normal ou se devida a algum distúrbio orgânico. A depilação a laser é realizada com o uso de um aparelho emissor de raios laser dirigidos para os pelos que se deseja eliminar. Diversos tipos de laser podem ser usados para a depilação, mas os mais utilizados são o Alexandrite, o laser de diodo e o YAG-laser.

Na verdade, o alvo é a melanina5, que absorve os fótons emitidos pelo aparelho, causando a destruição dos folículos pilosos, só causando dano térmico mínimo aos tecidos adjacentes. Segundo a Sociedade Brasileira de Laser, o tratamento deve ser feito em seis sessões, em média. A remoção dos pelos é gradativa e em cada sessão adicional, os pelos sobreviventes vão diminuindo e, depois de quatro a seis aplicações, restarão apenas alguns poucos nas áreas tratadas. Esse tipo de depilação pode ser levemente dolorosa e, por isso, podem ser utilizadas pomadas anestésicas e jatos de ar frio para aliviar a dor. Essas dores ou desconfortos ligeiros dependem da sensibilidade da pessoa e da área corporal considerada. Quanto mais fina e sensível for a pele1 da região, maior é a sensação de desconforto ou dor.

Pelo menos um mês antes do tratamento não deve ter sido feita a retirada dos pelos com pinça ou cera, mas antes da sessão o profissional que aplicará o procedimento fará a retirada deles com lâmina de barbear. Após a depilação, a pessoa deve evitar expor-se ao sol e usar um protetor solar com filtro forte. A depilação a laser não deve ser feita por mulheres grávidas ou por pessoas com infecções10 da pele1.

Quais são os resultados da depilação a laser?

Depois de algumas sessões, praticamente 100% dos pelos desaparecem. Os pelos que eventualmente não forem eliminados numa sessão crescem mais lentamente, mais claros e mais finos.

Como evolui a depilação a laser?

Embora a técnica seja comumente chamada de depilação definitiva, a depilação a laser não garante que os pelos não voltem a crescer. Nenhum laser proporciona depilação para sempre, sendo necessária uma manutenção anual.

Quais são as complicações possíveis da depilação a laser?

Em alguns poucos casos podem ocorrer de maneira transitória ou permanente manchas escuras ou claras na pele1, dor, vermelhidão, irritação, coceira e formação de pequenas feridas na pele1. Uma complicação curiosa é o aparecimento de uma hipertricose7 paradoxal11 (crescimento de pelos, ao invés da redução deles) principalmente quando a depilação é feita em pelos mais finos. Há também o risco de queimaduras, se a técnica não for adequadamente aplicada. Para evitar essas complicações, o ideal é que um dermatologista oriente todo o processo e indique ou não a depilação à pessoa interessada.

ABCMED, 2015. Depilação a laser: quem pode fazer? Como é feita? Quais são os resultados? E as complicações possíveis?. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/pele-saudavel/758632/depilacao-a-laser-quem-pode-fazer-como-e-feita-quais-sao-os-resultados-e-as-complicacoes-possiveis.htm>. Acesso em: 8 dez. 2019.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Pele: Camada externa do corpo, que o protege do meio ambiente. Composta por DERME e EPIDERME.
2 Lise: 1. Em medicina, é o declínio gradual dos sintomas de uma moléstia, especialmente de doenças agudas. Por exemplo, queda gradual de febre. 2. Afrouxamento, deslocamento, destruição de aderências de um órgão. 3. Em biologia, desintegração ou dissolução de elementos orgânicos (tecidos, células, bactérias, microrganismos) por agentes físicos, químicos ou enzimáticos.
3 Coagulação: Ato ou efeito de coagular(-se), passando do estado líquido ao sólido.
4 Necrose: Conjunto de processos irreversíveis através dos quais se produz a degeneração celular seguida de morte da célula.
5 Melanina: Cada uma das diversas proteínas de cor marrom ou preta, encontrada como pigmento em vegetais e animais.
6 Folículo: 1. Bolsa, cavidade em forma de saco. 2. Fruto simples, seco e unicarpelar, cuja deiscência se dá pela sutura que pode conter uma ou mais sementes (Ex.: fruto da magnólia).
7 Hipertricose: É a transformação de pêlos velus (de textura fina e distribuídos em todo o corpo) em pêlos terminais (mais grossos e escuros). Não é causada por um aumento na produção de androgênios, podendo ser congênita ou adquirida. A hipertricose adquirida pode ser ocasionada por ingestão de medicamentos, algumas doenças metabólicas, como hipotireoidismo e porfirias, ou doenças nutricionais, como anorexia, desnutrição ou síndromes de má absorção.
8 Congênita: 1. Em biologia, o que é característico do indivíduo desde o nascimento ou antes do nascimento; conato. 2. Que se manifesta espontaneamente; inato, natural, infuso. 3. Que combina bem com; apropriado, adequado. 4. Em termos jurídicos, é o que foi adquirido durante a vida fetal ou embrionária; nascido com o indivíduo. Por exemplo, um defeito congênito.
9 Saúde: 1. Estado de equilíbrio dinâmico entre o organismo e o seu ambiente, o qual mantém as características estruturais e funcionais do organismo dentro dos limites normais para sua forma de vida e para a sua fase do ciclo vital. 2. Estado de boa disposição física e psíquica; bem-estar. 3. Brinde, saudação que se faz bebendo à saúde de alguém. 4. Força física; robustez, vigor, energia.
10 Infecções: Doença produzida pela invasão de um germe (bactéria, vírus, fungo, etc.) em um organismo superior. Como conseqüência da mesma podem ser produzidas alterações na estrutura ou funcionamento dos tecidos comprometidos, ocasionando febre, queda do estado geral, e inúmeros sintomas que dependem do tipo de germe e da reação imunológica perante o mesmo.
11 Paradoxal: Que contém ou se baseia em paradoxo(s), que aprecia paradoxo(s). Paradoxo é o pensamento, proposição ou argumento que contraria os princípios básicos e gerais que costumam orientar o pensamento humano, ou desafia a opinião consabida, a crença ordinária e compartilhada pela maioria. É a aparente falta de nexo ou de lógica; contradição.
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