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Aparelho auditivo ancorado no osso

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O que é aparelho auditivo ancorado no osso?

O aparelho auditivo ancorado (implantado) no osso (B.A.H.A. - Bone Anchored Hearing Aid) é um tipo de aparelho auditivo baseado na condução óssea. É diferente dos aparelhos auditivos convencionais e do implante1 coclear. Baseia-se no fato de que os sons são propagados até a cóclea também por via óssea, além da via aérea. É um aparelho que, à diferença dos outros, é implantado sobre a tábua óssea, atrás da orelha2, e não sobre o canal auditivo, como usualmente.

Por que usar um aparelho auditivo ancorado no osso?

Duas das condições da perda de audição são (1) a falta de função do ouvido interno3 (cóclea) e (2) se o som não consegue atingir as células nervosas4 do ouvido interno3. Exemplos da primeira condição podem ser a perda auditiva relacionada à idade e a perda auditiva devido à exposição excessiva ao ruído.

Exemplo da segunda é o caso de um paciente nascido sem canais auditivos externos, mas com função normal do ouvido interno3, para o qual um aparelho auditivo convencional não é utilizável. Nessas condições, com anatomia interna normal, o som conduzido pelo osso do crânio5 melhora a audição e, por isso, pode ser aplicado com efetividade o aparelho auditivo ancorado no osso.

Como funcionam os aparelhos auditivos ancorados no osso?

Os aparelhos auditivos ancorados no osso são implantados no osso por trás da orelha2. O procedimento cirúrgico original foi descrito em detalhes por Anders Tjellström em 2001. É feito um furo de 3 ou 4 milímetros de profundidade, dependendo da espessura do osso, por onde o implante1 é inserido.

Os aparelhos auditivos ancorados no osso utilizam um pilar (um pino) de titânio que é implantado cirurgicamente no osso atrás da orelha2, deixando uma haste para fora, onde o aparelho é preso para transmitir o som por condução direta via osso para o ouvido interno3, ignorando o canal auditivo externo e o ouvido médio6.

Um processador de som é fixado nesse pilar e transmite vibrações sonoras ao implante1 de titânio, fazendo vibrar o implante1, o crânio5 e o ouvido interno3, o que estimula as fibras nervosas do ouvido interno3, permitindo a audição.

A cirurgia geralmente é realizada em ambulatório, sob anestesia7 local. Se os pacientes, por qualquer motivo, não ficarem satisfeitos com a solução, a remoção do implante1 é fácil. Nenhum outro procedimento cirúrgico do ouvido é reversível como este.

Quais são as características clínicas do aparelho auditivo ancorado no osso?

O aparelho auditivo ancorado no osso é adequado principalmente para pessoas com perdas auditivas de condução, perda auditiva unilateral e pessoas com perdas auditivas mistas que por quaisquer motivos não podem usar aparelhos auditivos convencionais. Além de uma melhor compreensão da fala, resulta em um som próximo ao natural, com menos distorção em comparação a aparelhos auditivos convencionais.

O canal auditivo, quando existe (o que é frequente), embora não funcione para audição, permite tratar qualquer problema causado por infecções8 ou alergias do ouvido. Em pacientes com surdez neurossensorial de um lado, o aparelho auditivo ancorado no osso envia o som pelo osso do lado surdo para o ouvido interno3 do lado que ouve, permitindo a sensação de som de 360°, e facilita o desenvolvimento normal da linguagem.

Saiba mais sobre "Surdez", "Otites9", "Implante1 coclear", "Audiometria10" e "Zumbido no ouvido11"

Quais são as principais indicações do aparelho auditivo ancorado no osso?

No caso de infecções8 crônicas do ouvido médio6 com perda auditiva, em que há uma drenagem12 contínua ou intermitente13 saindo pelo canal auditivo, um aparelho convencional fechando a abertura do canal auditivo não é possível. O aparelho auditivo ancorado no osso é mais apropriado para esses pacientes.

Em casos de perda auditiva unilateral pode haver dificuldade para ouvir, mesmo quando o outro ouvido é normal. Também nesse caso, o aparelho auditivo ancorado no osso pode ser um tratamento adequado.

Quando há problemas do canal auditivo externo, como irritação, inflamação14 ou eczema15, por exemplo, o tratamento por um aparelho de condução de ar convencional não é adequado. Em casos de malformações16 em que a cirurgia reconstrutiva não é factível, também se pode usar o aparelho auditivo ancorado no osso.

Quais são as complicações possíveis da implantação do aparelho auditivo ancorado no osso?

As complicações mais comuns da implantação do aparelho auditivo ancorado no osso são falha na osseointegração, infecção17 crônica, trauma, irritação da pele18 em torno do implante1, necrose19 da pele18, deiscência20 de feridas (separação das bordas da ferida), hemorragia21 e dor persistente. Outras complicações possíveis incluem perda acidental ou espontânea do implante1 ósseo.

Veja também sobre "Surdez em idosos e o risco de demência22", "Hiperacusia", "Misofonia" e "Cera no ouvido".

 

ABCMED, 2017. Aparelho auditivo ancorado no osso. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/exames-e-procedimentos/1306283/aparelho-auditivo-ancorado-no-osso.htm>. Acesso em: 13 nov. 2019.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Implante: 1. Em cirurgia e odontologia é o material retirado do próprio indivíduo, de outrem ou artificialmente elaborado que é inserido ou enxertado em uma estrutura orgânica, de modo a fazer parte integrante dela. 2. Na medicina, é qualquer material natural ou artificial inserido ou enxertado no organismo. 3. Em patologia, é uma célula ou fragmento de tecido, especialmente de tumores, que migra para outro local do organismo, com subsequente crescimento.
2 Orelha: Sistema auditivo e de equilíbrio do corpo. Consiste em três partes
3 Ouvido interno: Atualmente denominado orelha interna está localizado na porção petrosa do osso temporal, recebe terminações nervosas do nervo coclear e vestibular, sendo parte essencial dos órgãos da audição e equilíbrio. É constituído de três estruturas: labirinto membranoso (endolinfático), labirinto ósseo (perilinfático) e cápsula ótica.
4 Células Nervosas: Unidades celulares básicas do tecido nervoso. Cada neurônio é formado por corpo, axônio e dendritos. Sua função é receber, conduzir e transmitir impulsos no SISTEMA NERVOSO.
5 Crânio: O ESQUELETO da CABEÇA; compreende também os OSSOS FACIAIS e os que recobrem o CÉREBRO. Sinônimos: Calvaria; Calota Craniana
6 Ouvido médio: Atualmente denominado orelha média, é constituído pela membrana timpânica, cavidade timpânica, células mastoides, antro mastoide e tuba auditiva. Separa-se da orelha externa através da membrana timpânica e se comunica com a orelha interna através das janelas oval e redonda.
7 Anestesia: Diminuição parcial ou total da sensibilidade dolorosa. Pode ser induzida por diferentes medicamentos ou ser parte de uma doença neurológica.
8 Infecções: Doença produzida pela invasão de um germe (bactéria, vírus, fungo, etc.) em um organismo superior. Como conseqüência da mesma podem ser produzidas alterações na estrutura ou funcionamento dos tecidos comprometidos, ocasionando febre, queda do estado geral, e inúmeros sintomas que dependem do tipo de germe e da reação imunológica perante o mesmo.
9 Otites: Toda infecção do ouvido é chamada de otite.
10 Audiometria: Método utilizado para estudar a capacidade e acuidade auditivas perante diferentes freqüências sonoras.
11 Zumbido no ouvido: Pode ser descrito como um som parecido com campainhas no ouvido ou outros barulhos dentro da cabeça que são percebidos na ausência de qualquer fonte de barulho externa.
12 Drenagem: Saída ou retirada de material líquido (sangue, pus, soro), de forma espontânea ou através de um tubo colocado no interior da cavidade afetada (dreno).
13 Intermitente: Nos quais ou em que ocorrem interrupções; que cessa e recomeça por intervalos; intervalado, descontínuo. Em medicina, diz-se de episódios de febre alta que se alternam com intervalos de temperatura normal ou cujas pulsações têm intervalos desiguais entre si.
14 Inflamação: Conjunto de processos que se desenvolvem em um tecido em resposta a uma agressão externa. Incluem fenômenos vasculares como vasodilatação, edema, desencadeamento da resposta imunológica, ativação do sistema de coagulação, etc.Quando se produz em um tecido superficial (pele, tecido celular subcutâneo) pode apresentar tumefação, aumento da temperatura local, coloração avermelhada e dor (tétrade de Celso, o cientista que primeiro descreveu as características clínicas da inflamação).
15 Eczema: Afecção alérgica da pele, ela pode ser aguda ou crônica, caracterizada por uma reação inflamatória com formação de vesículas, desenvolvimento de escamas e prurido.
16 Malformações: 1. Defeito na forma ou na formação; anomalia, aberração, deformação. 2. Em patologia, é vício de conformação de uma parte do corpo, de origem congênita ou hereditária, geralmente curável por cirurgia. Ela é diferente da deformação (que é adquirida) e da monstruosidade (que é incurável).
17 Infecção: Doença produzida pela invasão de um germe (bactéria, vírus, fungo, etc.) em um organismo superior. Como conseqüência da mesma podem ser produzidas alterações na estrutura ou funcionamento dos tecidos comprometidos, ocasionando febre, queda do estado geral, e inúmeros sintomas que dependem do tipo de germe e da reação imunológica perante o mesmo.
18 Pele: Camada externa do corpo, que o protege do meio ambiente. Composta por DERME e EPIDERME.
19 Necrose: Conjunto de processos irreversíveis através dos quais se produz a degeneração celular seguida de morte da célula.
20 Deiscência: 1. Em medicina, é uma abertura espontânea de suturas cirúrgicas. Pode ocorrer na pele e em outras regiões do corpo. 2. Em botânica, é o fenômeno em que um órgão vegetal (fruto, esporângio, antera etc.) abre-se naturalmente ao alcançar a maturação.
21 Hemorragia: Saída de sangue dos vasos sanguíneos ou do coração para o exterior, para o interstício ou para cavidades pré-formadas do organismo.
22 Demência: Deterioração irreversível e crônica das funções intelectuais de uma pessoa.
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