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Hemoglobina glicosilada: você sabia que este exame pode mostrar o comportamento da glicose no seu organismo?

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O que é hemoglobina glicosilada1?

A hemoglobina2 (Hb) é uma proteína normalmente presente nas hemácias3 (glóbulos vermelhos do sangue4), cuja função é transportar oxigênio para os tecidos. Hemoglobina glicosilada1 ou glicada (HbA1c5) é a fração da hemoglobina2 que se liga à glicose6 que ela incorpora a partir do sangue4. Assim, quanto mais altas as taxas de glicose6 livre no sangue4, maiores os valores da hemoglobina glicosilada1.

Qual é a fisiologia7 da hemoglobina glicosilada1?

A função da hemoglobina2 é transportar oxigênio no sistema circulatório8 para os tecidos. Durante o período de vida da hemácia, a hemoglobina2 vai incorporando glicose6, em função da concentração de açúcar9 livre no sangue4. Dessa forma, o exame de hemoglobina glicosilada1 consegue mostrar uma média das concentrações de glicose6 em nosso sangue4 durante aproximadamente sessenta a noventa dias, diferentemente da glicemia de jejum10, que mede as concentrações de glicose6 no sangue4 apenas no momento da coleta. A hemoglobina glicosilada1 é, então, um parâmetro a mais, além da glicemia de jejum10 e da curva glicêmica11, que permite avaliar os níveis de glicose6 circulantes, com a vantagem de refletir a concentração média de glicose6 em um tempo mais prolongado.

Como é feito o exame de hemoglobina glicosilada1?

Não é necessário nenhum tipo de preparo para fazer o exame de hemoglobina glicosilada1. A pessoa pode comer ou beber naturalmente. É colhida uma amostra de sangue4, por meio de uma punção venosa, normalmente a mesma amostra que servirá para outros exames e que será analisada por meio de equipamentos automatizados. Se o exame for único, pode ser feito em uma gota12 de sangue4 obtida por uma lanceta de perfuração na polpa de um dedo. Não existem contraindicações para a realização do exame de hemoglobina glicosilada1, podendo ser feito por qualquer pessoa. Normalmente o resultado já pode ser dado uma hora após a realização da coleta do sangue4.

Para que serve o exame de hemoglobina glicosilada1?

O exame da hemoglobina glicosilada1 é usado para diagnosticar e monitorar o controle mais em longo prazo do diabetes mellitus13 tipo 1 e tipo 2, mas ele também pode ser pedido como parte do checkup normal de uma consulta, porque o diabetes14 pode permanecer assintomático por muito tempo. Em casos mais raros, a hemoglobina glicosilada1 pode ser pedida para fazer o diagnóstico15 de anemia16 ou baixas contagens de hemoglobina2 ou de uma hipoglicemia17. O nível de hemoglobina glicosilada1 é aumentado nas células18 vermelhas do sangue4 de pessoas com diabetes mellitus13 mal controlado. Uma vez que a glicose6 permanece ligada à hemoglobina2 por toda a vida da célula19 vermelha do sangue4, normalmente entre 90 e 120 dias, o nível da hemoglobina glicosilada1 reflete o nível médio de glicose6 no sangue4 durante os últimos três meses. Enquanto os resultados da glicemia de jejum10 podem oscilar de um momento para outro, dependendo de fatores como a prática de atividade física ou o uso de medicações que o paciente esteja tomando, além do fato de que alguns indivíduos podem apresentar glicemia de jejum10 normal e ter picos hiperglicêmicos em outros instantes, o exame de hemoglobina glicosilada1 mostra a concentração média de glicose6 no sangue4 de uma pessoa durante um longo período.

Alguns outros motivos podem justificar o pedido da hemoglobina glicosilada1:

  • Glicemia de jejum10 acima do normal.
  • Urinar várias vezes ao dia.
  • Sede intensa.
  • Perda de peso apesar da ingestão normal de alimentos.
  • Desidratação20.
  • Tonteiras.
  • Mal-estar.
  • Fome intensa.
  • Parente direto com diabetes mellitus13.

Como avaliar os resultados do exame da hemoglobina glicosilada1?

Os valores de referência da hemoglobina glicosilada1 são diferentes se o paciente é ou não diabético. Para alguém que não seja diabético os níveis normais podem variar de 4,5 a 5,6%. Um resultado entre 5,7 e 6,4% é considerado como pré-diabetes21. Níveis superiores a 6,5%, obtidos em dois testes separados, indicam diabetes mellitus13. Para pessoas que sejam diabéticas, níveis de hemoglobina glicosilada1 entre 6,5 e 7,0% são considerados como indicativo de um bom controle da doença e de que o tratamento que vem sendo feito deve ser continuado. Se a medida estiver acima desse valor, indicam mau controle da doença e é recomendável uma mudança no plano de tratamento. Níveis acima de 12% indicam um controle muito pobre. Quanto mais elevado o nível de hemoglobina glicosilada1, maior será o risco de o paciente ter complicações.

O exame da hemoglobina glicosilada1 pode ser falseado em algumas condições:

Quais são as complicações possíveis do exame da hemoglobina glicosilada1?

As complicações possíveis com o exame da hemoglobina glicosilada1 são os mesmos inerentes a todos os exames de sangue4, como hematomas25 ou lesões26 decorrentes de uma veia mal puncionada ou uma coleta difícil.

ABCMED, 2015. Hemoglobina glicosilada: você sabia que este exame pode mostrar o comportamento da glicose no seu organismo?. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/diabetes-mellitus/801879/hemoglobina-glicosilada-voce-sabia-que-este-exame-pode-mostrar-o-comportamento-da-glicose-no-seu-organismo.htm>. Acesso em: 10 dez. 2018.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Hemoglobina glicosilada: Hemoglobina glicada, hemoglobina glicosilada, glico-hemoglobina ou HbA1C e, mais recentemente, apenas como A1C é uma ferramenta de diagnóstico na avaliação do controle glicêmico em pacientes diabéticos. Atualmente, a manutenção do nível de A1C abaixo de 7% é considerada um dos principais objetivos do controle glicêmico de pacientes diabéticos. Algumas sociedades médicas adotam metas terapêuticas mais rígidas de 6,5% para os valores de A1C.
2 Hemoglobina: Proteína encarregada de transportar o oxigênio desde os pulmões até os tecidos do corpo. Encontra-se em altas concentrações nos glóbulos vermelhos.
3 Hemácias: Também chamadas de glóbulos vermelhos, eritrócitos ou células vermelhas. São produzidas no interior dos ossos a partir de células da medula óssea vermelha e estão presentes no sangue em número de cerca de 4,5 a 6,5 milhões por milímetro cúbico, em condições normais.
4 Sangue: O sangue é uma substância líquida que circula pelas artérias e veias do organismo. Em um adulto sadio, cerca de 45% do volume de seu sangue é composto por células (a maioria glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas). O sangue é vermelho brilhante, quando oxigenado nos pulmões (nos alvéolos pulmonares). Ele adquire uma tonalidade mais azulada, quando perde seu oxigênio, através das veias e dos pequenos vasos denominados capilares.
5 HbA1C: Hemoglobina glicada, hemoglobina glicosilada, glico-hemoglobina ou HbA1C e, mais recentemente, apenas como A1C é uma ferramenta de diagnóstico na avaliação do controle glicêmico em pacientes diabéticos. Atualmente, a manutenção do nível de A1C abaixo de 7% é considerada um dos principais objetivos do controle glicêmico de pacientes diabéticos. Algumas sociedades médicas adotam metas terapêuticas mais rígidas de 6,5% para os valores de A1C.
6 Glicose: Uma das formas mais simples de açúcar.
7 Fisiologia: Estudo das funções e do funcionamento normal dos seres vivos, especialmente dos processos físico-químicos que ocorrem nas células, tecidos, órgãos e sistemas dos seres vivos sadios.
8 Sistema circulatório: O sistema circulatório ou cardiovascular é formado por um circuito fechado de tubos (artérias, veias e capilares) dentro dos quais circula o sangue e por um órgão central, o coração, que atua como bomba. Ele move o sangue através dos vasos sanguíneos e distribui substâncias por todo o organismo.
9 Açúcar: 1. Classe de carboidratos com sabor adocicado, incluindo glicose, frutose e sacarose. 2. Termo usado para se referir à glicemia sangüínea.
10 Glicemia de jejum: Teste que checa os níveis de glicose após um período de jejum de 8 a 12 horas (frequentemente dura uma noite). Este teste é usado para diagnosticar o pré-diabetes e o diabetes. Também pode ser usado para monitorar pessoas com diabetes.
11 Curva Glicêmica: Ou TOTG. Segundo a NDDG (National Diabetes Data Group) o teste é feito após jejum de 12 a 16 horas, 3 dias de dieta prévia contendo no mínimo 150 gramas de carboidrato/dia. Durante o teste: não pode fumar ou comer e deve permanecer em repouso total, pode ingerir apenas água. Coleta-se uma amostra de glicemia de jejum. Administra-se ao paciente sobrecarga de glicose: No adulto: 75g Na gestante: até 100g a critério médico Em crianças: 1,75 g/ kg de peso. A concentração da solução não deve ultrapassar 25 g/dl, e o tempo de ingestão deve ser inferior a 5 minutos. Coleta-se amostras de sangue a cada 30 minutos, até 120 minutos de teste - 5 amostras. Na interpretação do teste: Normal: Glicemia de jejum inferior a 110 mg/dl Glicemia após 120 minutos inferior a 140 mg/dl Nenhum valor durante o teste superior a 200 mg/dl Tolerância Diminuída à Glicose: Glicemia de jejum inferior a 140 mg/dl Glicemia após 120 minutos entre 140 e 200 mg/dl No máximo um valor durante o teste superior a 200 mg/dl Diabetes Melito: Glicemia de jejum superior a 140 mg/dl Todos os outros resultados da curva superiores a 200 mg/dl Diabetes Gestacional: pelo menos 2 resultados como se segue: Glicemia de jejum superior a 105,0 mg/dl Glicemia de 1 hora superior a 190,0 mg/dl Glicemia de 2 horas superior a 165,0 mg/dl Glicemia de 3 horas superior a 145,0 mg/dl.
12 Gota: 1. Distúrbio metabólico produzido pelo aumento na concentração de ácido úrico no sangue. Manifesta-se pela formação de cálculos renais, inflamação articular e depósito de cristais de ácido úrico no tecido celular subcutâneo. A inflamação articular é muito dolorosa e ataca em crises. 2. Pingo de qualquer líquido.
13 Diabetes mellitus: Distúrbio metabólico originado da incapacidade das células de incorporar glicose. De forma secundária, podem estar afetados o metabolismo de gorduras e proteínas.Este distúrbio é produzido por um déficit absoluto ou relativo de insulina. Suas principais características são aumento da glicose sangüínea (glicemia), poliúria, polidipsia (aumento da ingestão de líquidos) e polifagia (aumento da fome).
14 Diabetes: Nome que designa um grupo de doenças caracterizadas por diurese excessiva. A mais frequente é o Diabetes mellitus, ainda que existam outras variantes (Diabetes insipidus) de doença nas quais o transtorno primário é a incapacidade dos rins de concentrar a urina.
15 Diagnóstico: Determinação de uma doença a partir dos seus sinais e sintomas.
16 Anemia: Condição na qual o número de células vermelhas do sangue está abaixo do considerado normal para a idade, resultando em menor oxigenação para as células do organismo.
17 Hipoglicemia: Condição que ocorre quando há uma queda excessiva nos níveis de glicose, freqüentemente abaixo de 70 mg/dL, com aparecimento rápido de sintomas. Os sinais de hipoglicemia são: fome, fadiga, tremores, tontura, taquicardia, sudorese, palidez, pele fria e úmida, visão turva e confusão mental. Se não for tratada, pode levar ao coma. É tratada com o consumo de alimentos ricos em carboidratos como pastilhas ou sucos com glicose. Pode também ser tratada com uma injeção de glucagon caso a pessoa esteja inconsciente ou incapaz de engolir. Também chamada de reação à insulina.
18 Células: Unidades (ou subunidades) funcionais e estruturais fundamentais dos organismos vivos. São compostas de CITOPLASMA (com várias ORGANELAS) e limitadas por uma MEMBRANA CELULAR.
19 Célula: Unidade funcional básica de todo tecido, capaz de se duplicar (porém algumas células muito especializadas, como os neurônios, não conseguem se duplicar), trocar substâncias com o meio externo à célula, etc. Possui subestruturas (organelas) distintas como núcleo, parede celular, membrana celular, mitocôndrias, etc. que são as responsáveis pela sobrevivência da mesma.
20 Desidratação: Perda de líquidos do organismo pelo aumento importante da freqüência urinária, sudorese excessiva, diarréia ou vômito.
21 Pré-diabetes: Condição em que um teste de glicose, feito após 8 a 12 horas de jejum, mostra um nível de glicose mais alto que o normal mas não tão alto para um diagnóstico de diabetes. A medida está entre 100 mg/dL e 125 mg/dL. A maioria das pessoas com pré-diabetes têm um risco aumentado de desenvolver diabetes tipo 2.
22 Crônico: Descreve algo que existe por longo período de tempo. O oposto de agudo.
23 Transfusão: Introdução na corrente sangüínea de sangue ou algum de seus componentes. Podem ser transfundidos separadamente glóbulos vermelhos, plaquetas, plasma, fatores de coagulação, etc.
24 Anemia hemolítica: Doença hereditária que faz com que os glóbulos vermelhos do sangue se desintegrem no interior dos veios sangüíneos (hemólise intravascular) ou em outro lugar do organismo (hemólise extravascular). Pode ter várias causas e ser congênita ou adquirida. O tratamento depende da causa.
25 Hematomas: Acúmulo de sangue em um órgão ou tecido após uma hemorragia.
26 Lesões: 1. Ato ou efeito de lesar (-se). 2. Em medicina, ferimento ou traumatismo. 3. Em patologia, qualquer alteração patológica ou traumática de um tecido, especialmente quando acarreta perda de função de uma parte do corpo. Ou também, um dos pontos de manifestação de uma doença sistêmica. 4. Em termos jurídicos, prejuízo sofrido por uma das partes contratantes que dá mais do que recebe, em virtude de erros de apreciação ou devido a elementos circunstanciais. Ou também, em direito penal, ofensa, dano à integridade física de alguém.
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