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Cremação - vantagens, desvantagens e um pouco da história da cremação

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O que é cremação?

A cremação é uma técnica funerária que visa reduzir o corpo humano1 morto a cinzas (incineração) mediante o emprego de altas temperaturas. Na verdade, é uma sofisticada técnica de “queimação” que serve de alternativa à técnica de enterrar os corpos. Apesar de ser uma prática muito antiga, ainda causa muitas dúvidas, sobretudo motivadas por questões religiosas. Em alguns países como a Índia e o Nepal, essa “queimação” é realizada ao ar livre, numa tradição milenar.

Embora caiba aos familiares decidir sobre o destino a ser dado ao corpo do falecido, é comum que esta pessoa tenha manifestado em vida o desejo de que destino deva ser dado a seu corpo após a morte. É importante que a vontade do morto seja respeitada. Também é possível registrar antecipadamente em cartório o desejo de ser cremado.

Alguns dados históricos sobre a cremação

A ideia e a prática da cremação são muito antigas, embora achados arqueológicos mostrem que algumas culturas antigas davam também especial importância aos sepultamentos clássicos. Há vestígios da cremação há 17.000 anos, segundo descobertas arqueológicas realizadas próximo ao Lago Munco, na Austrália.

Ao longo da história, parece ter havido rápidas preferências alternativas a um ou outro método de se desfazer de um cadáver. Além disso, cada grupo cultural tinha suas próprias preferências e proibições. No Egito antigo, a cremação parece ter sido proibida, enquanto os povos semitas a praticavam largamente. Ao que parece, os babilônicos preferiam embalsamar seus mortos, e os fenícios, por sua vez, praticavam ambas as técnicas. As civilizações romana, desde 1.000 a.C., e grega, desde 750 a.C, já consideravam a cremação uma forma nobre de destino do corpo após a morte. Na idade média, a cremação era proibida por lei em grande parte da Europa e era mesmo punida e considerada herética pelas autoridades católicas.

Modernamente, a primeira pessoa a advogar a cremação foi o médico Sir Thomas Browne, em 1658. Mais tarde, talvez sob a influência da religião, essa ideia desapareceu um pouco e foi novamente reintroduzida em muitas partes do mundo a partir do século XIX, e vem sendo progressivamente crescente. A ideia foi reapresentada na Itália pelos professores Coletti e Castiglioni “em nome da saúde2 pública e da civilização”.

O primeiro crematório dos Estados Unidos foi construído em 1876. No Reino Unido, a primeira cremação oficial ocorreu em 1885, e os primeiros crematórios alemães datam de 1891. Os nazistas se valeram muito da cremação e incineravam os corpos dos judeus que eles matavam nas câmaras de gás.

As religiões cristãs foram aos poucos aceitando a prática e, hoje, nos Estados Unidos, a cremação já representa mais de 50% do destino dado aos corpos dos mortos. Estima-se que em 2035 esse percentual esteja em 78%. Na Nova Zelandia, essa percentagem já atinge 70%.

As crenças religiosas dos familiares da pessoa morta têm ainda uma grande importância na decisão sobre o assunto. No budismo e no hinduísmo, por exemplo, a cremação é obrigatória, enquanto para outras religiões, como no islamismo e no judaísmo, ela não pode ser realizada de forma nenhuma. No catolicismo, a prática da cremação foi proibida até a década e 1960. Atualmente ela é permitida, com recomendação de que as cinzas não sejam espalhadas.

Leia sobre "Morte cerebral3 ou morte encefálica4", "Ideação suicida", "Suicídio" e "Eutanásia".

Vantagens e desvantagens da cremação em relação ao sepultamento convencional

Ressalvados os motivos subjetivos e religiosos, que não cabe serem discutidos, pode-se registrar algumas vantagens e desvantagens de ordem prática em relação à questão da cremação versus sepultamento tradicional:

  • Os custos de uma cremação são significativamente menores do que os de um sepultamento tradicional, se levarmos em conta a aquisição do local do sepultamento, a construção de um jazigo e a sua manutenção.
  • A cremação reduz a utilização de espaços ocupados por cemitérios, que em todas as cidades são áreas extremamente significativas.
  • A cremação permite uma maior personalização do processo pós-morte, ao permitir ao morto ainda em vida ou a seus familiares escolhas do destino do seu corpo.
  • A cremação permite maior tempo para reunir os familiares distantes (72 horas), enquanto os sepultamentos tradicionais, no Brasil, geralmente envolvem uma maior urgência5.
  • A cremação tem a desvantagem de não permitir a exumação6 do cadáver, prática às vezes aconselhável ou mesmo necessária em algumas circunstâncias, sobretudo aquelas envolvendo questões criminais.

Como se realiza a cremação?

Atualmente, entre nós, a cremação é feita em fornos fechados, em locais chamados crematórios, e deixa como resíduo, em média, 2,4 Kg (ou cerca de 3,5% da massa corporal) de “cinzas”, que não são verdadeiras cinzas porque a elas são ajuntados pequenos fragmentos7 de ossos não queimados, os quais são triturados por uma máquina especial denominada cremador, até se tornarem pó.

As cinzas não representam nenhum risco para a saúde2 de seus portadores, mesmo quando originadas de pessoas anteriormente doentes, e podem ter vários destinos, conforme a opção dos familiares: podem ser enterradas, mantidas no memorial da família, retidas pelos familiares ou espalhadas de vários modos. Nem todas as decorações funerárias que acompanham o corpo podem ser cremadas junto a ele. Suportes de arranjos florais, metal, borracha, vidro e plástico não podem ser incinerados. As flores, contudo, podem ser incluídas na cremação. O caixão ou a mortalha em que o morto se encontre são cremados junto com o corpo.

Embora isso possa sofrer variações de um lugar para o outro, o corpo é normalmente cremado (queimado) junto ao caixão dentro de 72 horas após a morte. No crematório, o caixão é transferido para um carrinho de inserção no forno de cremação. As alças (geralmente de metal) serão removidas para não atrapalharem o processo de cremação. O caixão contendo o falecido é então inserido no cremador.

O forno de cremação tem um revestimento interior capaz de suportar temperaturas entre 760 e 1.150ºC. Uma vez que o corpo está dentro, a porta da câmara é fechada de maneira automática. Os gases produzidos pelo processo são lançados no exterior por meio de um exaustor. Em média, uma cremação leva entre 1,5 a 2 horas.

Assim que a cremação é terminada, o material remanescente é passado através de um campo magnético que retém qualquer objeto metálico por ventura existente nele, devido a objetos que tenham sido esquecidos junto ao corpo, adereços corporais, preenchimentos metálicos de dentes e implantes cirúrgicos metálicos.

Após essa “purificação”, as “cinzas” devem ser entregues aos familiares, que darão a elas uma destinação conforme os costumes locais ou as recomendações da pessoa falecida.

Veja mais sobre "Cuidados paliativos8 e a ajuda que eles podem oferecer", "Morte cerebral3", "Luto normal e patológico" e "Doação de órgãos".

 

Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente dos sites da Encyclopedia Britannica e do Worthing Crematorium.

ABCMED, 2023. Cremação - vantagens, desvantagens e um pouco da história da cremação. Disponível em: <https://www.abc.med.br/p/1436335/cremacao-vantagens-desvantagens-e-um-pouco-da-historia-da-cremacao.htm>. Acesso em: 25 fev. 2024.
Nota ao leitor:
As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

Complementos

1 Corpo humano: O corpo humano é a substância física ou estrutura total e material de cada homem. Ele divide-se em cabeça, pescoço, tronco e membros. A anatomia humana estuda as grandes estruturas e sistemas do corpo humano.
2 Saúde: 1. Estado de equilíbrio dinâmico entre o organismo e o seu ambiente, o qual mantém as características estruturais e funcionais do organismo dentro dos limites normais para sua forma de vida e para a sua fase do ciclo vital. 2. Estado de boa disposição física e psíquica; bem-estar. 3. Brinde, saudação que se faz bebendo à saúde de alguém. 4. Força física; robustez, vigor, energia.
3 Morte cerebral: Um dos conceitos aceitos para MORTE CEREBRAL é o de que “O indivíduo que apresenta cessação irreversível das funções cardíaca e respiratória OU cessação irreversível de TODAS as funções de TODO o encéfalo, incluindo o tronco cerebral, está morto“. Esta definição estabeleceu a sinonímia entre MORTE ENCEFÁLICA e MORTE DO INDIVÍDUO. A nomenclatura MORTE ENCEFÁLICA tem sido preferida ao termo MORTE CEREBRAL, uma vez que para o diagnóstico clínico, existe necessidade de cessação das atividades do córtex e necessariamente, do tronco cerebral. Havendo qualquer sinal de persistência de atividade do tronco encefálico, não existe MORTE ENCEFÁLICA, portanto, o indivíduo não pode ser considerado morto. Como exemplos desta situação, podemos citar os anencéfalos, o estado vegetativo persistente e os casos avançados da Doença de Alzheimer. Ainda existem vários pontos de discussão sobre o conceito de MORTE CEREBRAL.
4 Encefálica: Referente a encéfalo.
5 Urgência: 1. Necessidade que requer solução imediata; pressa. 2. Situação crítica ou muito grave que tem prioridade sobre outras; emergência.
6 Exumação: Ato ou efeito de exumar ou desenterrar.
7 Fragmentos: 1. Pedaço de coisa que se quebrou, cortou, rasgou etc. É parte de um todo; fração. 2. No sentido figurado, é o resto de uma obra literária ou artística cuja maior parte se perdeu ou foi destruída. Ou um trecho extraído de uma obra.
8 Paliativos: 1. Que ou o que tem a qualidade de acalmar, de abrandar temporariamente um mal (diz-se de medicamento ou tratamento); anódino. 2. Que serve para atenuar um mal ou protelar uma crise (diz-se de meio, iniciativa etc.).
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