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Autópsia - como é o procedimento?

Tuesday, June 8, 2021
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Autópsia - como é o procedimento?

O que é uma autópsia?

A autópsia (auto = próprio + opsis = visão), ou necrópsia, ou ainda necropsia (necro = morte + opsis = visão) é um procedimento médico (um exame cirúrgico) que consiste em examinar um cadáver e seus órgãos para determinar a causa e o modo da sua morte e avaliar qualquer doença ou ferimento que possa estar presente. Às vezes, é utilizada também para fins de estudos. Grande parte das autópsias pertence ao âmbito da medicina legal.

Por que realizar uma autópsia?

Uma autópsia é realizada por um médico especializado (legista), em um local apropriado, denominado necrotério. Uma autópsia quase sempre é realizada com finalidades legais ou médicas, em casos em que a causa da morte não esteja bem esclarecida. As autópsias podem ser realizadas para determinar se a morte foi natural ou não natural, estabelecer as causas da morte, estimar o tempo decorrido de morte, para estabelecer a identidade do falecido ou recolher órgãos saudáveis para transplantes.

Uma autópsia forense pode ser realizada quando a causa da morte foi uma questão criminal. Ela pode ocorrer imediatamente após a morte e antes do sepultamento ou por meio de exumação do cadáver, tempos depois do sepultamento.

Uma autópsia clínica ou acadêmica pode ser realizada se as causas da morte forem desconhecidas ou incertas, ou ser levada a efeito para fins de diagnóstico ou de pesquisa.

Uma autópsia compreende tanto um exame externo como um exame interno do cadáver, para o que é necessário que o corpo seja dissecado. Quando a autópsia interna é concluída, o corpo deve ser reconstituído. Salvo em casos de mandado judicial, a permissão de parentes próximos é necessária para autópsia interna.

Quais são os tipos de autópsia?

Existem quatro tipos principais de autópsia quanto à sua finalidade:

  1. Autópsias forenses: procuram encontrar a causa e a forma da morte e identificar o falecido. Geralmente são realizadas em casos de mortes violentas, suspeitas ou súbitas, mortes sem assistência médica ou durante procedimentos cirúrgicos.
  2. Autópsias clínicas ou patológicas: realizadas para diagnosticar uma doença específica ou para fins de pesquisa. Elas visam determinar, esclarecer ou confirmar diagnósticos médicos que permaneciam desconhecidos ou obscuros antes da morte do paciente.
  3. Autópsias anatômicas ou acadêmicas: realizadas por estudantes de anatomia apenas para fins de estudo.
  4. Autópsias virtuais: realizadas utilizando apenas tecnologia de imagem, principalmente imagem por ressonância magnética e tomografia computadorizada.

Uma autópsia forense é realizada para determinar a causa da morte e maneira como ela ocorreu. O médico legista tenta determinar a hora da morte, a sua causa exata e o que a precedeu. Ela pode também propiciar a aquisição de amostras biológicas do corpo do falecido, incluindo o conteúdo estomacal, para exames toxicológicos. Em várias circunstâncias isso ajuda o judiciário a estabelecer dados precisos sobre os fatos, o que pode ser de grande interesse em muitos processos.

As autópsias clínicas têm dois objetivos principais:

  • Obter mais informações sobre os processos patológicos.
  • Determinar quais fatores contribuíram para a morte de um paciente.

As autópsias podem fornecer informações sobre as doenças e como as mortes de pacientes podem ser evitadas no futuro. Autópsias clínicas só podem ser realizadas com o consentimento da família da pessoa falecida.

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Qual é o procedimento médico em uma autópsia?

O corpo deve ser levado ao necrotério dentro de uma bolsa especial, que na verdade é um saco para cadáveres, para garantir que nenhuma evidência ou sinal seja perdido. Se houver sinais especiais nas mãos (resíduos de armas de fogo, pele sob as unhas, etc.), um saco de papel deve ser colocado em cada mão e fechado com fita adesiva em volta do pulso.

O corpo passará então por dois tipos de exames físicos: (1) exame externo e (2) exame interno. Esses exames frequentemente são complementados por exames toxicológicos, bioquímicos e/ou genéticos. Amostras de cabelo, unhas ou outras partes devem ser recolhidas e o corpo também pode passar por imagens radiográficas. Os procedimentos variarão segundo a finalidade com que se realize a autópsia, se forense, clínica ou outra.

Exame externo

Primeiramente, deve ser feita uma inspeção geral. Uma descrição geral do corpo deve mencionar o grupo étnico, sexo, idade presumível, cor e comprimento do cabelo, cor dos olhos e outras características distintivas (marcas de nascença, tecido cicatricial antigo, pintas, tatuagens, entre outros). O médico observará o tipo de roupa e sua posição no corpo antes de serem removidas e anotará qualquer outro sinal, como a presença se sangue, manchas de tinta, manchas na pele, etc.

Qualquer ferimento deve ser observado e registrado. A luz ultravioleta também pode ser usada para pesquisar as superfícies do corpo em busca de qualquer sinal que não seja facilmente visível a olho nu. O corpo pode ser fotografado como meio de registrar as observações. Depois que a inspeção externa é concluída e os materiais pertinentes são recolhidos, o corpo é pesado e medido em preparação para o exame interno.

Exame interno

Esse exame consiste em inspecionar os órgãos internos do corpo e fazer dissecações em busca de sinais significativos. O corpo é aberto por uma incisão que permita acesso aos órgãos e que não fique visível quando o falecido estiver vestido com uma mortalha. Uma tesoura é usada para abrir a cavidade torácica e expor o coração e os pulmões. O saco pericárdico é aberto para visualização do coração. O sangue para análise química pode ser retirado das veias pulmonares.

Os órgãos abdominais podem ser removidos um a um, após primeiro exame de suas relações. Os diversos órgãos são examinados, pesados e são retiradas amostras de tecido para serem posteriormente examinadas. Nesta fase, os principais vasos sanguíneos são abertos e inspecionados, assim como os conteúdos do estômago e intestino.

Para examinar o cérebro, uma incisão é feita sobre o topo da cabeça, desde um ponto atrás de uma das orelhas até um ponto atrás da outra orelha. O crânio é então cortado com uma serra apropriada para criar uma "tampa" que pode ser retirada, expondo o cérebro à observação direta. É incomum examinar o rosto, braços, mãos ou pernas internamente, mas isso é feito em casos específicos ou mediante requerimento.

Reconstituição do corpo

A reconstituição do corpo é uma das etapas importantes de uma autópsia, de forma que possa ser visto pelos parentes do falecido ou por demais pessoas num eventual velório. Todos os órgãos e tecidos devem ser devolvidos ao corpo, a menos que a família dê permissão para reter qualquer tecido para investigação posterior. A calota craniana retirada é reposta em seu lugar. As incisões são então fechadas e costuradas de volta no lugar. É comum que as pessoas não percebam que o procedimento foi realizado, quando o corpo é visto em uma funerária após o embalsamamento.

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Referências:

As informações veiculadas neste texto foram extraídas principalmente dos sites da Encyclopedia Britannica e da Johns Hopkins Medicine.

Nota ao leitor:

As notas acima são dirigidas principalmente aos leigos em medicina e têm por objetivo destacar os aspectos mais relevantes desse assunto e não visam substituir as orientações do médico, que devem ser tidas como superiores a elas. Sendo assim, elas não devem ser utilizadas para autodiagnóstico ou automedicação nem para subsidiar trabalhos que requeiram rigor científico.

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